Criado oficialmente no dia 6 de fevereiro deste ano para garantir, principalmente, recursos financeiros a fazendeiros que priorizarem a manutenção da vegetação nativa , o Fundo Clima Pantanal está destinando quase R$ 3 milhões a ONGs que dizem atuar no combate a incêndios e no tratamento de animais silvestres atingidos pelas queimadas no Pantanal.
Publicação do diário oficial do Governo do Estado desta terça-feira (05) prevê o repasse de R$ 1,438 milhão para o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), R$ 996 mil para o instituto SOS Pantanal e R$ 497,5 mil para o IPCTB - Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil.
Somados, os repasses chegam R$ 2,931 milhões, o que equivale a 7,3% dos R$ 40 milhões anunciados pelo Governo do Estado ao Fundo Pantanal para o primeiro ano de vigência do programa.
De acordo com as publicações do diário oficial, o Instituto do Homem Pantaneiro, comandado pelo policial militar aponsentado Angelo Rabelo, promete destinar R$ 470 mil à “Base de Resgate Técnico Animal (BARTA) e Comunicação Integrada: Avanços na Proteção da Fauna Silvestre na Serra do Amolar” que visa estruturar e ampliar a Base de Resgate Técnico Animal (BARTA) e ampliar o sistema de comunicação via rádio na Serra do Amolar.
Um segundo convênio assinado entre o secretário de Meio Ambiente , Jaime Verruck, e o coronel aposentado prevê R$ 472,949,00 para o projeto “Tecnologia Conservação: Manutenção e Ampliação do Sistema de monitoramento de focos de incendios no Amolar” para ampliação da área de cobertura do sistema de monitoramento para detecção rápida de incêndios no Território Indígena Guató, na Serra do Amolar".
Outro repasse, desta vez de R$ 495.545,00, ao Instituto do Homem Pantaneiro é para “Fortalecer a Brigada Alto Pantanal: prevenção, restauração e união comunitária no Pantanal” para Manter a atuação da Brigada Alto Pantanal nas ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, bem como a recuperação de áreas atingidas pelos incêndios na região da Serra do Amolar".
O valor de quase meio milhão de reais para o instituto que atua na preservação de tamanduás, comandado por Flávia Regina Miranda, será destinado, conforme o diário oficial, à "capacitação de brigadas para o resgate, primeiros socorros e manejo seguro de fauna silvestre em situações de incêndios florestais. Promover o atendimento adequado e rápido aos animais vitimados por incêndios, contribuindo para o seu monitoramento e reintrodução no ambiente natural"
Um dos acordos com o Instituto Socioambiental da Bacia do Alto Paraguai - SOS Pantanal, coordenado pelo pesquisador Alexandre Ferreira Bossi, promete destinar R$ 498,6 mil ao projeto “Comunidades Adaptadas e Resilientes ao Fogo: Fortalecimento das Brigadas Comunitárias Ribeirinhas de Porto Esperança e Povoado do Salobra” .
O projeto promete "fortalecer a prevenção, a resposta e a resiliência das comunidades ribeirinhas de Porto Esperança e Salobra, frente aos incêndios florestais e aos efeitos das mudanças climáticas, por meio da estruturação e capacitação de brigadas comunitárias alinhadas aos princípios do Manejo Integrado do Fogo (MIF), com ênfase na comunicação integrada, uso de tecnologias acessíveis e governança territorial participativa".
O segundo projeto, com valor praticamente igual ao anterior, vem acompanhado por uma proposta ainda mais pomposa. O dinheiro é destinado ao projeto “Governança Local do Manejo Integrado do Fogo: Aliança 5P e região”.
A promessa é combater incêncios florestais em "uma área de 546 mil hectares, composta por 26 fazendas distribuídas em quatro microrregiões do Pantanal (Abobral, Nabileque, Nhecolândia e Miranda), além de uma Unidade de Conservação. A proposta abrange 12 brigadas ativas, tecnicamente capacitadas, com experiência em gestão de operações e apresenta avanços na aplicação de soluções de ciência e tecnologia, apoio ao Hospital de Fauna Pantaneira, além da criação e difusão de conhecimentos sobre o Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF)".
Os seis acordos entraram em vigor no nos dias 3 e 4 de novembro, um dos meses com os mais altos históricos de chuva na região pantaneira. O dinheiro, porém, se destina aos trabalhos que serão desenvolvidos até 31 de dezembro do próximo ano.
SUBPROGRAMA
O PSA Bioma Pantanal, que está destinando os quase R$ 3 milhões ao o Subprograma Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PSA Brigadas), foi criado depois da disparada dos desmatamentos no Pantanal. Este aumento, por sua vez, foi atribuído à permissividade da legislaçã estadual que entrou em vigor em 2015.
Em agosto de 2023, ao abrir investigação sobre o aumento dos desmatamentos no Pantanal, o Ministério Público estimou a devastação diária de 78 hectares, totalizando 28,6 mil hectares em 2021. Porém, logo na sequência o Governo do Estado admitiu que naquele ano foram, na realidade, 153 hectares por dia, ou 56 mil hectares em um ano.
E, embora o fundo tenha sido criado para desestimular os desmatamentos, as parcerias com as ONGs está destinada exclusivamente ao combate a incêncios e recuperação de animais silvestres.
Neste ano, segundo dados do INPE, os incêndios atingiram 89 mil hectares no Pantanal. Isso representa queda de 95% na comparação com os 1,767 milhões de hectares no ano anterior, que foi marcado pela estiagem que levou o nível do Rio Paraguai ao mais baixo nível em 124 anos de medições, com 69 centímetros abaixo de zero na régua de Ladário.


