Esta 'estátua viva' pede ajuda aos motoristas no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Calógeras, em Campo Grande.
O flagra é do repórter fotográfico Paulo Ribas.
Cidades
CENAS DE CAMPO GRANDE
'Estátua viva' aproveita para pedir ajuda nas ruas
Esta 'estátua viva' pede ajuda aos motoristas no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Calógeras, em Campo Grande.
O flagra é do repórter fotográfico Paulo Ribas.
CORRUPÇÃO
Revelação foi feita pela PF nesta quinta-feira (15), quando foram cumpridos 21 mandados de prisão contra outros envolvidos na quadrilha.
15/10/2026 11h32
Gerson Palermo foi solto em abril de 2020 e recapturado em maio deste ano. As drogas foram enviadas ao Brasil neste período
Pivô da "demissão" do desembargardor Divoncir Maran do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o megatraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de cadeia, voltou a comandar um grande esquema de trafico de cocaína logo depois que recebeu o benefício da prisão domiciliar concedida pelo desembargador em abril de 2020.
A revelação foi feita nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal por meio da operação Capolinea, nome que vem do italiano e que quer dizer “fim da linha”, em alusão ao final da atividade criminosa do principal investigado, bem como na cessação da linha de fretes de minério de ferro exploradas pelo grupo.
E, de acordo com a investigação, a quadrilha comandada por Gerson Palermo, que ficou seis anos foragido e foi recapturado na Bolívia em maio do ano passado, conseguiu enviar para o Brasil nestes seis anos em torno de 24 toneladas de drogas, principalmente cocaína e que era escondida em meio a carregamentos de minério de ferro.
A Polícia Federal não mencionou explicitamente o nome de Gerson Palermo nesta quinta-feiura (15), mas revelou que “as investigações começaram com a análise do celular apreendido com um dos principais operadores do grupo, um indivíduo que estava homiziado na Bolívia. Foi constatado que o líder da organização era um traficante nacionalmente conhecido, o qual se encontrava escondido na Bolívia há cerca de 06 anos, após um ter sido beneficiado por um habeas corpus em um plantão do Tribunal de Justiça”.
Esse habeas corpus ao qual a PF se referiu foi concedido a Gerson Palermo pelo desembargador Divoncir Maran no dia 20 de abril de 2020. No dia seguinte a prisão domiciliar foi revertida por outro desembargador, mas Gerson Palermo já havia rompido a tornozeleira e fugido para a Bolívia, sendo recapturado somente em maio do ano passado.
Por conta desta decisão, o desembargador foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos, de Três Lagoas, e acabou sendo punido com aposentadoria compulsória por conta do suposto recebimento de propina para tirar o megatraficante da prisão, apesar de ele já ter 126 anos de condenações.
Além de Palermo, a operação desta quinta-feira também resultou na prisão de um vigilante que atuava na delegacia da Polícia Federal de Corumbá e que supostamente estava a serviço dos traficantes.
Cerca de 100 policiais foram às ruas nesta quinta-feira para cumprir 20 mandados de busca e apreensão, 14 mandados de prisão preventiva e 7 de prisão temporária, além de ordem de sequestro e bloqueios de bens no montante de R$ 24 milhões.
Com base nas informações extraídas do celular de Gerson Palermo, a PF “descobriu como a droga era transportada: em caminhões que levavam cargas de minério de ferro, aproveitando o grande movimento desse tipo de frete na região. Para isso, o grupo aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, e pagava a eles por PIX para que os caminhões fossem carregados sem fiscalização”.
Em abril de 2020, Divoncir acatou o argumento de que Gerson Palermo corria risco na prisão por conta da covid e determinou que ele usasse tornozeleira eletrônica. Porém, horas depois rompeu o equipamento e fugiu.
Desde então ele estava na lista de mais procurados do Brasil e em maio deste ano foi localizado na Bolívia. Ele é apontado como um dos chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e tem longo histórico de envolvimento com o crime.
Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um Boeing 727 da antiga Vasp. O avião saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi sequestrado cerca de 20 minutos após a decolagem.
