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Gaeco investiga corrupção em pelo menos 11 prefeituras de MS só neste ano

Braço de investigação do Ministério Público realizou, desde janeiro, oito operações contra esquemas criminosos no interior

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A gestão correta dos recursos públicos é, ou deveria ser, uma obrigação de todos os gestores municipais, porém, não é o que tem apontado o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) em suas investigações. Somente neste ano, ao menos 11 prefeituras e Câmara Municipal foram alvos de operações por parte do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).

Levantamento feito pelo Correio do Estado nas investigações em andamento do MPMS mostrou que, pelo menos, 10 prefeituras e uma Câmara Municipal tiveram mandados de busca e apreensão expedidos, e em alguns casos até de prisão, por suspeitas de crimes que envolviam fraude em licitações públicas, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação mais recente foi deflagrada ontem, em Miranda, onde, segundo o Ministério Público, a investigação constatou “a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, licitações de diversos tipos de produtos no município de Miranda, desde 2020, por meio do conluio de empresários que fornecem propostas ou orçamentos ‘cobertura’ e contando com atuação decisiva de agente público no esquema criminoso”.

Na Operação Copertura foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Miranda e Sidrolândia.

Ainda segundo o MPMS, a investigação apontou que algumas das empresas que venceram licitações em Miranda não possuíam “sequer sede própria ou funcionários registrados, mas venciam licitações de produtos das mais variadas características, como, por exemplo, materiais de construção, escritório, gêneros alimentícios, produtos de limpeza, informática, kits escolares, etc”.

TERENOS

Já no mês passado foi deflagrada uma das maiores operações contra a administração pública neste ano, a Operação Spotless, que mirou possível organização criminosa “voltada à prática de crimes contra a administração pública instalada no município de Terenos, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso”.

A ação resultou na prisão do então prefeito da cidade, Henrique Budke (PSDB), que foi afastado do cargo.
Matéria do Correio do Estado de ontem mostrou que o prefeito foi enquadrado pelo Ministério Público em quatro crimes: corrupção passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Ele está sujeito a uma pena que pode chegar a 260 anos de prisão.

A investigação mostrou, segundo o MPMS, que Henrique Budke integra um esquema de corrupção generalizado na cidade. Ele foi enquadrado por corrupção, em razão de, pelo menos, 10 atos diferentes, o mesmo para corrupção passiva (10 vezes) e para lavagem de dinheiro (pelo menos quatro vezes), além de organização criminosa, o que explica a possível pena elevada, uma vez que os crimes foram denunciados no chamado concurso material, em que as penas previstas para os crimes praticados são somadas.

Além do prefeito de Terenos, outras 25 pessoas foram enquadradas em vários crimes, como corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

A organização criminosa teria fraudado o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando, segundo a investigação, os certames para beneficiar empresas participantes do esquema, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima. Segundo o MPMS, somente no último ano os contratos do grupo ultrapassaram a casa dos R$ 15 milhões.

OUTRAS AÇÕES

Além dessas duas prefeituras, os municípios de Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia, Nioaque, Bonito e Jardim também tiveram contratos da administração publica investigados. 
Já em Aquidauana, o alvo foi a Câmara Municipal da cidade, que segundo o Ministério Público, teria fraudado processo licitatório e contrato dele decorrente.

Ainda conforme a investigação, servidores públicos da Câmara Municipal de Aquidauana e empresários do ramo publicitário estariam envolvidos. 

“Pela contratação, a referida Câmara de Vereadores já pagou valor milionário nos últimos três anos e a execução do contrato aponta para inúmeras fraudes, inclusive uso de supostos serviços para beneficiar interesse particular de agente público”, afirmou o MPMS.

Para membro do Ministério Público consultado pela reportagem do Correio do Estado, que preferiu não se identificar, o número frequente de investigações deste tipo é reflexo de aumento de casos, mas sim de maior indignação das pessoas em relação a esses desvios, o que daria mais força para que investigações possam ser conduzidas pelo órgão.

“Na minha visão não tem ocorrido um aumento de casos de fraudes em licitações e corrupção nas prefeituras do estado de Mato Grosso do Sul, já que isso sempre existiu. O que tem sido frequente e visto nos últimos tempos é um aumento da ojeriza da sociedade com tais crimes contra a Administração Pública e, consequentemente, um incremento nas investigações realizadas pelos órgãos destinados ao combate a essa praga que se chama corrupção. E se depender do Ministério Público a repressão a tais crimes vai só se ampliar”, avalia servidor do MPMS.

Consumo

Onda de calor faz consumo de energia crescer 4% em MS

Demanda chegou a 1.374 MW no domingo, em meio a temperaturas de até 44ºC e sensação térmica de 48ºC

28/09/2026 18h30

Calor predomina até terça

Calor predomina até terça Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A onda de calor que mantém Mato Grosso do Sul em alerta vermelho já mudou o comportamento do consumo de energia no Estado. Com temperaturas que chegaram a 44ºC e sensação térmica de até 48ºC no domingo (27), a demanda por eletricidade cresceu 4% no último fim de semana em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Energisa. O maior pico ocorreu às 19h, quando o consumo chegou a 1.374 megawatts (MW).

O horário do pico chama atenção porque coincide com a mudança no padrão de uso de aparelhos de ar-condicionado. Com o calor persistindo ao longo do dia, os equipamentos permanecem ligados por mais tempo e passaram a pesar mais no consumo residencial também durante a noite.

Segundo a Energisa, mesmo sem alteração na rotina da família, temperaturas externas mais altas fazem o ar-condicionado trabalhar por mais tempo para manter a temperatura programada. A diferença é maior quando a temperatura externa se aproxima ou supera os 35ºC.

