Cidades

PROMESSA CUMPRIDA

Estado suspende oficialmente os desmatamentos no Pantanal

Decreto publicado nesta quarta-feira engaveta pedidos que estavam em análise e impede concessão de novas autorizações

Continue lendo...

Conforme prometido desde a semana passada, o Governo do Estado publicou nesta quarta-feira (16) decreto que “suspende a concessão de licença ou de autorização de supressão vegetal para uso alternativo do solo na Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira e do Bioma Pantanal”. A medida vale, inclusive, para  os pedidos que ainda estavam sob análise mas que não haviam sido aprovados. 

O decreto tem apenas três artigos e no primeiro já deixa claro que a suspensão vale “até que seja editada a lei estadual que regulamentará o disposto no art. 10 da Lei Federal nº 12.651, de 25 de maio de 2012, a concessão da licença ou da autorização relativa à supressão de vegetação nativa na Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira e do Bioma Pantanal, a contar da publicação deste Decreto, sobrestando-se os processos em andamento e a instauração de novos”. 

Nos argumentos que fundamentam a decisão, o decreto cita que existe “a necessidade de atualização e de revisão dos estudos relativos às recomendações técnicas para supressão vegetal”, já que o estudo que embasou o decreto de 2015, o qual permitia a supressão de até 60% da vegetação não arbórea e 50% da vegetação arbórea fora comprado pela Famasul e foi feito por um grupo de professores da Universidade de São Paulo que não representavam a instituição. 

O decreto também admite que existe “a necessidade de aprimoramento da regulamentação da legislação que trata da referida matéria”, evidenciando que, embora não queira citar índices, o Governo do Estado está disposto a alterar os parâmetros do decreto 14.273/2015 e assim restringir os desmatamentos na planície pantaneira. 

O recuo da administração estadual ocorre depois que o Ministério Público Estadual instaurou inquérito para apurar a disparada nos desmatamentos e após a “ameaça” de intervenção do Ministério do Meio Ambiente para barrar a devastação. 

De acordo com o MPE, entre 2009 e 2015, a média anual de autorizações para desmatamento no Pantanal era de 29 mil hectares. Depois, entre 2016 e 2021, este número subiu para 54 mil hectares. 

DESMATAMENTO ATÉ SOB CHUVA

Dados divulgados na semana passada pelo Instituto SOS Pantanal, mostram que os desmatamentos no primeiro semestre de 2023 aumentaram em 175% na comparação com o mesmo período do ano anterior, passando de 9,3 mil hectares para 25,5 mil hectares.

E a devastação aconteceu em um período de chuvas constantes e intensas ao longo de todo o primeiro semestre deste ano. Após cinco anos, parte das planícies pantaneiras voltaram a ser alagadas pelo transbordamento de alguns dos principais rios, o que não foi suficiente para frear a supressão da vegetação nativa. 

Em março e abril, o Rio Miranda inundou milhares de hectares desde a cidade de Miranda até a foz. Depois disso, o Rio Paraguai, o principal da planície, também saiu do leito e atingiu pico de 4,24 metros na régua de Ladário, o maior nível desde a cheia de 2018, quando o pico foi de 5,35 metros.  

As fontes de informações do Instituto SOS Pantanal são as imagens de satélites do  MapBioma. Estes satélites registram todas as supressões de vegetação, sejam elas autorizadas ou clandestinas e o próprio governo estadual utilizou esta fonte de informação para demonstrar que no ano passado os desmatamentos haviam sido 12% menores que em 2021. 

LIMPEZA DE PASTAGENS

Conforme o texto do decreto, a medida se aplica aos procedimentos relativos ao CANI (Corte de Árvores Nativas Isoladas), não de aplicando aos empreendimentos considerados de utilidade pública ou de interesse social, conforme os termos da Lei Federal nº 12.651.

