Cidades

Cidades

Estado é omisso e lei não coopera, diz promotor

Estado é omisso e lei não coopera, diz promotor

Redação

07/04/2010 - 23h40
Continue lendo...

bruno grubertt

Mato Grosso do Sul não tem políticas públicas nem diretrizes para tratar o dependente de álcool e drogas. De acordo com o presidente do Conselho Estadual Antidrogas (Cead/MS), o promotor de Justiça Sérgio Harfouche, a ausência de alternativas de tratamento da dependência química, além da descriminalização do usuário, geram problemas maiores e contribuem para o aumento do tráfico de drogas no Estado.

A “feira livre” de drogas  na Rua 7 de Setembro, entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa, onde viciados e traficantes transitam com tranquilidade, conforme reportagens do Correio do Estado, mostra essa realidade. “Precisamos que haja uma responsabilidade compartilhada, não só do Estado. O usuário tem de ser obrigado a se tratar, porque ele se torna um mal para a sociedade e destrói tudo à volta dele”, argumenta Harfouche. Segundo ele, o problema do tráfico de drogas tem trazido prejuízos sociais de que o poder público não tem dado conta. “O Estado não investe no tratamento e a lei não coopera”, diz. Segundo o promotor, o poder público  omite-se a não tratar o usuário como criminoso e não dar condições para o tratamento dele.

Em Campo Grande, apenas o Hospital Regional recebe pacientes viciados em drogas para internação no setor psiquiátrico, ainda assim em casos emergenciais. Na Santa Casa, os pacientes só são internados no setor psiquiátrico em casos de surtos psicóticos e urgentes. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o estabelecimento não está preparado para tratar dependentes químicos que necessitam de atenção especializada. Já o Hospital Universitário nem sequer tem setor psiquiátrico, conforme informou a assessoria de imprensa do estabelecimento.

Deficiência
O único centro de tratamento de dependência química credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campo Grande é o Hospital Nosso Lar. Porém, constantemente todas as vagas públicas estão ocupadas e uma longa lista de espera impede que a demanda seja atendida.
Para que o dependente entre na lista, ele precisa ser encaminhado por algum Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), unidades que estão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau).

Segundo a secretaria, apenas o CAPS/AD, especializado em dependência de álcool e drogas, dá apoio interdisciplinar a viciados, que são encaminhados por hospitais e unidades de saúde, além daqueles que buscam o apoio espontaneamente. Apesar do apoio de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde, o CAPS/AD não trabalha com regime de internação.
Adolescentes

A internação para o tratamento de crianças e adolescentes, entre 12 e 18 anos, com dependência química só é feita gratuitamente no Centro Recomeçando, programa organizado desde 2002 pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setass). Atualmente, o centro, localizado na área rural de Campo Grande, atende somente jovens do sexo masculino e tem 20 vagas, que estão preenchidas.
A maioria dos internos é proveniente do interior do Estado, que chegam por encaminhamento da família ou determinação judicial. Antes de ir para o centro, todos precisam passar por triagem, feita por assistentes sociais. A partir daí, o tratamento dura nove meses, nos quais o menino permanece internando, frequentando uma unidade da escola regular dentro do centro.

Diretrizes
Para determinar ações mais concretas de combate ao tráfico, o Conselho Estadual Antidrogas (Cead/MS) está realizando um fórum estadual sobre políticas públicas de prevenção, tratamento e repressão. Até agora, houve reunião em 60 municípios e as propostas surgidas serão reunidas em maio, no congresso estadual.

Mato Grosso do Sul, conforme informou o presidente do Cead/MS, Sérgio Harfouche, é o Estado que mais organiza leilões, que geram recursos para serem utilizados no combate às drogas. Porém, segundo ele, as verbas enviadas à Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) retornam ao Estado, mas não são encaminhadas ao conselho.

jogatina

Após duas reprovações, governo convoca terceira empresa no leilão da Lotesul

A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado e será convocada para a prova de conceito, etapa onde outras duas foram reprovadas

11/03/2026 17h30

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Após duas empresas serem reprovadas na prova de conceito da segunda etapa do leilão para assumir a Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul), a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. será convocada para a prova de conceito. A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado na nova rodada do pregão realizada nesta quarta-feira (11).

Após a realização de negociação direta e da documentação apresentada, foi constatado que os documentos atendem às exigências do edital.

Desta forma, a licitação foi suspensa para a realização da prova de conceito, que é a etapa na qual as duas empresas anteriores foram reprovadas. Foram desclassificadas a Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda e a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação.

A convocação da Idea Maker será publicada no Diário Oficial do Estado, onde constará a data de realização da prova.

A Prova de Conceito em licitação é uma etapa técnica, onde o licitante mais bem classificado demonstra, na prática, que seu produto ou serviço atende aos requisitos funcionais do edital. A prova de conceito valida a viabilidade técnica e a qualidade da solução antes da contratação final, sendo comum em Tecnologia da Informação (TI) e serviços complexos para evitar riscos.

A Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. tem sede em Santana de Parnaíba. A empresa é uma Fintech, fundada em 2011, especializada em soluções digitais focadas em e-commerce de produtos com venda incentivada, soluções de pagamento e gestão e transação de dados.

Conforme consta no site da empresa, ela atua no setor de gestão e transação de dados com soluções para registro de contratos eletrônicos de financiamentos de veículos e sistema de gestão lotérica com ferramentas de monitoramento e fiscalização dos gestores lotéricos e órgãos reguladores de sorteios.

