Cidades

Crise fundiária

Força Nacional tem permanência prorrogada em MS até janeiro de 2026

Portaria do Ministro Lewandowski mantém tropas em áreas de fronteira e aldeias indígenas do Cone Sul em apoio à Polícia Federal, diante da persistência dos conflitos

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O Governo Federal confirmou a continuidade do emprego da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) em Mato Grosso do Sul por um novo período de 90 dias. 

O novo mandato prorroga a missão e concentra o efetivo nas regiões de maior sensibilidade: a faixa de fronteira e, crucialmente, as aldeias indígenas situadas no Cone Sul do estado. 

A decisão foi formalizada através da Portaria nº 1.045, assinada pelo Ministro Ricardo Lewandowski, e publicada no Diário Oficial da União em 8 de outubro de 2025, garantindo que as tropas permaneçam no estado até meados de janeiro de 2026.  
 
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, no final de setembro, o aumento do efetivo da Força Nacional, após o agravamento de conflitos fundiários na região.

“Com o objetivo de frear a pulverização de agrotóxicos que vem causando adoecimento e gerando insegurança hídrica e alimentar, foram registradas novas ações de retomada territorial por comunidades Guarani e Kaiowá em diferentes localidades, com destaque para as Terras Indígenas (TIs) Guyraroká (Caarapó/MS), Passo Piraju (Dourados/MS) e Avaeté II (Dourados/MS)", citou em nota. 

De acordo com o MPI, houve, ainda, o acirramento dos conflitos no tekoha Kurusu Amba IV - Xurite Amba (Coronel Sapucaia/MS) e na TI Panambi-Lagoa Rica (Douradina/MS), bem como a intensificação de práticas de arrendamento ilegal e de pulverização irregular de agrotóxicos na TI Yvy Katu (Japorã/MS).

A análise da série de portarias emitidas ao longo de 2024 e 2025 demonstra que a atuação da Força Nacional em MS deixou de ser uma resposta pontual e emergencial para se tornar uma necessidade estrutural crônica. 

Embora o mandato seja legalmente classificado como “episódico”, a sucessão ininterrupta de prorrogações prova que a crise subjacente não está resolvida. 

A Portaria atual se encaixa em um padrão de renovação contínua que já vigorava desde julho de 2024, quando o contingente foi reforçado em resposta a ataques a indígenas Guarani Kaiowá.

A permanência da Força Nacional em MS reflete a persistente escalada de tensões entre comunidades Guarani Kaiowá e fazendeiros.

“Infelizmente, a presença da Força Nacional de Segurança no Estado não tem impedido que comunidades indígenas, principalmente aquelas que estão em áreas de retomadas e que lutam pela demarcação de seus territórios tradicionais sofram violências e despejos sem ordem judicial por parte das forças policiais do Estado e dos seguranças privados contratados pelos proprietários rurais", avalia o deputado estadual Pedro Kemp (PT), que há tempos realiza denúncias do aumento da violência no Conesul e apresentou projeto na Assembleia Legislativa para regulamentar a pulverização agrícola aérea em Mato Grosso do Sul, em conjunto com os deputados Gleice Jane e Zeca do PT.

“Minha expectativa é que a Força Nacional garanta segurança às comunidades indígenas e impeça as constantes agressões que elas vêm sofrendo", complementa Kemp. 

Histórico

A localização mais crítica e sensível da intervenção engloba municípios como Antônio João, Douradina e Caarapó. 

A prorrogação da Força está intimamente ligada a incidentes de alta gravidade, como o conflito ocorrido na comunidade Marangatu, em Antônio João, em outubro de 2024. Neste episódio, dois Guarani Kaiowá foram feridos a tiros, e um deles, Neri Ramos da Silva, veio a falecer.

Em julho de 2024 o efetivo foi ampliado em resposta a ataques a indígenas Guarani Kaiowá nos municípios de Douradina e Caarapó. O aumento do contingente ocorreu após denúncias de que caminhonetes haviam cercado grupos de famílias que iniciavam retomadas, efetuando disparos de arma de fogo e rojões, ferindo uma jovem na perna.

Estes eventos recentes são reflexos de uma violência histórica na região. O Cone Sul já foi palco de incidentes graves, como o ataque de 14 de julho de 2016, também em Caarapó, que deixou seis indígenas gravemente feridos, incluindo uma criança. 

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Tráfico Internacional

Caminhonete importada dos EUA escondia maconha que seguiria ao Brasil via MS

Veículo importado dos Estados Unidos transportava 311 quilos de maconha produzida em laboratório; carregamento foi interceptado no Paraguai e teria Mato Grosso do Sul como corredor de entrada no Brasil.

28/07/2026 18h00

Caminhonete importada dos Estados Unidos foi interceptada no Paraguai após autoridades encontrarem 311 quilos de maconha premium escondidos em compartimentos do veículo.

Caminhonete importada dos Estados Unidos foi interceptada no Paraguai após autoridades encontrarem 311 quilos de maconha premium escondidos em compartimentos do veículo. Foto: Senad

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Uma operação da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai desarticulou, nesta terça-feira (28), um sofisticado esquema internacional de tráfico de drogas que tinha o Brasil como destino final.

Ao menos 311 quilos de maconha premium, produzida em laboratório e considerada muito mais potente que a maconha convencional, foram encontrados escondidos em compartimentos secretos de duas caminhonetes Dodge RAM importadas dos Estados Unidos.

Caminhonete importada dos Estados Unidos foi interceptada no Paraguai após autoridades encontrarem 311 quilos de maconha premium escondidos em compartimentos do veículo. Tabletes de maconha premium apreendidos pela Senad foram retirados dos compartimentos ocultos das caminhonetes importadas dos Estados Unidos durante a operação no Porto Terport, no Paraguai. Foto: SENAD/Divulgação.

