Cidades

CAMPINAS

Ex-presidente da Sanasa implodiu a 'República'

Ex-presidente da Sanasa implodiu a 'República'

DA REDAÇÃO COM RAC DE CAMPINAS

22/05/2011 - 09h00
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A megaoperação que levou 11 pessoas à prisão e implodiu o núcleo de poder do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT) - formado pela chamada "República de Mato Grosso do Sul" - teve como peça central os depoimentos do ex-presidente da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento) Luiz Augusto Castrillon de Aquino, que a partir da segunda quinzena de janeiro aceitou o benefício da delação premiada, que prevê a redução de pena aos que colaboram com a Justiça com informações que levam ao desmantelamento de organizações criminosas. 

Dentre os presos da "República de Mato Grosso do Sul" estão presos o ex-prefeito de Corumbá, Ricardo Cândia, e o ex-vereador de Campo Grande, Aurélio Cance Júnior. O vice-prefeito de Campinas, o corumbaense  Demetrio Vilagra (PT), o secretário de Comunicação Francisco Lagos - que exerceu funções semelhantes em Campo Grande - estão foragidos. A Polícia  também está à caça do o secretário de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Carlos Henrique Pinto.


De investigado nas apurações do Ministério Público Estadual sobre o suposto esquema de fraudes em licitações públicas e desvio de dinheiro na Prefeitura de Campinas e na Sanasa, Aquino virou homem-bomba do caso, revelou detalhes sobre a liderança que seria exercida pela primeira-dama, Rosely Nassim Jorge Santos, no suposto esquema, apontou a participação de membros do primeiro escalão, entre eles o vice-prefeito, Demetrio Vilagra (PT), em recebimentos de propinas e na divisões de valores. Sem Aquino, avalia o MP, provas e dados obtidos nos últimos meses ainda estariam obscuros e longe do conhecimento público.


No dia 17 de janeiro, no primeiro dos três depoimentos que deu sob o benefício da delação premiada, Aquino relatou aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) o que sabia sobre o envolvimento dos homens de confiança do prefeito de Campinas nos supostos esquemas de fraudes em licitações, superfaturamento de preços e desvios de verbas envolvendo empresas do empresário José Carlos Cepera — que em setembro do ano passado já havia sido preso em outro inquérito pelas irregularidades nos contratos. 

Em 30 páginas, o ex-diretor da Sanasa apontou 26 nomes de pessoas que teriam relação com o suposto esquema de fraudes em contratos do governo, alguns deles que não tiveram a prisão temporária decretada. Consta também uma planilha manuscrita com cifras e registros de nomes que seriam referentes a valores de propina. 

Pelo que apontaram as investigações do Gaeco e que corroboram as declarações e indicações feitas pelo homem-bomba do caso, a primeira-dama teria papel decisivo na liderança dos esquemas de fraudes e que ela seria a receptora de propinas que variam de 5% a 7%. Em casos de contratos de serviços esse percentual de propina chegava a ser de até 15%.

O pedido de prisão da primeira-dama só não integra a lista de 20 nomes porque uma liminar concedida num pedido de habeas corpus, dada pelo Tribunal de Justiça, tentando estender a ela o benefício do foro privilegiado reservado a prefeitos, impede que seja tomada contra ela qualquer medida coercitiva, como prisões e sequestro de bens.
 
As novas investigações, que só tomaram corpo após as pistas dadas por Aquino e confirmadas por outros seis depoentes, terminaram por culminar na megaoperação de sexta-feira, que envolveu mais de 120 policiais e 20 mandados de prisão. 

Aquino não integrou alista de 20 nomes com decreto de prisão temporária dada pelo juiz da 3a. Vara Criminal, Nelson Augusto Bernardes, apesar dele ter sido apontado desde o início do escândalo envolvendo Cepera e os lobistas de Campinas, em setembro de 2010, como um dos suspostos envolvidos nos esquemas. 

Como presidente da Sanasa entre 2005 e 2008 e ex-homem de confiança de Hélio, suspeitas são de que boa parte das fraudes envolvendo as empresas do grupo tenham ocorrido durante sua gestão. Superfaturamento de preços, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e pagamentos de propinas são alguns dos crimes que os promotores do Gaeco tentam atribuir ao grupo. 

Aquino não foi encontrado para comentar o assunto.

Diário oficial

Governo de MS cria 'Dia das Mães que Oram pelos Filhos'

Data será comemorada anualmente em 30 de março

15/09/2026 10h00

7º Encontro Estadual das Mães que Oram pelos Filhos, realizado em Campo Grande

7º Encontro Estadual das Mães que Oram pelos Filhos, realizado em Campo Grande Foto: Reprodução Instagram @maesqueorampelosfilhosms

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Governo de Mato Grosso do Sul criou o “Dia Estadual do Movimento Mães que Oram pelos Filhos” que será comemorado anualmente em 30 de março.

