Cidades

CAMPO GRANDE

Esgoto irregular ainda é principal causa de poluição em rios e córregos

Relatório aponta que, em 32% dos locais monitorados, a qualidade da água é regular ou ruim

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As canalizações irregulares agravam e continuam sendo a principal causa de poluição nos rios e córregos de Campo Grande. Muitos imóveis têm o esgoto ligado à rede de água da chuva, o que, além de impedir o tratamento da água poluída que é despejada nos rios, provoca alagamentos e mau cheiro nos bueiros. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), somente no ano passado foram expedidas 903 notificações a proprietários de residências e empresas por falta de conexão da rede de esgoto e lançamento irregular.  Enquanto esses imóveis não se conectam ao esgoto, os dejetos são jogados sem tratamento nos rios e córregos. 

“Uma coisa que a gente se preocupa bastante é o despejo irregular de esgoto das águas prediais. Esgoto lançado na drenagem e também a drenagem de águas pluviais lançada no esgoto. Isso acaba acarretando num aumentro de vazão não planejado e a galeria não consegue transportar todo o esgoto para o que ela foi projetada, acaba causando falhas na operação do esgoto. Outra coisa é que a gente tem uma cultura de as pessoa separarem água de máquina de lavar, por exemplo, e acharem que estão ajudando o meio ambiente lavando o quintal, mas isso polui os córregos. A pessoa acha que está fazendo bem, mas, na verdade, não está; fora a conexão da rede coletora de esgoto, que a população ainda tem um bloqueio sobre isso, por exemplo, mantendo as fossas”, explica a engenheira sanitarista da Semadur, Ariane Oliveira Custódio.

A irregularidade é passível de multa, aplicada depois do processo de notificação do imóvel e abertura de prazo para defesa, na Coordenadoria Jurídica e de Julgamento da Semadur. 

QUALIDADE DA ÁGUA

Desde 2009, a prefeitura acompanha a qualidade dos rios e córregos da Capital por meio do programa Córrego Limpo. Ao todo, são monitorados 81 pontos de amostragem, distribuídos em nove das onze microbacias de Campo Grande,  que  possibilitam o acompanhamento da condição e controle da qualidade dos mananciais utilizados para abastecimento público do município. A microbacia do Gameleira e a do Ribeirão Botas não apresentam curso d’água em área urbana, por isso não têm pontos de monitoramento.

A última avaliação da qualidade das águas mostra que houve a predominância da condição de qualidade “boa” para as águas superficiais do município, a qual foi atribuída a 68% dos pontos de monitoramento; no entanto, 25% dos pontos apresentaram qualidade regular e 7% ruim. 

Conforme o gerente de fiscalização e monitoramento ambiental Caio  Brito Peres, os principais fatores que podem ter contribuído para os resultados negativos são os lançamentos de esgotos sanitários e efluentes industriais nos corpos de água, a presença de animais de sangue quente na área de influência e o impacto das águas de drenagem urbana.

“Constatada em praticamente todas as amostras coletadas nos pontos de monitoramento, a E. coli é considerada o indicador mais adequado de contaminação fecal em águas doces, pois ocorre em grande número na flora intestinal humana e de animais de sangue quente (como mamíferos e pássaros), sendo raramente encontrada na água ou solo que não tenham recebido contaminação fecal”, explicou Peres.

A análise da qualidade das águas do município também considera o aumento populacional ocorrido entre 2010 e 2018, que saltou de 786.797 pessoas para 885.71 pessoas, conforme o IBGE, 2018.

“O aumento de 98.924 pessoas, consequentemente gera um acréscimo no consumo de água, geração de esgoto e produção de lixo, juntamente com potencial de poluição dos recursos naturais. Entretanto, os dados apresentados neste relatório demonstram crescente melhoria na qualidade dos córregos da área urbana do município, mesmo com o aumento populacional”, considera Talita Silva Terra Macedo, engenheira ambiental do Programa Córrego Limpo.

Fiscalização

Amado Batista e BYD entram na 'lista suja do trabalho escravo' do Ministério do Trabalho

O cadastro reúne empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão

07/04/2026 20h06

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O cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD foram incluídos na “lista suja do trabalho escravo” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cuja nova versão foi divulgada na segunda-feira, 6. O cadastro reúne empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Os casos são incluídos na lista após a conclusão de processos administrativos, com direito à ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos.

