Cidades

INVESTIGAÇÃO

Fraude no Bolsa Família custava R$ 20 mil para incluir paraguaios

Investigação aponta envolvimento em Ponta Porã, mas a PF não descarta que o golpe também seja aplicado em Corumbá

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Uma associação criminosa em Ponta Porã cooptava paraguaios para declarar falsamente residência no Brasil, com documentos que chegavam a custar R$ 20 mil para grupos de estrangeiros que estavam interessados em participar do esquema, o que permitia acessar benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família, além de utilizar o Sistema Único de Saúde (SUS), sem efetivamente residir no País.

Em conversa com o delegado da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Marcus Vinicius Zampieri Sellmann, sete pessoas do município fronteiriço foram alvo da Operação Falsas Raízes, deflagrada ontem, ainda sem levantamento preciso de quantos estrangeiros estariam envolvidos no esquema.

“Havia um núcleo de Ponta Porã que era responsável por cooptar os paraguaios. Eles declaravam falsamente residência no Brasil. Então, a partir da declaração de residência falsa no Brasil, eles obtinham, com a Polícia Federal, a Carteira Nacional de Registros Migratórios. Com esse documento, eles faziam os pedidos de benefícios assistenciais perante o INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]”, explica o delegado, que ainda comenta como os estrangeiros pagavam pelos documentos.

“Em algumas situações, eles faziam empréstimos consignados. Então, os beneficiários, nos primeiros meses, também obtiveram uma vantagem. A gente teve casos de um empréstimo de R$ 20 mil e esses valores foram repassados ao grupo responsável por arregimentar [reunir] os paraguaios”, complementa.

Mesmo sem um número preciso, Marcus Sellmann afirma que cerca de 20 paraguaios já foram identificados utilizando os benefícios de maneira irregular.

Acerca do prejuízo que a quadrilha trouxe aos cofres públicos, o delegado estima cerca de R$ 250 mil, visto que muitos dos contemplados foram beneficiados por mais de um mês, o que eleva a quantidade de dinheiro captado durante o esquema.

“O Benefício de Prestação Continuada equivale a R$ 1.500 em média. Foram identificados mais ou menos 40 benefícios até a deflagração da operação. Então, se a gente partir desses dois números iniciais, já seria R$ 60 mil. Isso pensando na hipótese dos beneficiários terem recebido uma parcela, o que não é a realidade. Muitos receberam mais de uma parcela”, detalha, acrescentando que os 40 benefícios encontrados já foram suspensos, evitando que os envolvidos continuem utilizando-os.

Em nota, o Ministério da Previdência Social afirma que a interrupção desses benefícios irregulares aos envolvidos no esquema vai gerar uma economia superior a R$ 2,8 milhões aos cofres públicos, segundo “cálculo realizado com base na expectativa de sobrevida de cada beneficiário”.

O delegado também explica que, com a regularização da permanência no Brasil, os estrangeiros também têm direito a utilização de outros benefícios, além do Bolsa Família e o BPC, como por exemplo os atendimentos do SUS.

“O prejuízo que a gente estima não é só relativo ao INSS e a esses benefícios assistenciais, mas ele também atinge o nosso sistema de saúde. É importante frisar que o Brasil acolhe estrangeiros em diversos aspectos, só que há necessidade de que o estrangeiro esteja em situação regular aqui dentro do País”, destaca.

O delegado diz que as investigações começaram ainda no ano passado, a partir da prisão em flagrante de uma paraguaia que foi solicitar regularização migratória e os policiais desconfiaram dos documentos de residência que ela apresentou.

Ele reforça que outros casos parecidos anteriores a essa prisão já haviam sido identificados, mas sem apuração de finalidade assim como foi feito nesta operação.

Por ser uma das portas de entrada terrestres entre Mato Grosso do Sul e o outro país, Marcus Sellmann disse que não está descartada a possibilidade dessa quadrilha ter braço em Corumbá, que faz divisa com a Bolívia. Porém, até o momento, as investigações apontaram envolvimento somente na região de Ponta Porã e Paraguai.

OUTRA OPERAÇÃO

Esta não é a primeira vez que o Bolsa Família é utilizado por associações criminosas como forma de ganhar dinheiro fácil em Mato Grosso do Sul. Em abril deste ano, investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá identificou que uma organização criminosa usava cartões do Bolsa Família e de outros benefícios continuados, concedidos a famílias carentes, como garantia para agiotagem.

