Cidades

Tortura e violência

Estudante de medicina que torturou mulher trans é filho de Coronel

Três suspeitos foram presos após capturar, torturar e agredir mulher, incluindo marcação de símbolo nazista no braço da vítima

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Os três envolvidos na tortura de uma mulher trans, no último sábado (14), tiveram a prisão preventiva decretada durante a manhã de hoje. Dentre os nomes suspeitos, Jackson Vieira, de 38 anos e estudante de medicina, é apontado como filho de Coronel da Polícia Militar e um dos responsável pelas agressões.

Conforme as informações, outras duas pessoas participaram do crime, sendo Laysa Carla Leite Machinsky, de 25 anos, também estudante de medicina e companheira de Jackson, e Leonardo Duarte, de 22 anos, responsável por levar a vítima ao local e participante da violência.

Segundo o relato da vítima e conforme já noticiado pelo Correio do Estado, Leonardo Duarte era ex-namorado dela e haviam reatado naquele dia. Com isso, o homem utilizou da aproximação para levá-la até a casa do casal, na rua Coronel Ponce, em Ponta Porã.

A mulher foi vítima de socos, chutes, tapas, pisões, além de agressões com tacos de sinuca e vassouradas. Ela ainda relatou que um dos criminosos pediu que 'esquentassem uma faca', que posteriormente utilizaram para marcar uma suástica nazista no braço da vítima.

Apesar das ameaças de morte e acreditar que morreria, a vítima conseguiu fugir do local e pedir ajuda, em que foi até a Polícia Militar e realizou a denúncia.

Segundo os policiais, a vítima sofreu 1h30min de violência, com tortura física e psicológica.

Entenda o caso

De acordo com o depoimento da vítima, no sábado (14), Leonardo Duarte reatou o relacionamento com ela e naquele mesmo dia,ele a levou à casa de um casal, que a vítima conhecia por prestar serviços anteriormente.

Ao chegar no local, a vítima foi abordada pelo casal de forma violenta com início de uma discussão. A acusação é que a mulher teria sido paga integralmente por um serviço e não o fez da forma que Laysa e Jackson desejavam.

Com a progressão dos ataques, a discussão tomou rumo de violências físicas. Leonardo, então companheiro da vítima, desferiu dois socos contra ela e a segurou, mobilizando tentativas de defesas e de fuga.

Laysa e Jackson então partiram para os socos, tapas, pisões e ameaças. Em determinado momento, que a vítima acreditava que não sairia viva do local, um dos agressores pediu que esquentassem a faca e em seguida foi marcada com uma suástica nazista no braço.

Segundo o auto de prisão, Laysa estava grávida e o casal havia contratado a mulher para fazer as tarefas domésticas, além de cortar grama. Eles alegam que a mulher não apareceu e Laysa ficou responsável por realizar as tarefas domésticas há algumas semanas atrás.

Com isso, devido ao esforço, Laysa suspeitou de sofrer aborto espontâneo ao notar um coágulo quando retirou o coletor vaginal.

Ainda conforme relatório, a vítima estava no momento do aborto e a pediram que fosse responsável por enterrar o feto. No dia 13 de março, um dia antes das agressões e tortura, o casal descobriu um vidro guardado no escritório da casa, em que armazenava o material genético.

A partir disso, Jackson passou a culpar a vítima pelo aborto, e durante as agressões, ambos cobravam o valor pago à mulher anteriormente, utilizando o ocorrido como justificativa da violência. Eles ainda teriam obrigado a mulher à cheirar o frasco durante a tortura.

Desdobramentos

Após receber a denúncia a Polícia Militar capturou os suspeitos e os levou à 1ª Delegacia da Policia Civil. No depoimento, o casal confirmou, assim como a vítima que a contratava para serviços domésticos, mas afrimaram não participar das agressões.

Porém, Leonardo Duarte confessou que agrediu e segurou a mulher para ser agredida por Laysa e Jackson. Para a polícia, as versões dos três são insconsistentes e seguem sob investigação.

Com mandado convertido em prisão preventiva, os três criminosos foram enviados a penitenciárias. 

De acordo com a Polícia, a vítima está internada e irá passar por procedimento cirúrgico devido as lesões e também para retirar a marca da suástica.

*Saiba

No Brasil, a apologia ao Nazismo é crime seja ela como qualquer tipo de utilização, símbolos, marcas ou propagandas, com pena base de dois a cinco anos e tipificada como racismo pela Lei Federal nº 7.716/1989.

