Cidades

Três Lagoas

Fábricas de celulose venderão energia suficiente para abastecer 1,3 mi de pessoas

Com as ampliações, o excedente gerado pela biomassa de eucalipto contribuirá para que o país diversifique sua matriz energética

Danielle Valentim

30/06/2015 - 09h51
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O Mato Grosso do Sul é uma grande opção para o país em produção de biomassa. Com a ampliação das fábricas da Fibria e Eldorado haverá um excedente de geração de energia com base em biomassa de 330 MWh, o que seria suficiente para abastecer uma cidade de 1,3 milhão de pessoas. O excedente das duas fábricas deverá ser vendido para a central energética nacional, contribuindo para a diversificação da cadeia energética do país.

Para Jaime Verruck, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, o aumento da energia gerada a partir da ampliação da produção de energia das duas fábricas de celulose será importante para a diversificação da matriz energética do país, com base em biomassa, através das florestas de eucalipto. “Essa característica dá uma vocação ao estado também para a geração de energia por meio do cavaco. Desta forma, a energia deixa de ser um subproduto de celulose e passa a ser um produto final com as construções de usinas”, comenta.

O gerente de Recuperação e Utilidades da Eldorado Brasil, Murilo Sanches da Silva, explica que com a biomassa gerada e processada na fábrica, é possível gerar em torno de 80 toneladas/hora de vapor. “Tudo o que é produzido é 100% reaproveitado na caldeira de biomassa e transformado em energia”, explica.

De acordo com o Painel Floresta, a capacidade instalada da empresa atualmente é de 220 Megawatts, mas é produzido 170 megawatts/hora de energia de base sustentável, ou seja: biomassa. Parte dessa energia é utilizada para alimentar a fábrica - em torno de 95 megawatts - e o restante da energia é vendida para duas empresas que atuam dentro da fábrica e para o mercado.

De acordo com o presidente da Eldorado Brasil, José Carlos Grubisick, com a ampliação, a empresa passará a fabricar 328 megawatts/hora, consumirá – junto com outras empresas - 155 megawatts/hora, e seu excedente será de 170 megawatts/hora, o que deverá ser direcionado a central energética nacional para distribuição. Essa quantidade de energia será capaz de sustentar uma cidade com 700 mil habitantes.

A Fibria/MS informou que no início de 2013 elevou sua produção de energia excedente, após autorização da Aneel, de 30 para 50 megawatts/hora. Isso foi possível a partir de pequenas correções no projeto original da fábrica, possibilitando maior aproveitamento da biomassa sólida gerada no processamento da madeira. Com isso, a empresa saiu de uma geração de 120 para, aproximadamente, 140 megawatts/hora.

Desse total de energia, 90 megawatts/hora abastece a produção da Fibria e da InternationalPaper, e o excedente é disponibilizado no Sistema Nacional. Esse excedente é suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 200 mil habitantes. Agora, com a ampliação, a Fibria gerará 385 megawatts/hora e terá um excedente de 160 megawatts/hora, contribuindo para o balanço energético brasileiro.

POLÍCIA

Receita Federal apreende R$ 1 milhão em mercadorias irregulares do Paraguai

Os produtos estavam armazenados em uma empresa do setor de logística, na Capital, que atua como shopping virtual (marketplace)

29/01/2026 18h30

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Uma operação conjunta da Receita Federal em Campo Grande e da Coordenadoria de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz-MS), deflagrada nesta quinta-feira (29), resultou na apreensão de mais de 2 mil produtos importados irregularmente do Paraguai.

As mercadorias estavam armazenadas em uma empresa do setor de logística, na Capital, que atua como shopping virtual (marketplace) e foram avaliadas em cerca de R$ 1 milhão.

Entre os itens apreendidos estão brinquedos, balanças eletrônicas, kits de malas e produtos para camping. Ao todo, os produtos apreendidos lotaram dois caminhões-baú e foram encaminhados ao depósito de mercadorias apreendidas da Receita Federal em Campo Grande

A ação foi desencadeada a partir de levantamentos da área de inteligência fiscal dos dois órgãos, com o objetivo de combater ilícitos tributários em Mato Grosso do Sul.

Dinheiro destinado às entidades sociais 

Em 2025, a alfândega da Receita Federal em Ponta Porã destinou um volume expressivo de mercadorias apreendidas para entidades públicas e privadas sem fins lucrativos. O valor total das doações ultrapassou R$ 66,2 milhões.

