Documentos apresentados pela defesa de investigados no âmbito da Operação Successione, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), indicaram que integrante da família Razuk tinha sociedade em loteria que funcionava somente no Pantanal, nas cidades de Corumbá e Ladário. Segundo investigação, a empresa seria uma “cópia” do Pantanal Cap, que foi criado pela família Name.
A empresa Galo de Ouro Promoção de Vendas Ltda., com o nome fantasia de Show de Prêmios Pantanal, pertence a Marcelo Tadeu Cabral, preso na operação no dia 25 de novembro, e Rafael Godoy Razuk tinha cotas dela. Marcelo passou por audiência de custódia e sua prisão preventiva foi mantida.
Em 5 de junho de 2020, Rafael transferiu para Marcelo R$ 16 mil em cotas da loteria. Com isso, o capital social informado para a Receita Federal foi de R$ 55 mil.
A cartela do Show de Prêmios Pantanal vinha sendo divulgada para venda e sorteio em redes sociais e informava oferecer uma premiação de R$ 7 mil e outras três premiações no valor de R$ 1 mil. O valor cobrado pelo carnê era de R$ 10, e ele só poderia ser adquirido em Corumbá e Ladário. Conforme pesquisa em rede social, o último sorteio divulgado publicamente ocorreu em setembro deste ano.
Ainda constava um site oficial da loteria no carnê virtual, porém, o endereço não levava a nenhuma página na internet. Além disso, a jogatina informava que havia algum recurso que seria revertido para “manutenção e custeio” das atividades do Lions Clube de Ladário.
A página oficial da loteria tem 13 mil seguidores. Apesar de mencionar o Lions Clube de Ladário, o perfil oficial da instituição em rede social não faz nenhuma menção ao Show de Prêmios Pantanal.
Rafael Godoy Razuk, que é filho do ex-deputado Roberto Razuk e irmão do atual deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, foi apontado na investigação do Gaeco com “poder de decisão, tendo inclusive questionado as decisões tomadas por Neno Razuk ao seu alvedrio, classificando-as de equivocadas e inoportunas, diante das consequências advindas da Operação Successione”.
Nessa apuração do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), houve a identificação investigatória de que Marcelo Tadeu Cabral, que nasceu em Ponta Porã, mas vivia em Corumbá e rodava a loteria no Pantanal, era responsável na organização criminosa denunciada por financiar contas pessoais de Gilberto Luis dos Santos.
Ele foi apontado como responsável por realizar repasses de diferentes valores usando “laranjas” para realizar a movimentação financeira. Esse tipo de medida, conforme o Gaeco, é praticada para dificultar o rastreio da origem do dinheiro.
Ainda nesse intricado sistema de funcionamento do grupo, Gilberto, identificado também como Coronel, G. Santos ou Barba, atuava como gerente. Além de receber dinheiro, ele também indicava contas que precisavam receber depósitos em dinheiro para que o rastreio da origem fosse dificultado. Também cabia a ele cobrar dívidas, “utilizando-se de violência e grave ameaça contra os devedores”, segundo o Gaeco.
FACHADA
As apurações do MPMS sugeriram que, a partir de Corumbá e Ladário, Marcelo Tadeu Cabral foi designado para manter empresas voltadas a apostas e promoções com venda de títulos. Ele estava incumbindo de movimentar esquema semelhante ao que foi conduzido pela família Name, que mantinha o Pantanal Cap.
“Apurou-se ser Marcelo proprietário de empresas que mantêm atividades voltadas a apostas e promoções com venda de títulos, semelhantes ao sistema adotado por outros exploradores para a lavagem de capitais da atividade ilícita do jogo do bicho, a exemplo da empresa Pantanal Cap, ligada ao grupo da família Name”, identificou o Gaeco em investigação.
No caso da família Name, as investigações resultaram na Operação Omertà, que levou à prisão de Jamil Name e Jamil Name Filho, o Jamilzinho. Houve a identificação de que o grupo comandava o jogo do bicho e uma milícia armada em Campo Grande.
O QUE ALEGA A DEFESA
No cumprimento do mandado de prisão contra Marcelo Tadeu, a defesa dele tentou reverter a prisão preventiva, mas o pedido foi indeferido. Na casa de Marcelo em Corumbá, na região central, foram encontrados 2 carregadores e 46 munições, 1 celular e 1 pistola .380. Ele foi preso em Campo Grande.
Houve detalhamento pela defesa ao juízo de que o investigado é réu primário, que o crime investigado de jogo do bicho não envolve violência direta ou grave ameaça e que ele não tem histórico de envolvimento com crimes violentos. A defesa ainda apontou que Marcelo é empresário e tem residência fixa.
*SAIBA
Jogatina e eleições
Marcelo Tadeu Cabral, além de atuar com o Show de Prêmios Pantanal, também tentou carreira pública e foi candidato a vereador em Corumbá na eleição de 2024. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu 398 votos e ficou na suplência do PSDB. No começo deste ano, o investigado abriu uma empresa no centro de Corumbá para a venda de produtos alimentícios em um quiosque do tipo trailer. O capital social declarado para essa empresa foi de R$ 25 mil.
FONTE: Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS

