Cidades

Feminicídio

Faca foi o instrumento mais utilizado para matar mulheres em MS

Conforme Sejusp, 11 dos 30 feminicídios deste ano foram causados por armas brancas

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Levantamento realizado pelo Correio do Estado nesta terça-feira (26) constatou que 11 dos 30 feminicídios deste ano foram provocados por arma branca em Mato Grosso do Sul. Entre as vítimas, quatro mulheres que residiam em Campo Grande e outras sete no interior do Estado.

Na Capital, foram vítimas Joelma da Silva André, Dayane Xavier da Silva, Cristiane Eufrásio Millan e Regina Fátima Monteiro de Arruda.

No interior, morreram apunhaladas Maria Rodrigues da Silva, Marta Leila Silva Neto, Gisieli de Souza, Mariana Agostinho Defensor, Marlene Salete Mees, Vanessa de Souza Amâncio e Sueli Maria Conceição da Silva.

Em fevereiro, a diarista Joelma da Silva André, 33 anos, foi morta pelo próprio marido, Leonardo da Silva Lima, após sofrer nove facadas, três delas no rosto, cinco nas costas e uma no tórax, crime que ocorreu no bairro Nova Campo Grande.

No mês seguinte, em março, Dayane Xavier da Silva, 29, foi morta por quatro facadas pelo marido  Thiago Echeverria Ribeiro, de 38 anos, no Bairro Nova Campo Grande. Em agosto último, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida o condenou a 21 anos em regime fechado.

Contratada para um programa sexual, Cristiane Eufrásio Millan, 42, foi morta em abril deste ano com 36 facadas após se recusar a fazer sexo com Sérgio Guenka, 52. Conforme apurado à época, ambos estavam na residência de Guenka, que após matá-la, dormiu ao lado de seu corpo por dois dias consecutivos.

Na ocasião, a defesa de Guenka alegou esquizofrenia do homem, que morreu no Hospital Regional após passar mal na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, em agosto último.

Vítima do próprio filho de 16 anos, Regina Fátima Monteiro de Arruda, de 52, foi morta com 20 facadas, sendo 9 delas no rosto. O jovem disse que era humilhado pela mãe, fator que, segundo ele, motivou o crime. O fato ocorreu na Rua Macarai, no Jardim Zé Pereira. Na data, o garoto foi custodiado em uma unidade penal.

Interior

Em São Gabriel do Oeste, em janeiro, Maria Rodrigues da Silva, 66 anos, foi morta pelo ex-companheiro, de 69 anos, ao ser atingida por uma facada no torax após discucutirem por conta de um veículo, briga que também envolveu o neto da vítima.

Nove dias depois, em Coxim, Marta Leila Silva Neto, 36 anos, foi morta pelo namorado Sipriano Nascimento de Oliveira, durante uma discussão na qual tentava expulsá-lo de casa. À época, segundo o boletim de ocorrência, Marta teria ido até a cozinha e buscado uma faca após sentir-se acuada por Sipriano, que revidou por diversas vezes contra a mulher, que morreu no local.

Esfaqueada no pescoço pelo próprio irmão, Giovani de Souza, Gisieli de Souza, 28 anos, morreu em Dourados após discussão familiar. Conforme a polícia, o crime ocorreu após ambos se desentenderem. Gisieli lutou pela vida por 15 dias, mas não resistiu.

Em Ivinhema, Mariana Agostinho Defensor, de 32 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, que confessou o crime após passar um período inconsciente. O crime ocorreu em setembro e a jovem passou um dia desaparecida até ser encontrada pela polícia. Na ocasião, o nome do homem não foi divulgado.

No mesmo mês, Marlene Salete Mees, de 54 anos, foi morta por nove facadas pelo marido, crime que aconteceu no bairro Fração da Chácara, em Amambai. O homem cometeu o crime na frente da filha da vítima, de apenas 11 anos.

No último dia 10 deste mês, Vanessa de Souza Amâncio, 43 anos, foi morta pelo ex-marido, Gecildo Gomes, no bairro Santa Terezinha, em Três Lagoas.

Uma semana depois, Sueli Maria Conceição da Silva, de 56 anos, foi morta a golpes de faca no Jardim Paraíso, em Naviraí. O ex-companheiro, Carlos Pereira da Silva, de 45 anos, foi apontado como autor do crime.

Recolhimento

Para a psicóloga Pietra Garcia Oliveira (28), psicopedagoga e analista comportamental, o alto índice de feminicídios causados por arma branca pode ser explicado também pelo recolhimento de armas de fogo. “Na ausência da arma de fogo, esses crimes acontecem com armas brancas e objetos perfurocortantes”, disse ao Correio do Estado.

“Por muita das vezes, há que se atentar, inclusive, às narrativas de defesa da honra por parte dos homens, que por algum motivo, se sintam invalidados, e adotem esse tipo de comportamento”, acrescentou Pietra Garcia.

A profissional destacou que é preciso pensar políticas públicas efetivas que protejam as mulheres e busquem reduzir os casos, uma vez que os crimes se repetem anualmente. 

Desde 2015, a Lei 13.104/2015 categoriza o crime de feminicídio. De lá para cara, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 335 mulheres foram vitimadas em todo o Estado.

Entre os demais feminicídios do ano, 10 mortes envolveram agressões, oito mulheres foram vítimas de arma de fogo, além de uma morte por atropelamento.

Colaborou Alicia Miyashiro 

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Referência

Moda de MS se despede de Irany Caovilla, que morreu aos 92 anos

Empresária revolucionou o mercado da moda em Campo Grande, revelou talentos, trouxe grandes nomes nacionais e ajudou a romper barreiras para mulheres e pessoas negras no setor

29/06/2026 16h32

Foto: Rede Social

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A moda sul-mato-grossense perdeu neste domingo (28) uma de suas maiores referências. A empresária, produtora de eventos e colunista social Irany Pereira Caovilla morreu aos 92 anos, em Campo Grande, após complicações provocadas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Reconhecida como uma das pioneiras do setor no Estado, ela construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela elegância e pela capacidade de transformar a cena da moda regional em um período no qual esse mercado ainda dava seus primeiros passos.

O velório foi realizado no Cemitério Jardim das Palmeiras, no Jardim Seminário. O sepultamento ocorreu às 16h40 desta segunda-feira (29), na Campo Grande.

Trajetória pioneira na moda

Muito antes de a moda ganhar espaço em grandes centros comerciais de Mato Grosso do Sul, Irany já apostava no segmento como oportunidade de negócios e expressão cultural. Filha de uma família humilde, iniciou sua trajetória como sacoleira, vendendo roupas e acessórios de porta em porta.

A dedicação, a visão empreendedora e o bom relacionamento com fornecedores permitiram que desse um passo decisivo: abrir uma das primeiras boutiques de Campo Grande, tornando-se uma das mulheres responsáveis por profissionalizar o comércio de moda na Capital.

Com personalidade forte e olhar refinado para tendências, Irany rapidamente ultrapassou os limites do comércio. Passou a produzir grandes desfiles de moda, eventos que se transformaram em acontecimentos sociais e ajudaram a inserir Campo Grande no circuito nacional do segmento.

Em uma época em que esse tipo de produção era raro fora dos grandes centros, ela trouxe à Capital personalidades como Xuxa, Luiza Brunet e Adriane Galisteu, além de outros artistas e modelos que desfilaram em clubes tradicionais, como o Rádio Clube e o Sírio Libanês.

Mais do que promover eventos, Irany ajudou a revelar talentos e abriu espaço para novos modelos e profissionais da moda.

Sua atuação também se estendeu aos concursos de beleza, nos quais participou como jurada, além do trabalho como colunista social, acompanhando por décadas a vida cultural e os principais acontecimentos da sociedade campo-grandense.

Legado que marcou gerações

Sua história, entretanto, extrapola o universo da moda. Mulher negra em uma sociedade marcada por profundas desigualdades raciais, Irany enfrentou preconceitos e rompeu barreiras em um ambiente historicamente restrito.

Amigos e familiares lembram que ela fez questão de criar oportunidades para pessoas que, assim como ela, encontravam dificuldades para ocupar espaços de destaque.

Um dos episódios mais lembrados foi o incentivo dado à jornalista Lenilde Ramos, que desfilou em um tradicional clube da Capital graças ao apoio da empresária, em um período de forte segregação racial.

O compromisso com a valorização da população negra também se refletiu em sua atuação social. Em 2012, Irany recebeu da Câmara Municipal de Campo Grande o Prêmio Aparício Luis Xavier de Oliveira (Mister APA), homenagem destinada a personalidades que contribuíram para o combate ao racismo e à discriminação racial.

Outra marca de sua trajetória foi o envolvimento com projetos voltados à comunidade negra da Tia Eva.

Conforme registros históricos, ela adquiriu e posteriormente doou uma área que possibilitou a construção de uma escola e de uma creche na comunidade, reforçando sua atuação para além do empreendedorismo.

Mesmo após completar 90 anos, Irany manteve a rotina de trabalho. Continuava elaborando projetos, organizando eventos e planejando novas iniciativas ligadas à cultura e à moda.

Segundo familiares, ela sonhava em realizar um grande baile de chamamé e lançar uma revista voltada à sociedade sul-mato-grossense, demonstrando a vitalidade que a acompanhou até os últimos dias de vida.

Família e últimos anos

Sem filhos, Irany morava com sobrinhos, que a consideravam uma segunda mãe. Nas redes sociais, amigos, ex-modelos, jornalistas e empresários prestaram homenagens, lembrando sua elegância, coragem e capacidade de inovar.

Expressões como "mestra da moda", "pioneira", "visionária" e "mulher à frente do seu tempo" resumiram o sentimento de quem acompanhou sua trajetória.