A Lei n° 6.623, que institui a data ao calendário oficial de eventos de MS, foi sancionada pelo governador de MS Eduardo Riedel e publicada no Diário Oficial Eletrônico (DOE-MS) nesta terça-feira (15).

Deputados estaduais votaram e aprovaram o projeto, em 9 de setembro, na Assembleia Legislativa (ALEMS).

Confira na íntegra o trecho redigido em Diário Oficial:

7º Encontro Estadual das Mães que Oram pelos Filhos, realizado em Campo Grande

MÃES QUE ORAM PELOS FILHOS

O Movimento Mães que Oram pelos Filhos é uma iniciativa católica que reúne mães para rezar pelos filhos, pela família e pela vida. O objetivo é fortalecer a fé e a vivência cristã.

O movimento se organiza por meio de grupos de oração em paróquias e comunidades.

Os encontros incluem oração pelos filhos e pela família, leitura e reflexão da Bíblia, momentos de louvor e intercessão, formação espiritual, devoção a Nossa Senhora e partilha de experiências e apoio entre as participantes.

A proposta central é que as mães se unam em oração, colocando seus filhos sob a proteção de Deus e pedindo sabedoria para exercer a maternidade.

Em Campo Grande, eventualmente ocorrem encontros do movimento. O último foi sábado (12), no auditório da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).

Saúde

Fraudes e dívida de R$ 800 milhões levam Santa Casa da Capital ao colapso

Com rombo milionário, juros altos e cúpula investigada por desvios, hospital enfrenta crise financeira e paralisação de serviços

15/09/2026 08h15

Santa Casa de Campo Grande foi alvo de operação do Gaeco na sexta-feira; cúpula está presa

Santa Casa de Campo Grande foi alvo de operação do Gaeco na sexta-feira; cúpula está presa Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, maior complexo hospitalar de Mato Grosso do Sul e referência para o atendimento de urgência e emergência em todo o Estado, atravessa o momento mais dramático de sua história centenária.

O colapso da instituição é impulsionado por uma espiral de endividamento bruto que ultrapassa
R$ 800 milhões e por despesas sufocantes com juros bancários, somados a um grave escândalo de corrupção que culminou na prisão da diretoria na sexta-feira.

Os mandados de prisão preventiva atingiram a alta cúpula da entidade investigada por operar esquemas de desvios patrimoniais, fraudes contratuais e lavagem de dinheiro.

Como consequência dessa sangria financeira e institucional, a assistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) sofre paralisações diárias, resultando na suspensão de cirurgias eletivas, cancelamento de consultas e desabastecimento de insumos essenciais.

A relação direta da diretoria com as fraudes foi detalhada pelas investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da Polícia Civil, que apontaram a liderança da então presidente da associação, Alir Terra Lima, e do diretor administrativo e financeiro, Rinaldo Hakme Romano, na articulação e no direcionamento irregular de recursos públicos e filantrópicos.

Colapso financeiro

Enquanto os mandados de prisão contra a diretoria eram cumpridos e a extensão das fraudes vinha à tona, a contabilidade oficial da Santa Casa revelava uma instituição à beira da falência técnica ao encerramento do exercício de 2025.

O balanço mais recente do hospital, publicado em julho, mostra uma dívida total exigível de R$ 807 milhões. Ela é composta de um passivo circulante (dívida a curto prazo) de R$ 319,4 milhões e de um passivo não circulante (a longo prazo) de R$ 488,18 milhões.

O deficit anual da instituição registrou um crescimento acentuado de 26,6%, passando de R$ 98,36 milhões no encerramento de 2024 para R$ 124,58 milhões ao fim de 2025.

A situação acumulada também é crítica. As dívidas e obrigações da instituição superam seus bens e recursos em R$ 639,47 milhões. No período de um ano, as contas que precisavam ser pagas a curto prazo aumentaram 47,8%, passando de R$ 214 milhões para R$ 319,4 milhões.

Uma fatia considerável desse rombo decorre dos juros e das multas provocados pelos atrasos nos pagamentos. Apenas em 2025, a Santa Casa contabilizou R$ 68,56 milhões em despesas financeiras. Desse total, R$ 51,91 milhões foram destinados ao pagamento de juros bancários e encargos cobrados por fornecedores em razão de atrasos, ante R$ 45,34 milhões no ano anterior.

