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Saúde

Espera para a vacinação contra a Covid-19 ultrapassa 3 horas na Capital

Pacientes foram informados que unidade de saúde contava com o quadro de funcionários reduzida

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Moradores de Campo Grande denunciaram ao Correio do Estado que a fila para vacinação contra a Covid-19 ultrapassa três horas nas unidades de saúde do município.

A reportagem esteve na tarde desta terça-feira (10) na Unidade Básica de Saúde (UBS) 26 de Agosto, e constatou que diversos pacientes desistiram da imunização por conta da longa espera.

Uma paciente identificada apenas como Carla, disse que estava na UBS pela terceira vez à procura do imunizante contra o coronavírus.

“Nas vezes anteriores quando eu vim até aqui na unidade de saúde, eles já tinham distribuído as senhas para as vacinações do dia e eu fiquei sem. Me instruíram a retornar por volta das 13h, e desde às 13h15 desta terça-feira estou aqui. São 16h e permaneço sem atendimento e dose”, reiterou. 

Ao questionar os funcionários da UBS 26 de Agosto, Carla foi informada que a demora para a vacinação estava ocorrendo por falta de funcionários na unidade de saúde.

Ela relatou ainda, que em média, cada pessoa na fila para a imunização permanecia por mais de meia hora dentro da sala de vacinação. 

“Além da vacinação, há demora para a realização do teste contra a Covid-19 também. A Secretaria de Saúde tem que tomar providências, porque depois eles reclamam que a baixa vacinação é porque a população não vem até às unidades de saúde receber a dose”, salientou.

À espera pela dose contra o coronavírus, Fábio Douglas da Silva relatou que diversas pessoas já haviam desistido da imunização.

“Vim tomar a terceira dose de reforço contra o coronavírus e ainda não fui atendido. O que me parece é que havia apenas um atendente aqui. Quando fui no balcão de informações questionar, fui informado que a vacinação ainda ia demorar e já estou aqui há mais de uma 1h30”, disse. 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) informou que a espera superior há 3 horas é improcedente. “Hoje a unidade recebeu um fluxo maior do que o habitual, refletindo em picos de maior demanda e espera, no entanto, o tempo máximo de atendimento foi de 40 a 50 minutos”, disse a pasta.

 Segundo a Sesau, é importante ressaltar que, além da vacinação para Covid-19, na UBS 26 de Agosto é realizada a vacinação de rotina, onde há um tempo maior de atendimento, sobretudo das crianças.

Testes

Conforme publicado pelo Correio do Estado nesta segunda-feira, pacientes assumidamente contaminados com vírus da Covid-19 denunciaram a falta de critérios da Sesau de Campo Grande, que está deixando “todo mundo junto” nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

Ninguém quis se identificar para não sofrer represálias, mas um paciente que se dirigiu à UPA Leblon informou que foi buscar um atestado médico. Ao chegar lá, percebeu que não havia mais critério de separação de pacientes com e sem Covid-19. 

“Essa falta de cuidado acabou por gerar uma onda de medo, porque, por mais que muita gente já tenha sido vacinada, a doença persiste e mata”, disse o paciente à reportagem.

De acordo com o paciente, em respeito ao próximo, ele acabou por se afastar das pessoas. Ele disse, ainda, que várias UPAs passam por este problema. Outros pacientes também fizeram denúncia semelhante.

A separação entre paciente com sintomas gripais e pessoas com outras comorbidades foi feita desde o início da pandemia da Covid-19 para evitar que as pessoas que não estavam contaminadas com o vírus pudessem ser infectadas dentro das unidades de saúde ao buscar atendimento para outra doença.

Por meio de nota oficial, a Sesau informou que a orientação é para que os pacientes sintomáticos respiratórios sejam mantidos separados dos demais. Segundo a Sesau, esses pacientes devem fazer o uso de máscara durante todo o tempo. 

A nota da Sesau diz, ainda, que não havendo possibilidade de manter os pacientes em outro ambiente, eles devem ser dispostos de maneira a não ter contato direto com os outros que não estejam contaminados. 

