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Experiência de MS no combate à violência contra a mulher pode ganhar o Brasil

Jaceguara Dantas, assume vaga inédita para MS no CNJ e quer nacionalizar ações que fortalecem proteção às mulheres

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Na próxima terça-feira (2), pela primeira vez, uma sul-mato-grossense passará a ocupar uma das cadeiras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pelo controle externo do Poder Judiciário no Brasil. Jaceguara Dantas da Silva será a representante de Mato Grosso do Sul nesta instituição de grande relevância para o Judiciário. 

Ela chega ao CNJ com um perfil que foge ao estereótipo comum da magistratura, ainda majoritariamente formada por homens brancos: é mulher, negra, e assume a função com a missão de aplicar iniciativas que têm apresentado resultados positivos em Mato Grosso do Sul no combate à violência de gênero e a crimes decorrentes dela, como o feminicídio.

Após tomar posse, no dia 2 de fevereiro, a desembargadora Jaceguara Dantas deve levar ao presidente do CNJ, ministro Edson Fachin — que também preside o Supremo Tribunal Federal —, a sugestão de nacionalização das iniciativas de combate à violência doméstica e aos feminicídios que vêm sendo bem avaliadas e gerando resultados positivos para o Poder Judiciário e os órgãos de segurança pública.

Em entrevista ao Correio do Estado, Jaceguara citou os avanços de Mato Grosso do Sul no enfrentamento da violência doméstica, ainda que muitos deles tenham surgido por vias dolorosas, como o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro de 2025. O caso expôs falhas nos protocolos de proteção às vítimas e no atendimento às mulheres nas delegacias, além de outros episódios de feminicídio — tipo penal caracterizado quando o homem mata sua companheira em razão da condição de mulher, sem que prevaleça outra motivação fútil ou torpe.

Questionada sobre a possibilidade de nacionalização de iniciativas que tem tornado o combate à violência de gênero mais eficiente, como a digitalização e integração de todo o sistema de atendimento à mulher vítima de violência, implementado no ano passado em parceria entre o Poder Judiciário, o Poder Executivo e órgãos como o Ministério Público, Jaceguara Dantas não hesitou: “Na verdade, este é o meu objetivo”.

“Acredito que o convite do ministro Fachin se deu sobretudo em virtude das experiências acumuladas nos projetos que nós desenvolvemos aqui no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, muitos deles em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública”, afirma.

Jaceguara lembra que, hoje, há em todo o Brasil uma grande demanda por medidas protetivas para vítimas de agressão. Há aproximadamente um ano, o tempo médio para a expedição e o cumprimento dessas medidas era de quatro a cinco dias em Mato Grosso do Sul.

Com a digitalização e integração dos processos, segundo a desembargadora, atualmente uma vítima de violência consegue uma medida protetiva no mesmo dia.

“Em alguns casos, em aproximadamente uma hora após a solicitação”, afirma. No restante do País, segundo ela, ainda é mantida a média de até cinco dias para a efetivação de uma medida protetiva, prazo que ela quer encurtar. 

Educação para mudar

Sob a coordenação da desembargadora, que está de malas prontas para Brasília (DF), também foram implantados outros mecanismos que ampliaram a eficiência no combate à violência doméstica nos últimos 12 meses.

Um deles é o convênio do Tribunal de Justiça com a Polícia Militar, que permite aos policiais intimar os homens alvos de medidas protetivas. Outro é o desenvolvimento de um sistema totalmente informatizado, que inclui um aplicativo por meio do qual o pedido de medida protetiva e a denúncia de violência doméstica podem ser feitos on-line.

Outras iniciativas que Jaceguara deve apresentar como exemplo ao ministro Fachin são a criação de um monitor de violência contra a mulher e um sistema que fortalece a rede de proteção no interior do Estado.
Segundo a desembargadora — agora conselheira do CNJ —, todas essas ações, no entanto, não atingem plenamente seu objetivo sem um trabalho contínuo de educação, que deve começar entre a população mais jovem.
“Temos uma questão cultural, de hierarquia valorativa, que integra um contexto que coloca a mulher em uma relação de desigualdade na sociedade”, afirma ao ser questionada sobre o papel — e os desafios — de instituições não governamentais, como famílias e igrejas, na promoção da igualdade entre homens e mulheres.
“Essa temática só será enfrentada, necessariamente, com a educação. É um investimento de longo prazo, voltado às futuras gerações, para que sejam formadas sob uma perspectiva de cultura de paz, tolerância, respeito e igualdade. Aliás, são valores que estão na Constituição Federal”, analisa.

Disciplina

O Conselho Nacional de Justiça também é a instituição responsável por punir magistrados acusados de violações éticas e administrativas, normalmente decorrentes de acusações criminais.
 

Jaceguara terá de julgar casos concretos em que magistrados são acusados de corrupção, entre outras práticas reprovadas pela legislação e pela sociedade.

Oriunda de uma corte que, assim como várias outras no Brasil, tem integrantes sob investigação, a desembargadora evita comentar casos específicos, mas destaca os valores defendidos pelo presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, nos últimos meses: boa conduta, ética e transparência.

“O ministro Fachin estabeleceu uma diretriz muito forte na questão da ética e da transparência. Há uma comissão criada nesse sentido. Não há como discordar da conduta que ele busca dos magistrados, porque se trata de uma diretriz constitucional”, ressalta.

