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Falta de transparência agravou a crise no Hospital de Câncer

Médicos estão em greve desde o dia 22; atendimento no HCAA é apenas para tratamentos já em andamento

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O Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA) passa por uma crise financeira que põe em risco os atendimentos da instituição.

No entanto, a falta de transparência pode ter agravado a situação, tendo em vista que conselheiros já haviam entrado com pedido de informações a respeito da situação financeira do hospital desde dezembro de 2020. 

Em documentos apresentados ao Correio do Estado, conselheiros do HCAA solicitaram ao presidente do hospital, em 16 de dezembro de 2020, a apresentação de documentos, balancetes, balanços, contratos, dados e demais informações a respeito da situação financeira do hospital, dos contratos de gestão, das obras do HCAA e da gestão de pessoas. 

Em março de 2021, por intermédio do Ofício FCPMS/GAB n° 070/2021, a presidência da Fundação Carmem Prudente de Mato Grosso do Sul (FCPMS), mantenedora do HCAA, não atendeu à solicitação dos conselheiros signatários, entendendo que as atividades da diretoria deveriam ser reportadas apenas ao conselho curador, o que, de acordo com os conselheiros signatários, vai contra alguns artigos do estatuto da fundação. 

Em razão disso, em maio de 2021, os conselheiros seguiram com o requerimento das informações e o enviaram para a 49ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, o Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas do Estado e o Tribunal de Contas da União, porém, sem respostas. 

No site da instituição, há alguns contratos na seção Portal da Transparência, mas o balanço da gestão de 2022 não está disponível. 

CONSELHEIROS

O ex-conselheiro Carlos Coimbra conversou com o Correio do Estado a respeito da atual situação do HCAA. Coimbra foi diretor administrativo e financeiro do hospital e, até o ano passado, participava do conselho da instituição.

O advogado renunciou, em razão das diversas tentativas fracassadas de saber como estava a situação financeira da entidade. 

Na administração de Coimbra, ele informou que, em função de crise financeira e administrativa que a instituição havia passado, foram realizadas ações para recuperar as finanças e a credibilidade do hospital, como controle rígido dos gastos, contratação de um sistema de compras de medicamentos – que economizou em seis meses R$ 1 bilhão no preço dos remédios –, revisão de contratos, entre outros. 

No entanto, para Coimbra, é necessário que a atual gestão do HCAA mostre quais são as despesas e as receitas do hospital, até mesmo para justificar ao poder público a necessidade de aumento de repasse, caso haja. 

Outro ex-conselheiro, o também advogado Danny Fabrício Cabral Gomes participou do conselho por cerca de oito anos e renunciou ao cargo no mesmo período que Carlos Coimbra, também em função da suposta falta de transparência. 

O advogado esteve presente durante as iniciativas para recuperar as arrecadações e a credibilidade do hospital, por causa da crise que ocorreu cerca de 10 anos atrás.

“Eram feitos, inclusive com artistas de renome nacional, como Michel Teló, promoções, leilões, shows, em que nós vinculávamos a imagem do hospital a empreendedores e doadores que realmente se importavam com a sobrevivência do HCAA, porque é um hospital que atende pessoas das nossas sete fronteiras”, comentou Gomes. 

O ex-conselheiro acredita que deve ser verificado qual a efetiva arrecadação de doações do hospital e se esses valores recebidos foram bem aplicados, já que a atual gestão não informava adequadamente ao conselho sobre as decisões da presidência. 

“Eu recordo de um caso de uma doação de, se não me engano, mais de R$ 2 milhões prometida pelo Instituto Ronald Mcdonald, vinculado à AACC, que foi votada pelo conselho a aprovação do projeto. Até hoje não tenho informação de que esse departamento do hospital saiu do papel, em virtude de a atual gestão simplesmente ter modificado os planos e desrespeitado decisões anteriormente dadas pelo conselho”, disse Gomes.

CRISE FINANCEIRA

No dia 22 de fevereiro, os médicos do HCAA entraram em greve, reivindicando o cumprimento integral de regularização dos pagamentos e dos vínculos e dos contratos dos integrantes do corpo clínico, além da regularização dos serviços de patologia e exames de imagens (ressonância magnética e cintilografia óssea), essenciais aos diagnósticos e seguimento de tratamentos dos pacientes. 

Em nota, o hospital informou que “há um enorme deficit financeiro, com necessidade de incremento de custeio de R$ 770 mil mensais, cujo estudo de revisão foi apresentado para as autoridades públicas da saúde, tanto da prefeitura como do governo do Estado, em janeiro e, até o momento, não foi atualizado”. 

