Cidades

Linha Férrea

Ferrovia "engolida" por condomínio de luxo está abandonada há mais de 20 anos

Ao longo do trecho onde o trilho deveria passar, reportagem encontrou apenas alguns dormentes envoltos em mato alto

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Alvo de polêmica neste ano por suposta retirada e furto dos trilhos do trem para a construção de acesso a condomínio de luxo, a linha férrea de Campo Grande começou a desandar, porém, muito antes disso. Em agosto de 2004, há mais de 20 anos, na calada da noite, o então prefeito da Capital, André Puccinelli, determinou a retirada do que era trecho da ferrovia da região central.

De lá para cá, o abandono da ferrovia só aumentou, culminando na atual situação na saída para Três Lagoas, alvo até de boletim de ocorrência.

Diferente do que quer transparecer a Rumo, ao registrar boletim de ocorrência pelo furto de parte dos trilhos da linha férrea em Campo Grande, a estrada ferroviária da Capital está abandonada pela concessionária em vários trechos, o que pode ser comprovado pelo estado do mato na região e da falta de cuidado com os dormentes, sendo que alguns estão jogados em ruas ao lado do antigo traçado.

O sumiço dos trilhos, conforme matéria do Correio do Estado publicada nesta sexta-feira, virou caso de polícia após a constatação de que nem os ferros, nem a maior parte dos dormentes continuam na região da saída para Três Lagoas, próximo à construção de condomínio de luxo.

Conforme a reportagem, a denúncia afirma que parte dos trilhos teria sido retirada em setembro do ano passado. “Uma empresa de grande porte teria realizado a retirada utilizando caminhões tipo Munck e maquinário pesado”, relata o gerente de uma empresa da região.

Porém, em visita à região é fácil perceber que a retirada dos trilhos começou faz muito mais tempo.

Tomado por mato alto e denso, que não cresceu em apenas sete meses, o traçado da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil já não tem as características de uma ferrovia.

Dormentes podem ser encontrados até do outro lado da rua que passa na lateral do local onde ficavam os trilhos.

Em muitos pontos, não há sequer dormentes restantes no traçado, em outros apenas a carcaça do que foi a ferrovia. Os trilhos, por outro lado, são raros de serem encontrados na saída para Três Lagoas.

Os poucos que restam estão arrancados e jogados próximos a empresas da região, como a Alvorada Materiais de Construção e a Cargill Brasil.

Pelo abandono, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autuou a Rumo, no dia 22 de abril, segundo matéria do Correio do Estado.

O valor da multa era de 10% do valor da renda mensal do arrendamento da concessionária ou do valor do prejuízo causado, o que for maior, a título de multa não compensatória, além de responder pelas perdas e danos. 

Além do descaso, a ANTT também efetivou a punição porque afirmou que a concessionária deveria ter tomado providências sobre a retirada dos trilhos antes de ser provocada por investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) este ano.

Trecho que está quase inteiro da ferrovia fica dentro da CargillTrecho que está quase inteiro da ferrovia fica dentro da Cargill - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

INVESTIGAÇÃO

Segundo apuração do MPMS e do MPF, o condomínio Soul Corpal Living Resort, construído pela Corpal Incorporadora e Construtora teria ocupado trecho da antiga linha férrea e retirado parte dos trilhos para a construção de via de acesso ao empreendimento.

A investigação quer saber se a ocupação irregular teria acontecido após Projeto de Interesse de Terceiros (TIP) aprovado pela ANTT para o local; se as intervenções realizadas pela loteadora (arruamento e remoção de trilhos) foram feitas sem o rito processual de desativação e desincorporação, o que configura dano ao patrimônio público federal e quais providências foram adotadas pela Rumo.

A Rumo, porém, afirmou que não houve autorização para as obras executadas.

Em visita ao local, foi possível perceber que trecho da ferrovia foi completamente removido para a construção de uma passagem que integra a via que passa ao lado do Dahma ao novo condomínio. Pelo projeto, no entanto, a via deve seguir por todo o trecho do empreendimento.

Sobre isso, a Corpal afirmou ao Correio do Estado que a empresa “não recebeu qualquer notificação oficial sobre o referido inquérito ou qualquer eventual problema envolvendo o empreendimento”. 

