Depressão, mistura de água com cocaína e suposto suicídio: mulheres foram mortas por companheiros e familiares, que inicialmente tentaram ludibriar a polícia quanto à causa da morte em Mato Grosso do Sul.
Em duas situações, as mulheres só não tiveram suas vozes silenciadas devido à perícia, que trouxe à luz a causa real das mortes em que fatalmente terminaram sendo vítimas de feminicídio.
O caso mais recente é o da subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Marlene de Brito Rodrigues, de 39 anos, encontrada em casa, fardada, com um tiro na cabeça.
A versão apresentada pelo namorado, Gilberto Jarson, de 50 anos, foi a de que ela sofria de depressão. Após investigação, ele acabou preso nesta terça-feira (7), em Campo Grande.
Investigação
Cerca de trinta dias antes, como acompanhou o Correio do Estado, a jovem Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, convulsionou na casa do namorado. Ela chegou a ser encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu e morreu.
O namorado alegou que ela teria misturado cocaína com água e, por isso, passado mal. A família contestou a versão apresentada, e o caso segue sendo investigado para apurar se se trata de feminicídio.
Interior
Em Anastácio, município localizado a 358 quilômetros de Campo Grande, Edson Campos Delgado, de 43 anos, matou Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, por asfixia e alegou que ela havia passado mal.
Leise foi morta na véspera do Dia Internacional da Mulher, em 7 de março. Por meio das redes sociais, a filha dela lamentou o ocorrido, destacando: “uma data que deveria celebrar a vida, a força e a luta das mulheres”.
Com a esposa morta por estrangulamento, o feminicida Edson Campos Delgado, 43, usou o celular da vítima para enviar mensagens à filha, utilizando a mesma linguagem que mãe e filha costumavam usar entre si.
A jovem descreveu a mãe como uma pessoa alegre, cheia de vida e luz. No entanto, ao começar a se relacionar com Edson, afirma que essa luz foi se apagando aos poucos, em meio a um relacionamento abusivo.
Escalada de feminicídios
Com a morte de Marlene de Brito Rodrigues, Mato Grosso do Sul passa a registrar oito feminicídios em menos de 3 meses completos de 2026.
Levantamento recente aponta que, entre janeiro e o início de março, o estado já havia contabilizado seis casos em diferentes municípios, muitos deles cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
A morte mais recente antes deste caso ocorreu no início da manhã de sábado (7), em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande. Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta em casa, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que acabou preso.
Inicialmente, Edson disse às autoridades que havia encontrado a esposa sem vida e levantou a hipótese de suicídio. No entanto, durante as investigações, confessou ter asfixiado a mulher.
Também no dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.
Ela foi atacada com golpes de marreta no dia 3 de março. Após o crime, foi socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.
No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi, que procurou a polícia e confessou o feminicídio.
Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho da vítima, de 22 anos.
Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.
Já o primeiro feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista. A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que em seguida tirou a própria vida.
Em 8 de março, Ereni Benites, de 44 anos, foi o sétimo feminicídio. Morta carbonizada no dia internacional da mulher pelo ex-companheiro.
Agora, Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, é o 8º caso de feminicídio do Estado, e interrompeu 15 dias sem registros do crime.
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