Estudo encomendado pelo Governo do Estado e apresentado nesta segunda-feira (7) aponta que o Pantanal, que se estende por 9,73 milhões de hectares, o equivalente a 27% do território estadual, tem 4,2 milhões de bovinos, ou 22,7% do rebanho estadual. O Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), encomendou o estudo de agora para embasar o Plano de Fortalecimento das Cadeias Pecuárias do Pantanal .
O diagnóstico, elaborado pelos consultores Marcelo Rondon de Barros e Janielly Barros, foi apresentado ao secretário de Estado, Jaime Verruck, o secretário adjunto Arthur Falcette, os secretários executivos de Desenvolvimento Rogério Beretta e de Ciência e Tecnologia, Ricardo Senna, além dos coordenadores de equipes de investimentos e pecuária.
De acordo com o Governo, o levantamento detalha desafios, oportunidades e propõe ações para as principais atividades pecuárias da região, que representa cerca de 27% do território estadual e 6,8% do PIB estadual.
Só em 2024, de acordo com o estudo, a comercialização de bezerros e bois movimentou mais de R$ 5 bilhões, mostrando a força do Pantanal como fornecedor de animais magros para engorda e abate no Estado.
Com o estudo a Semadesc pretente criar medidas como criação de selos de origem, incentivo à exportação via ampliação de habilitação de frigoríficos, rastreabilidade do couro e pagamento por serviços ambientais.
"É uma ampliação das ações que a Semadesc trabalha nas cadeias pecuárias, principalmente na bovinocultura que é a maior cadeia de produção na região. Mas foram consideradas inúmeras atividades pecuárias", salientou.
Pela sua dimensão de importância econômica para o Pantanal, a bovinocultura é o destaque no plano. "O grande foco é a questão da bovinocultura por entender que atividade é praticada há pelo menos 300 anos no Pantanal. Então precisávamos entender como estava essa pecuária, em cada atividade e com o estudo isto está respaldado", salientou o titular da Semadesc, Jaime Verruck.
"Foi feito um amplo diagnóstico da pecuária, apicultura, piscicultura, entre outros para que se pudesse fazer um plano de ação. Isso também está dando muito suporte para toda a questão do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) do Pacto do Pantanal. Então a ideia é exatamente que ao longo desse processo fosse realizado um plano de ação para o fortalecimento das cadeias produtivas.
O número é 22% menor que os 5,4 milhões de bovinos apontados pela Famasul em novembro do ano passado. De acordo com a Federação da Agricultura, o Pantanal abriga nada menos que 29,3% dos 18,4 milhões animais no Estado. Os dados da Famasul foram divulgados em 5 de novembro do ano passado, em alusão ao Dia do Pantanal.
Uma fonte ouvida pelo Correio do Estado, que preferiu não se identificar por ter elo tanto com a administração estadual quanto com a Famasul, entende que alguma diferença entre os dados de diferentes instituições sempre vai existir. Porém, esta diferença de 1,2 milhão de cabeças indica que alguém está equivocado na divulgação dos números, aponta esta fonte.
Após a publicação desta reportagem pelo Correio do Estado, a Famasul entrou em contato com a equipe de reportagem, e informou que os números que a entidade contabiliza batem com os do governo. A diferença de 1,2 milhão de bovinos teria sido "um erro de digitação";
RUMO
Além das ações específicas, o estudo reforça a necessidade de melhorar a logística do Pantanal – ampliando aterros, portos fluviais e estradas –, modernizar as inspeções sanitárias e integrar políticas públicas para equilibrar produção e preservação. O plano considera dados de órgãos como IAGRO, IBGE, AGRAER e SENAR e abrange aspectos ambientais, sociais e econômicos.
Para o Governo de MS, a força do Pantanal está justamente na produção sustentável, que alia tradição, geração de renda e conservação de um dos biomas mais importantes do planeta.
"Temos agora um plano de desenvolvimento específico, com inúmeras ações relativas à região. A ideia com este diagnóstico é olharmos a região sob um olhar diferente de cada um dos pantanais. Temos dados muito positivos e que até nos surpreendem. Por exemplo, hoje 45% dos animais abatidos estão em programas do governo estadual, como o Precoce MS, ou o Pecuária sustentável. Isso aponta que estamos no caminho certo, de aliar o desenvolvimento com a sustentabilidade", concluiu Verruck.
(Com assessoria)
* Atualizado às 14h51min


