Cidades

MEIO AMBIENTE

Focos de incêndios no Pantanal e em MS aumentam em setembro

Juntando todos os biomas presentes no Estado, os focos aumentaram em 23,9% de um mês para outro, a maioria concentrada no Parque Estadual do Rio Taquari

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Mesmo com o número de focos de incêndio abaixo da média histórica (desde 1998) no Pantanal Sul-Mato-Grossense, os registros quadruplicaram de agosto para setembro na região. Em conjunto com os outros biomas presentes no Estado, o aumento foi de 23,9% no período analisado (últimos 60 dias). Os dados são do programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Até o momento, foram catalogados 362 focos no Pantanal este ano, 96,95% a menos que o mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 11.885 focos. Porém, o salto de 48 para 189 focos de agosto para setembro acendeu o sinal de alerta para as autoridades, principalmente para este mês.

Historicamente, os meses de agosto, setembro e outubro são os piores para o bioma, com médias de 1.587, 2.116 e 1.187 focos, respectivamente. Essa alta é motivada pela temperatura elevada e os ventos fortes em Mato Grosso do Sul que antecedem a chegada do verão. 

No mês passado, o major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, conversou com o Correio do Estado para explicar o porquê deste fenômeno e se há preocupação dos militares com o pode acontecer neste trimestre.

“Conforme a gente tem maior intensidade do calor e maior irradiação térmica, o combustível chega a uma temperatura mais alta. Então, é mais fácil iniciar o fogo nesse contexto. Além dessa relação direta com o início do fogo, a gente tem também um incremento na velocidade de propagação, porque uma das fases da propagação do fogo envolve a desidratação da vegetação. Quando a temperatura está mais alta, essa propagação se acelera”, detalhou à reportagem na época.

A Serra do Amolar é uma das partes do Pantanal que está em chamas. Um raio, que caiu no fim de semana em um morro a 800 metros de altura, foi o causador do incêndio. O coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) em Mato Grosso do Sul, Márcio Yule, explica como está a situação da região.

“Lançamos seis brigadistas para fazer controle e extinção e continuaremos a partir de amanhã [hoje]. Pelas imagens dá para perceber que são pequenos focos na serra, e estamos usando helicóptero para as áreas inacessíveis por veículos”, disse ao Correio do Estado.

Yule afirma que não há, por enquanto, perigo potencial de o fogo na Serra do Amolar se espalhar para áreas urbanas com risco à vida, visto que o tempo nublado, a temperatura amena e a umidade relativa do ar alta vêm ajudando os militares a combater as chamas. 

Ele complementa dizendo que há 30 brigadistas em Corumbá que estão auxiliando na ação e, caso haja necessidade, que podem receber o reforço de brigadistas de outros estados.

Conforme o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ), até o momento, 57 mil hectares do Pantanal Sul-Mato-Grossense foram devastados, o que corresponde a 0,59% da área total do bioma.

Em conjunto, os biomas do Estado registraram aumento de 23,9% no número de focos de incêndio de agosto para setembro. Neste ano, são 1.423 focos registrados e 175.672 hectares queimados, sendo 67,52% apenas no Cerrado, presente em 62 municípios do Estado ecom uma área total de 12,7 milhões de hectares.

RIO TAQUARI

Nas últimas semanas, um incêndio de grandes proporções vem atingindo o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari (Pent), que abrange os municípios de Costa Rica e Alcinópolis. Segundo a gestora regional do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Martha Gilka Gutierrez Carrijo, estima-se que foram devastados 3 mil hectares da unidade de conservação.

Mesmo que o fogo tenha começado na região no dia 23 de agosto, foi em 19 de setembro que a situação se agravou, quando um raio provocou um incêndio dentro do parque. Dois dias depois, foram enviados 22 brigadistas e 4 bombeiros para o local, com o objetivo de conter as chamas e evitar que elas se propaguem para outras áreas.

De acordo com a prefeitura de Alcinópolis, no dia 24 de setembro, o fogo voltou a atingir os vales do cânion, o que exigiu reforço das equipes na parte baixa do Pent. 

Desde então, o fogo está tomando proporções maiores e, conforme o secretário de Meio Ambiente do município, Elisberto Martins Rezende, as chamas chegaram na Base dos Containêres, sede principal do parque.

