O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil contra o fazendeiro Allan Christian Kruger para apurar a aplicação de agrotóxicos em uma plantação de milho em área localizada dentro do perímetro urbano de Dourados, nas proximidades do Conjunto Residencial Monte Carlo. A suspeita é de que a pulverização tratorizada de defensivos agrícolas esteja ocorrendo a menos de 200 metros das residências, o que é proibido pela legislação ambiental.
A investigação parte de uma denúncia feita à Ouvidoria do MPMS, relatando que uma plantação de grãos situada ao lado do bairro estaria utilizando agrotóxicos de forma irregular, causando transtornos às famílias da região.
Moradores das ruas Elpídio Junior Rubin Stefanello, João Alves Rocha, Thereza Magro Machado, Sidrônia Azambuja Martins e José Joel Saburá afirmaram sofrer com os efeitos da pulverização e com o abandono do terreno, tomado por matagal, que favorece a presença de insetos peçonhentos e aumenta a sensação de insegurança.
De acordo com o despacho assinado pelo promotor de Justiça Amílcar Araújo Carneiro Júnior, o uso de agrotóxicos tão próximo a áreas residenciais representa risco potencial ao meio ambiente e à saúde da população, ainda que não haja comprovação imediata de dano. O MPMS destacou o princípio da precaução, que prioriza a proteção ambiental em situações de risco incerto, mas plausível.
O órgão solicitou informações ao Cartório de Registro de Imóveis e à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) para confirmar a matrícula da propriedade e identificar a responsabilidade sobre a área. Também determinou que moradores mantenham canal direto de comunicação com a Guarda Municipal Ambiental para denúncias em tempo real.
Caso sejam confirmadas irregularidades, o fazendeiro pode sofrer sanções administrativas, cíveis e até criminais.


