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Falta de investimento público em saneamento básico atinge principalmente as crianças

Falta de investimento público em saneamento básico atinge principalmente as crianças

Bruna Lucianer

19/07/2011 - 20h40
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A construção de sistemas de coleta de esgoto começou no Brasil em 1857, por ordem de Dom Pedro I. Isso fez com que a então capital imperial, Rio de Janeiro, fosse a terceira cidade do planeta a dispor deste tipo de infraestrutura, ao lado apenas de Londres, na Inglaterra, e Hamburgo, na Alemanha. Mas o bom exemplo tupiniquim termina por aí. Hoje, o Brasil aparece no “ranking mundial da vergonha”, com mais de 55% da população desconectada de redes de esgoto e, pasmem, 13 milhões de cidadãos sem acesso sequer a um banheiro.

Se esses números não chamam a sua atenção, que tal este: 2,1 mil crianças brasileiras morrem por ano vítimas de doenças relacionadas à falta de saneamento básico. Isso dá a média de sete crianças por dia. Só em Campo Grande, 57,6 mil pessoas procuraram a rede pública de saúde, durante o ano de 2010, com diarreia, principal doença constatada em áreas sem tratamento de esgoto. Cinco bebês, com menos de um ano de idade, morreram.

“Diarreia, ou doença diarreica aguda, é uma enfermidade banalizada por muitos. Mas, se não for diagnosticada e tratada precocemente, evolui para quadros de desnutrição e desidratação, podendo levar à morte”, explica a enfermeira Vânia Nascimento, gerente técnica de doenças de veiculação hídrica e alimentar da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). “O mais triste ao analisar estes dados é que se trata de uma doença totalmente evitável: primeiro com bons hábitos de higiene, segundo com o diagnóstico precoce. Óbitos só acontecem quando a ajuda médica é procurada tardiamente”, lamenta a enfermeira.

Por causa do sistema imunológico frágil e da maior suscetibilidade à desidratação, crianças são as principais vítimas das doenças diarreicas agudas. Estudos mostram que crianças expostas frequentemente a esses males chegam a perder até 18% da capacidade de aprendizado. “Mais de 60% das internações por diarreia são de crianças menores de 5 anos.

Trata-se de um impacto direto na educação, com as crianças deixando de ir à escola e perdendo a capacidade de aprendizado, e na economia, com os pais deixando de ir trabalhar para levar os filhos ao hospital”, relata Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, organização que trabalha para que o país possa atingir a universalização do acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.

De acordo com um estudo do Trata Brasil, só em 2009, 217 mil trabalhadores se afastaram do trabalho por conta de doenças transmitidas pelo esgoto, causando um prejuízo de R$ 240 milhões com horas pagas e não trabalhadas. Cada trabalhador ficou, em média, 17 horas afastado do trabalho, para se tratar ou para levar os filhos aos postos de saúde.

“Obra de saneamento é enterrada, você depende do prefeito ter a visão de que investir em saneamento é investir em saúde. Infelizmente, grande parte das autoridades brasileiras não tem essa visão e prefere investir em obras visíveis, como asfalto e construção de postos de saúde”, diz Édison.

Campo Grande, 14 anos à frente

O número de domicílios campo-grandenses com acesso à rede coletora de esgoto mais que triplicou de 2000 para cá. No início da década passada, o serviço estava disponível para apenas 18% da população; hoje, 63% das residências estão ligadas à rede de coleta e à estação de tratamento de esgoto da cidade.

O dado interessante é que, quando a Águas Guariroba assumiu a concessão dos serviços de coleta e tratamento de esgoto em Campo Grande, foram estabelecidas metas para o oferta do serviço até o final do contrato, em 2030. As metas de evolução do alcance da rede eram as seguintes: chegar a 50% da população em 2008; 60% em 2021; e 70% em 2026.

Ou seja, já ultrapassamos a meta firmada para daqui a 10 anos e, segundo a concessionária, atingiremos os 70% previstos para 2026 já em 2012. “O programa Sanear Morena 2 começou em setembro de 2010 e vai investir R$ 45 milhões na construção de 139 quilômetros de rede de esgoto, chegando a 13 mil domicílios em 33 bairros”, enumera José Ailton Rodrigues, engenheiro da Águas Guariroba.