“Os suspeitos concediam empréstimos às vítimas com cobrança de juros abusivos de 30% ao mês. Além disso, exigiam garantias, como joias, veículos ou cartões de benefício social com senha”, detalhou o delegado Elton Sá Junior, à época.

Essa apuração averiguou que centenas de vítimas teriam obtido diferentes quantias, conforme matéria do Correio do Estado. Foram identificados três agiotas, dois homens e uma mulher, todos eles atuando no Bairro Dom Bosco, em Corumbá. Os crimes eram praticados, pelo menos, desde 2023.

Depois da apuração do caso, a Polícia Civil obteve autorização da Justiça estadual para cumprir três mandados de prisão contra os agiotas investigados, além de outros três mandados de busca e apreensão para recolhimento de provas contra a organização criminosa.

Algumas vítimas, conforme apurado, até conseguiam realizar o pagamento dos valores tomados em empréstimo. Porém, o que tinha sido tomado como caução nem sempre era devolvido.

Com diferentes níveis de violência, os agiotas e pessoas que podem ter sido contratadas por esses criminosos também faziam ameaças, inclusive com uso de arma de fogo. Essas ameaças eram feitas em cobranças e na extorsão.

Os cartões de benefícios sociais que eram tomados das vítimas permaneciam nas mãos dos criminosos, e os saques seguiam sendo realizados, mas o dinheiro não era entregue para os reais beneficiários.

*SAIBA

Benefício

O BPC é um benefício que garante que pessoas a partir dos 65 anos, e também aqueles que tenham alguma deficiência independentemente de idade, recebam, mensalmente, o equivalente a um salário mínimo, atualmente estabelecido em R$ 1.518. Para isso, a pessoa deve provar que não tem condições financeiras de se manter.

Já o Bolsa Família também é concedido a pessoas de baixa renda, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), cuja renda de cada pessoa da família não ultrapasse R$ 218 – por exemplo, se apenas um integrante de uma família de sete pessoas recebe um salário mínimo, a renda de cada familiar é de R$ 216,85.

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INÍCIO DA ESTAÇÃO SECA

Bombeiros de MS empenham 20 militares, 2 aviões e drones para evitar incêndios

Em treinamento, bombeiros usam queima controlada no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari para reduzir a biomassa acumulada

19/06/2026 18h00

Aeronave AirTractor do Governo de MS

Aeronave AirTractor do Governo de MS Foto: Cabo Lima/CBM-MS

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Às vésperas do inverno, estação mais seca do ano, bombeiros de Mato Grosso do Sul se preparam para a temporada de incêndios florestais. 

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) realizou a queima prescrita - uso planejado e controlado do fogo em vegetação -, nesta semana, no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari.

Aeronave AirTractor do Governo de MSAeronave AirTractor do Governo de MS. Foto: Cabo Lima/CBM-MS

A ação empenhou 20 militares, 2 aeronaves AirTractor, drone com sensor de calor, abafador, soprador e estação meteorológica portátil. Os equipamentos auxiliam na identificação de focos de incêndio e realização de treinamentos específicos para as equipes.

A atividade contou com o apoio do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Prefeitura Municipal de Costa Rica, Brigada de Incêndio de Alcinópolis e representantes do Núcleo de Estudos do Fogo em Áreas Úmidas da UFMS.

O objetivo é reduzir riscos de grandes incêndios em meses de estiagem (julho, agosto, setembro e outubro), reduzir a biomassa acumulada e diminuir o material combustível disponível. O manejo contribui para a eliminação de espécies exóticas e favorece a regeneração da vegetação nativa.

“A queima foi realizada em área de difícil acesso, a qual servirá como um ponto de controle para possíveis incêndios. Mensuramos as condições adequadas para essa atividade, aferindo a velocidade do vento, a humidade relativa do ar e a temperatura do local. Nesse momento do ano, temos uma temperatura mais amena, com previsão de chuva para os próximos dias, sendo o momento ideal para esse tipo de ação”, destacou o chefe de operações da Diretoria de Proteção Ambiental dos Bombeiros, capitão Pedrozo.