O avião foi forçado a pousar em Porecatu (PR), quando o grupo roubou malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Já em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In contra um esquema de tráfico internacional de drogas e Palermo foi apontado como um dos chefes do grupo.
Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados, seguindo a rota do tráfico. Por tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.
Mesmo com as condenações, o traficante foi solto pelo plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. E, mensagens encontradas nos celulares de assessores do gabinete revelaram à PF que a sentença foi vendida.
“Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover”, diz uma mensagem encontrada pela PF. Em outra, uma assessora diz: "foi determinação do desembargador", mostraram conversas entre servidores que atuaram a pedido de Divoncir.
Depois da fuga, o desembargador Divoncir Schreiner Maran foi denunciado pelo juiz de Três Lagoas e em 10 de fevereiro deste ano, quase seis anos após a fuga do traficante, foi aposentado compulsoriamente. Porém, ele já havia se aposentado antes disso. Ou seja, a punição imposta pelo CNJ foi meramente ilustrativa.
CAMPO GRANDE
CGR Campo Grande usava veículos visualmente parecidos com táxi e estacionava automóveis em locais proibidos
15/10/2026 11h00
áxis voltaram a ocupar vagas que lhe pertenciam MARCELO VICTOR
Aena, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Campo Grande, encerrou definitivamente o contrato com a empresa de transporte personalizado CGR Campo Grande, que atuava no terminal de desembarque de passeiros.
A empresa copiava o serviço de táxi: veículos visualmente parecidos com táxi, automóveis estacionados em locais proibidos (vagas de táxi) e abordagem de passageiros que saíam do desembarque.
A situação provocava confusão e prejudicava o direito do usuário a informações claras e à livre escolha de transporte.
A concessionária formalizou o término do vínculo com a prestadora e comunicou oficialmente ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a extinção definitiva do contrato.
O MPMS foi até o local vistoriar se a empresa ainda estava em operação e comprovou que os veículos realmente deixaram de ocupar o espaço.
Com o fim do contrato, táxis voltaram a ocupar as vagas que lhe pertenciam.
Ezenilda Barbosa dos Santos é taxista há 14 anos no aeroporto e disse que a empresa atrapalhava suas corridas.
“Eles atrapalhavam a gente. Atrapalhava por isso que eles abordavam com enganação. Trabalhavam com o nosso nome para enganar os passageiros. Falavam que era táxi. Eu lembro os taxistas ficavam nervosos e nós não abordávamos o passageiro. Mas por causa deles, a gente tinha que estar junto com eles, porque eles enganavam o passageiro”, disse.
Ela também contou que o movimento melhorou após saída da empresa de transporte.
“O movimento melhorou, mas, ainda é altos e baixos. Época de feriado não presta. Dia de semana e dia de trabalho são bons. Eu trabalho das 8h às 19h. Aqui tem 14 voos por dia”, explicou.
A reportagem do Correio do Estado foi até o o estacionamento do aeroporto, na manhã desta quinta-feira (15), e verificou que as vagas existentes no local são destinadas a táxi, transporte por aplicativo (embarque e desembarque), transporte público e ônibus.
Taxistas do aeroporto declararam “guerra” a empresa CGR Campo Grande no ano passado.
Em julho de 2025, quando a empresa começou a atuar no local, taxistas protestaram e chegaram a interromper o tráfego em frente ao terminal de embarque e desembarque.
Com isso, a Aena acionou autoridades públicas para desobstruir as vias de acesso. A partir de então, a empresa começou a operar normalmente no aeroporto.
CGR Campo Grande foi cadastrada na prefeitura como Operadora de Tecnologia de Transporte (OTT) e criada em dezembro de 2021. Sua sede, até julho de 2025, era na rua Tókio, número 750, vila Palmira.
Começou a operar em julho de 2025 e encerrou atividades em meados de julho de 2026 no aeroporto. Ao todo, atuou por cerca de um ano. A empresa tinha 27 motoristas cadastrados.
Conforme apurado pela reportagem, a empresa pagava um aluguel de R$ 28 mil a concessionária aeroportuária.
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