Cidades

Operação Infiltrados

Ex-policial absolvido no caso dos R$ 130 mil em sacola é preso em operação da cocaína

Augusto Torres Galvão Florindo, o "Paraíba", havia sido preso em 2025 sob suspeita de corrupção, ficou cerca de 70 dias detido e acabou absolvido; agora, é investigado em esquema de desvio de drogas apreendidas

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Menos de dois meses após ser absolvido pela Justiça Federal em um processo que começou com sua prisão diante de uma sacola com R$ 130 mil, o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39 anos, conhecido como “Paraíba”, voltou a ser preso nesta quinta-feira (24), desta vez durante a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

A nova investigação coloca Augusto novamente no centro de uma apuração relacionada ao suposto desvio de materiais que deveriam permanecer sob controle do Estado. Desta vez, porém, o caso envolve entorpecentes apreendidos.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Operação Infiltrados investiga um esquema no qual integrantes das forças de segurança teriam desviado drogas, principalmente cocaína, apreendidas em ocorrências policiais para posteriormente devolvê-las ao mercado ilegal.

Augusto, que foi demitido da Polícia Civil neste mês, está entre os presos na operação desta quinta-feira. O ex-investigador já havia sido detido em novembro do ano passado em outro caso, que envolvia suspeitas de negociação de mercadorias contrabandeadas.

A prisão anterior ocorreu em 28 de novembro de 2025, após uma investigação da Polícia Federal acompanhar uma movimentação financeira que terminou no estacionamento de um supermercado na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande.

Na ocasião, Augusto ainda integrava a Polícia Civil e estava lotado no Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).

Conforme mostrou o Correio do Estado à época, agentes federais acompanharam uma mulher após o saque de uma grande quantia em dinheiro. No estacionamento, um ex-guarda civil metropolitano entregou uma sacola a Augusto. A abordagem aconteceu logo depois.

Parte dos R$ 153,5 mil apreendidos no episódio estava na sacola entregue ao investigador e outra parcela foi encontrada dentro do veículo dele.

Um agente federal declarou durante o processo que havia R$ 100 mil na sacola e mais de R$ 20 mil no console do automóvel, além de outros valores.

A investigação levou Augusto, o ex-guarda civil metropolitano Marcelo Raimundo da Silva e a empresária Ana Cláudia Olazar à Justiça Federal.

O Ministério Público Federal sustentava que Augusto teria recebido vantagem indevida relacionada à sua condição de policial e a negócios envolvendo contrabando e descaminho.

Ele passou a responder por corrupção passiva, enquanto Marcelo e Ana Cláudia foram acusados de corrupção ativa.

Prisão foi mantida pela Justiça

O caso teve um primeiro desdobramento importante em janeiro deste ano. Conforme publicado pelo Correio do Estado em 9 de janeiro, a Justiça Federal rejeitou naquele momento um pedido de liberdade e decidiu manter Augusto preso preventivamente.

Na decisão, a Justiça considerou que a liberdade do então investigador representava risco à ordem pública diante das circunstâncias investigadas e de sua condição de agente policial.

A acusação sustentava que Augusto teria utilizado o cargo para participar da negociação de cigarros eletrônicos que teriam sido apreendidos e posteriormente desviados.

Naquele momento processual, a Justiça considerou que existiam elementos suficientes para manter a medida cautelar, mas isso não significava uma condenação. A situação mudou no decorrer do processo.

Cerca de 70 dias preso e absolvição

Augusto e Marcelo permaneceram presos durante a fase de produção das provas. Em 6 de fevereiro, depois de aproximadamente 70 dias de prisão, as preventivas foram revogadas.

Com o avanço da instrução, a Justiça entendeu que havia diminuído o risco de interferência na produção das provas.

Augusto chegou a retornar à Polícia Civil. Inicialmente, ficou restrito a atividades administrativas ou cartorárias, sem porte de arma, distintivo ou participação em investigações. Posteriormente, passou a trabalhar em setor administrativo. O desfecho criminal ocorreu em agosto.

Em sentença assinada no dia 19 daquele mês, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, absolveu Augusto e os outros dois réus das acusações de corrupção.

A absolvição, porém, não significou que a Justiça tivesse reconhecido como lícita a movimentação financeira que provocou o flagrante.

O magistrado concluiu que não havia provas suficientes para demonstrar, além de dúvida razoável, que o dinheiro entregue a Augusto estava relacionado à função pública exercida por ele, elemento necessário para caracterizar corrupção passiva.