A carga foi interceptada no Porto Terport, em Villeta, antes de seguir viagem, e as autoridades não descartam que o entorpecente pudesse entrar em território brasileiro por Mato Grosso do Sul.

Segundo a SENAD, a droga estava oculta em fundos falsos construídos com alto grau de sofisticação nas duas caminhonetes, despachadas de Miami para o Paraguai em um contêiner lacrado.

A apreensão ocorreu após um trabalho de inteligência que já monitorava o carregamento e identificou indícios de irregularidades ainda na fase de análise documental da carga.

As investigações apontam que o esquema envolve traficantes paraguaios e organizações criminosas brasileiras especializadas na importação e distribuição de drogas de alto valor agregado.

Conforme as autoridades paraguaias, esse tipo de maconha sintética ou produzida em laboratório possui concentração elevada de substâncias psicoativas e pode alcançar valor de mercado até 20 vezes superior ao da maconha tradicional cultivada no Paraguai.

Compartimentos eram blindados para enganar fiscalização

Durante a inspeção no terminal portuário, agentes do Departamento de Investigação e Monitoramento de Contêineres da Diretoria de Inteligência da SENAD identificaram modificações estruturais nas caminhonetes.

Um dos veículos possuía um sistema de ocultação ainda mais elaborado, desenvolvido especificamente para dificultar a localização do entorpecente.

À imprensa paraguaia, o ministro da SENAD, Jalil Rachid, explicou que os compartimentos clandestinos eram revestidos com placas de chumbo, estratégia utilizada para reduzir a eficiência dos equipamentos de escaneamento empregados na fiscalização aduaneira.

Segundo o ministro, o primeiro alerta surgiu ainda na análise da origem da carga. Miami, nos Estados Unidos, é considerada pelas autoridades paraguaias uma "zona quente" para esse tipo de operação logística ligada ao narcotráfico internacional, o que motivou uma fiscalização mais detalhada.

Como os compartimentos estavam completamente vedados, foi necessário utilizar equipamentos de corte para abrir a estrutura dos veículos. Cães farejadores também participaram da operação e auxiliaram na confirmação da existência da droga escondida.

Brasil era o destino final da carga

Após a abertura dos compartimentos e a realização dos exames periciais, foi confirmada a apreensão de 311 quilos de maconha premium, considerada uma droga de alto poder alucinógeno e com elevado valor comercial no mercado clandestino.

As autoridades paraguaias acreditam que a carga seria distribuída no Brasil por meio de organizações criminosas que atuam na fronteira entre os dois países.

Pela localização estratégica do Paraguai e pela intensa movimentação de cargas na região, Mato Grosso do Sul aparece como uma das principais rotas utilizadas por traficantes para o ingresso de drogas em território nacional.

A investigação agora busca identificar os responsáveis pela importação das caminhonetes, os financiadores da operação e a estrutura logística utilizada para transportar o entorpecente até o mercado consumidor brasileiro.

Investigação continua

A ocorrência foi comunicada à promotora Pamela Pérez, da Unidade Especializada de Combate ao Narcotráfico do Ministério Público do Paraguai, que passou a coordenar as diligências para aprofundar a investigação.

A operação foi realizada por agentes da SENAD em conjunto com servidores da Direção Nacional de Receita Tributária (DNIT), com apoio da equipe de segurança do Porto Terport.

A apreensão é considerada uma das mais relevantes do ano envolvendo drogas de alto padrão destinadas ao mercado brasileiro e evidencia o nível de sofisticação empregado pelas organizações criminosas para tentar burlar os sistemas de fiscalização internacional.

Além do grande volume apreendido, o caso chama a atenção pela utilização de veículos de luxo importados e de compartimentos especialmente projetados para escapar da detecção das autoridades.

EAD

UFMS abre inscrições em cursos gratuitos de inglês, espanhol e português

Cursos serão realizados em formato remoto síncrono, que exige que todos os participantes estejam conectados simultaneamente

28/07/2026 17h44

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) está com inscrições abertas para cursos gratuitos de língua inglesa, língua espanhola e língua portuguesa do Programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), da Rede Andifes.

As vagas são para estudantes de graduação, mestrado e doutorado, professores e técnicos-administrativos.

As inscrições podem ser feitas até o dia 3 de agosto, exclusivamente pelo Sistema de Informação e Gestão de Projetos - SigProj.

Conforme o edital, serão oferecidos cursos de interações cotidianas, compreensão oral e comunicação intercultural em língua inglesa; conversação, exames de proficiência e elaboração e apresentação de pôster científico em língua espanhola; e cursos de Português como Língua Estrangeira.

O resultado final da seleção será divulgado no dia 7 de agosto e as aulas terão início em 10 de agosto.

Os cursos serão realizados ao longo do segundo semestre letivo de 2026, em formato remoto síncrono, que ocorrem em tempo real e exigem que todos os participantes estejam conectados simultaneamente.

Para o diretor da Agência de Internacionalização (Aginter), Gustavo Câncio, a iniciativa amplia as oportunidades de formação linguística e preparação para a mobilidade internacional.

“Ao integrarmos a Rede Andifes IsF, conseguimos ampliar significativamente o número de vagas e a diversidade de cursos disponíveis — são nove opções diferentes entre inglês, espanhol e português para estrangeiros, atendendo desde quem está começando no idioma até quem já busca aperfeiçoar habilidades específicas, como a apresentação oral de pôsteres científicos ou exames de proficiência", disse.

Segundo Gustavo, a rede nacional da Andifes fortalece a capacidade da UFMS de preparar a comunidade universitária para a mobilidade internacional e para a produção científica em outros idiomas, sem custo para quem participa.

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