Atividades de limpeza de pastagem nativas e exóticas seguem permitidas. Entende-se por pastagens nativas as do tipo cambará, pateira e pimenteira, aromita, lixeira, canjiqueira, entre outras que estão em áreas que antes eram de campo limpo - contudo, tal situação deve ser comprovada, conforme explicação do Governo do Estado. 

Nota da administração estadual explica que pastagens chamadas de exóticas são as que possuem plantas regeneradas ou invasoras, com altura inferior a 32 centímetros. E, todas as atividades devem ser submetidas ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para serem realizadas. 

O Governo diz ainda que “a suspensão via decreto é mais uma ação entre tantas outras de conservação da biodiversidade do bioma pantaneiro que estão sendo promovidas pelo Governo de Mato Grosso do Sul. Sob a diretriz do desenvolvimento sustentável, discussões já foram iniciadas com o setor produtivo, ONGs e demais autoridades e interessados para se decidir o futuro do Pantanal”.

É a partir desse debate público, diz a administração estadual,  ouvindo todos os lados interessados e com competência para tal discussão, é que será elaborada a nova legislação para o uso do solo pantaneiro. A lei será construída pelo Governo do Estado a partir desse período de avaliação, embasando-se também em estudos sobre o bioma, um dos principais ativos ambientais do planeta.


 

Investigação

Avião interceptado em MS pode ter levado grupo suspeito de massacre na Bolívia

Investigação conduzida por autoridades bolivianas e brasileiras aponta que aeronave perseguida pela FAB pode ter retirado do país integrantes do grupo armado responsável por um massacre em fazenda e pela emboscada que matou um policial em San Matías.

04/08/2026 18h58

Aeronave suspeita interceptada pela Força Aérea Brasileira foi obrigada a pousar em uma pista improvisada entre São Gabriel do Oeste e Camapuã e acabou localizada abandonada pelas equipes da operação.

Aeronave suspeita interceptada pela Força Aérea Brasileira foi obrigada a pousar em uma pista improvisada entre São Gabriel do Oeste e Camapuã e acabou localizada abandonada pelas equipes da operação. Foto: Foto: Bope.

Continue Lendo...

O avião de pequeno porte interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB) na última sexta-feira (31), após cruzar ilegalmente a fronteira entre Bolívia e Brasil, pode ter sido utilizado para retirar do território boliviano integrantes do grupo armado suspeito de promover uma sequência de ataques violentos em San Matías, município localizado na fronteira com Mato Grosso do Sul.

A nova linha de investigação é tratada por autoridades da Bolívia e do Brasil e foi revelada pelo jornal boliviano El Deber.

Segundo fontes ligadas às apurações, há indícios de que os ocupantes da aeronave sejam os mesmos criminosos envolvidos no massacre ocorrido em uma fazenda e na emboscada contra policiais bolivianos, que resultou na morte de um segundo-tenente.

A hipótese ganhou força após a análise da cronologia dos fatos. Os ataques aconteceram entre quarta-feira (29) e quinta-feira (30), enquanto a aeronave entrou no espaço aéreo brasileiro na manhã de sexta-feira (31), poucas horas depois da ofensiva contra a polícia e no momento em que uma grande operação de busca era desencadeada na região de fronteira.

Perseguição aérea terminou em pouso forçado em Mato Grosso do Sul

Conforme informou a FAB, o avião entrou no espaço aéreo brasileiro sem autorização, não apresentou plano de voo e ignorou repetidas tentativas de contato por rádio.

Diante da suspeita, dois caças A-29 Super Tucano foram acionados para interceptar a aeronave. Após o piloto desobedecer às ordens de pouso, foi empregado o protocolo de policiamento do espaço aéreo, incluindo um tiro de advertência, procedimento previsto para forçar a aeronave a interromper o voo.

A perseguição terminou na região entre os municípios de São Gabriel do Oeste e Camapuã, em Mato Grosso do Sul, onde o piloto realizou um pouso de emergência em uma estrada de terra.

