Política

Disputa Acirrada

Se Lula e Flávio empatarem no domingo, quem será eleito presidente?

Com pesquisa apontando 50% dos votos válidos para cada candidato, legislação brasileira prevê desempate pela idade; entenda quem seria beneficiado e por que um único voto pode mudar o resultado

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A disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pode chegar ao segundo turno, neste domingo (25), com uma diferença mínima de votos. Diante do cenário de equilíbrio apontado pelas pesquisas eleitorais, uma dúvida ganha força entre os brasileiros: se os dois candidatos terminarem a apuração com exatamente a mesma quantidade de votos, quem assumirá a Presidência?

Embora a possibilidade de um empate absoluto em uma eleição nacional seja extremamente remota, a legislação brasileira estabelece um critério para resolver a situação.

Em vez de realizar uma terceira votação, o desempate considera a idade dos candidatos, favorecendo aquele que for mais velho.

Nesse cenário excepcional, Lula seria declarado vencedor, mesmo que Flávio Bolsonaro recebesse exatamente o mesmo número de votos. Isso porque o atual presidente tem 80 anos, enquanto o senador tem 45, uma diferença de aproximadamente 35 anos.

A hipótese voltou a chamar a atenção após a divulgação, nesta quinta-feira (22), de uma nova pesquisa Datafolha, que apresentou os dois presidenciáveis com 50% das intenções de voto válidas cada um, a apenas três dias da decisão.

O resultado, entretanto, não significa que a eleição terminará empatada. Existe uma diferença fundamental entre o empate técnico registrado em pesquisas e uma igualdade absoluta na contagem oficial dos votos.

O que diz a lei sobre um empate na eleição presidencial?

O critério de desempate pela idade está previsto no artigo 110 do Código Eleitoral, instituído pela Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965.

A legislação estabelece expressamente:

"Em caso de empate, haver-se-á por eleito o candidato mais idoso."

Embora o dispositivo esteja situado no capítulo relativo às eleições proporcionais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui precedente que reconhece a aplicação desse critério também às disputas majoritárias, sistema que abrange as eleições para presidente da República.

A Constituição Federal também utiliza a idade como critério de desempate em situação específica da eleição presidencial. O artigo 77, parágrafo 5º, determina que, se houver candidatos empatados na disputa pela segunda vaga do segundo turno, terá preferência o mais idoso.

Essa previsão constitucional se refere à definição dos participantes do segundo turno, enquanto o artigo 110 do Código Eleitoral e a jurisprudência da Justiça Eleitoral fundamentam a solução para um eventual empate na votação.

Portanto, na hipótese de Lula e Flávio receberem exatamente a mesma quantidade de votos válidos no próximo domingo, o critério etário favoreceria o candidato do PT.

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 e completará 81 anos na próxima terça-feira, dois dias depois da eleição. Flávio Bolsonaro nasceu em 30 de abril de 1981 e tem 45 anos.

A diferença de idade seria suficiente para resolver o empate, sem necessidade de realizar uma nova eleição apenas porque os dois candidatos obtiveram votações idênticas.

Um único voto pode definir o próximo presidente

Apesar de a regra de desempate favorecer Lula, isso não significa que Flávio Bolsonaro precise conquistar uma vantagem expressiva para vencer a eleição.

Na prática, basta que um dos candidatos receba um voto válido a mais do que o adversário para que o resultado seja definido pela votação, sem necessidade de recorrer ao critério de idade.

Para compreender a diferença, basta considerar uma situação hipotética.

Se Lula e Flávio Bolsonaro terminassem o segundo turno com exatamente 60 milhões de votos válidos cada, haveria um empate absoluto. Nesse caso, o critério da idade seria utilizado e beneficiaria Lula.

Entretanto, se Flávio conquistasse 60.000.001 votos, contra 60 milhões de Lula, o senador seria eleito presidente da República, apesar de ser mais jovem.

O mesmo raciocínio vale para o atual presidente: qualquer vantagem na quantidade de votos válidos, ainda que de apenas um voto, seria suficiente para garantir sua vitória.

O critério etário somente teria importância diante de uma igualdade rigorosamente exata, confirmada pela totalização oficial da Justiça Eleitoral.

Isso significa que a idade não representa qualquer vantagem durante a votação ou a apuração. Trata-se exclusivamente de um mecanismo jurídico para solucionar um cenário excepcional.

Datafolha aponta empate de 50% a 50% a três dias da eleição

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) aponta empate numérico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com 50% dos votos válidos para cada candidato. Considerando os votos totais, Flávio aparece com 47%, contra 46% de Lula. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% estão indecisos.

O levantamento ouviu 2.520 eleitores em 154 municípios, entre 20 e 22 de outubro, e possui margem de erro de dois pontos percentuais. Encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09709/2026.

Na pesquisa anterior, Flávio tinha 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Já no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador obteve 47,03%, enquanto o presidente recebeu 45,16%. A decisão ocorre neste domingo (25).

Empate técnico não significa empate nas urnas

Uma das principais dúvidas sobre as pesquisas eleitorais está relacionada ao significado da expressão "empate técnico".