As destinações atenderam instituições com atuação em diversos municípios de Mato Grosso do Sul, além de organizações de referência nacional, ampliando o alcance das ações e gerando impacto social em áreas como assistência social, saúde, educação e segurança pública.

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INQUÉRITO CIVIL

Rumo Malha Oeste entra na mira do MPF por incêndio de 17 mil hectares no Pantanal

Inquérito civil vai apurar os detalhes do incêndio florestal que aconteceu na região de Porto Esperança, em Corumbá

29/01/2026 18h00

Trilhos da Malha Oeste, de responsabilidade da Rumo, na cidade de Corumbá

Trilhos da Malha Oeste, de responsabilidade da Rumo, na cidade de Corumbá Foto: Rodolfo Cézar/Arquivo

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A fim de continuar com as investigações e trazer mais provas ao processo administrativo, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para detalhar o auto de infração ambiental, emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em razão de um incêndio florestal causado no Pantanal, em agosto de 2024, pela Rumo Malha Oeste S/A.

Na ocasião, o IBAMA aplicou dois autos de infração à empresa, as quais somadas resultou em mais de R$ 57 milhões. A maior multa foi no valor de R$ 50 milhões, por danificar a cobertura vegetal, sendo aplicado um montante aproximado de R$ 5.000 por hectare destruído. A outra foi emitada devido ao descumprimento condicionante do licenciamento ambiental para operação da estrada, no valor de R$ 7,5 milhões.

A Trill Construtora, empresa terceirizada pela Rumo para fazer o serviço de manutenção, também foi multada no valor de R$ 50 milhões. A prestadora de serviços foi autuada pelo Ibama por ser corresponsável pelo incêndio.

O episódio ocorreu devido a falhas durante o procedimento de manutenção de linha férrea na região do Porto Esperança, no município de Corumbá, a qual a Rumo Malha Oeste possuia a licença de operação.

O incêndio florestal iniciou no dia 16 agosto daquele ano e foi controlado apenas sete dias depois, no dia 23. De acordo com o Ibama à época, trabalhadores que atuavam na manutenção da ferrovia relataram que faíscas geradas pelo uso de uma serra elétrica entraram em contato com a vegetação seca (fator facilitador para alastrar o fogo) ao redor dos trilhos, dando início às chamas.

Ao todo, foram destruídos 17.817,735 hectares do bioma Pantanal, em uma região de difícil acesso e com pouca atividade humana. A Procuradoria da República no Estado considera que o incêndiou impactou diretamente a fauna local, que abrange insetos, répteis, pequenos mamíferos e ninhos de aves. A instauração do inquérito civil foi encaminhado à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão, que trata de assuntos do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural.

Acúmulo de multas

A Rumo Malha Oeste foi autuada 74 vezes em três anos, entre 2021 e 2024, por não cuidar da faixa de domínio, abandonar prédios e não trocar dormentes e trilhos nos 1.973 quilômetros da linha férrea entre Mairinque (SP) e Corumbá. Estas infrações, em sete casos, resultaram em autuações e multas que chegaram a R$ 7,5 milhões, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

No dia 30 de setembro de 2025, a ANTT multou a empresa no valor de R$ 2,1 milhões. O motvio da punição foi a retirada de 4 km de trilhos do ramal de Ladário para usar em outro trecho de Corumbá. No auto de infração, consta que a Rumo foi punida por “não zelar pela integridade dos bens vinculados à concessão, conforme normas técnicas específicas, não mantendo-os em perfeitas condições de funcionamento ou conservação, até a sua transferência à concedente ou à nova concessionária”.

Em outra fiscalização, de dezembro de 2024, técnicos da ANTT constataram que 94,5% dos dormentes do trecho de 436 km entre Campo Grande e Três Lagoas estavam estragados, resultado de anos sem manutenção adequada. A penalidade, novamente, foi de R$ 2,1 milhões.

O relatório da inspeção descreve que, “segundo informações fornecidas pela concessionária, houve a substituição de 32 metros de trilhos em 2022 e de 96 metros em 2023. Em 2024, ainda não havia sido realizado tal serviço”.

Além disso, o documento apontou que as ações de recuperação previstas eram irrisórias diante do tamanho do problema.

“Foram aplicados, em 2023, no trecho entre Três Lagoas e Indubrasil, um total de 15.428 dormentes e, para 2024, a previsão era de aplicação de 7.200 dormentes – até abril do ano passado, foram aplicados 1.955 dormentes. Esses quantitativos são insuficientes, em face do grande porcentual e das grandes malhas de dormentes inservíveis verificadas no trecho”, cita o relatório.

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