Leilão

O governo do Estado está em busca de uma empresa especializada para implantação e operação de solução tecnológica (plataforma) que controle as atividades lotéricas, integrada com meios de pagamentos, para gerenciar e controlar as atividades e fluxo financeiro dos operadores lotéricos da loteria de MS, incluindo manutenção, customização e atualizações que se fizerem necessárias durante a vigência contratual, com entrega total do código-fonte e banco de dados ao final do contrato.

A licitação foi suspensa duas vezes no ano passado e sofreu alterações no edital em comparação com quando foi lançado. Porém, pelo seu potencial de arrecadação ser na casa dos bilhões de reais, segue atraindo atenção das empresas de loterias espalhadas pelo País.

A primeira disputa pela Lotesul foi em março do ano passado, mas foi paralisada logo no início do certame, para, supostamente, responder a uma dúvida de interessados.

A empresa que vencer a licitação para comandar a Lotesul poderá ter um faturamento anual bilionário, segundo estimativa macro feito pelo governo do Estado.

Apesar de no edital de licitação constar que a “estimativa da receita média anual de remuneração da plataforma é de R$ 51.474.339,31”, no termo de referência feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), organizadora do certame, o valor que a ferramenta pode chegar é muito maior.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Na última divulgação feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o Produto Interno Bruto (PIB) foi de R$ 184,4 bilhões. A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.

A Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA. havia ganhado o primeiro leilão em 23 de janeiro, mas, foi reprovada na prova de conceito por falta de cofre de regulação (eletrônico), o que é uma exigência do edital feito pelo governo de Mato Grosso do Sul para a Lotesul.

A segunda colocada, a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação LTDA, também foi reprovada na segunda etapa do processo licitatório, no dia 6 de março.

   

CAMPO GRANDE

Alagamentos em galpões de recicláveis colocam vida dos catadores em risco

O Ministério Público Estadual recomendou que Prefeitura de Campo Grande e Solurb adotem medidas para melhorar a infraestrutura dos barracões e garantir a segurança dos trabalhadores

11/03/2026 17h15

Continue Lendo...

Durante o período de chuvas intensas em Campo Grande, catadores de lixo passam por dificuldades na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), localizada no Parque do Lageado. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), estes profissionais trabalham com pés na água e correm o risco de tomarem choques elétricos devido a falhas na estrutura e drenagem.

Com isso, o MPMS, por meio da 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, expediu recomendação à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e à concessionária Solurb, responsável pela gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos da Capital, para que adotem providências imediatas na UTR do Parque do Lageado.

A recomendação é fundamentada em um relatório de vistoria elaborado pelo Núcleo Ambiental de Apoio ao CAOMA, que identificou cenários críticos durante períodos de chuva.

De acordo com o MPMS, as estruturas de operação da UTR de Campo Grande possuem altura elevada, grande abertura e telhas que necessitam de reparos. Devido à altura excessiva das coberturas e à falta de vedação lateral, a água invade os barracões, causando alagamentos nas áreas de triagem.

Barracões de armazenamento de materiais para triagem / Reprodução

Além disso, o ponto crítico destacado pelo MPMS é que os catadores da UTR de Campo Grande estão submetidos a condições precárias de trabalho. Eles foram flagrados operando prensas e esteiras elétricas com os pés submersos, devido ao transbordamento da rede de drenagem pluvial e à infiltração nos pavilhões. Foi identificado que o coletor pluvial direciona o fluxo da água para dentro de um dos barracões.

Prensa em piso com água acumulada / Reprodução

Além da questão de segurança do trabalho, a infraestrutura precária afeta diretamente a renda dos catadores, pois a falta de espaço coberto adequado para o volume de resíduos recebidos obriga o armazenamento de materiais ao ar livre.

Assim, expostos às condições climáticas desfavoráveis, os recicláveis ficam úmidos e perdem o valor de mercado, inviabilizando a operação eficiente das cooperativas COOPERMARAS, Novo Horizonte e CATA-MS, além da associação que atua no local.

Recomendações

O Ministério Público Estadual recomenda ao Município de Campo Grande e à concessionária Solurb, que adotem, no prazo de até 60 dias, as medidas necessárias para implementar infraestrutura adequada, para garanir a proteção dos catadores, o armazenamento correto dos materiais manuseados e a operação eficiente da unidade, são elas:

  • a adequação da cobertura e telhas; e a vedação lateral dos barracões para impedir a entrada de águas pluviais nas áreas de triagem, de modo que o ambiente de trabalho e os materiais não fiquem expostos às intempéries;
  • a disponibilização de local adequado para armazenamento dos materiais destinados à triagem, compatível com o volume da coleta seletiva recebido pela unidade, evitando sua disposição fora de área coberta;
  • a realização de reparos e manutenção periódica nas coberturas e na rede de drenagem pluvial (limpeza/desobstrução, caixas de passagem, grelhas, caimento e pontos de lançamento), dentre outros necessários, a fim de sanar problemas de transbordamento e alagamento;
  • a adoção de medidas imediatas para que os equipamentos elétricos não fiquem alojados em áreas com acúmulode água ou sujeitas a alagamentos, garantindo a segurança dos cooperados e a adequada utilização dos equipamentos.

A recomendação reforça que, embora o serviço seja delegado à Solurb, o Município de Campo Grande é o titular da gestão de resíduos e deve garantir a segurança e continuidade do serviço.

Com isso, ambos têm 30 dias para informar ao MPMS sobre o acatamento da recomendação e apresentar o cronograma de obras. O não cumprimento das medidas poderá resultar em ações judiciais por danos ambientais e ao patrimônio público.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).