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DEVASSA

Gaeco faz operação para desmantelar suposto esquema de corrupção no governo estadual

Pelo menos sete pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira e um dos detidos seria o secretário adjunto da secretaria de Educação

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Pelo menos sete pessoas foram detidas na manhã desta quarta-feria (29)  em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para desmantelar um suposto esquema de corrupção em contratos firmados pelas secretarias estaduais de Justiça e Segurança Pública, Educação e Saúde do Governo do Estado. Os contratos já identificados e objetos da investigação ultrapassam 68 milhões de reais.

A operação do Gaeco foi batizada de Turn Off, voltada ao cumprimento de 8 mandados de prisão preventiva e 35 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Campo Grande, Maracaju, Itaporã, Rochedo e Corguinho.

A investigação, segundo o Gaeco, constatou a "existência de organização criminosa voltada à prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, fraude em licitações de contratos públicos e lavagem de dinheiro".

Conforme as apurações iniciais, os detidos foram levados ao prédio da Cepol, no bairro Tiradentes,  e entre eles estaria o secretário adjunto de Educação, Edio de Castro. Simone Ramirez, do setor de licitações da Secretaria de Administração, é outra que teria sido detida. 

Ainda de acordo com informações preliminares, outro alvo da operação teria sido o ex-secretário de Saúde da administração passada, Flávio Brito. Este, porém, não foi detido, mas endereços ligados a ele foram alvo de buscas por integrantes do Ministério Público, que tiveram apoio de policiais do Batalhão de Choque. 

Flávio Brito substituiu Geraldo Rezende em abril do ano passado, quando este deixou a secretaria de Saúde para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Atualmente, ele ocupa cargo de alto escalão na secretaria de Governo do Estado. 

De acordo com o MPE, esta "organização criminosa atua fraudando licitações públicas que possuem como objeto a aquisição de bens e serviços em geral, destacando-se a aquisição de aparelhos de ar-condicionado pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED/MS), a locação de equipamentos médicos hospitalares e elaboração de laudos pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES/MS), a aquisição de materiais e produtos hospitalares para pacientes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Campo Grande, dentre outros, havendo, nesse contexto, o pagamento de vantagens financeiras indevidas (propina) a vários agentes públicos".

Operação apreendeu dinheiro, mas o MPE não informou valores

Entre os presos, de acordo com as informações preliminares, também estaria Thiago Haruo Mishima, que ocupava cargo de confiança na Segov (Secretaria Estadual de Governo e Gestão Estratégica) durante a administração de Reinaldo Azambuja. 

Além de servidores públicos, a operação do Gaeco também mirou em uma série de empresários que prestaram serviço ao governo do Estado e para várias prefeituras. Venda de medicamentos, aparelhos de ar condicionado e até aluguel de tendas para atendimentos emergenciais durante a pandemia da covid estão entre os contratos sob investigação. 

As empresas que estão sob investigação mantém contratos com a atual administração. Conforme apuração do Correio do Estado, ao longo do ano receberam pagamentos relativos à entrega de luvas, máscars e aparelhos de ar condicionado para a Polícia Militar.

Uma destas empresas, Isomed, que assinou um dos contratos ainda com o ex-secretário de Saúde Geraldo Rezende, continuava recebendo em torno de R$ 1 milhão por mês ao longo de 2023. Em maio do ano passado, ela foi vencedora de um pregão eletrônico e garantiu contrato de R$ 12.164.640, 00. Em 2021, recebia em torno de R$ 470 mil mensais da Saúde estadual. 

Durante os trabalhos, o GECOC valeu-se de provas obtidas na Operação Parasita, deflagrada no dia 7/12/2022, compartilhadas judicialmente, que reforçaram a maneira de agir da organização criminosa.

Turn Off, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como ‘desligar’, foi originado do primeiro grande esquema descoberto na investigação, relativo à aquisição de aparelhos de ar-condicionado, e decorre da ideia de ‘desligar’ (fazer cessar) as atividades ilícitas da organização criminosa investigada.