No momento, apenas atendimentos de urgência e emergência no pronto atendimento do HCAA, cirurgias de urgência e emergência, atendimentos em unidades de terapia intensiva (UTIs) e tratamentos nos setores de quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia já em andamento continuam sendo realizados. 

A Prefeitura de Campo Grande afirmou ao Correio do Estado que todos os repasses municipais à entidade estão em dia. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição. 

Saiba: Por conta da greve dos médicos, serão realizados apenas atendimentos de urgência e emergência no pronto atendimento do HCAA, cirurgias de urgência e emergência, atendimentos em UTI e tratamentos que já estavam em andamento.

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MS-295

Caminhoneiro que provocou acidente com 7 mortes em MS é liberado

De acordo com a Polícia Civil, após o acidente, o motorista do caminhão teria deixado o local

17/08/2026 12h00

Caçamba estava carregada com milho, que se espelhou na rodovia. Tráfego entre Mundo Novo e Iguatemi ficou interditado por dez horas

Caçamba estava carregada com milho, que se espelhou na rodovia. Tráfego entre Mundo Novo e Iguatemi ficou interditado por dez horas Reprodução

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A Polícia Civil ouviu o depoimento de Everton Salim Santin, de 35 anos, caminhoneiro envolvido no acidente na MS-295, que vitimou sete indígenas da etnia Guarani, oriundos do estado de São Paulo. O caso aconteceu perto da ponte sobre o Rio Iguatemi, na divisa entre os municípios de Iguatemi e Japorã. Após apresentar seu relato, o homem foi liberado, pois não estava em situação de flagrante e não possuia mandado de prisão contra ele.

As vítimas foram identificadas com o apoio de familiares e de servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) dos Estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. São elas: Laudiceia Benites, 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, 34 anos; Cleonice Honorio dos Santos, 42 anos; Ileo Benites, 30 anos; Genilson Euzebio Karay Mirim, 32 anos; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, 14 anos; e Luna Benites Santos, 7 anos. Os dois últimos eram filhos de Laudiceia e Tiago.

Após o incêndio ser controlado pelo Corpo de Bombeiros Militar, equipes da perícia realizaram os levantamentos periciais no local. Os corpos foram removidos e encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Dourados.

A ocorrência foi registrada, inicialmente, como homicídio culposo na direção de veículo automotor e omissão de socorro, qualificada se resulta morte.

Dinâmica do acidente

O acidente ocorreu entre 20h e 20h30, de sexta-feira (14), conforme registro policial. O caso envolveu um carro Chevrolet Spin, enquanto o outro veículo era uma combinação de caminhão e semirreboque, que transportava uma carga de milho.

De acordo com a Polícia Civil, o semirreboque teria se desprendido do conjunto ao qual estava acoplado e atingido violentamente a Spin.

Ao ver a tragédia, o motorista abandonou o local utilizando a parte dianteira do veículo, seguindo em direção ao município de Japorã, sem prestar socorro às vítimas ou fornecer esclarecimentos sobre o ocorrido.

De acordo com informações apuradas pelos bombeiros, o carro de passeio havia acabado de sair da aldeia indígena Porto Lindo e estava a caminho de Iguatemi. A tragédia aconteceu a cerca de 60 metros da ponte sobre o Rio Iguatemi e por conta da gravidade do caso, a rodovia ficou interditada entre 19h de sexta-feira (14) e 5h da manhã do sábado (15).

A carreta seguia no sentido contrário, em uma descida, e de acordo com a suspeita dos peritos que estavam no local, possivelmente a caçamba basculante se ergueu com o veículo em movimento no meio da rodovia sem o motorista perceber. Por conta disso, perdeu a estabilidade em meio à alta velocidade e tombou no meio da pista.

O motorista da Spin não conseguiu parar e em alta velocidade bateu contra esta caçamba, que é toda de ferro. Imediatamente o carro pegou fogo e os peritos não conseguiram identificar se as pessoas morreram em decorrência da colisão ou por conta do fogo. Dependendo do modelo, a Spin tem capacidade legal para o transporte de sete pessoas. 