A Sesau frisou que essa orientação será reforçada às unidades e considerou que as denúncias foram consideradas pontuais, cabendo esclarecer que cada unidade possui uma particularidade em relação a organização do fluxo, levando em consideração a estrutura física e capacidade de atendimento. 

Boletim

O Boletim Epidemiológico da Covid-19, divulgado nesta terça-feira (10), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), indica que Mato Grosso do Sul registrou 2.887 novos casos confirmados do coronavírus nos últimos sete dias.

Conforme o boletim, o Estado contabilizou no mesmo período 17 mortes em decorrência da doença, incluindo de uma mulher de 20 anos, moradora de Sidrolândia, sem comorbidades. Outras três mortes registradas em dezembro entraram no balanço atual.

Desde o início da pandemia, o estado contabilizou 599.285 casos confirmados da doença, de acordo com a secretaria. Ainda conforme o boletim, 59 pacientes estão hospitalizados por conta da doença, 35 em leitos clínicos e 24 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

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INTERIOR

Investigação contra cigarros contrabandeados resulta em mandado da PF

Agentes estiveram em imóvel no interior de Mato Grosso do Sul para cumprir busca e apreensão depois de 9 meses da investigação iniciar

11/04/2026 17h00

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas Foto: Divulgação

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A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (10), mandado de busca e apreensão no município de Sete Quedas contra o crime de contrabando de cigarros estrangeiros relacionado à uma apreensão feita em julho do ano passado que despertou a atenção da instituição.

De acordo com informações oficiais, o cumprimento do mandado foi em um imóvel na cidade do interior. Tudo começou há cerca de nove meses, quando agentes apreenderam 400 mil maços de cigarros de origem estrangeira transportados em conjunto veicular na rodovia MS-141, em Naviraí, e que estavam ocultos sob carga de resíduos recicláveis.

A ação da PF deflagrada na tarde desta sexta-feira resultou no confisco de aparelhos celulares, documentos e outros materiais que serão submetidos à análise forense para elucidação da participação de terceiros na empreitada criminosa.

Cigarros, contrabando & MS

Em Mato Grosso do Sul, a comercialização de cigarros contrabandeados do Paraguai é muito mais comum que no restante do Brasil, por conta da fronteira com o país vizinho.

Esse cenário faz com que, de 10 maços vendidos no Estado, 7 sejam de marcas ilegais, o que resulta em uma perda bilionária aos cofres do governo do Estado, que não recolhe o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desses produtos.

Estimativa feita pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), com base nos dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), mostra que, nos últimos seis anos, R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em Mato Grosso do Sul em razão da venda ilegal de cigarros contrabandeados.

Só em 2024, ainda de acordo com o FNCP, foram R$ 150 milhões perdidos em imposto que poderia ter sido cobrado.

Esse valor é alto porque o ICMS cobrado em Mato Grosso do Sul sobre o cigarro legal é de 30%. Essa política de impostos altos incidentes sobre esse tipo de produto é uma prática comum no País inteiro, como uma forma de desestimular que a população faça uso de um produto que comprovadamente faz mal à saúde.

Pelos dados do Ipec, no ano passado, 72% dos cigarros comercializados em todo o Estado tinham origem ilegal, porcentual que representa mais que o dobro do valor nacional, que foi de 32% em 2024.

Apesar de o valor ser alto, ele representa uma pequena queda em relação a 2023, quando esse mercado representava 74% das vendas de cigarro no Estado. E esse porcentual já chegou a ser de 85%, em 2019.

Matéria publicada em fevereiro deste ano pelo Correio do Estado mostrou que, de acordo com números da Polícia Federal, no ano passado, a corporação apreendeu R$ 87.771.190 em cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul. As apreensões ocorreram nas cidades de Mundo Novo (6), Ponta Porã (5), Campo Grande (4) e Corumbá (1).