O QUE DIZ O GOVERNO

Em nota divulgada pela administração estadual, a assessoria diz que "o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul informa que os servidores sob investigação, no âmbito da operação do Gaeco/Gecoc, realizada na manhã de hoje, quarta-feira (29), resultante de inquérito sobre contratos firmados em anos anteriores, serão imediatamente afastados de suas funções.

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul informa que a medida visa garantir total transparência sobre contratos e procedimentos adotados pela gestão pública.

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul esclarece ainda que a operação não se estendeu a órgãos do Governo do Estado e que a Controladoria-Geral e a Procuradoria-Geral acompanharão as novas etapas da investigação."

(Matéria atualizada às 12:22 para acréscimo de informações)

PROMOÇÃO POLÍTICA

MPE abre investigação para perfil de notícias que promove prefeito de Pedro Gomes

Dono de portal de notícias tem cargo comissionado em prefeitura do município desde 2025

13/08/2026 10h30

Divulgação

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O Ministério Público Estadual (MPE) abriu um inquérito civil para investigar um possível esquema de promoção pessoal do prefeito de Pedro Gomes, Murilo Jorge (PL), com a contratação de um dono de portal de notícias para um cargo comissionado na prefeitura.

A investigação iniciou após o MPE receber uma denúncia anônima de que Paulo Siqueira da Silva, dono do site de notícias "Portal PNews" e funcionário público em cargo de confiança da prefeitura, utilizava pautas da administração pública para promover a figura política do prefeito em seu próprio jornal, utilizando inclusive publicações colaborativas com o perfil pessoal do prefeito.

O chefe do executivo, conhecido também por Delegado Murilo, devido à sua ocupação anterior antes de assumir o atual cargo, teria contratado Paulo Silva para exercer o cargo de Assessor II. No entanto, o servidor utilizava o horário do expediente na prefeitura para realizar publicações no perfil do portal de notícias.

Publicações em portais de notícias utilizavam figura de prefeito para promoção pessoal - Foto: Reprodução Anteriormente, as postagens colaborativas do perfil pessoal do prefeito, com o do jornal e o perfil oficial da prefeitura de Pedro Gomes, geraram a instauração de uma Notícia Fato, a qual foi investigada e retirou as publicações dos perfis.

Na época, o logo da prefeitura do município apareceu em postagem de um outro perfil de notícias, associando a imagem do Delegado Murilo e sua família ao logo da Prefeitura de Pedro Gomes.

Questionado pelo MPE por quem teria sido contratada a publicidade e qual o motivo da utilização do logo, o dono do site respondeu que a publicidade foi "cortesia" e o uso do logo foi um erro.

Nos autos ainda há publicações de outros perfis que também promoviam a figura do prefeito em forma de publicidade. Além do próprio perfil pessoal do prefeito com conteúdos de promoção pessoal em relação ao cargo de executivo municipal.

Foto: Reprodução

No inquérito civil, divulgado no Diário Oficial do MPE de hoje (13), foram apresentadas ao MPE uma série de imagens, em que o prefeito e seu vice eram destaques nas postagens do Portal PNews, associado ao servidor público Paulo Silva.

A utilização das figuras políticas representava a realização de obras ou ações da prefeitura, em que comumente são utilizadas imagens das obras, ou mesmo dos resultados dos serviços.

Com a investigação, os esclarecimentos do município trouxeram novas dúvidas, uma vez que Paulo Silva é servidor efetivo do município desde o ano de 2003, concursado pelo cargo de técnico de enfermagem e dono do Portal PNews desde 2011, o qual também é editor do jornal, e recentemente foi designado ao outro cargo.

Em 2025, ano que o prefeito iniciou seu mandato, o servidor foi destinado para o cargo comissionado de Assessor II da gestão do prefeito atual, e o MPE solicitou ao prefeito, que seja apresentado ao órgão no período de 10 dias:

  • cópia do ato normativo que prevê a criação do cargo que o funcionário ocupa, bem como as atividades que devem ser realizadas por ele;
  • registro do ponto do servidor desde sua nomeação;
  • eventual justificativa para liberação de assinatura do ponto;

Foi registrado nos autos ainda que, mesmo após a instauração da notícia fato anteriormente, o servidor continuou as postagens durante o expediente, o que resultou na instauração do inquérito civil.