“A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, cumprindo nesse e em todos os seus mais 68 empreendimentos todas as licenças aplicáveis e que suas atividades seguem rigorosamente a legislação vigente em todos os níveis regulatórios”, diz a nota.

HISTÓRICO

Inaugurada há 111 anos, em 1914, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil tem 1.622 quilômetros e ligava Bauru (SP) a Corumbá. Em Mato Grosso do Sul estava a maior parte da ferrovia, um trecho de aproximadamente 800 km, entre Corumbá e Três Lagoas, e outro de 355 km, entre Campo Grande e Ponta Porã.

A estrada de ferro foi privatizada em 1996, quando passou para as mãos da Rumo, atual responsável pelos trilhos em Mato Grosso do Sul. Na época da concessão, houve a primeira perda, que foi a desativação dos trens de passageiros na Malha Oeste.

Após anos de abandono, capítulo importante para explicar a situação atual ocorreu. Em agosto de 2004, do dia para a noite, os trilhos localizados no Centro de Campo Grande foram retirados a mando do então prefeito André Puccinelli. Após isso, o que se viu foi a progressão do descaso com a linha férrea.

ACIDENTE

Enquanto estava funcionando, a ferrovia registrou um grande acidente na região central de Campo Grande, que teria sido um dos motivos para a desativação da passagem pelo Centro.

No dia 29 de março de 1996, 11 vagões carregados de soja descarrilharam e desceram por cerca de 8 km, entre a estação do Rita Vieira e a Avenida Afonso Pena.

Desgovernados, os vagões colidiram com um ônibus, um caminhão-guincho e um carro, deixando sete mortos e 31 pessoas feridas. Este ano, o acidente completou 30 anos.

* SAIBA 

Reportagem constatou área de mata densa no trecho onde deveria estar a linha ferroviária da Malha Oeste em Campo Grande, o que mostra o completo abandono da ferrovia, que está sob responsabilidade da Rumo Logística desde 1996, quando foi concedida.

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sem interessados

Licitação do Hospital Municipal de Campo Grande fracassa 2ª vez

Hospital foi anunciado em setembro de 2023 e previsão era de que ficasse pronto antes do fim de 2024. Até, agora, porém, segue praticamente na estaca zero

19/06/2026 12h19

Previsão é de que o prédio com 259 leitos seja construído neste terreno no bairro Chácara Cachoeira

Previsão é de que o prédio com 259 leitos seja construído neste terreno no bairro Chácara Cachoeira

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Em meados de setembro de 2023 a prefeita Adriane Lopes e o então secretário municipal de saúde, Sandro Benites, convocaram uma coletiva de imprensa para anunciar a construção de um hospial municipal. A promessa era de que as obras teriam início ainda naquele ano e seriam concluídas antes do final de 2024, ano em que foi realizada eleição municipal 

Mas, quase três anos depois o projeto segue praticamente na estaca zero e nesta sexta-feira (19) fracassou, pela segunda vez, a tentatativa de licitação para contratar uma empresa interessada em construir o hospital. 

A primeira tentativa para licitar o projeto ocorreu em março deste ano, quando o certame restou deserto. Na época, a prefeita Adriane Lopes chegou a anunciar que o fracasso ocorrera por problemas técnicos no edital e por isso ela foi reagendada para esta sexta-feira (19).

Segundo relatório da concorrência, feito pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc), o fracasso de março foi “em virtude do não atendimento às condições de participação do certame pelas empresas participantes”.

A lictação foi inicialmente anunciada em julho de 2024, mas ficou praticamente parada por mais de um ano. Uma das explicações foram os questionamentos na Justiça. Representantes de moradores da região do bairro Chácara Cachoeira exigiam a realização de estudos de impactos na vizinhança antes do início de uma possível obra. 

O certame prevê a contratação de pessoa jurídica para implantação do complexo hospitalar no modelo built to suit (locação sob demanda), que inclui a construção da estrutura, fornecimento de equipamentos e mobiliário, além da manutenção e operação das instalações hospitalares (facilities), garantindo o pleno funcionamento de todas as áreas da unidade.

Pelo aluguel desta estrutura a prefeitura está disposta a pagar até R$ 5.142.403,37 por mês. E, quem oferecesse o maior desconto seria o vencedor do certame. Mas, nenhuma proposta foi entregue oficialmente. 