Ao mesmo tempo, as dívidas fiscais que precisavam ser pagas a curto prazo mais que dobraram, passando de R$ 66,19 milhões para R$ 134,02 milhões. Além disso, os parcelamentos de impostos federais, contribuições previdenciárias e FGTS dos funcionários que não foram recolhidos somam R$ 177,14 milhões.

Do ponto de vista do caixa, o hospital desembolsou R$ 22,84 milhões em 2025 apenas para pagar juros de empréstimos.

Investigação

A investigação indica que a diretoria manteve contratos milionários mesmo após ser formalmente notificada sobre irregularidades graves.

O caso de maior repercussão envolveu a contratação da empresa Redvalue para a digitalização de documentos do hospital, que recebeu R$ 750 mil por serviços prestados em fração irrisória da meta estipulada.

Mesmo alertada pelo Conselho Fiscal da instituição sobre as inconsistências, a presidência insistiu na manutenção dos repasses, prestou declarações inverídicas aos órgãos de controle e opôs resistência às fiscalizações internas.

O esquema articulado pela cúpula hospitalar envolvia ainda o direcionamento sistemático de contratos da Operadora Santa Casa Saúde Ltda. para empresas pertencentes aos próprios dirigentes, gerando um faturamento superior a R$ 9,6 milhões em um único ano.

A apuração policial identificou transferências bancárias diretas efetuadas das contas desses contratados para a conta pessoal da presidente da instituição.

Além disso, a diretoria atuou na aprovação de aditivos contratuais abusivos e no fracionamento deliberado de valores para ocultar as operações.

Para movimentar a verba desviada, os envolvidos operavam saques em espécie e transferências no valor padronizado de R$ 49.999,00, manobra que a decisão judicial destacou ter sido concebida com o objetivo expresso de “burlar o limite de comunicação compulsória ao Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]”, mecanismo legal fixado em R$ 50 mil para coibir a lavagem de dinheiro.

Ao decretar as prisões preventivas da diretoria, o Judiciário justificou a extrema necessidade de cessar a dilapidação do patrimônio hospitalar e resguardar a ordem pública diante da existência de uma “estrutura organizada voltada para a prática de fraudes contratuais, desvios patrimoniais, falsidades documentais e lavagem de recursos”.

Suspensão de serviços

A combinação entre desvios praticados pela diretoria e o estrangulamento por juros bancários gerou impacto devastador na ponta final da assistência prestada à sociedade.

Responsável por dedicar 84,4% ao SUS, superando a exigência legal de 60% para entidades filantrópicas, o hospital acumulou dívida com fornecedores de insumos, medicamentos e próteses no valor de R$ 90,28 milhões.

Diante da falta recorrente de pagamentos, distribuidores interromperam o fornecimento de materiais básicos, levando ao bloqueio de leitos e ao cancelamento de procedimentos cirúrgicos programados.

Para tentar conter o colapso na saúde pública regional e reorganizar os fluxos de atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e a Secretaria de Estado de Saúde celebraram um novo instrumento de pactuação contratual com o hospital.

O termo estabeleceu metas assistenciais rigorosas e impôs a obrigação expressa de “manter todos os leitos operacionais sem bloqueio, sem justificativa técnica”, sob pena de aplicação de sanções administrativas e retenção de repasses financeiros.

A reunião que decidiria sobre o novo instrumento de pactuação contratual estava marcada para ontem. 

* Saiba 

Presos e investigados 

Presos

  • 1. Alir Terra Lima – presidente da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
  • 2. Rinaldo Hakme Romano – diretor administrativo e financeiro da instituição.
  • 3. Alessandro Dias Junqueira – gerente administrativo e fiscal de contratos.
  • 4. Paulo Guilherme Gutierres Mariosa – integrante do setor administrativo e financeiro.
  • 5. Monique Gregório de Oliveira – responsável pela medição e confecção dos relatórios de execução dos serviços.
  • 6. Maurício Aparecido Benites – empresário e controlador de fato da empresa Redvalue e do Grupo Exbe.

Situação dos demais citados na representação:

– Jary de Carvalho Castro – (ex-membro da diretoria): Teve o pedido de prisão preventiva indeferido pela Justiça por ausência de contemporaneidade cautelar, já que se desligou da administração em janeiro deste ano.

– Paulo da Cruz Duarte (advogado) e Beatriz Lemes da Silva (gestora da Operadora Santa Casa Saúde): Não tiveram a prisão decretada, mas foram alvo de “afastamento cautelar das funções”, “proibição de acesso às instalações” da entidade e “busca e apreensão domiciliar”.

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