Só nos últimos cinco anos, mais de R$ 400 mil foram investidos na expansão da rede de coleta e otimização do tratamento dos resíduos líquidos. Dados da Secretaria de Saúde mostram que, de 2005 a 2009, houve uma redução de 34% no índice de doenças relacionadas à falta de saneamento. “Este é o dado mais gratificante do projeto”, garante José João Fonseca, presidente da Águas.

Apesar da crescente oferta de rede coletora, a taxa de adesão da população ainda não é satisfatória. Dos 170 mil domicílios com acesso à rede em Campo Grande, mais de 20 mil não fizeram a conexão. “Infelizmente isso acontece em todo o país, principalmente na região Sul, onde as pessoas têm a tradição das fossas e acham que o problema está resolvido porque elas já têm para onde mandar o esgoto. Afinal, porque pagar por um serviço que pode ‘ter de graça’?”, exemplifica Édison.

Para o engenheiro, se o cidadão começasse a pagar pelo serviço assim que ele estivesse disponível, independente da adesão, como acontece em São Paulo, os problemas estariam praticamente resolvidos. “A questão é que a população se satisfaz com o fato de puxar a descarga e o problema sair da frente. Mas isso é ilusão: o esgoto vai parar em algum lugar. Pode ser uma fossa que, se não for bem cuidada, extravasa e vai parar no lençol freático; ou direto no curso d’água mais próximo. Há uma desconexão total entre a percepção das pessoas com o tratamento do esgoto e os problemas de saúde; elas preferem pedir asfalto e posto de saúde e não vão na causa do problema”, alerta.

Com base na Lei Federal 11.445/07, que dispõe sobre a obrigatoriedade da ligação à rede coletora de esgoto quando esta estiver disponível, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) têm fiscalizado, notificado e multado proprietários de residências que não efetuam a conexão. Durante o ano passado, 1516 proprietários foram notificados por não conectarem o esgoto à rede coletora. Destes, 43% realizaram a ligação e se adequaram à legislação, e 39% (591 residências) não se adequaram e acabaram sendo multados pela prefeitura.

Onde a rede ainda não chegou

No final do ano que vem, 70% dos domicílios campo-grandenses estarão ligados à rede coletora de esgoto. O número é animador, mas ainda restarão aproximadamente 232 mil cidadãos sem acesso ao serviço. É o caso de Amitaí de Souza Campos, o marido Aparecido e os três filhos, de três, sete e nove anos de idade. Eles moram em um barraco na comunidade Cidade de Deus, no Bairro Dom Antônio Barbosa. A equipe de reportagem visitou a família em uma manhã seca e ensolarada.

O vento propagava e o calor potencializava o mau-cheiro dos dejetos que corriam a céu aberto, entre as casas improvisadas e os "quintais" onde as crianças brincam. "Isso aqui é uma tristeza, de dois em dois meses eu tenho que carregar as crianças com diarreia e vômito para a unidade de saúde 24 horas do Bairro Aero Rancho", lamenta a dona de casa.

A família está na fila para receber uma das casas populares construídas pela prefeitura no Bairro. "Uma já é nossa; a prefeitura disse que dia 26 de agosto já poderemos nos mudar", comemora Aparecido. Mas o Dom Antônio Barbosa faz parte dos 30% da cidade que não têm previsão de receber a rede coletora de esgoto. "Não é a condição que escolhemos para a nossa família. Infelizmente, é
a condição que nos foi imposta", diz.

Infraestrutura

Governo de MS lança pacote de R$ 176 milhões para obras de saneamento

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios

14/05/2026 17h57

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios

Os investimentos têm como objetivo a ampliação dos sistemas de abastecimento de água e melhorias na rede de esgoto, com foco em segurança hídrica e crescimento urbano em 16 municípios Foto: Sanesul/Arquivo

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O Governo de Mato Grosso do Sul, junto à Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), anunciou para sexta-feira (15) o lançamento de um pacote de investimentos de R$ 176 milhões voltado à ampliação e modernização dos sistemas de saneamento em 16 municípios sul-mato-grossenses.

O ato será realizado às 10h, na sede da estatal, em Campo Grande, com a presença do governador Eduardo Riedel, do diretor-presidente da companhia, Renato Marcílio, além de prefeitos, parlamentares e autoridades públicas.

Considerado um dos maiores pacotes de investimentos em saneamento dos últimos anos no Estado, o conjunto de obras contempla ampliação da capacidade de reservação de água, reforço na distribuição, modernização operacional, implantação de novos sistemas e melhorias na infraestrutura de esgotamento sanitário.

