Cidades

SOB INVESTIGAÇÃO

GACEP investiga sob sigilo crise em DEPCA de Campo Grande

Órgão especializado deve apurar demanda reprimida e efetividade das ações policiais

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O Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial, conhecido por GACEP, está investigando as atividades da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) de Campo Grande, vinculada à Polícia Civil de MS.

A unidade estaria supostamente passando por uma crise de fluxo e com demanda reprimida. A investigação deve então apurar a existência do conflito interno, bem como a efetividade das ações que a DEPCA deve cumprir, e as motivações que levaram à suposta crise.

O caso está sob sigilo e foi divulgado por meio do Diário Oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (DOMPMS) desta quarta-feira (23).

O órgão coordena as atividades do grupo especializado, que atua como uma extensão do MPE, criado em março de 2015.

Estabelecido no âmbito das Promotorias de Justiça Criminais, o GACEP é subordinado ao gabinete do procurador-geral de justiça e tem como objetivo manter a regularidade e adequação dos procedimentos que são atribuídos a atividades e organizações policiais.

O grupo é responsável pela fiscalização do serviço nos quatro maiores municípios do Estado: Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas, totalizando 99 unidades fiscalizáveis.

O inquérito civil foi instaurado pelo Edital n.º 0002/2026/GACEP/II, direcionado à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que responde pela DEPCA, e a investigação tramitará em sigilo, conforme descrito na portaria.

Combate ao crime

Contrabandistas de perfumes faturaram R$ 300 milhões

Quadrilha contrabandeava perfumes árabes, que entravam no Brasil por Ponta Porã, e os revendia para todo o Brasil a partir de depósito em Campo Grande

23/09/2026 08h05

Agentes da Receita Federal apreenderam perfumes árabes contrabandeados do Paraguai

Agentes da Receita Federal apreenderam perfumes árabes contrabandeados do Paraguai Foto: Divulgação

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Uma quadrilha de Mato Grosso do Sul que contrabandeava produtos oriundos do Paraguai e se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” movimentou mais de R$ 300 milhões, especialmente com a venda de perfumes árabes, que eram armazenados em Campo Grande e repassados para diversos clientes em outras regiões do País.

Ontem, agentes da Receita Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) estiveram nas ruas de Campo Grande e de cidades em São Paulo e Pernambuco para deflagrar a Operação Perfume de Mulher, com o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão.

Especificamente na capital sul-mato-grossense, um dos mandados foi cumprido em uma residência na Rua Antônio Maria Coelho, nº 4.803, no Bairro Santa Fé. No local, agentes levaram dois carros (Fiat Fastback e Toyota Corolla Cross), que estavam estacionados na garagem, e apreenderam um malote com itens que não foram divulgados.

De acordo com a nota divulgada pelo órgão responsável pela fiscalização aduaneira, a ação desarticulou “suposta organização criminosa investigada pelos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais”, a partir de investigação que se originou depois de diversas apreensões relacionadas ao grupo nos últimos dois anos.

“As apurações decorreram da atuação integrada dos órgãos de investigação e controle, que permitiu identificar diversas apreensões relacionadas ao grupo criminoso entre os anos de 2024 e 2026. Nesse período, foram registradas mais de 20 apreensões vinculadas ao esquema, incluindo uma ação realizada em outubro de 2025, que resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente”, disse a Receita Federal.

Os produtos chegavam ao Brasil a partir de Ponta Porã e eram armazenados em um depósito em Campo Grande. Depois da ação de outubro de 2025, passaram a ser estocados em centros de distribuição sediados em São Paulo e Pernambuco. Por fim, as mercadorias eram distribuídas para vários outros estados.

Ainda conforme a Receita Federal, o grupo conseguia realizar as vendas dos perfumes nas redes sociais, marketplaces (shopping virtuais) e plataformas de comércio eletrônico (e-commerce), dos quais ainda se faziam valer da parceria com influenciadores digitais para auxiliar na divulgação dos produtos. Este esquema fez com que o grupo se intitulasse como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, em um dos seus sites.

“As investigações indicam que o grupo utilizava notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de interpostas pessoas, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados”, aponta.

Além disso, a investigação identificou que o grupo usava criptoativos (ativos digitais que utilizam a tecnologia blockchain e criptografia para assegurar a validade das transações) em negociações com fornecedores estrangeiros. Ao todo, as análises financeiras identificaram movimentação superior a R$ 300 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados.

A 3ª Vara Federal de Campo Grande também determinou a apreensão de bens vinculados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo as moedas digitais, além da prisão da responsável por toda a coordenação das atividades.

Participaram da ação 130 agentes da Receita Federal, do MPF e do MPMS nos três estados e foi a primeira vez na história que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do órgão estadual e federal trabalharam simultaneamente com a Receita Federal. (Colaborou Naiara Camargo)

* Saiba 

Os perfumes árabes destacam-se no mercado mundial pela alta fixação, ingredientes nobres como o oud (madeira de agar), âmbar e especiarias, e excelente custo-benefício em relação aos importados tradicionais. 

Auditoria

Intervenção revela R$ 48,5 mi em dívidas no transporte de Campo Grande

Relatório do Consórcio Guaicurus revela 20 mil autuações, frota sucateada e irregularidades antes de troca de comando

23/09/2026 06h15

Operação do Consórcio Guaicurus foi auditada por interventores

Operação do Consórcio Guaicurus foi auditada por interventores Gerson Oliveira

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A intervenção administrativa decretada no transporte coletivo urbano de Campo Grande revelou um diagnóstico financeiro preocupante no Consórcio Guaicurus. O levantamento preliminar realizado pela equipe responsável pela intervenção de 180 dias concessionária aponta R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na Capital sul-mato-grossense.