Com a morte de Irany Caovilla, Mato Grosso do Sul se despede de uma personagem que ajudou a construir a identidade da moda sul-mato-grossense.

Seu legado permanece não apenas nas passarelas que idealizou, mas também na inspiração deixada para gerações de empreendedores, estilistas e profissionais que encontraram em sua história um exemplo de determinação, sofisticação e pioneirismo.

 

Infraestrutura

Após 10 anos de promessa, asfalto de R$ 10 milhões deve sair do papel em Campo Grande

Assinatura para início da primeira etapa das obras acontece na próxima quinta-feira (2), na Hikaru Kamiya

29/06/2026 15h30

Trechos começaram a ser interditados no bairro para início das obras

Trechos começaram a ser interditados no bairro para início das obras Divulgação Prefeitura de Campo Grande

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Depois de uma década de espera, os moradores do bairro Jardim das Nações, em Campo Grande, vão começar a receber o tão sonhado asfalto. 

Trechos do bairro já começaram a ser interditados mas o primeiro passo será dado na próxima quinta-feira (2), quando a Prefeitura de Campo Grande deve lançar, o programa VIRA CG Infraestrutura juntamente com a assinatura da ordem de serviço da primeira obra do pacote, no Jardim das Nações. 

O bairro passará por obras de pavimentação asfáltica e drenagem. Nesta primeira fase, as intervenções acontecerão em 17 vias com investimento de mais de R$ 10,3 milhões para a região. A cerimônia ocorrerá às 16h, na Rua Hikaru Kamiya, número 366. 

Os moradores convivem há anos com o problema da poeira pela falta de pavimentação. Com as chuvas, é comum o caos causaudo pela abertura de crateras no meio das ruas, especialmente na Hikaru Kamiya, principal rua do bairro. 

Além disso, entre as principais reclamações dos moradores é o barro em tempos chuvosos, que deixa muitos carros ilhados . Durante os tempos de seca, a poeira é o principal vilão, invadindo as casas com facilidade. 

Com a chegada das obras de esgotamento sanitário, em 2022, a expectativa era que o asfalto chegasse logo em seguida, o que não aconteceu. Mesmo com as linhas de ônibus funcionando, as vias por onde o transporte passa estão somente cascalhadas. 

Agora, a promessa é de que a pavimentação chegue de forma definitiva. A Macro Engenharia e Construções Ltda será a responsável pelo asfalto do bairro, com um investimento de R$ 10.340.612,59.

A estruturação viária do Jardim das Nações integra um plano global para a Capital ao longo de 2026. A administração municipal assegurou mais de R$ 280 milhões para a execução de 80 quilômetros de pavimento e drenagem para o programa. 

Pacote de asfalto

Com recursos federais, a expectativa da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), é de asfaltar 600 quilômetros da Capital até 2028, o que inclui 36 bairros da cidade. A  previsão é que os bairros, da primeira fase, comecem a ser asfaltados até 03 de julho de 2026, antes do prazo eleitoral.

O investimento é de R$ 343 milhões, sendo R$ 100 milhões da bancada federal de MS, R$ 143 milhões da Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) e mais R$ 100 milhões do Governo de Mato Grosso do Sul para frentes de serviço na Capital. 

Ainda segundo a prefeita, 100% de Campo Grande terá saneamento básico até 2028. Além disso, bairros asfaltados, mas com pavimentação "velha", serão recapeados.

Através do Prgrama Avançar Cidades, do Governo Federal, devem ser pavimentados os seguintes bairros: 

  • Vila Nª Sra. Aparecida
  • Vila Bosque da Saúde
  • Jardim Noroeste - Lote 3 
  • Jardim Mansur 
  • Jardim Auxiliadora - Etapa B
  • Jardim Itatiaia - Etapa C
  • Jardim Los Angeles
  • Porto Galo 
  • Parque Res. Lisboa 
  • Aero Rancho 
  • Vila Nogueira
  • Vila Amapá 
  • Guanandi II 
  • Jd. Tarumã 
  • Coophavila II 
  • Batistão
  • Jardim São Conrado 
  • Av. Conde de Boa Vista - Santa Emília 

Já com o aporte da bancada federal de Mato Grosso do Sul de R$ 100  milhões, devem receber as obras os bairros:

  • Jd. Los Angeles - 2ª etapa
  • Vila Nogueira 
  • Vila Aimoré
  • Vila Amapá 
  • Jd. das Nações - 2ª Etapa 
  • Guanandi II - 2ª etapa 
  • Cophavila II 
  • Batistão - 2ª etapa 
  • Jd. Santa Emília
  • Residencial Aquarius I 
  • Residencial Aquarius I 
  • Jd. São Conrado 
  • Jd. Tijuca
  • Jd. Verdes Mares
  • Residencial Flores
  • Pq. Residencial União II
  • Residencial dos Girassóis 
  • Residencial Oliveira

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