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LEVANTAMENTO

PM soma mil chamados para intervir em casos de violência doméstica em MS

Atendimentos de emergência da instituição são realizados através do disque 190

11/04/2026 16h00

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Polícia Militar acumula mais de mil atendimentos de emergência para intervir imediatamente em casos de violência doméstica este ano, número que corresponde a aproximadamente 20% do número total de vítimas deste crime no estado em 2026, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

De acordo com o Monitor da Violência contra a Mulher, lançado no ano passado pelo Poder Judiciário em parceria com a Sejusp-MS, são 1.067 atendimentos de emergência oriundos do Disque 190 em casos de violência doméstica. Em suma, a Polícia Militar é acionada nestes casos para agir com a intervenção imediata, visando a proteção da vítima e o encaminhamento do agressor para as autoridades competentes.

Pegando o mesmo período analisado (janeiro, fevereiro, março e começo de abril) e comparando com anos anteriores (de 2017 até 2025), este ano fica atrás no quesito somente para 2022, 2023 e 2024, quando foi registrado uma média aproximada de mais de 500 atendimentos de emergência por mês.

Como era de se esperar, Campo Grande lidera a estatística entre os 79 municípios sul-mato-grossenses, com 535 chamadas de emergência, seguido por Dourados, com 80, e Três Lagoas, com 45.

Vale destacar que este levantamento não equivale a quantidade de ocorrências e vítimas totais de violência doméstica no estado em 2026. Neste quesito, Mato Grosso do Sul acumula 5.546 vítimas em 100 dias este ano, uma média de quase 55 mulheres por dia sofrendo algum tipo de violência, seja física, psicológica ou emocional.

Até o momento, 9 mulheres foram mortas em MS por parceiros ou familiares, o chamado feminicídio. O caso mais recente foi da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi encontrada morta na sala de casa, ainda fardada, com marca de tiro no pescoço. O namorado da vítima, de 50 anos, estava com a arma na mão. 

De acordo com as investigações, o casal se relacionava há um ano e quatro meses e morava na mesma casa há dois meses. O caso foi confirmado como feminicídio após a perícia descartar a possibilidade de suícidio, versão que Gilberto contou depois de ser apontado como o principal suspeito.

Nova lei

Agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crianças em casos de violência doméstica deverão usar tornozeleira eletrônica de forma imediata.

A medida está prevista na Lei 15.383/2026, sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União. A norma já está em vigor e também autoriza delegados a determinarem o monitoramento em cidades sem juiz, além de ampliar recursos públicos para aquisição dos equipamentos.

A nova legislação altera a dinâmica das medidas protetivas ao tornar obrigatória a adoção da tornozeleira sempre que houver risco à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes. Antes, a Lei Maria da Penha previa o monitoramento eletrônico apenas como uma possibilidade.

Outro ponto central é a ampliação da atuação das autoridades policiais. Em municípios que não são sede de comarca, delegados passam a poder determinar o uso do dispositivo, devendo comunicar a decisão ao Judiciário em até 24 horas. Caberá ao juiz avaliar a manutenção da medida e informar o Ministério Público.

A lei também estabelece que a vítima deverá receber um dispositivo de alerta capaz de avisar, em tempo real, sobre a aproximação do agressor. O sistema utiliza geolocalização para monitorar o cumprimento das chamadas áreas de exclusão, permitindo resposta mais rápida das forças de segurança em caso de violação.

Além do monitoramento, a norma endurece as penalidades. O descumprimento de medidas protetivas, como violar o perímetro estabelecido ou danificar o equipamento, terá aumento de pena de um terço à metade, sobre a base atual de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

A legislação também reforça políticas públicas de prevenção. Campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher deverão incluir orientações sobre procedimentos policiais, funcionamento das medidas protetivas e formas de evitar a revitimização.

Para garantir a aplicação das medidas, o texto amplia de 5% para 6% a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao combate à violência contra a mulher. O financiamento poderá ser usado, inclusive, para compra e manutenção de tornozeleiras e dispositivos de alerta.

Outro avanço é a transformação em política permanente do programa de monitoramento eletrônico e acompanhamento de vítimas. A iniciativa prevê a entrega de dispositivos portáteis que emitem alertas automáticos tanto para a mulher quanto para a polícia mais próxima, caso o agressor descumpra as restrições impostas pela Justiça.

A lei tem origem no Projeto de Lei 2.942/2024, apresentado pelos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). O foco principal da medida é fortalecer a prevenção e reduzir casos de feminicídio no país.

*Colaborou Alison Silva

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