O ex-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT), fez um apelo nacional por meio de um vídeo publicado no Instagram, denunciando uma série de episódios de violência, ameaças, discriminação e perseguição política que teriam ocorrido no Estado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25).
Advogado e ex-deputado federal, Trad afirmou que seis grupos foram alvo do que classificou como "ódio bolsonarista" e revelou que já está adotando medidas jurídicas para buscar a responsabilização dos envolvidos.
Entre as situações mencionadas estão ameaças contra indígenas, denúncias de assédio eleitoral no trabalho, agressões físicas, boicotes comerciais, ofensas a nordestinos e declarações atribuídas a um policial.
"Mato Grosso do Sul está sob ataque do ódio bolsonarista. Depois do segundo turno, com a vitória do presidente Lula, o ódio bolsonarista escolheu seis alvos em MS. Eu estou aqui como cidadão e advogado pedindo socorro em nome desses alvos. Por favor, compartilhem!", declarou.
Durante a gravação, o petista apresentou os episódios que, segundo ele, demonstram o agravamento da intolerância política no Estado e cobrou atenção nacional para as denúncias.
Ameaças a indígenas e agressões na Capital
O primeiro caso mencionado por Trad envolve o município de Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul, onde servidores municipais foram denunciados após a circulação de áudios com ameaças de envenenamento da água consumida por comunidades indígenas.
O episódio levou o Ministério Público Federal (MPF) a instaurar procedimentos para apurar as intimidações. A Prefeitura de Tacuru também anunciou o afastamento dos servidores envolvidos e a abertura de um processo administrativo disciplinar.
Na gravação, Trad também menciona denúncias de mortes de indígenas. Entretanto, até o momento, não há confirmação oficial de que a água tenha sido contaminada ou de mortes provocadas por envenenamento.
O MPF também esclareceu que denúncias de supostos ataques políticos contra indígenas em Naviraí não se confirmaram após as primeiras diligências.
O segundo grupo apontado pelo ex-candidato é formado por trabalhadores que teriam sofrido ameaças ou represálias em razão de suas escolhas eleitorais.
Conforme levantamento divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) nesta quinta-feira (29), Mato Grosso do Sul já contabiliza 62 denúncias de assédio eleitoral em 2026, superando os 58 registros de 2022.
Desse total, 19 ocorrências foram registradas nos três dias posteriores ao segundo turno.
Trad também citou agressões contra apoiadores de Lula na região central de Campo Grande. No domingo (25), vídeos registraram uma confusão na Avenida Afonso Pena, quando um homem atingiu com um pedaço de madeira um veículo que exibia uma bandeira do presidente reeleito.
Na sequência, ocupantes do carro se envolveram em uma briga com pessoas que estavam no local. As imagens circularam nas redes sociais e provocaram repercussão diante da violência registrada logo após o resultado das urnas.
Boicotes comerciais e ofensas a nordestinos
O quarto episódio destacado por Trad envolve comerciantes de Jardim, onde listas com nomes de estabelecimentos supostamente ligados a apoiadores do PT passaram a circular em aplicativos de mensagens.
Os documentos incentivavam consumidores a deixar de frequentar determinados comércios em razão das preferências políticas atribuídas aos proprietários.
Um dos empresários mencionados nas publicações, proprietário de uma loja de bicicletas, manifestou-se publicamente contra o boicote e defendeu o respeito às diferenças políticas.
O quinto caso envolve o prefeito de Chapadão do Sul, Walter Schlatter (PP), que compartilhou uma montagem associando o mapa do Nordeste à figura de um burro após o resultado das eleições presidenciais.
A publicação provocou críticas de outros gestores municipais e repercussão nacional. Posteriormente, o prefeito apagou a imagem, reconheceu que a manifestação foi inadequada e pediu desculpas à população nordestina.
Por fim, Trad mencionou uma denúncia contra um policial militar que teria afirmado, em vídeo, que apoiadores do PT não deveriam receber atendimento policial.
O episódio também foi citado pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT), durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, na quarta-feira (28). O parlamentar atribuiu a declaração a um policial de Cassilândia e defendeu a apuração da conduta.
Outro episódio foi encaminhado à reportagem do Correio do Estado por Fábio Trad e envolve a circulação de uma lista de supostos apoiadores do Partido dos Trabalhadores em Bela Vista, município localizado na fronteira com o Paraguai.
O material, compartilhado em um grupo de WhatsApp, reúne 40 citações, incluindo seis advogados e 28 referências a comércios, estabelecimentos e atividades comerciais, além de jornalistas, psicólogos e outros profissionais.
A mensagem apresenta os citados como petistas e afirma:
"Não estamos julgando, apenas dando ciência! Façam o que quiser com os dados".
A divulgação levanta preocupações sobre possíveis boicotes e represálias por motivação política. Não há confirmação sobre a autoria da lista, as preferências partidárias atribuídas aos mencionados ou eventuais prejuízos sofridos.
Trad reúne provas para apresentar denúncias ao MPF e à P
Ao encerrar a gravação, Fábio Trad criticou a atuação do Governo de Mato Grosso do Sul diante dos episódios e afirmou que está buscando providências jurídicas para responsabilizar possíveis autores de ameaças e perseguições.
"Lamentavelmente, não adianta pedir para o Governo do Estado. Simplesmente não adianta. Eu sou advogado, já estou promovendo as representações, mas sozinho não consigo enfrentar a máquina de ódio aqui instalada", declarou.
Procurado pelo Correio do Estado nesta quinta-feira (29), Fábio Trad esclareceu que as representações ainda não foram formalizadas e que seu escritório de advocacia está reunindo elementos de prova para fundamentar as medidas jurídicas.
"Meu escritório está reunindo os elementos de prova para subsidiar as peças e, assim que as tivermos em mãos, vamos encaminhar para protocolo ao MPF e à PF", afirmou.
Trad também pediu que a população compartilhe a gravação para ampliar a repercussão nacional dos acontecimentos.
"Por isso, peço que o Brasil olhe para o nosso Estado, Mato Grosso do Sul, agora, e você compartilhe. O silêncio é cúmplice", concluiu.
As declarações ocorrem em meio à atuação de órgãos de fiscalização e investigação sobre possíveis crimes e irregularidades após as eleições.
As situações relatadas apresentam diferentes estágios de apuração, e parte das acusações ainda depende de confirmação pelas autoridades competentes.