 

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Violência

Quase 70% das vítimas dependem financeiramente do agressor

Relatório foi feito com base na Comarca de Corumbá, que abrange também Ladário, e é tratado como uma referência para o restante de Mato Grosso do Sul

02/10/2026 08h10

Dados da pesquisa foram expostos no Tribunal do Júri de Corumbá

Dados da pesquisa foram expostos no Tribunal do Júri de Corumbá Foto: Rodolfo César

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A violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul ainda é uma crise crônica. Para ser combatida de forma mais eficaz, com prevenção e não reincidência, envolve ações em diferentes camadas de políticas públicas. Uma delas é a questão econômica, que ainda faz com que as vítimas sejam muito dependentes dos agressores. 

Esse fator, por exemplo, ocasiona a retirada de denúncias antes mesmo que haja tramitação judicial e acaba sendo uma forma de beneficiar o agressor e fomentar a impunidade. 

A constatação desse problema ocorreu a partir de uma pesquisa inédita, que identificou que 67% das vítimas que chegaram a acionar a polícia por conta de violência doméstica não tinham renda ou só conseguiam obter até R$ 1 mil por mês, valor abaixo do salário mínimo (R$ 1.621,00). 

Esse diagnóstico ainda revelou que 43,1% das vítimas sequer tinham atividade remunerada e outros 26% não tinham renda própria. Dentro desse contexto, 90% dessas mulheres ainda tinham filhos, ou seja, depois da denúncia, a subsistência delas e das crianças ainda seguia altamente atrelada ao recurso que o investigado pelo crime fornecia.

Todos esses dados foram divulgados oficialmente ontem, no Tribunal do Júri do Fórum de Corumbá, durante o lançamento dos estudos que resultaram nos livros “Panorama da Violência contra as Mulheres em Corumbá/MS (2020-2025)” e “Quando Sair de Casa Não É uma Opção: Dependência Econômica e Permanência na Violência Doméstica em Corumbá-MS”. 

Esses trabalhos têm como autores Dieimi de Souza Rufino, Lenita Maria Bernardo Estra Mendes, Nattielly Soria de Moraes e Vivian da Veiga Silva e foram elaborados dentro do Mestrado de Estudos Fronteiriços da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a partir do Observatório de Inovação Social da Fronteira (Obisfron).

O levantamento ocorreu na Comarca de Corumbá, que abrange também Ladário, e é tratado como uma referência para o restante do Estado. 

A região fronteiriça com a Bolívia é a que tem um dos melhores aparelhamentos disponíveis em Mato Grosso do Sul para atender mulheres vítimas de violência e, por conta das particularidades locais, acaba servindo de modelo e análise para a aplicação de políticas públicas no restante de MS.

“Quando eu via que as mulheres relatavam que reatavam as relações [com o agressor] por conta dos filhos, pela questão da insegurança alimentar, eu supunha que poderia ser maioria, mas não tinha a certeza. Ver essa confirmação, e com índices muito altos, gerou um impacto grande para mim. Eu imaginava, mas não queria encontrar essa realidade, que agora os números respondem”, relatou a pesquisadora e servidora do TJMS Dieimi de Souza Rufino.

A alta dependência financeira ainda está atrelada a outros índices que reduzem muito outras perspectivas para as vítimas. A pesquisa identificou que mais de 70% das vítimas sequer terminaram o ensino básico. Nessas condições, a empregabilidade acaba se tornando um desafio ainda maior.

Durante o evento de lançamento da pesquisa, que contou com a presença de juízas, promotora, equipes que atuam na rede de atendimento a vítimas de violência doméstica, policiais militares e civis e representantes da Prefeitura de Corumbá, bem como da OAB-MS – Subseção Corumbá e da UFMS, ainda foi apresentado um panorama sobre oportunidades de emprego que poderiam apoiar as mulheres que precisam se livrar da dependência financeira dos agressores.

Entre as 273 vagas que foram identificadas a partir de três fontes de anúncio de trabalho na região fronteiriça, em 2025, apenas uma destacava oportunidade voltada de forma mais exclusiva para mulheres. 

“Tabulando os dados, foi possível verificar que a grande maioria dessas vítimas ainda se encontra no chamado período mais produtivo da vida adulta, entre 18 e 49 anos, quando se espera que as pessoas estejam concluindo estudos, formando a família, garantindo sua casa, os bens, na verdade é tudo que essas mulheres não têm. A preocupação maior delas é o que vai ter na mesa no dia seguinte se ela perder aquele homem que a agride, mas que é a única pessoa que consegue ter a renda formal para prover tudo”, analisou a pesquisadora.

ESTRUTURA

Os estudos ainda confirmaram que, mesmo com diferentes aparelhamentos para atender as vítimas, como é o caso de Corumbá, os números da violência só crescem. As demandas por medidas protetivas de urgência saíram de 520, em 2020, para 904, em 2025. Essa situação se manteve com crescimento contínuo.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) divulgados ontem pelo Monitor da Violência Contra a Mulher, o Estado não registra um feminicídio há 15 dias, ainda assim, só neste ano, 27 mulheres foram mortas até este mês em Mato Grosso do Sul.

Saneamento Básico

Em 5 anos MS saltou de 8 para 36 cidades com esgoto e água tratados

Universalização deve ser alcançada em 2028, mas governador espera que possa ocorrer até antes

02/10/2026 07h00

Foto: Divulgação / Sanesul

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Mato Grosso do Sul teve um salto de 8 para 36 municípios que alcançaram a universalização do tratamento de água e esgoto em 5 anos. Os dados são resultado da Parceria Público-Privada (PPP) feita entre a Empresa de Saneamento do Estado de Mato Grosso do Sul (Sanesul) e a Ambiental MS Pantanal, concessionária do grupo Aegea.

Hoje a cobertura está em 82% em todo o Mato Grosso do Sul, incluindo Campo Grande, e muito próximo dos 90%, quando é considerado que a localidade alcançou a universalização do saneamento básico.
Em alguns casos onde a universalização já foi alcançada, ela saiu de 0% em 2021 para 90% este ano, são os casos de Selvíria, Itaquirai, Sete Quedas e Ivinhema.

“Quando a gente acompanha de perto uma cidade que tinha pouca cobertura de esgoto, ou até nenhuma, e vê esse índice avançar para perto ou acima de 90%, fica muito claro o tamanho da transformação que está acontecendo em Mato Grosso do Sul. Isso é resultado de obra acontecendo todos os dias: rede sendo implantada, estação entrando em operação, novas ligações chegando às casas e equipes trabalhando para fazer o sistema funcionar. É o que estamos vendo em municípios como Rio Verde de Mato Grosso, Água Clara, Ivinhema, Itaquiraí, Taquarussu e Fátima do Sul. Cada etapa concluída significa mais pessoas com acesso ao saneamento, mais proteção para os rios e mais estrutura para que essas cidades continuem crescendo com qualidade”, destaca Clayton Bezerra, diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal.

Nesses anos de contrato já foram construídos e entregues 24 Estações Elevatória de Esgoto (EEE) - instalação projetada para bombear os efluentes sanitários de um nível mais baixo para outro mais alto, vencendo desníveis do terreno onde a gravidade não é suficiente para o escoamento natural até a estação de tratamento - e mais 74 devem ser feitas nos próximos anos (entre 2027 e 2028) pela PPP.

Também foi entregue uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), além de ter duas em construção, com mais de 90% da obra concluída. Essas construções são em Itaquirai, Fátima do Sul e Taquarussu. Outras 13 ETE deve ser entregue nos próximos anos (entre 2027 e 2028).

 Os próximos projetos também incluem 790 km de rede nos próximos anos e 80 mil ligações nos próximos anos (entre 2027 e 2028).

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, destaca que o avanço das obras de esgotamento sanitário representa mais do que números e metas cumpridas: trata-se da entrega concreta de qualidade de vida à população e de um compromisso efetivo com a preservação ambiental.

“Estamos vivendo um novo tempo no saneamento em Mato Grosso do Sul. Cada rede implantada, cada estação de tratamento construída representa um avanço concreto na vida das pessoas. Trabalhamos com responsabilidade e visão de futuro, pois acreditamos que o acesso ao esgotamento sanitário é essencial para o desenvolvimento social e ambiental do nosso Estado. Isso tudo é fruto de decisões acertadas que estão possibilitando que o MS seja um dos primeiros do país a entregar a universalização do saneamento para a população”, disse Marcílio.

Conforme o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, o Estado pode ser o primeiro do Brasil a chegar a universalização do esgoto, ele espera que esse marco possa chegar já no próximo ano.

“Caminhamos para ser o primeiro estado do país a universalizar o serviço, em 2028, quem sabe até já no próximo ano, muito antes da meta do marco legal do saneamento. É uma transformação que a população sente no dia a dia, em diversas áreas, da saúde ao desenvolvimento. Tratamos o saneamento como infraestrutura relacionada à saúde, à preservação ambiental, aos recursos hídricos e à qualidade de vida”, frisou o governador.

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