As obras atenderão os municípios de Aral Moreira, Bataguassu, Bodoquena, Chapadão do Sul, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Dourados, Inocência, Miranda, Naviraí, Pedro Gomes, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Sonora, Terenos e Ponta Porã, incluindo o distrito de Sanga Puitã.

Os recursos fazem parte de contratos vinculados ao programa Avançar Cidades e ao Novo PAC, com financiamento da Caixa Econômica Federal e contrapartidas destinadas à execução das obras.

O objetivo é ampliar a segurança hídrica e preparar os sistemas de saneamento para acompanhar o crescimento populacional, urbano e industrial observado em diversas regiões do Estado.

Mesmo com a universalização do abastecimento de água já alcançada nos 68 municípios atendidos pela empresa, a Sanesul afirma que mantém investimentos permanentes para garantir estabilidade no fornecimento e ampliar a eficiência operacional dos sistemas.

Segundo o diretor-presidente da companhia, Renato Marcílio, os investimentos integram um planejamento contínuo desenvolvido pelo Governo do Estado para fortalecer a infraestrutura hídrica dos municípios.

“Estamos avançando com investimentos estruturantes que ampliam a capacidade dos sistemas e garantem maior confiabilidade no abastecimento, acompanhando o desenvolvimento dos municípios”, afirmou.

Segurança hídrica e expansão da infraestrutura

Entre os maiores volumes de recursos previstos no pacote está Corumbá, que receberá R$ 25,6 milhões para obras de abastecimento de água. Ribas do Rio Pardo aparece na sequência, com mais de R$ 42 milhões em investimentos, sendo R$ 13,8 milhões destinados ao abastecimento de água e R$ 28,2 milhões para obras de esgotamento sanitário.

Inocência contará com R$ 13,1 milhões para ampliação do sistema de abastecimento. Já Ponta Porã e o distrito de Sanga Puitã receberão R$ 12,3 milhões. O mesmo valor será destinado a Naviraí para reforço do sistema de distribuição de água.

Chapadão do Sul terá investimento de R$ 11,3 milhões, enquanto Miranda receberá R$ 11 milhões. Dourados contará com aporte superior a R$ 8,9 milhões.

Também estão previstas obras em Bataguassu, Bodoquena, Dois Irmãos do Buriti, Pedro Gomes, Sonora, Santa Rita do Pardo, Terenos e Aral Moreira.

Parte das obras já está em andamento, enquanto outras se encontram em fase avançada de contratação e execução.

A expectativa do governo estadual é ampliar a capacidade operacional dos sistemas públicos e garantir maior regularidade no abastecimento, especialmente em cidades que apresentam crescimento acelerado impulsionado por novos investimentos industriais e expansão urbana.

O governador Eduardo Riedel tem defendido o fortalecimento da infraestrutura de saneamento como uma das prioridades da gestão estadual, associando os investimentos à estratégia de desenvolvimento regional e à melhoria da qualidade de vida da população.

Além de aumentar a eficiência dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário, o pacote busca preparar os municípios para o avanço urbano e econômico registrado em Mato Grosso do Sul, sobretudo em regiões que recebem grandes empreendimentos industriais e logísticos.


 

operação

Servidores da Sisep manipulavam planilhas de medição por WhatsApp

Mensagens obtidas de celular apreendido mostram, segundo o Ministério Público, a dinâmica cotidiana do esquema: um engenheiro ditava os valores; um servidor os lançava nas planilhas; um secretário validava e os pagamentos eram emitidos

14/05/2026 17h46

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025

Operação mirou empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025 Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Conversas de WhatsApp colhidas de celular apreendido pelo MPMS na operação Cascalhos de Areia mostram servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) negociando os valores que seriam lançados nas planilhas de medição de contratos com a Construtora Rial Ltda.

O material foi usado para dar a partida na Operação Buraco sem Fim, que prendeu sete pessoas, entre elas o ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, que foi secretário de obras da Capital, empreiteiros e servidores.

As conversas, extraídas do celular apreendido do engenheiro Mehdi Talayeh, compõem um registro cronológico que o MP descreve como prova de "manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço, em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado, mas a valores fictícios arbitrados."

Dinâmica do esquema

O fluxo seguia três etapas. Primeiro, Mehdi Talayeh, fiscal de contratos e supervisor da SISEP, estipulava o valor a ser registrado para a Construtora Rial, sem qualquer referência à extensão ou ao volume de serviços efetivamente prestados. Em segundo lugar, o servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula inseria os valores nas planilhas de medição, ajustando itens e regiões até atingir o total determinado.