A assessoria de imprensa de Batista afirmou, em nota, que “não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades” e que “todos os funcionários continuam trabalhando normalmente” (leia mais abaixo).

Procurada, a assessoria de imprensa da BYD não enviou posicionamento ao Estadão até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Batista foi autuado em duas ações de fiscalização, em 2024, em Goianópolis (GO). A primeira envolveu 10 trabalhadores no Sítio Esperança, e a segunda, quatro funcionários do Sítio Recanto da Mata, ambos localizados na BR-060, na zona rural da cidade.

Segundo a equipe do cantor, uma fazenda “arrendada” por Batista para o plantio de milho foi alvo de fiscalização, que identificou irregularidades na contratação de quatro trabalhadores que eram funcionários de uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio.

A assessoria afirmou que o cantor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual “todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas”. “Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação”, acrescentou.

A BYD também foi autuada em uma ação de fiscalização em 2024, em Camaçari (BA), onde construiu a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, inaugurada em 2025.

De acordo com o MTE, foram realizadas diversas diligências fiscais entre dezembro de 2024 e maio de 2025 na construção do empreendimento. Em uma dessas ações, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

A pasta afirmou que os funcionários “estavam submetidos a condições de vida e trabalho extremamente precárias”, sendo obrigados a dormir em camas sem colchões e guardar seus pertences junto com ferramentas de trabalho e alimentos. “Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro disponível para cada 31 pessoas, o que os obrigava a acordar às 4h da manhã para conseguirem se preparar para a jornada”, escreveu o MTE em comunicado divulgado na época.

Ainda segundo a pasta, os auditores-fiscais também identificaram indícios de que a BYD teria cometido fraude contra as autoridades migratórias brasileiras, com o objetivo de viabilizar a entrada dos trabalhadores estrangeiros no país sem o devido registro e em desacordo com a legislação vigente.

Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos na atualização de segunda-feira. Criada em 2003, a “lista suja” é publicada semestralmente para divulgar os resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação do MPT, da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, de outras forças policiais.
 

Relações Internacionais

EUA ampliam diálogo com MS e avaliam cooperação em projetos estratégicos

Encontro discutiu Rota Bioceânica, segurança, educação e possíveis projetos conjuntos entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos

07/04/2026 19h52

Cônsul dos Estados Unidos, Kevin Murakami, e governador Eduardo Riedel

Cônsul dos Estados Unidos, Kevin Murakami, e governador Eduardo Riedel Divulgação/Álvaro Rezende

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O governador Eduardo Riedel recebeu, na manhã desta terça-feira (7), o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, em visita oficial a Mato Grosso do Sul. Foi a primeira agenda do diplomata no Estado, que integra o distrito consular norte-americano ao lado de Paraná e São Paulo. O encontro teve como foco a ampliação de parcerias e a discussão de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento regional.

Segundo o secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, a reunião abriu espaço para cooperação em diferentes áreas. Entre os assuntos abordados estiveram a Rota Bioceânica, o crescimento econômico do Estado, além de iniciativas em educação e segurança pública.

De acordo com o secretário, há possibilidade de projetos conjuntos entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos, dependendo do avanço das tratativas.

Também participaram do encontro a procuradora-geral do Estado, Ana Ali, o vice-cônsul político, Cornelius Sanford, e a especialista política do consulado, Arlete Salvador. A presença das autoridades reforça o interesse em estreitar relações institucionais e ampliar o intercâmbio entre o governo estadual e representantes norte-americanos.

Durante a passagem por Mato Grosso do Sul, o cônsul-geral ainda cumpre agenda com autoridades da área de segurança pública e representantes do setor empresarial.

A programação inclui visita ao Bioparque Pantanal e encontros com integrantes da comunidade japonesa local, além de outras atividades voltadas ao fortalecimento das relações econômicas e culturais.

Os Estados Unidos mantêm uma parceria consolidada com Mato Grosso do Sul, envolvendo governo, iniciativa privada e sociedade civil. A cooperação já ocorre em áreas como comércio, educação, saúde e cultura. No campo ambiental, há colaboração na preservação do bioma Pantanal, com ações voltadas ao monitoramento e combate a incêndios florestais.

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