O relatório é assinado pelo interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, e pelos outros interventores, Alexandre Souza Moreira (jurídico), Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro) e Robson Tadeu Pereira (operacional).

No centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados perante a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal constante de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões do fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui ainda débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas ambientais aplicadas pelo Ibama, além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como INSS e Imposto de Renda.

Completando a conta de penalidades registradas pelos órgãos de fiscalização, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg) aplicou uma multa de R$ 12,24 milhões contra o grupo concessionário. A sanção decorre do descumprimento contratual continuado na manutenção do seguro de responsabilidade civil obrigatório, exigência descumprida por quase dez anos pela administração afastada.

Além disso, o relatório aponta outras dívidas e contingências operacionais, como R$ 5,86 milhões em combustível vencido em junho de 2026, R$ 2,15 milhões com outros fornecedores em aberto, R$ 17,44 milhões em estimativa de processos cíveis e a condenação não transitada em julgado de R$ 30 milhões por dano moral coletivo.

Ônibus sucateado

Para além dos valores numéricos levantados, o documento produzido pela intervenção expõe uma série de falhas operacionais e de manutenção. Entre os problemas destacados está o envelhecimento crônico da frota de ônibus. 

“O levantamento realizado apurou idade média de aproximadamente 10,4 anos em 2026, mais que o dobro do parâmetro contratual de cinco anos, com 108 veículos alcançando dez anos ou mais a partir de 2024 e renovação descontínua ao longo do período”, indica o documento.

O relatório também destacou a falta de um plano de manutenção preventiva e interrupção das revisões periódicas no veículo. 

Esse cenário provocou elevado índice de quebras de veículos em plena circulação, gerando recorrentes atrasos e a supressão não autorizada de viagens.

Atrasos

O relatório também mostra que entre os anos de 2021 e 2025, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) aplicou 21.910 autuações contra a concessão, sendo 12.279 por descumprimento de horários, 3.444 por omissão de itinerários e 1.385 por tráfego de veículos com equipamentos obrigatórios defeituosos. 

Paralelamente, os interventores identificaram a circulação diária de linhas de ônibus não autorizadas na grade oficial da Agetran e sem estudos de demanda.

Desorganização

O relatório apurou também irregularidades na destinação de recursos e repasses a partes relacionadas. Foram identificados o uso de caixa da concessão para quitar indenizações antigas de empresas antecessoras e a manutenção em folha de pagamento, por 35 meses, de funcionários alocados em imóvel desocupado e alienado a empresas integrantes do grupo dos acionistas, gerando custo estimado em R$ 518.813,43.

Outro ponto grave diz respeito ao colapso do modelo de governança e controle interno. Constatou-se a hiperconcentração de atribuições no setor de compras e operação, o abandono da medição dos 11 indicadores contratuais de desempenho e a subutilização de um sodtware contratado, que operava com níveis irrisórios de uso enquanto as rotinas eram conduzidas por planilhas manuais e aplicativos de mensagens.

Para os interventores, os fatos verificados constituem o descumprimento prolongado e documentado de obrigações contratuais objetivas do contrato nos no que diz respeito à frota, oferta, seguros e reporte. 

“O saneamento definitivo das deficiências identificadas não se alcança apenas por medidas de gestão, recomendando se a reestruturação substancial do Contrato de Concessão nº 330/2012, com repactuação  dos seus termos técnicos, operacionais, jurídicos e econômico-financeiros”, sugerem os interventores. 

Venda

Em julho, menos de um mês após a intervenção municipal, a HP Mobilidade, concessionária do transporte coletivo de Goiânia (GO), comprou o Consórcio Guaicurus do grupo liderado por Paulo Constantino, dono da Andorinha Transportes, que controlava o consórcio desde sua formação, em 2012. A negociação, mostrou o Correio do Estado, representa um movimento estratégico no setor de transportes e indica interesses que vão além do cumprimento do contrato atual.

Por meio do proprietário, Edmundo Pinheiro, o grupo HP não esconde a intenção de se tornar o maior conglomerado de transporte urbano do Brasil até 2035. A tendência é que Campo Grande se torne um laboratório para a aplicação do modelo de negócios que já apresenta resultados em Goiânia. Na Capital sul-mato-grossense, o grupo abriu a Maas Transportes, empresa que comprou o Consórcio Guaicurus e possui capital social de R$ 10 mil.

Em Goiânia, o grupo HP investiu pesadamente na modernização da frota e na melhoria da experiência do usuário. A cidade é considerada uma das poucas capitais brasileiras que não enfrentam grave crise de financiamento do transporte coletivo. A transformação, foi resultado não apenas da renovação da frota, mas também de uma engenharia jurídica e financeira baseada na relicitação ou na prorrogação antecipada e patrocinada.

É esse dispositivo que o grupo HP pretende implantar em Campo Grande. Na Capital, a prorrogação antecipada e patrocinada desponta como o caminho mais indicado. A transferência de propriedade do Consórcio Guaicurus, porém, ainda depende da autorização da prefeita Adriane Lopes (PP).
 

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