O caso investiga a irregularidade no exercício do cargo ocupado pelo servidor, devido à incompatibilidade apresentada até então com sua função pública e dono do portal de notícias, bem como a influência e interferência do prefeito no veículo, caracterizando improbidade administrativa ao atentar contra os princípios da administração pública, como legalidade, moralidade e impessoalidade administrativa.

Combate à Corrupção

MP lança 2.ª fase de operação contra falsos exames no interior do MS

Ao todo foram cumpridos um total de 17 mandados, sendo cinco de prisão preventiva e outros 12 de busca e apreensão

13/08/2026 10h01

Direcionamento de licitação e desvio de recursos eram todos feitos com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos

Direcionamento de licitação e desvio de recursos eram todos feitos com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos Reprodução/LeitorC.E

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Pelas ruas do interior do Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (13), o Ministério Público do Estado (MPMS) deflagra uma segunda fase da chamada Operação "Auditus", contra falsos exames, através de seus grupos Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) ,e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque. 

Ao todo foram cumpridos na manhã de hoje (13) um total de 17 mandados, sendo cinco de prisão preventiva e outros 12 de busca e apreensão, nos seguintes municípios: 

  • Bela Vista 
  • Bonito, 
  • Guia Lopes da Laguna,
  • Jardim e
  • Nioaque. 

Toda essa investigação pelo Gecoc, em apoio à 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, teve início com a apuração de fraudes que ocorriam em licitações executadas pela Prefeitura de Nioaque. Esses certames miravam a contratação de uma empresa para prestação de serviços de especialidades médicas: consultas, realização de exames e procedimentos médicos, como bem aponta o MPMS em nota. 

A primeira fase da Operação "Auditus" foi realizada em 1° de julho de 2025, quando dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos em: Nioaque, Bonito e Jardim. À época, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia constatado que o potencial dano dos contratos suspeitos já era estimado em mais de R$3 milhões em um esquema entre 2019 e 2024. 

Feita análise das apreensões da primeira fase, somadas à diligências posteriores, os agentes puderam reunir elementos que comprovaram a "existência de um esquema criminoso estruturado", como descreve o Ministério Público. 

Segundo o MPMS, esse esquema criminoso estruturado funcionava com o direcionamento das contratações, o que em outras palavras significa que os pagamentos eram feitos e os serviços médicos não eram executados.

Esse direcionamento e desvio de recursos públicos eram todos feitos através de suborno de funcionários, como bem aponta o Ministério, com um sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. 

Efeitos do crime

Sendo que "Auditus" trata-se de um termo latim que faz referência à "audição", com a Operação batizada dessa forma em menção aos exames auditivos que eram apenas simulados como um dos meios para desvio do dinheiro. 

Foi constatado posteriormente, porém, que diversos outros exames e serviços médicos fraudados também foram englobados no esquema criminoso para terem seus valores sistematicamente desviados. 

Em balanço sobre os reflexos das práticas criminosas, nota-se um aumento de mais de mil por cento (1.713%) no gasto com tais serviços médicos, no recorte feito pelo MPMS entre 2022 e 2025. 

"Ao passo que o total de 83% (oitenta e três por cento) dos exames e consultas pagos pelo Município foram simulados pelo grupo criminoso, composto por agentes públicos e privados, mediante a falsificação de documentos", complementa o Ministério Público em nota.

Além disso, a estimativa dos prejuízos aos cofres públicos somente em Nioaque já ultrapassa os quatro milhões de reais. 

Elementos coletados indicam inclusive a atuação na expansão do esquema criminoso para demais municípios, o que o Ministério classifica como continuidade e agravamento dessas atividades ilícitas. 

Até o momento não há identificação dos alvos dos mandados de prisão. 

 

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