Durante a investigação, não foram encontradas conversas, negociações ou mercadorias que permitissem comprovar a versão apresentada pela acusação sobre a finalidade daquela entrega. A análise dos celulares apreendidos também não conseguiu preencher essa lacuna.

Apesar das absolvições, a Justiça determinou o perdimento dos R$ 153,5 mil apreendidos em favor da União por entender que os acusados não comprovaram a propriedade e a procedência lícita da quantia.

Demissão veio semanas depois

A absolvição na esfera criminal não encerrou os problemas de Augusto dentro da Polícia Civil.

Neste mês, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) aplicou a pena de demissão ao investigador após processo administrativo disciplinar.

A decisão foi formalizada pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, em 8 de setembro e publicada no Diário Oficial no dia seguinte.

Com isso, Augusto deixou definitivamente os quadros da Polícia Civil. A defesa informou, na ocasião, que recorreria da punição administrativa.

A separação entre os dois procedimentos é importante: a absolvição ocorreu na ação criminal julgada pela Justiça Federal, enquanto a demissão resultou de processo administrativo disciplinar, que possui tramitação própria.

Nova prisão

Quinze dias após a publicação da demissão, Augusto voltou a ser preso. Desta vez, ele aparece entre os alvos da Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar.

A nova investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados nas operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Segundo o MPMS, as provas levantadas desde então apontaram a existência de um esquema envolvendo integrantes das forças de segurança no desvio de entorpecentes apreendidos, especialmente cocaína.

Os investigadores identificaram duas formas principais de atuação. Em uma delas, parte da droga efetivamente apreendida em uma ocorrência policial não seria incluída nos registros oficiais. Assim, uma quantidade menor do entorpecente apareceria formalmente como apreendida.

Em outra modalidade investigada, drogas que já estavam armazenadas seriam retiradas diretamente dos depósitos de delegacias.

Depois do desvio, conforme a investigação, os entorpecentes seriam repassados a traficantes ligados ao grupo e recolocados no mercado ilegal.

O MPMS afirma que agentes públicos investigados teriam se aproveitado justamente do acesso proporcionado pelas funções exercidas na segurança pública para viabilizar o esquema.

Operação mira integrantes das forças de segurança

A Operação Infiltrados foi deflagrada para o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

No primeiro balanço divulgado pelo Ministério Público, haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

A operação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, Corregedoria da Polícia Militar, Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Sejusp informou ainda que servidores alcançados pela operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias antes da ação desta quinta-feira. Segundo a pasta, três investigados já haviam sido presos anteriormente e um havia sido recentemente demitido.

Agora, Augusto passa a responder a uma nova frente investigativa, independente do processo no qual foi absolvido em agosto.

As suspeitas apuradas na Operação Infiltrados ainda estão em fase de investigação e a prisão cautelar não representa condenação. 

Delegado se apresenta horas após não ser localizado pelo Gaeco

A apresentação de Hoffman D’Ávila ocorreu horas depois de equipes do Gaeco não encontrarem o delegado em sua residência, no Carandá Bosque, durante o cumprimento das ordens judiciais da Operação Infiltrados.

A ausência levou os investigadores a buscar imagens de câmeras de segurança para tentar identificar quando ele deixou o imóvel e apurar se houve eventual vazamento de informações sobre a operação.

Até o momento, porém, não há confirmação de que o sigilo da investigação tenha sido quebrado ou de que Hoffman soubesse antecipadamente que seria alvo.

Durante a manhã, a defesa afirmou que o delegado não havia fugido e que apenas não estava em casa no momento da chegada das equipes. Horas depois, Hoffman se apresentou espontaneamente à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Campo Grande.

Após os procedimentos, a previsão é de que seja encaminhado ao Garras, onde permanecerá preso à disposição da Justiça. A audiência de custódia está prevista para sábado (26).

Hoffman possui trajetória profissional ligada justamente ao combate ao tráfico de drogas. Ele já atuou na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e no Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

A Operação Infiltrados investiga agentes de segurança suspeitos de utilizar o acesso proporcionado pelos cargos para desviar drogas apreendidas, principalmente cocaína, e fazê-las retornar ao tráfico. Até agora, o MPMS não detalhou publicamente qual conduta específica é atribuída a Hoffman dentro do suposto esquema.

 

Trânsito Fatal

Motociclista de 38 anos morre após bater contra árvore em Campo Grande

Vítima perdeu o controle da motocicleta, subiu no canteiro central e atingiu uma árvore na Avenida Manoel da Costa Lima.