No ano passado duas empresas, Health Brasil Inteligência em Saúde  e a C Brito Neres Engenharia & Serviços,   chegaram a demonstrar interesse pela obra, mas o certame não chegou a evoluir para a fase das propostas financeiras. 

Projeto

O projeto prevê que o hospital seja construído em terreno localizado entre a Rua Raul Pires Barbosa e Rua Augusto Antônio Mira, no Bairro Chácara Cachoeira. Se sair do papel, terá 259 leitos, sendo 49 serão para pronto atendimento – 20 leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI) , 10 pediátricos e 10 adultos –, e 190 leitos de enfermaria (60 pediátricos, 60 adultos para homens e 70 adultos para mulheres).

O espaço terá Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos e pediátrica, 10 salas de cirurgia, 53 consultórios e 19 salas de exame, incluindo audiometria, eletrocardiograma, eletroencefalograma, eletroneuromiografia, ecocardiograma, ergometria, hemodinâmica, mamografia, radiografia, ressonância magnética, tomografia, ultrassonografia, endoscopia e colonoscopia.

Tudo isso será distribuído em quatro pavimentos – um subsolo, térreo, primeiro e segundo andares –, além de um centro de diagnósticos, laboratório, guarita, jardim e estacionamento com 225 vagas. No total, o hospital ocupará uma área de 14.914 metros quadrados.

No edital, a previsão de para construção é de R$ 211.360.415,80. O mobiliário, incluindo móveis, equipamentos médicos e hospitalares, teria um custo aproximado de R$ 80 milhões.
E, diferentemente da previsão inicial, que previa a conclusão das obras em menos de um ano, agora o edital prevê que as obras possam se estender por 24 meses. 

 

MATO GROSSO DO SUL

Estado destina R$ 130 mil para grupo de pagode em "Feijoada Solidária"

Contratação da banda Atitude 67 foi feita por inexigibilidade de licitação para apresentação durante evento beneficente em Ponta Porã; arrecadação será revertida para a Campanha do Agasalho 2026

19/06/2026 12h00

Grupo sul-mato-grossense Atitude 67 será a principal atração da 4ª edição da Feijoada Solidária, em Ponta Porã

Grupo sul-mato-grossense Atitude 67 será a principal atração da 4ª edição da Feijoada Solidária, em Ponta Porã Divulgação

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O Governo de Mato Grosso do Sul vai desembolsar R$ 130 mil para a contratação do grupo de pagode Atitude 67, principal atração musical da 4ª edição da Feijoada Solidária, que será realizada no próximo dia 27 de junho, em Ponta Porã.

A contratação foi oficializada por meio de ratificação de inexigibilidade de licitação, publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (19). Conforme o documento, o valor será pago à empresa Live Talentos Agenciamento, Produção e Publicidade Ltda., detentora da exclusividade na representação artística da banda.

O processo foi fundamentado no artigo 74, inciso II, da Lei Federal nº 14.133/2021, que permite a contratação direta de artistas consagrados por intermédio de empresário exclusivo. O contrato prevê uma apresentação de uma hora e meia de duração, com início às 16h30, no Majestic Hall Eventos.

Segundo o extrato, o show integra o projeto “Ações Culturais para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul”.

A Feijoada Solidária é promovida pela Prefeitura de Ponta Porã, por meio da Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão Social, e teve sua realização anunciada durante o lançamento oficial da Campanha do Agasalho 2026, ocorrido na última semana no Parque Tecnológico Internacional (PTIn).

Além do Atitude 67, a programação musical contará com apresentações dos grupos Samba Pop e Estranjeras, da cantora Karla Coronel e da Escola de Samba Igrejinha.

A arrecadação obtida com o evento será destinada ao fortalecimento da Campanha do Agasalho, iniciativa voltada ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade durante o período de inverno.

Em 2025, a Campanha do Agasalho arrecadou mais de 13 mil peças de roupa, quantidade suficiente para atender toda a rede municipal. Para este ano, a expectativa da administração municipal é superar o resultado alcançado na edição anterior.

Os ingressos para a Feijoada Solidária estão à venda. O setor “Batuque da Galera” custa R$ 170, além da taxa de serviço da plataforma de vendas no valor de R$ 25,50. Já o espaço “Samba no Pé”, composto por mesas para dez pessoas ao valor de R$ 2 mil, encontra-se esgotado.

O evento terá início às 12h no Majestic Hall Eventos, em Ponta Porã.

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