Cidades

Foragido da justiça

Gerson Palermo, um dos maiores traficantes do Brasil, tem revogação de prisão negada em MS

Apontado como um dos líderes do PCC, Palermo está foragido desde 2020. Mesmo assim, sua defesa tentou revisar seu pedido de prisão para cumprimento 'em liberdade'

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Foragido da Justiça há quase quatro anos, Gerson Palermo, um dos chefões do Primeiro Comando da Capital (PCC) e conhecido por ser um dos maiores traficantes do Brasil, teve seu pedido de revisão de prisão negado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Mesmo sem estar cumprindo pena, a defesa do traficante ingressou com um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul pedindo para que todos os mandados de prisão contra ele fossem revogados. 

O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (14), e o desembargador relator, Luiz Gonzaga Mendes Marques, relator do caso, decidiu negar o pedido de Palermo. Ele foi acompanhado por seus pares. 

A decisão foi fundamentada na extensa pena que Palermo ainda tem para cumprir, incluindo 48 anos de prisão apenas no estado de Mato Grosso do Sul.

A tentativa de Palermo de revogar os mandados de prisão veio após uma decisão da Justiça Federal do Paraná, que revogou uma prisão preventiva contra ele em outro processo. No entanto, em Mato Grosso do Sul. a a ordem de prisão foi mantida, considerando as numerosas condenações pendentes e a fuga do acusado.

"[...] Vale salientar que ao ora agravante se atribuiu a posição de líder da associação criminosa, além de indícios de contumácia delitiva, de modo que a sua situação jurídico-processual não é idêntica à de corréus que obtiveram a liberdade provisória.”, diz trecho da decisão.

A defesa argumentou que, com a revogação da custódia cautelar em outro processo, Palermo não deveria mais estar sujeito ao cumprimento provisório de pena. No entanto, o tribunal destacou que havia outras pendências de execução penal que não foram consideradas no cálculo da pena, resultando na manutenção da prisão.

“[...] Não se pode ignorar que o agravante é custodiado de altíssima periculosidade, renomado traficante há décadas, possuindo notório envolvimento com a facção criminosa 'PCC', mundialmente conhecida por seu alto poderio bélico e econômico, além de ser dinâmica, articulada e estruturada, contribuindo ativamente para consumação de atividades hediondas e ultrajantes à ordem pública. Ainda, como amplamente exposto alhures, Gerson possui incontáveis condenações pelo comércio ilegal de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e até mesmo sequestro de um avião comercial, todos com reflexos violentos e de grave ameaça à coletividade”, reforça outro trecho.

A Procuradoria-Geral de Justiça também se manifestou pelo improvimento do recurso.

“[...] Como se não bastasse, o insurgente se encontra foragido há 3 anos, 8 meses e 28 dias, uma vez que apenas algumas horas após ser agraciado com a concessão da ordem em sede de liminar, rompeu sua tornozeleira eletrônica e empreendeu fuga para local incerto. E, como é cediço, apenas tal motivo seria suficiente para que não fosse agraciado com a concessão de liberdade provisória, uma vez que denota sua falta de comprometimento com a justiça, reforçando a necessidade de segregação cautelar”, enfatiza decisão.

O juiz determinou uma investigação para verificar se todas as guias de recolhimento foram cadastradas corretamente e unificou as penas. Por fim, decidiu manter a prisão do traficante.

“[...] Uma vez que Gerson possui outras condenações não cumpridas integralmente, além de estar foragido, não é possível cumprir o alvará de soltura expedido nos autos da Justiça Federal. Desta feita, é incabível a reforma do decisum objurgado, eis que proferido em harmonia com a legislação e com a orientação da jurisprudência pátria. (…).” (destacado). Diante do exposto, com o parecer, nego provimento ao recurso”, finaliza a decisão do TJMS.

Chefe de rebelião histórica 

Apontado como um dos chefões do PCC no Mato Grosso do Sul, Palermo foi indicado como líder de uma rebelião, durante o dia das Mães de 2005, no presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. O motim resultou na morte de sete presos e na destruição de várias alas do complexo penitenciário. Detentos de vários presídios do interior aderiram ao motim e também promoveram uma série destruições. 

Dois anos depois, em setembro de 2007, foi preso pela PF sob acusação de liderar uma quadrilha que estava com 1,5 tonelada de maconha. À época, cumpria pena em regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande. 

Apesar desta prisão, Palermo recebeu em 2010 direito à progressão do regime fechado para o semiaberto, por decisão da Justiça Estadual. Já em 2015, o MPF (Ministério Público Federal) denunciou Palermo e outras 16 pessoas, inclusive`dois bolivianos e um libanês radicado no Brasil, por tráfico internacional de drogas na região do Triângulo Mineiro

"A investigação reuniu várias provas de que Palermo comandava uma quadrilha de grande porte de tráfico internacional de drogas, que possuía um amplo esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio", afirmou à época o delegado federal José Antônio. 

A PF identificou R$ 7,5 milhões em bens de suspeitos, que foram bloqueados por decisão da 3ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul. Ainda no decorrer das investigações, a PF apreendeu 800 quilos de cocaína que estavam de posse de três membros da quadrilha. 

A droga entrava no Brasil em aeronaves que pousavam em aeroportos particulares em cidades sul-mato-grossenses, a exemplo de Corumbá. A Justiça Federal do Mato Grosso do Sul decretou ainda o sequestro de "seis aeronaves, cinco imóveis, incluindo um aeródromo, bloqueio de dinheiro em 68 contas correntes e a apreensão de mais de 35 veículos adquiridos por meio de práticas criminosas”. 

LIBERAÇÃO

Mas apesar deste histórico, no feriado de 21 de abril de 2020 o desembargador Divoncir Maran concedeu prisão domiciliar a Gerson Palermo, sob alegação de que ele corria risco de contrair Covid-19. Na época, a pandemia mal havia começado.

No dia seguinte a decisão foi revogada, mas já era tarde. Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desde então está desaparecido. O caso foi denunciado ao CNJ, que, em setembro do ano passado, decidiu investigar o desembargador. 

E, em fevereiro, o STJ afastou o magistrado de suas funções e proibiu que ele entre em qualquer prédio do Judiciário Estadual.

O gabinete dele foi alvo de busca e apreensão. Filhos, esposa e advogados ligados a ele também foram alvos da operação da PF e da Receita Federal, que viu indícios de corrupção no caso. 


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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte e suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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