Treze anos após o crime que culminou com a morte da enteada, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu Carlos José Bento de Souza, de 61 anos, neste sábado (23), em Dourados, município localizado a 225 quilômetros de Campo Grande.
A prisão ocorreu após a Seção de Investigações Gerais (SIG) e o Núcleo Regional de Inteligência (NRI) serem informados pela Polícia Civil do Estado de São Paulo sobre o local em que estava o foragido.
Condenado a 26 anos, 9 meses e 11 dias de prisão pela morte da enteada Ana Beatriz, de 14 anos, Carlos José foi localizado em uma oficina onde trabalhava como mecânico.
O crime aconteceu em Praia Grande (SP), no dia 13 de julho de 2012. O corpo da adolescente foi encontrado dois dias depois às margens da Rodovia Anchieta, próximo a São Bernardo do Campo (SP).
Durante a investigação, a mãe da menina, Ana Luiza Ferreira, chegou a ser presa e, ao ser ouvida pelos investigadores, confessou que matou a filha. Além dela, participaram do crime sua companheira, Elizabeth Fernandes dos Santos, e o ex-padrasto, Carlos José Bento de Souza.
Em entrevista ao G1, o delegado que estava à frente do caso, Luiz Evandro Medeiros, contou que o ex-padrasto já havia cumprido pena por tráfico de drogas e continuava praticando o crime.
“A versão que nós apuramos é de que ele usava essa adolescente para que ela levasse drogas a outros pontos de venda do entorpecente. Um dia ela perdeu uma quantidade de droga, voltou para casa e passou a sofrer represálias do traficante, que era o ex-padrasto dela, e da mãe. Eles diziam que isso envolvia muito dinheiro e que tinham que dar conta. Até que decidiram se desfazer da menina como compensação pela perda da droga. Foi aí que entraram a Beth, companheira da mãe, a mãe e Carlos”, disse o delegado ao G1.
Crime
Ana Beatriz foi morta dentro de casa. A adolescente apresentava fraturas no rosto e marcas no pescoço. A autópsia indicou asfixia como causa da morte.
Durante a reconstituição do crime, conforme apurado pelo G1, a mãe da menina, Ana Luiza Ferreira, participou e contou que a morte da filha aconteceu enquanto o filho, de 7 anos, dormia no quarto em frente ao cômodo onde a vítima foi assassinada.
"Ela alegou que houve uma discussão muito forte entre a filha dela e Elizabeth, que era companheira de Ana Luiza. Elizabeth, que é boxeadora, teria agredido a adolescente com socos até a morte. Ela disse que tentou afastar a agressora, mas não conseguiu. A reconstituição serviu para mostrar como a mãe foi omissa", explicou o delegado responsável pelo caso na época, Luiz Evandro Medeiros, ao G1.
Julgamento
A mãe da menina e o ex-padrasto foram julgados somente neste ano de 2025 e condenados por homicídio qualificado. A mãe juntamente com a namorada já estão presas, no entanto o homem estava foragido de São Paulo e era procurado pelas autoridades locais.
O padrasto, que foi preso em Dourados, foi acusado de ajudar a esconder o corpo da adolescente.
Condenações
- Ana Luiza Ferreira (mãe): 27 anos, 2 meses e 20 dias de prisão;
- Elizabeth Fernandes dos Santos (companheira): 20 anos e 8 meses de prisão;
- Carlos José Bento de Souza (ex-marido de Ana Luiza): 26 anos, 9 meses e 11 dias de prisão.