O termo é utilizado quando os resultados apresentados por dois ou mais candidatos não permitem identificar uma liderança estatisticamente segura, considerando a margem de erro da pesquisa.

Isso significa que dois concorrentes podem aparecer com percentuais diferentes e, ainda assim, estar tecnicamente empatados.

Além disso, os percentuais divulgados pelos institutos costumam ser arredondados. Portanto, mesmo quando uma pesquisa apresenta dois candidatos com 50% das intenções de voto válidas, isso não significa necessariamente que a estimativa seja de igualdade absoluta.

A apuração eleitoral funciona de maneira diferente.

No dia da votação, não existe margem de erro na contagem oficial dos votos. A Justiça Eleitoral totaliza a quantidade de votos recebidos por cada candidato e utiliza esses números para definir o resultado.

Assim, se um candidato receber 50.000.001 votos e outro conquistar 50 milhões, não haverá empate, mesmo que os percentuais apresentados ao público sejam arredondados para 50% cada.

A diferença de apenas um voto será suficiente para determinar o vencedor.

Por isso, o empate observado nas pesquisas não deve ser confundido com a situação extraordinária que poderia levar à aplicação do critério de idade.

Votos brancos e nulos podem interferir no desempate?

Na eleição presidencial, somente os votos válidos são considerados para definir o vencedor. Votos brancos e nulos ficam fora da contagem e não são transferidos a nenhum candidato.

Assim, se Lula e Flávio Bolsonaro receberem exatamente 50 milhões de votos válidos cada um, haverá empate, independentemente da quantidade de votos brancos ou nulos.

A legislação também não prevê o cancelamento automático da eleição por excesso de votos nulos. Da mesma forma, as abstenções, registradas quando o eleitor não comparece às urnas, não entram no cálculo. Portanto, apenas os votos válidos destinados aos candidatos determinam o resultado.

Haveria um terceiro turno se Lula e Flávio empatassem?

A legislação eleitoral brasileira não estabelece a realização automática de um terceiro turno para resolver um empate exato entre os candidatos à Presidência.

O mecanismo de desempate pela idade existe justamente para oferecer uma solução jurídica à hipótese de igualdade na votação.

Isso não impede a existência de questionamentos judiciais sobre a apuração ou a validade de votos, caso haja fundamento para isso. Entretanto, um empate numérico, isoladamente, não exige a convocação de milhões de brasileiros para uma terceira votação.

A eleição presidencial é regida pelo sistema majoritário, e a definição oficial do resultado cabe à Justiça Eleitoral, observadas as normas constitucionais, legais e os procedimentos de totalização.

A situação de empate absoluto permanece altamente improvável, sobretudo em um país onde dezenas de milhões de eleitores participam da escolha do presidente.

Ainda assim, com as pesquisas apontando uma disputa equilibrada, a possibilidade desperta curiosidade e reforça a importância de compreender os mecanismos que determinam o vencedor.

No fim das contas, a regra é simples: quem receber mais votos válidos no domingo será eleito presidente. Somente se Lula e Flávio Bolsonaro terminarem a apuração com exatamente a mesma votação é que a idade se tornará decisiva. Nesse cenário excepcional, a vantagem seria de Lula.

 

Eleições 2026

Às vésperas do 2° turno, assédio eleitoral cresce 136% em MS

Órgão manterá plantão para atender ocorrências relacionadas a possíveis práticas de assédio eleitoral neste final de semana

22/10/2026 17h00

Atuação busca assegurar a liberdade de escolha dos trabalhadores, que não podem sofrer pressões, constrangimentos ou ameaças no ambiente de trabalho em razão de suas preferências políticas

Atuação busca assegurar a liberdade de escolha dos trabalhadores, que não podem sofrer pressões, constrangimentos ou ameaças no ambiente de trabalho em razão de suas preferências políticas Foto: Divulgação / MPT-MS

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O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) registrou um aumento de 136% nas denúncias de assédio eleitoral na reta final das eleições de 2026, índice que saltou de 11 para 26 desde o último dia 4, data do primeiro turno. 

Para garantir o atendimento aos trabalhadores e o recebimento de denúncias durante o fim de semana da eleição, o MPT-MS manterá plantão para atender ocorrências relacionadas a possíveis práticas de assédio eleitoral.

A atuação busca assegurar a liberdade de escolha dos trabalhadores, que não podem sofrer pressões, constrangimentos ou ameaças no ambiente de trabalho em razão de suas preferências políticas ou de seu voto.

Os dados do MPT-MS mostram que as denúncias de assédio eleitoral se concentraram no mês de outubro. Em julho deste ano, foi registrada uma denúncia; em agosto, foram duas; em setembro, seis; e, em outubro, até o dia 22, foram contabilizadas 20 denúncias.

O levantamento evidencia a concentração dos registros no mês da votação e o aumento significativo na reta final do processo eleitoral. Até o primeiro turno, em 4 de outubro, o estado contabilizava 11 denúncias. Desde então, o total chegou a 29, um acréscimo de 18 registros e crescimento de 136,4%.