Por fim, Fernando de Souza Oliveira, Gerente de Controle de Medições, verificava os saldos contratuais remanescentes para calibrar quanto poderia ainda ser desviado, e os documentos seguiam para o empenho e pagamento.

O ex-Secretário Rudi Fiorese, segundo o MP, validava o processo e determinava urgência nos pagamentos.
No dia 1 de dezembro de 2020, Mehdi Talayeh diz a Erik: "Amanhã cedo consegue estar fechando Als e as duas RIAL pra pedir nota amanhã ainda? [...] E vê RIAL se nas duas 550." No dia seguinte, Erik teria respondido com fotos das planilhas fechadas nos totais solicitados: R$ 285.756,39 e R$ 321.926,53.

Em dois de fevereiro de 2021, Erik teria enviado áudio a Mehdi revelando o método: "já consegui chegar nesses valores, foi o máximo que eu consegui [...] eu 'tô' tendo que colocar bastante rua para chegar nesse valor." A expressão, segundo o MP, mostra que os lançamentos de ruas não correspondiam a serviços verificados, mas eram incluídos para atingir cifras predeterminadas.

Em três de fevereiro de 2021, Mehdi teria ditado: "Soma das duas RIAL 740 / fecha agora cedo o quanto antes e já passa pro Fernando." Erik teria respondido: "Total ficou R$ 740.792,93."

Em dois de marco de 2021, ao receber uma planilha, Erik perguntou a Mehdi "qual valor?", demonstrando desconhecer qual seria o montante da medição. Mehdi respondeu: "480 duas RIAL mais ou menos / 650 mais ou menos / Pode reduzir pra 610 mais ou menos." No dia seguinte, as planilhas fechadas totalizaram R$ 610.892,96, exatamente na faixa ordenada.

Em 01 de fevereiro de 2022, quando Erik perguntou se os valores seriam os mesmos, Mehdi foi taxativo: "Priorizando RIAL."

Em 29 de novembro de 2022, Mehdi teria determinado valores para várias empresas simultaneamente: "RIAL Anhanduí R$250.000,00, RIAL Bandeira R$250.000,00", e emitido a ordem: "Fecha mais ou menos nesses números."

Em 07 de marco de 2023, Erik admitiria estar fazendo medições "sem ter apontador", ou seja, sem os registros diários de campo que deveriam embasar qualquer medição.

Quanto à participação de Rudi Fiorese, o requerimento reproduz mensagem na qual Fernando de Souza Oliveira escreveria a Mehdi: "Pq o Rudi, tinha pedido para manter nessa proporção, da pra dar uma jogada fácil aqui, ms já foi. Jr vou aumentar uns 100 de caminhão", seguida de confirmação de Mehdi.

Lixo no tapa buraco

O MP também incluiu na investigação as medições da Região do Bandeira. O documento teria identificado, entre outras irregularidades: divergência entre o volume de revestimento primário apontado nos relatórios de medição e o volume verificado nos relatórios diários e semanais de campo; ausência de ensaios laboratoriais de controle de compactação; presença de matéria orgânica e resíduos de lixo urbano no solo compactado; e serviços executados por equipes próprias da Prefeitura que, nas planilhas, foram atribuídos, e pagos, à Construtora Rial.

O relatório calcula que, apenas na 50ª Medição, em março de 2023, a diferença entre o valor cobrado e o valor efetivamente realizado seria de R$ 55.714,55, equivalente a 30% do total daquela medição.

Uma engenheira servidora da SISEP é citada no requerimento como tendo classificado os trabalhos da Construtora Rial como de "péssima qualidade" em avaliações técnicas. Mensagens do próprio fiscal Edivaldo Aquino Pereira com um representante da empresa, segundo o MP, chegavam a classificar intervenções como "serviço de porco".

Um elemento destacado que diz respeito ao ex-secretário Rudi Fiorese é que após ser exonerado da Prefeitura de Campo Grande em 2023, Fiorese foi nomeado em cargo equivalente no Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, mantendo atuação na mesma área de infraestrutura.

Nessa nova função, segundo o MP, ele assinou contratos com a Construtora Rial e, em fevereiro de 2026, menos de um mês antes da Operação, assinou dois aditivos contratuais em favor da empresa.

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