Ao Correio do Estado, o Corpo de Bombeiros confirmou que estão com duas equipes no local, um grupo de Operações Aéreas e bombeiros militares do quartel local. Ao todo, 13 bombeiros ocupam a área para tentar evitar que o fogo se espalhe. Ontem, o Imasul suspendeu as visitações ao parque por tempo indeterminado.

O Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari foi criado há 26 anos, com o intuito de cuidar da Bacia Hidrográfica do Taquari, uma das mais importantes do Pantanal, que vinha sofrendo com a
degradação. O parque tem 30.618 hectares e forma um corredor ecológico entre Cerrado e Pantanal.
 

OPERAÇÃO CAPOLÍNEA

Grupo traficou 24 toneladas de drogas em caminhões de minério em MS

Operação da FICCO/MS cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão, sendo 14 preventivas e 7 temporárias

15/10/2026 08h15

A Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol

A Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol Divulgação: Polícia Federal

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Uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), na manhã desta quinta-feira (15), combate uma organização criminosa que trazia drogas da Bolívia, pela fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro, e as distribuía para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. De acordo com a investigação, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de entorpecentes no período analisado.

A ação, denominada Operação Capolinea, cumpre 20 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão, sendo 14 preventivas e 7 temporárias, além de ordem de sequestro e bloqueios de bens no montante de R$ 24 milhões. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Corumbá e são cumpridos nos estados de MS, SP, GO e MG.

Um dos presos trabalhava como vigilante na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Ele é enteado de um dos líderes da organização. Segundo as investigações, informava ao grupo sobre a rotina interna da unidade, a presença de equipes policiais e a situação dos presos, e enviava fotos de apreensões e documentos feitas dentro da delegacia. Ele também guardava drogas em casa e fazia o transporte entre a Bolívia e o Brasil, inclusive da carga apreendida em Três Lagoas.

A Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol, sendo um deles o líder da organização, o qual se encontrava escondido na Bolívia há cerca de seis anos, após um ter sido beneficiado por um habeas corpus em um plantão do Tribunal de Justiça. A análise de um celular apreendido com um integrante do grupo levou à identificação do chefe do grupo criminoso.

Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas e organização criminosa. 

Caminhões de minério

De acordo com a investigação, a droga era transportada em caminhões que levavam cargas de minério de ferro, aproveitando o grande movimento desse tipo de frete na região. Para isso, o grupo aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, e pagava a eles por PIX para que os veículos fossem carregados sem fiscalização.

Também foram identificados esconderijos em pneus e tanques de combustível de caminhões e em cargas de grãos. Uma das remessas foi apreendida em Três Lagoas, em agosto de 2025, quando foram encontrados 35 kg de cocaína e 12,5 kg de maconha no estepe do veículo de carga. 

O veículo era conduzido por um homem que tinha o filho como passageiro. Ao vistoriarem o caminhão, os policiais rodoviários perceberam que os estepes estavam soltos das rodas. A inspeção revelou que, no interior dos pneus, havia diversos tabletes dos entorpecentes.

Nomenclatura

O nome da operação vem do italiano capolinea, que significa “fim da linha”, em alusão ao final da atividade criminosa do principal investigado, bem como na cessação da linha de fretes de minério de ferro exploradas pelo grupo.

A FICCO/MS é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Penal Estadual, Polícia Civil, Polícia Penal Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais e Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.

clima

Rios de MS entram em alerta após 2 meses de chuvas intensas

Em Miranda, duas famílias de ribeirinhos já foram retiradas porque o rio subiu e as águas invadiram as residências; há risco de mais pessoas serem retiradas

15/10/2026 08h10

Rio Miranda está em alerta e cota já está próxima da emergência

Rio Miranda está em alerta e cota já está próxima da emergência Foto: Álvaro Rezende/Divulgação

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Os grandes volumes de chuvas no interior de Mato Grosso do Sul estão aumento o nível dos rios gradativamente e dois deles estão em situação de alerta, especialmente o Rio Miranda, no município de Miranda, que está próximo de entrar em emergência e já prejudicou imóveis de duas famílias, o que preocupa ainda mais diante da previsão dos próximos dias.

