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Pivô da "queda" de desembargador, Palermo já sequestrou avião e chefiou mega-rebelião

Em agosto de 2000 participou do sequestro de um avião e roubo de R$ 5 milhões. Cinco anos depois, comandou rebelião com sete mortes

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Pivô do afastamento do desembargador Divoncir Maran de suas funções do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira (8), Gerson Palermo, 65 anos, além de ser traficante condenado a 126 anos e prisão, já sequestrou avião e comandou a maior rebelião em presídios da história de Mato Grosso Sul, que acabou com sete mortes no presídio de Campo Grande. 

Ele é conhecido das autoridades policiais do país inteiro há mais de três décadas, desde 1991.  A última prisão do piloto de aeronaves, que também responde pelos apelidos de “Italiano”, “Pigmeu” ou “Germano”, aconteceu em 2017. 

Porém, ele ganhou notoriedade nacional muito antes disso. Em agosto 2000, o piloto ajudou a sequestrar um boeing que levava malotes com R$ 5 milhões pertencentes ao Banco do Brasil.

Do ponto de vista dos bandidos, o roubo e o sequestro da aeronave da extinta Vasp que levava em torno de 60 passageiros foi um sucesso, mas Palermo acabou sendo preso dias depois com grande quantidade de dinheiro na região central de São Paulo. Porém, a maior parte dos R$ 5 milhões nunca foi recuperada.

Naquela época, ele era só mais um da quadrilha comandada por Marcelo Borelli, homem que foi condenado a 177 anos de cadeia e morreu no presídio ainda em 2011. 

O sequestro do voo 280 aconteceu no dia 16 de agosto de 2000. Ele saiu de Foz do Iguaçu e faria escala em Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília para depois ir a São Luís do Maranhão. 

Porém, a quadrilha da qual Gerson Palermo fazia parte obrigou que pousasse em Porecatu, na região norte do Paraná, onde havia duas caminhonetes à espera para resgatar os sequestradores e levar o dinheiro. Na sequência, a aeronave decolou em direção a Londrina, onde foi periciada e os passageiros remanejados para seus destinos. Cerca de 30 eram turistas estrangeiros, retornando de visita às cataratas do Iguaçu e à Usina de Itaipu.

Mas além do envolvimento neste caso, Gerson Palermo foi condenado principalmente por envolvimento com o narcotráfico, geralmente atuando como piloto de avião. As investigações apontam que integra a facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC)

Depois de uma série de prisões e fugas, ele cumpriu pelo menos 8 anos de prisão de um total de 59 anos das ações das quais não cabem mais recursos.  Porém, ele tem mais 67 anos de pena a pagar, que ainda não aparecem na lista de sua execução penal, porque ainda cabe algum tipo de recurso. 

Mas além dessas condenações, Gerson Palermo ainda responde a uma série de ações judiciais. Ao todo, o nome dele aparece em 86 ações tanto na Justiça Estadual quanto na Justiça Federal. 

Ele foi preso pelo menos quatro vezes e última delas ocorreu em março de 2017, durante a Operação All In, que levou para a cadeia outros 16 integrantes do PCC. Mais de 150 policiais federais cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em 14 cidades de Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. 

"Trata-se de um indivíduo altamente experiente e conhecido no mundo do crime, com fortes ligações com produtores de cocaína na Bolívia", afirmou à época o delegado José Antonio Soares de Oliveira Franco, chefe do núcleo de combate às organizações criminosas da PF em Mato Grosso do Sul. 

Segundo o delegado, "ele já havia sido pelo preso pela PF em pelo menos três outras ocasiões anteriores”, mas  estava solto por ter sido beneficiado pela progressão do regime fechado para os semiaberto e aberto. 

Chefe de rebelião histórica 

Apontados como um dos chefões do PCC no Mato Grosso do Sul, Palermo foi apontado como líder de uma rebelião, durante o dia das Mães de 2005, no presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. O motim resultou na morte de sete presos e na destruição de várias alas do complexo penitenciário. Detentos de vários presídios do interior aderiram ao motim e também promoveram uma série destruições. 