Os incêndios aumentam nesta estação devido à combinação de clima seco, baixa umidade do ar, ventos fortes

QUEIMA PRESCRITA

Queima prescrita é o uso planejado e controlado do fogo em vegetação, para reduzir o acúmulo de material orgânico seco (combustível) e biomassa acumulada.

A atividade também é chamada de queima controlada e Manejo Integrado do Fogo (MIF).

A queima controlada é permitida nas práticas de prevenção e combate aos incêndios. Com isso, uma das formas de evitar incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense é justamente realizar queimadas em vegetações que serviriam de combustível para o fogo.

A queima prescrita é conduzida de forma lenta e com baixa intensidade, permitindo a fuga da fauna e preservando a estrutura da vegetação.

O fogo é benéfico para o Pantanal sul-mato-grossense, se utilizado da maneira, frequência e na época correta. O fogo por si só não é um problema, mas incêndios florestais sim.

A fauna e flora estão adaptadas com a presença do fogo no Pantanal e Cerrado. Porém, a frequência a qual ocorre se torna um problema quando utilizado da maneira e época errada.

Operação Suffragium

Adriane Lopes diz que investigação sobre compra de votos não envolve a gestão atual

A prefeita ainda afirmou que recebeu a notícia da Operação da PF com "surpresa" e "tranquilidade"

19/06/2026 17h30

Operação cumpriu mandados de busca em endereços ligados à Adriane Lopes

Operação cumpriu mandados de busca em endereços ligados à Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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A prefeita Adriane Lopes (PP), ligada à Operação Suffragium da Polícia Federal que investiga um esquema de compra de votos durante as eleições de 2024, afirmou que as diligências não envolvem nenhum órgão da Administração Municipal nem tem relação com "atos da atual gestão". 

Afirmou, ainda, que a recebeu a notícia da Operação com "surpresa" e "tranquilidade".

Adriane Lopes teve o nome ligado à investigação durante ação da PF na manhã desta sexta-feira (19), quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços relacionados à prefeita de Campo Grande. 

Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS), em endereços residenciais e comerciais localizados em Campo Grande e Taquarussu. 

A PF identificou movimentações financeiras atípicas, incluindo saques em espécie, transferências fracionadas via Pix, além de utilização de contas de terceiros para circulação e distribuição de recursos em datas próximas aos turnos eleitorais, possivelmente destinados à compra de votos.

As condutas configuram os crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, prática conhecida como "caixa dois". As investigações permanecem em andamento e tramitam sob sigilo.

Em nota, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que "o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias, no Mato Grosso do Sul, e parecer favorável do Procurador-Geral em Brasília". 

Leia a nota na íntegra:

A prefeita Adriane Lopes recebeu com surpresa a notícia da deflagração da Operação Suffragium, mas também com tranquilidade, uma vez que o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias, no Mato Grosso do Sul, e parecer favorável do Procurador-Geral em Brasília.

Importante destacar que as diligências desta sexta-feira não envolvem qualquer órgão da Administração Municipal nem guardam relação com atos da atual gestão.

A prefeita reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho dos órgãos de controle e investigação, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, com a convicção de que a verdade dos fatos prevalecerá, como já ocorreu nas decisões judiciais anteriormente proferidas.

A Administração Municipal segue concentrada em seu compromisso diário de trabalhar por Campo Grande, com ações voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.

A Polícia Federal afirmou que não vai dar detalhes nesta fase da operação e que irá se pronunciar apenas quando a investigação estiver concluída. 

Investigação

A Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) e a vice-prefeita Camilla Nascimento (Avante) já haviam sido alvo de investigação envolvendo compra de votos nas eleições para mandado de prefeito da Capital em 2024. 

Em maio de 2025, por cinco votos a dois, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) decidiu pela manutenção dos mandatos, negando provimento da ação proposta pelo PDT e pelo DC por compra de votos nas eleições municipais.

De acordo com o presidente do TRE-MS, o desembargador Carlos Eduardo Contar, as provas apresentadas contra Adriane e Camilla eram "frágeis" e qualquer penalidade aplicada deveria ser com base em "provas substanciais". 

Os fatos têm de ser provados de forma idônea e incontestes. Por isso, a solução dada pelo relator é a mais acertada", disse, finalizando o julgamento.
 

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