De acordo com o boletim diário divulgado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e também como havia reportado o Correio do Estado, o Rio Miranda, que passa por 23 municípios e tem 490 quilômetros de comprimento, atingiu o nível de 6,76 metros ontem, o que é 76 centímetros acima do normal, colocando a região em alerta e pouco menos de 25 cm da cota de emergência.

Em relação com os dias anteriores, o Rio estava em 5,95 m na segunda-feira e subiu para 6,49 m nas 24 horas seguintes. Esse aumento dia após dia está diretamente ligado com as chuvas registradas no município. Por exemplo, na terça-feira, Miranda registrou 40,2 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As chuvas mais fortes começaram no dia 4 deste mês e ao longo da semana foram em torno de 300 mm. Desde então, houve um aumento de mais de 4,5 m no nível do Rio, visto que, no dia 5, estava marcando uma cota de 2,1 metros. 

Flávio Machado, coordenador da Defesa Civil de Miranda, disse que o órgão está em alerta e que duas famílias ribeirinhas precisaram ser atendidas por causa da água que invadiu suas residências. Ambas as famílias foram encaminhadas para um espaço seguro e estão sendo acompanhadas pela assistência social.
Ainda segundo ele, há preocupação diante da previsão de continuidade do cenário de chuvas na região.

Afinal, conforme o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), “os maiores acumulados, entre 150 mm e 200 mm, concentram-se principalmente nas regiões sul, sudoeste, central e sudeste do Estado, com pontos que podem ultrapassar esses valores”, até o dia 29.

Por conta disso, a Defesa Civil continua monitorando as pessoas que podem ser prejudicadas, que, de acordo com ele, são entre 10 grupos familiares e 15 grupos familiares.

O Rio Miranda é considerado o rio com a maior quantidade de peixes do Pantanal e um dos mais piscosos do mundo. Antes das recentes chuvas, cardumes com centenas de milhares de peixes foram flagrados subindo o rio, que há meses estava enfrentando a falta de água. Com a cheia de agora, estes peixes ficam praticamente livres de uma possível pesca predatória, já que o período de defeso ainda não começou.

A cheia do Rio Miranda nesta época do ano, segundo o coordenador da Defesa Civil, é totalmente atípico. Flávio tem 49 anos e sempre viveu em Miranda. Ele diz nunca ter visto tanta água em um mês de outubro como agora.

“Normalmente nesta época a gente está preocupado com as queimadas no Pantanal e a falta de água até para os rebanhos nas fazendas”, lembra. Cheias em janeiro, fevereiro e março são recorrentes na região, mas isso porque são os meses em que as chuvas fortes são normais. 

TAQUARI E DOURADOS

Outro local que está recebendo uma atenção especial é o Rio Taquari, em Coxim. Ao contrário do que está acontecendo em Miranda, o nível do Rio Taquari está diminuindo com o passar dos dias, mas ainda próximo da margem de alerta. Na segunda-feira, estava em 4,11 m e, no dia seguinte, reduziu para 4 m. Ontem, diminuiu ainda mais para 3,9 m, saindo da cota de referência alarmante.

Mesmo assim, a proximidade com o nível de alerta e a previsão de chuva para o restante da semana deixa o município de olhos atentos. Tanto o Cemtec quanto o Inmet não atualizaram o volume de chuvas apresentado por Coxim nas últimas horas.

O Rio Dourados, que começa no município de Antônio João e banha diretamente 12 municípios sul-mato-grossenses ao longo de seu percurso até desaguar no Rio Brilhante, também está cheio e transbordando nas regiões mais baixas, como é o caso de Fátima do Sul, onde as águas estão encobrindo pastagens e lavouras nas quais deveria estar crescendo soja.

De acordo com o Imasul, o comportamento das águas apresentou oscilações ao longo da semana. Na segunda-feira, o nível estava em 2,68 m, recuando para 2,55 m na terça-feira. Entretanto, na medição de ontem, houve uma recuperação de 30 cm em relação ao dia anterior.

Apesar do crescimento, o rio permanece abaixo do limite de alerta e distante da cota de emergência, fixada em 4 m. (Colaborou Neri Kaspary e Welyson Lucas)
 

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