No domingo, enquanto algumas regiões do Estado registraram máximas entre 38ºC e 44ºC, a umidade relativa do ar ficou entre 15% e 30%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Campo Grande, a sensação térmica chegou a 44ºC; em Corumbá, a 48ºC.

Calor predomina até terça

Como reduzir o consumo

Durante a onda de calor, algumas medidas podem ajudar a diminuir o gasto de energia sem abrir mão da refrigeração dos ambientes. No ar-condicionado, a recomendação é manter portas e janelas fechadas, limpar os filtros semanalmente e, quando possível, utilizar o aparelho em 23ºC. Também é importante verificar se a potência do equipamento é compatível com o tamanho do cômodo.

Ventiladores devem permanecer ligados apenas durante o uso do ambiente. Deixar o aparelho funcionando antes da ocupação do cômodo não reduz sua temperatura e aumenta o consumo.

Na geladeira e no freezer, é importante conferir a vedação das portas, evitar aberturas frequentes e manter os equipamentos longe de fontes de calor. Outra orientação é aproveitar a iluminação natural e optar por lâmpadas de LED quando houver necessidade de iluminação artificial.

 

 

Calor Extremo

Corumbá alcança quinta maior temperatura em quase 100 anos de monitoramento

Marca registrada nesta segunda é a quinta maior desde o início das medições do Inmet no município, em 1931

28/09/2026 18h30

Rodolfo César

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Os termômetros na cidade de Corumbá registraram a maior temperatura de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (28) e a quinta mais alta em quase um século de monitoramento. Por volta das 14h, o registro alcançou 43,2º C, menos de 1º C do recorde histórico no município, que foi 43,9º C, registrado em 20 de setembro de 2021. A onda de calor na região vem sendo registrada desde o sábado e esse cenário de máximas acima dos 40º C deve dar uma trégua nesta terça-feira (29). No Brasil, o recorde de temperatura ocorreu em novembro de 2020, em Nova Maringá (MT), com 44,8º C, enquanto a segunda maior marca foi em Bom Jesus (PI), em 2005, com 44,7º C.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) possuem histórico desde 1931 para Corumbá e os recordes de temperatura ficaram concentrados nos meses de setembro e novembro. Em 15 de novembro de 1962, quando houve um período longo de estiagem no Pantanal, a temperatura chegou a 43,8º C. Em 2020, quando um novo período de estiagem passou a ser registrado no território, houve registro de 43,4º C em outubro. Já em 14 de novembro de 2023, a temperatura máxima na cidade alcançou 43,3º C.

Conforme o Inmet, que já tinha gerado alerta para a atual onda de calor, esse fenômeno ocorreu por uma combinação entre a atuação do fenômeno El Niño e a formação de um domo de calor, que é uma área de alta pressão em altitude que comprime e aquece o ar. Essa condição age como se fosse uma tampa, retendo o ar quente. Essa condição ficou reservada para todo o Centro-Oeste, com algumas regiões tendo efeito mais intenso, como foi o o caso de Corumbá.

“Um dos sistemas que contribuem para essa configuração é uma área de baixa pressão que se intensificou entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai. Conhecido como Baixa do Noroeste da Argentina (BNOA), o sistema começou a se desenvolver na madrugada de sexta-feira (25), com pressão central próxima de 1008 hPa. Entre domingo (27) e segunda-feira (28), a previsão indica um rápido aprofundamento, e o sistema poderá atingir pressão central próxima de 995 hPa na tarde de segunda-feira, quando deverá apresentar sua maior intensidade”, explicou o Inmet, em nota. 

Além do Centro-Oeste, essa ocorrência também foi registrada em quase todo o estado de São Paulo, parte sul de Minas Gerais e em todo o Paraná, além de Mato Grosso.

A Prefeitura de Corumbá divulgou nota na tarde desta segunda-feira e decidiu alterar horários de aulas escolares para esta terça (29) e quarta (30), quando ainda deve haver altas temperaturas, porém em condição menos intensa do que foi no final de semana e nesta segunda-feira. Haverá aulas reduzidas, com o turno da manhã funcionando apenas entre 7h e 9h30; o turno da tarde, entre 13h e 15h30; e o período integral será até 12h.

“A Semed emitiu orientações às unidades escolares para o período de calor intenso, as quais devem manter os estudantes hidratados, incentivando a ingestão frequente de água, e suspender as atividades físicas que possam aumentar os riscos das altas temperaturas. As unidades também devem evitar atividades com exposição prolongada ao sol e priorizar ambientes frescos, ventilados e, quando disponíveis, climatizados”, detalhou a Prefeitura de Corumbá, em nota.

Não foi divulgado se nesta segunda-feira ocorreu registro de estudantes ou servidores com mal-estar. Em geral, os problemas ocasionados pela alta temperatura podem ser tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, cãibras e desmaios. 

Como foi no Estado


As regiões do Pantanal, Norte e o leste de Mato Grosso do Sul foram onde as maiores temperaturas foram registradas neste dia 28 de setembro. Para Porto Murtinho, o termômetro alcançou 42º C. Em áreas da Nhecolândia, a temperatura chegou a 42,3º C.

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado (CEMTEC) divulgou boletim nesta tarde e apontou que o recorde de temperatura ocorreu em Corumbá (43,2º C), seguido pela Fazenda São Francisco (município de Corumbá, 42,8º C); Fazenda Vale do Cedro (município de Alcinópolis, 42,7º C); ainda Fazenda Barranco Alto (município de Aquidauana, 42,3º C); e também Paranaíba, com 42,1º C.

Veja a tabela das maiores temperaturas abaixo:

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