Aeronave suspeita interceptada pela Força Aérea Brasileira foi obrigada a pousar em uma pista improvisada entre São Gabriel do Oeste e Camapuã e acabou localizada abandonada pelas equipes da operação.Helicóptero das forças de segurança sobrevoa o local onde a aeronave interceptada pela FAB realizou pouso forçado em uma estrada de terra, entre São Gabriel do Oeste e Camapuã (MS). Foto: Polícia Federal. Foto: Força Aérea Brasileira (FAB).

 

As aeronaves militares não conseguiram pousar no local devido às condições da pista improvisada. Quando equipes policiais chegaram para fazer a abordagem, encontraram o avião completamente abandonado, sem qualquer ocupante.

Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores: ao contrário do que costuma ocorrer em voos clandestinos vindos da fronteira boliviana, nenhuma carga de drogas foi encontrada na aeronave.

Sustamente essa ausência de entorpecentes reforçou a suspeita de que o voo tinha outra finalidade: retirar do país integrantes da organização criminosa após os ataques registrados em San Matías.

Sequência de ataques deixou quatro mortos e um policial assassinado

A onda de violência começou na tarde de quarta-feira (29), quando homens fortemente armados invadiram a fazenda Campo Nuevo, de propriedade do produtor Jhonny Arce.

Três pessoas morreram no local. Uma quarta vítima, gravemente ferida durante o ataque, chegou a ser socorrida e transferida para um hospital em Cáceres, no Brasil, mas não resistiu aos ferimentos.

Na manhã seguinte, uma equipe do Centro Especial de Investigação Policial (CEIP), enviada para reforçar as investigações do massacre, foi surpreendida por uma emboscada.

Durante o ataque, o segundo-tenente Yerson Salazar Aliendres foi morto a tiros, enquanto outro policial ficou ferido.

Os crimes mobilizaram forças de segurança dos dois países e deram início a uma ampla operação de busca na faixa de fronteira.

Pista clandestina reforça suspeitas

Aeronave suspeita interceptada pela Força Aérea Brasileira foi obrigada a pousar em uma pista improvisada entre São Gabriel do Oeste e Camapuã e acabou localizada abandonada pelas equipes da operação.Pista de pouso clandestina localizada em San Matías, na Bolívia, onde a polícia encontrou uma estrutura que pode ter dado apoio logístico ao grupo investigado. Foto: Polícia Boliviana.

As investigações também levaram a Polícia Boliviana até uma pista de pouso clandestina localizada nas proximidades de Ascensión de la Frontera, também em San Matías.

No local, foram encontrados um avião modelo Cessna, aproximadamente 500 litros de combustível de aviação armazenados em cerca de 50 tambores, armas de fogo, munições, vestimentas táticas e diversos materiais considerados estratégicos para a organização criminosa.

Aeronave suspeita interceptada pela Força Aérea Brasileira foi obrigada a pousar em uma pista improvisada entre São Gabriel do Oeste e Camapuã e acabou localizada abandonada pelas equipes da operação.Avião modelo Cessna encontrado na base clandestina ao lado de dezenas de tambores de combustível que, segundo a polícia, davam suporte às operações do grupo armado. Foto: Polícia Boliviana.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que parte desse combustível tenha sido utilizada para abastecer a aeronave posteriormente interceptada pela FAB em Mato Grosso do Sul.

Outro elemento considerado relevante foi a localização do corpo do segundo-tenente Yerson Salazar, encontrado semienterrado a cerca de um quilômetro da pista clandestina, reforçando a suspeita de que o imóvel funcionava como uma base logística da quadrilha.

Cooperação entre Brasil e Bolívia

As investigações seguem de forma conjunta entre autoridades brasileiras e bolivianas para identificar quem ocupava o avião interceptado e confirmar se os fugitivos pertencem ao mesmo grupo responsável pelos ataques em San Matías.

Entre os principais alvos está Adán L. O. B., conhecido pelo apelido de "Grillo", apontado como líder da organização criminosa.