Perfil 

Jaceguara Dantas da Silva é graduada, mestre e doutora em Direito. Formada pela Fucmat/UCDB, ingressou no Ministério Público de Mato Grosso do Sul como promotora em 1992 e, em 2015, foi promovida a procuradora de Justiça, cargo que ocupou até 2022. Nesse período, foi diretora-geral da Escola Superior do Ministério Público de MS e membro do Conselho Superior do Ministério Público. Em 2022, foi nomeada desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

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IPCA | IBGE

Campo Grande abre 2026 com inflação de 0,48%, acima da média nacional

Reajuste da taxa de água e esgoto a partir de 3 de janeiro na Capital foi um dos responsáveis por empurrarem subitem da Habitação em 2,56% acima em todo o País neste ano

10/02/2026 09h32

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Dados divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, mostram que Campo Grande abriu 2026 com inflação na casa de 0,48%. 

Em análise, enquanto o IPCA nacional manteve-se estável em 0,33% entre dezembro e janeiro, o índice para o primeiro mês de 2026 em Campo Grande é pelo menos 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período. 

Nacionalmente,  o índice ficou em 4,44% nos últimos doze meses, acima dos 4,26% dos 12 meses imediatamente anteriores, com o acumulado de Campo Grande fechando em 3,60% nesse mesmo período. 

Ainda em nível de País, os setores com maiores variações em janeiro foram: Comunicação (0,82%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,70), seguida de Transportes (0,60%) que aparece inclusive como o maior impacto (0,12 p.p.) no resultado do mês.

Recorte regional

Importante frisar que, desde 1980 o IBGE calcula a inflação do País através do IPCA, em referência àquelas famílias "com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte", cita o Instituto em nota. 

Sobre a variação de 0,48% em janeiro de 2026 para Campo Grande, o banco de tabelas estatísticas do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), o segundo grupo de maior peso na Capital, Transportes, registrou variação de 0,54% em janeiro. 

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo períodoReprodução/Sidra/IBGE

Segundo o IBGE, o terceiro maior peso do IPCA da Capital do MS, Habitação, influenciado pelo reajuste de 4,57% em Campo Grande (3,98%) da taxa de água e esgoto a partir de 3 de janeiro, foi um dos responsáveis por empurrarem esse subitem em cerca de 2,56% acima em todo o País em janeiro deste ano. 

Vale lembrar, que em pelo menos quatro dos 12 meses de 2025 Campo Grande registrou um cenário de queda na inflação, com outubro (-0,08%), quando a Cidade Morena registrou deflação pela 4ª vez no ano, já sendo o terceiro mês consecutivo de deflação.

Porém, o custo de vida voltou a subir em novembro, encerrando a "onda de deflação" na Cidade Morena após três meses de queda, tendência essa que foi mantida em dezembro mas que, cabe destacar, apesar das altas em seis dos nove grupos pesquisados, os respectivos impactos no último mês de 2025 sequer passaram de um ponto percentual, com a maior variação ficando a cargo dos Artigos de residência (0,68%). 

 

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corrupção

Fraude no Farmácia Popular em MS leva PF a descobrir desvios em 4 estados

Beneficiadas por programa do Governo Federal, esquema fraudulento utilizava 'laranjas' para venda e compra fictícia de medicamentos

10/02/2026 09h20

Divulgação

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Na manhã desta terça-feira (10), a Polícia Federal junto a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagrou uma operação com mandados de busca e apreensão em quatro cidades do Brasil. O início da investigação foi no interior de Mato Grosso do Sul.

De acordo com as informações, a nomeada Operação Over The Counter (OTC), iniciou com a descoberta de fraudes em farmácias beneficiadas pelo Programa Farmácia Popular, em Dourados (MS), a menos de 230 quilômetros de Campo Grande.

Na ocasião, o estabelecimento agia de forma fraudulenta em que utilizavam pessoas como 'laranjas', com a coleta de nome e CPF, com objetivo de simular venda de inúmeros medicamentos em compras fictícias, em que os remédios nunca foram adquiridos pelos donos do CPFs informados.

As apurações da investigação iniciaram após uma cliente da farmácia perceber a utilização do seu CPF em uma compra de medicamento do programa e transação sem o seu reconhecimento.

Comandada por uma organização criminosa, a ação movimentou milhões de reais e mantinha a criminalidade em diversas rede farmacêuticas pelo país.

Em Juízo Federal da 2ª Vara de Dourados, a investigação expediu mandados de busca e apreensão de provas, bens e sequestro bancário, além de veículos e imóveis nas cidades de João Pessoa (PB), Pirangi (SP), Carazinho (RS) e Lagoa Santa (MG).

O valor do montante de bens apreendidos da Operação OTC é referente ao sequestro de bens de sete pessoas jurídicas e nove pessoas físicas integrantes do esquema fraudulento, totalizando R$ 8.725.000,00.

Operação OTC - Over The Counter

Segundo informações da Receita Federal, a organização criminosa selecionava farmácias com CNPJ já cadastrado no Programa Farmácia Popular e utilizava dos CPFs de pessoas que as frequentavam e transformavam em 'laranjas'.

O esquema desviava recursos públicos em escala nacional, com fraude no sistema de auxílio do Governo Federal. Seu modos operandi consistia em registrar no sistema oficial as vendas fictícias de medicamentos, sem que os clientes recebessem o remédio.

Com isso, a farmácia informava ao programa a venda, que reembolsava o valor para a organização que articulava a fraude.

Foto: Operação OTC - Receita Federal

Devido a escala do esquema, os cofres públicos sofreram desvio de R$ 30 milhões.

*Saiba

Programa Farmácia Popular

Criado em 2004 pelo Governo Federal, o Programa Farmácia Popular complementa a oferta de medicamentos da Atenção Primária à Saúde por meio de parcerias com estabelecimentos farmacêuticos privados. O programa funciona mediante ressarcimento pelo Governo Federal após confirmação das vendas registradas no sistema oficial.

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