Caçamba estava carregada com milho, que se espelhou na rodovia. Tráfego entre Mundo Novo e Iguatemi ficou interditado por dez horas

A suspeita de que a tragédia tenha sido provocada por uma falha mecânica no sistema hidráulico da caçamba basculante surgiu porque o pino deste hidráulico estava completamente estendido, o que só ocorre quando o motor do caminhão está em funcionamento e quando a caçamba está atrelada ao chamado cavalo, explicou um dos bombeiros que passou a noite no  local da tragédia.

E, como o cavalo e a caçamba se desconectaram no momento em que a parte traseira tombou, os peritos acreditam que este pino tenha erguido a caçamba com o veículo em movimento.

Pelo fato de o acidente ter ocorrido próximo a uma ponte, o tráfego ficou completamente interditado durante cerca de dez horas. Porém, por ser rodovia com pouco movimento, a fila de veículos não chegou a dois quilômetros ao longo da noite e começo da madrugada.

MPF lamenta morte

O Ministério Público Federal (MPF) publicou uma nota de pesar após trágico falecimento dos sete indígenas da etnia Guarani.

De acordo com a nota do MPF,  Tiago Honorio dos Santos (Tiago Karai) era uma das mais importantes lideranças indígenas de São Paulo e pertencia a aldeia Kalipety, localizada na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros (SP).

"Sempre demonstrando coragem e habilidade para negociação, ele integrou diversas iniciativas em prol das comunidades, como a criação do Comitê Interaldeias, e foi um altivo representante de seu povo junto ao MPF na defesa dos direitos Guarani" diz a nota.

A família de Tiago que estava dentro do veículo incluia sua esposa Laudiceia Benites, também relevante liderança, os filhos Luna Benites Santos e Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos e a irmã Cleonice Honorio dos Santos. Além deles, estavam Ileo Benites e Genilson Euzébio Karay Mirim que acompanhavam a família. Todos eram moradores da aldeia Kalipety.

ELEIÇÕES 2026

Disputa por vaga na Assembleia de MS cai 35%

Estado terá 251 concorrentes às 24 cadeiras da Assembleia Legislativa neste ano, contra 389 registrados nas eleições de 2022

17/08/2026 11h45

Disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa terá 251 candidatos neste ano, 138 a menos que nas eleições de 2022

Disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa terá 251 candidatos neste ano, 138 a menos que nas eleições de 2022 Reprodução / TSE

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Mato Grosso do Sul terá uma disputa menor pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa nas eleições deste ano. Encerrado o prazo para registro das candidaturas, 251 nomes foram apresentados para concorrer a deputado estadual, número 35,5% menor que o registrado no pleito de 2022, quando 389 candidatos entraram na corrida por uma vaga no Legislativo estadual. 

Na prática, são 138 candidatos a menos em quatro anos. Em 2022, havia cerca de 16 interessados para cada cadeira da Assembleia. Neste ano, a relação caiu para pouco mais de dez concorrentes por vaga. 

Ainda assim, o número ficou bem abaixo do observado na eleição anterior. A redução também ocorreu na corrida pelas oito cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados, embora em proporção menor. São 122 candidatos a deputado federal em 2026, ante 156 nas eleições de 2022. A diferença é de 34 nomes, equivalente a uma queda de quase 22%. A concorrência passou de aproximadamente 19 para 15 candidatos por vaga. 

Somadas, as duas eleições proporcionais têm 373 candidatos neste ano, sendo 251 para deputado estadual e 122 para deputado federal. 

NOMINATAS

PL e Avante apresentam os maiores números, com 25 candidatos a deputado estadual cada. Na sequência aparecem a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a Federação PSDB-Cidadania e o Republicanos, todos com 24 nomes.

A Federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, registrou 23 candidatos; o Novo, 22; MDB, 19; Democracia Cristã (DC), 18; Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, 17; PDT, 16; Federação PSOL-Rede, dez; e PCO, quatro.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, os 122 candidatos estão distribuídos entre 19 partidos. Republicanos, PDT, MDB, PL, DC, Novo e PSDB estão entre as legendas que chegaram a nove candidatos na disputa federal.

Considerando todos os cargos em disputa em Mato Grosso do Sul, o DivulgaCand contabilizou 419 registros após o encerramento do prazo para apresentação das candidaturas.

São oito candidatos a governador, oito a vice-governador, dez ao Senado, dez primeiros suplentes e dez segundos suplentes, além dos 122 candidatos a deputado federal e 251 a deputado estadual.

O prazo para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro terminou no sábado (15). Como os pedidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral, os números podem sofrer alterações ao longo do processo de julgamento das candidaturas.

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