Em comparação com o último pleito presidencial, em 2022, quando foram registradas 58 denúncias de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul, o estado contabiliza, até o momento, 29 denúncias. O número atual corresponde à metade do total registrado naquele ano, considerando o levantamento estadual disponível até 22 de outubro.

Procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, avalia que o aumento no número de registros pode estar relacionado à maior conscientização da população sobre o que caracteriza o assédio eleitoral e sobre os canais disponíveis para denunciá-lo.

“O aumento das denúncias pode estar relacionado à maior conscientização dos eleitores sobre o que caracteriza o assédio eleitoral e como denunciá-lo. É importante que os trabalhadores saibam que a liberdade de escolha política deve ser respeitada e que práticas de coação ou constrangimento no ambiente de trabalho podem ser denunciadas ao Ministério Público do Trabalho”, destacou. 

Cândice Arosio também ressalta que o recebimento de denúncias não se encerra com o fim da votação ou de determinado turno eleitoral. “O MPT continua recebendo denúncias mesmo após o encerramento da eleição ou de um turno específico. A atuação do órgão não se limita ao dia da votação, pois é necessário apurar as situações relatadas e adotar as medidas cabíveis quando constatadas irregularidades”, afirma.

Atuação busca assegurar a liberdade de escolha dos trabalhadores, que não podem sofrer pressões, constrangimentos ou ameaças no ambiente de trabalho em razão de suas preferências políticas Infográfico / Tribunal Superior do Trabalho 

Nacional 

Em âmbito nacional, os dados de 2026 também apontam uma concentração de denúncias no período que antecede o segundo turno.

Foram registradas 674 denúncias de assédio eleitoral em outubro (até o dia 20), enquanto setembro contabilizou 552 registros.Entre janeiro e outubro de 2026, o total nacional chegou a 1.492 denúncias.

No último pleito presidencial, em 2022, o Ministério Público do Trabalho registrou 3.373 denúncias de assédio eleitoral em todo o país. Deste total, 2.641 foram contabilizadas em outubro, mês da votação, o que demonstra a concentração dos relatos na fase decisiva do calendário eleitoral.

Saiba*

O assédio eleitoral pode se manifestar por meio de ameaças, constrangimentos, intimidações ou outras formas de pressão relacionadas à preferência política ou ao voto do trabalhador.

Também é importante que situações envolvendo manifestações em ambientes digitais sejam analisadas considerando as circunstâncias e o possível impacto sobre a liberdade de escolha nas relações de trabalho.

O canal de denúncias da instituição ficará disponível 24h. As denúncias podem ser encaminhadas pelo site do MPT-MS www.prt24.mpt.mp.br/servicos/denuncias.

LUTO

Assembleia suspende sessão em razão do falecimento da esposa de Zé Teixeira

Ivanilde Zanfolin Teixeira, de 83 anos, faleceu vítima de um AVC nesta quarta-feira (21)

22/10/2026 12h00

Ivanilde foi casada por 66 anos com o deputado Zé Teixeira

Ivanilde foi casada por 66 anos com o deputado Zé Teixeira DIVULGAÇÃO

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Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) suspendeu a sessão plenária desta quinta-feira (22), em razão do falecimento de Ivanilde Zanfolin Teixeira, esposa do deputado estadual reeleito Zé Teixeira (PL).

Presidente da Casa de Leis, deputado estadual Gerson Claro (PP), anunciou a suspensão logo após o início dos trabalhos, com base no artigo 116 do Regimento Interno da Casa, que prevê a deliberação do plenário para a suspensão ou levantamento da sessão.

O presidente também propôs uma moção de pesar em homenagem a Ivanilde e familiares, em nome da Assembleia Legislativa.

Zé e Ivanilde foram casados por 66 anos e têm dois filhos. Ela permaneceu ao lado dele por toda a sua trajetória política: Zé está há 32 anos na vida política – oito mandatos consecutivos.

O deputado foi reeleito em 2026 para mais quatro anos de cadeira na ALEMS, com 54.080 votos tornando-se o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul, garantindo o nono mandato.

Deputado estadual reeleito, Paulo Corrêa (PL), manifestou condolências ao colega.

“Nesse momento desejamos grande força ao nosso amigo e deputado Zé Teixeira para que cuide da família”, disse.

LUTO

Ivanilde Zanfolin Teixeira, de 83 anos, faleceu na tarde desta quarta-feira (21), em Dourados, município localizado a 226 quilômetros de Campo Grande.

O falecimento foi comunicado pela família Teixeira por meio de nota oficial divulgada nas redes sociais.

Ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e estava internada desde domingo (18) no Hospital Unimed, em Dourados.

O velório ocorre das 6h às 14h desta quinta-feira (22), na Pax Primavera, localizada na rua Hilda Bergo Duarte, nº 1.135, sala Master, na Vila Planalto, em Dourados. O sepultamento ocorrerá às 15h, mas, o local não foi divulgado.

Ela nasceu em 22 de junho de 1943 e deixa o esposo e dois filhos, Nilson e Eliana. Ivanilde deixa o legado de fé, companheirismo e dedicação à família.

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