Segundo a Polícia Boliviana, ele possui antecedentes por homicídio, é procurado desde 2015 e também responde a acusações no Brasil por supostos vínculos com organizações criminosas.

Outro suspeito, identificado como Luis Andrés C.A., permanece preso na Bolívia e é investigado por participação nas ações criminosas.

O compartilhamento de informações entre os dois países deverá ser decisivo para esclarecer se os ocupantes da aeronave interceptada pela FAB eram, de fato, os responsáveis pela fuga do grupo armado que espalhou terror na região de fronteira e protagonizou um dos episódios mais violentos registrados recentemente em San Matías.

raio-x

Mato Grosso do Sul tem dois policiais militares para cada 1 mil habitantes

Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil aponta que há déficit no efetivo das polícias Militar e Civil em MS

04/08/2026 18h44

Polícia Militar opera com 56,1 da capacidade

Polícia Militar opera com 56,1 da capacidade Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Continue Lendo...

Para cada 1 mil habitantes, Mato Grosso do Sul tem 2 policiais militares e menos de um bombeiro e policial civil, conforme a segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (4).

Os dados têm como ano-base 2025 e apontam que, na soma de todas as corporações, somando também perícia oficial e Polícia Penal, o efetivo é de 14.022 no Estado.

A pesquisa mostra ainda que há déficit nas polícias em Mato Grosso do Sul.

Os cálculos sobre o déficit de policiais são feitos com base nas diferenças entre o tamanho real da corporação e os efetivos previstos pelos governos em lei ou planejamentos orçamentários. Os pesquisadores ponderam, no entanto, que nem sempre esses números estão atualizados em relação à demanda. "É o que cada Estado define como o seu ideal. Não existe uma métrica internacional para isso", diz Lima.

Com relação à Polícia Militar, o efetivo existente, de 5.948 policiais, corresponde a 56,1% do previsto, que é de 10.602. Na Polícia Civil, há 1.945 policiais em atuação, enquanto o efetivo previsto é de 2.970.

"Esses números sugerem que as polícias estaduais - responsáveis pela maior parte do policiamento ostensivo e da investigação criminal no país - seguem operando em ritmo de reposição mínima, sem ampliação substantiva de sua capacidade operacional, o que pode ser explicado em função dos limites fiscais para sua expansão", apontam os pesquisadores.

No caso da Polícia Civil, que tem o segundo maior efetivo entre as forças de segurança e opera hoje com 65,5% de sua capacidade ideal, o déficit acompanha o que ocorre em todo o Brasil. "É preocupante e revela cenário crítico de defasagem institucional em todo o território nacional", diz a pesquisa.

O quadro gera alertas especialmente por causa do contexto de avanço dos golpes, dos feminicídios e do crime organizado, para os quais o policiamento ostensivo tem efeito limitado e frentes mais especializadas trazem respostas mais efetivas.

"Está faltando investigação criminal no Brasil", afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum.

Em relação à remuneração, a média bruta da PM de Mato Grosso do Sul é de R$ 9.145,13, enquanto a da Polícia Civil é de R$ 14.567,67.

Além das polícias e Corpo de Bombeiros, a pesquisa aponta que, a nível estadual, as guardas municipais são a quarta força de segurança com mais agentes, atrás da PM, Polícia Civil e Polícia Penal. No Brasil, a guarda é a segunda maior força em efetivo.

A pesquisa aponta que há um crescimento das guardas, mas que falta controle, destacando que ao longo dos últimos anos, as guardas têm passado a ser cada vez mais beligerantes e infladas pelas prefeituras, em espécie de "municipalização da segurança pública", mas que isso não necessariamente tem se revertido em mais controle da atividade dos agentes.

"Esse é um desafio, ainda mais com a possibilidade de a PEC (Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo governo federal) da Segurança ser votada (no Senado) ainda neste semestre, com texto que atribui mais papel a elas (guardas) na segurança pública", disse Lima.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).