24/09/2026 17h51

Motocicleta ficou caída na pista após acidente que matou homem de 38 anos na Avenida Manoel da Costa Lima, em Campo Grande.

Motocicleta ficou caída na pista após acidente que matou homem de 38 anos na Avenida Manoel da Costa Lima, em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Um motociclista de 38 anos morreu após sofrer um acidente na tarde desta quinta-feira (24), na Avenida Manoel da Costa Lima, no bairro Piratininga, em Campo Grande. A vítima estava sozinha na motocicleta quando perdeu o controle da direção, atingiu o canteiro central e bateu contra uma árvore.

O acidente ocorreu nas proximidades do cruzamento com a Rua Francisco Alves Castelo. O motociclista seguia pela avenida quando, por circunstâncias que ainda deverão ser esclarecidas, perdeu o domínio do veículo.

Após sair da pista, a motocicleta subiu no canteiro que separa os sentidos da avenida. Na sequência, houve a colisão contra uma árvore.

Com a violência do impacto, o motociclista sofreu ferimentos graves. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender à ocorrência, mas, quando chegaram ao endereço, constataram que a vítima já estava sem vida.

A área onde ocorreu o acidente foi isolada pela Polícia Militar de Trânsito para preservar o local até a realização dos trabalhos periciais. Equipes da Polícia Civil e da Perícia também foram acionadas para os procedimentos necessários.

Durante o atendimento da ocorrência, o trecho da Avenida Manoel da Costa Lima ficou interditado, provocando alterações no fluxo de veículos na região.

As circunstâncias que fizeram o motociclista perder o controle da direção deverão ser apuradas. Até o momento, as informações disponíveis não apontam para o envolvimento de outro veículo no acidente.

 

 

 

Tribunal do Júri

Após 7 anos, "Nico Bala" é condenado por homicídio motivado por briga em espetinho de Sidrolândia

Idoso foi condenado a cinco anos de prisão pela morte do então servidor público Márcio Mário Garcia de Souza, em janeiro de 2019

24/09/2026 17h14

Cena do crime em janeiro de 2019

Cena do crime em janeiro de 2019 Foto: Reprodução / Sidrolândia News

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O Tribunal do Júri de Sidrolândia condenou nesta semana Anísio Medeiros Pereira, conhecido como "Nico Bala", de 73 anos, pelo homicídio do então servidor público Márcio Mário Garcia de Souza, crime ocorrido em janeiro de 2019, após um desentendimento entre ambos em espetinho local.

A sentença foi proferida pelo juiz Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva nesta quarta-feira (23), que condenou "Nego Bala" a cinco anos em regime semiaberto pelo homicídio.

O prazo de pena passa a valer a partir da condenação recente, uma vez que o réu (primário) se apresentou à polícia apenas após o período flagrante, seguindo em liberdade desde então. 

O caso 

De acordo com os autos do processo, na tarde do dia 26 de janeiro de 2019, Anísio e Mário Márcio, então diretor da Secretaria de Obras de Sidrolândia, bebiam em mesas separadas no estabelecimento Espetinho Mato Grosso, quando acompanhantes da vítima zombaram de Anísio, fato que provocou discussão entre ambos, conflito contido por Renato Guardiano Jamar, dono do local. 

A denúncia aponta que depois do ocorrido, "Nego Bala" teria ido até seu caminhão buscar um revólver calibre .38 e um cacetete de madeira, e retornado para provocar a vítima antes de ir embora.

Mais tarde, por volta das 18h50, Márcio, de 41 anos, se aproximou da residência de Anísio proferindo ameaças. Neste momento, o acusado disparou contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos. Para o advogado André Borges, assistente de acusação, os jurados foram exemplares na condenação.

“Jurados de Sidrolândia foram exemplares, afastaram a alegação de legítima defesa e puniram quem agiu em desacordo com a lei, causando prejuízo irrecuperável à família da  vítima. Sidrolândia não tolera condutas abusadas e perigosas; a lei foi cumprida, o que é sempre muito bom e justo”, destacou ao Correio do Estado.

Na dosimetria da pena, o magistrado Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva destacou que a provocação teve "reduzida intensidade objetiva", tratando-se de uma brincadeira que evoluiu para o campo verbal, sem agressões físicas anteriores.

A arma e as munições apreendidas no processo serão encaminhadas ao Comando do Exército para destruição ou doação, conforme prevê o Estatuto do Desarmamento. Conforme a Justiça, "Nico Bala" tem cinco dias para colocar a tornozeleira eletrônica.  

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