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Fundo Amazônia pode financiar helicóptero para Bombeiros de MS

Estado tenta liberação de recursos com o BNDES para comprar equipamento que custa mais de R$ 45 milhões; pedido foi feito em processo que tramita no STF

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A possibilidade de aportar recursos milionários do Fundo Amazônia para serem utilizados no Pantanal abriu a chance para o governo do Estado adquirir uma das aeronaves mais modernas que podem ser utilizadas em combate a incêndios florestais.

O Esquilo B4, modelo H-130 T2, avaliado em R$ 45 milhões, foi apresentado no projeto para aquisição e representa um dos maiores investimentos em termos de programa único que o Estado vem propondo desde 2020 para mitigar os casos de incêndios florestais. A proposta é incorporar o equipamento ao Corpo de Bombeiros. 

O aval final para a liberação do recurso está sob análise do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do fundo. Além do pedido de Mato Grosso do Sul, que ocorreu por meio da ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), ainda há outras solicitações em análise. 

Conforme o BNDES informou ao Correio do Estado, haverá liberação de recursos para reforçar a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) para Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal, mas ainda sem a definição final de valores para todos os projetos solicitados.

“Elaborado a partir de discussões conjuntas por uma comissão interministerial e com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Casa Civil, Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), estados e outros parceiros, o projeto foi apresentado ao BNDES pelo MJSP e pode alcançar o valor de R$ 150 milhões”, trouxe nota do BNDES. 

“Os valores por unidade da Federação, bem como demais condições das operações, ainda estão em análise pelo BNDES e serão deliberadas pela diretoria do banco”, completou.

A abertura para que o fundo pudesse envolver investimentos em Mato Grosso do Sul ocorreu diante de tramitação de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), que está no Supremo Tribunal Federal e tem como relator o ministro Flávio Dino. Diante das discussões que vêm sendo feitas ao longo do processo, que começou a tramitar em 2020 após provocação do Rede Sustentabilidade, os debates não ficaram somente em termos jurídicos. Várias frentes começaram a ser abertas por conta dessa ADPF. 

Mato Grosso já consegue utilizar recurso do Fundo Amazônia por estar dentro do território da Amazônia Legal. Em compensação, está com cerca de 35% do Pantanal. Por outro lado, Mato Grosso do Sul abriga a maior parte do Pantanal, que ainda não tem fundo nacional específico e, por isso, as fontes de recurso para financiar ações são mais restritas.

Depois que, na ADPF, foi dado direcionamento para que medidas de combate aos incêndios no Pantanal pudessem recorrer ao fundo, o Estado fez encaminhamento para tentar incorporar uma nova aeronave, que, se for comprada, vai ser a mais moderna em Mato Grosso do Sul. 

Essa discussão tomou forma durante audiência realizada no dia 13 de maio deste ano. O MMA apontou sobre a possibilidade de investimentos do fundo para apoiar os Bombeiros.

O Plano de Fortalecimento Institucional para Controle dos Incêndios Florestais na Amazônia e no Pantanal, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo MMA, destinou R$ 426.379.728,00 para o Fundo Amazônia e também dá suporte para a solicitação de Mato Grosso do Sul.

“A preservação ambiental em Mato Grosso do Sul é uma prioridade inquestionável. Nosso estado abriga uma rica biodiversidade e uma variedade de ecossistemas únicos, incluindo parques nacionais, monumentos naturais, reservas ecológicas e áreas de proteção ambiental”, afirmou o governo do Estado na ação no STF. 

“No entanto, a ocorrência recorrente de incêndios florestais representa uma ameaça significativa a esses tesouros naturais, comprometendo a fauna, a flora e a qualidade de vida de nossas comunidades”, justificou o Estado ao solicitar a compra da aeronave.

DISCUSSÕES

O projeto para adquirir o Esquilo B4 já vinha sendo tratado internamente no Estado desde setembro de 2024, período em que os incêndios florestais apresentavam situação grave. Só no Pantanal de MS, mais de 2 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo ano passado. 

Além dos RS 45 milhões para a compra da aeronave, também está previsto o valor de R$ 1 milhão a ser utilizado no treinamento de pilotos. 

“No caso, cuida-se da destinação de recursos financeiros oriundos do Fundo Amazônia para aquisição de aeronave a ser utilizada no combate dos incêndios florestais no Pantanal. Importante esclarecer que o Decreto Federal nº 6.527/081 permite que até 20% dos recursos do citado fundo poderão ser utilizados no desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros, logo, não há dúvidas da legitimidade de Mato Grosso do Sul receber a verba solicitada”, defendeu a Procuradoria-Geral do Estado na ADPF.

PRIMEIRA ETAPA

Em 2022, o governo do Estado divulgou também investimentos que alcançaram cifras milionárias. Na época, foram informados R$ 56,6 milhões voltados ao combate aos incêndios, envolvendo a aquisição de diferentes equipamentos e manutenção de atividades. 

Na época, houve a compra de um avião Air Tractor AT8020F, denominado Xaraés, por R$ 14 milhões. Esse outro equipamento ficou com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), com cedência para os Bombeiros e sendo operado pelo Grupamento de Operações Aéreas (GOA) da corporação.

Saiba

Pedido foi feito pelo governo do Estado em processo que está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como relator o ministro Flávio Dino.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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