Dois anos depois, em setembro de 2007, foi preso pela PF sob acusação de liderar uma quadrilha que estava com 1,5 tonelada de maconha. À época, cumpria pena em regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande. 

Apesar desta prisão, Palermo recebeu em 2010 direito à progressão do regime fechado para o semiaberto, por decisão da Justiça Estadual. Já em 2015, o MPF (Ministério Público Federal) denunciou Palermo e outras 16 pessoas, inclusive`dois bolivianos e um libanês radicado no Brasil, por tráfico internacional de drogas na região do Triângulo Mineiro

"A investigação reuniu várias provas de que Palermo comandava uma quadrilha de grande porte de tráfico internacional de drogas, que possuía um amplo esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio", afirmou à época o delegado federal José Antônio. 

A PF identificou R$ 7,5 milhões em bens de suspeitos, que foram bloqueados por decisão da 3ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul. Ainda no decorrer das investigações, a PF apreendeu 800 quilos de cocaína que estavam de posse de três membros da quadrilha. 

A droga entrava no Brasil em aeronaves que pousavam em aeroportos particulares em cidades sul-mato-grossenses, a exemplo de Corumbá. A Justiça Federal do Mato Grosso do Sul decretou ainda o sequestro de "seis aeronaves, cinco imóveis, incluindo um aeródromo, bloqueio de dinheiro em 68 contas correntes e a apreensão de mais de 35 veículos adquiridos por meio de práticas criminosas”. 

LIBERAÇÃO

Mas apesar deste histórico, no feriado de 21 de abril de 2020 o desembargador Divoncir Maran concedeu prisão domiciliar a Gerson Palermo, sob alegação de que ele corria risco de contrair covid. Na época, a pandemia mal havia começado.

No dia seguinte a decisão foi revogada, mas já era tarde. Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desde então está desaparecido. O caso foi denunciado ao CNJ, que, em setembro do ano passado, decidiu investigar o desembargador. 

E, nesta quinta-feira (8) o STJ afastou o magistrado de suas funções e proibiu que ele entre em qualquer prédio do Judiciário Estadual. O gabinete dele foi alvo de busca e apreensão. Filhos, esposa e advogados ligados a ele também foram alvos da operação da PF e da Receita Federal, que viu indícios de corrupção no caso. 

Anastácio

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Mandado é cumprido em Anastácio e equipamentos são apreendidos; investigação apura possível envolvimento de outros suspeitos e reforça alerta sobre riscos na internet

23/04/2026 17h32

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS Foto: Arquivo PF

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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), a Operação Aeges 2 com o objetivo de combater crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes praticados na internet. A ação resultou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão no município de Anastácio.

Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos considerados relevantes para o avanço das investigações. 

O material será submetido à perícia técnica, que deve analisar o conteúdo armazenado e verificar a possível participação de outras pessoas nos crimes investigados.

A corporação também destacou a importância da atualização na forma de tratar esse tipo de crime. Embora a legislação brasileira ainda utilize o termo “pornografia” previsto no artigo 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente, há uma orientação internacional para que se utilize expressões como “abuso sexual de crianças e adolescentes” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”.

A mudança de nomenclatura busca evidenciar a gravidade das violações e o impacto causado nas vítimas.

Prevenção 

Além da repressão, a Polícia Federal reforçou o papel fundamental da prevenção. Em nota, a instituição orienta pais e responsáveis a acompanharem de perto o uso da internet por crianças e adolescentes, estabelecendo diálogo aberto sobre os riscos presentes no ambiente virtual.

O monitoramento de redes sociais, jogos online e aplicativos, aliado à educação digital, é apontado como uma das principais formas de proteção.

A recomendação inclui ainda atenção a mudanças de comportamento, como isolamento, uso excessivo ou sigiloso de dispositivos eletrônicos, que podem indicar situações de risco.

A orientação é que crianças e adolescentes sejam incentivados a relatar qualquer abordagem inadequada, tanto no ambiente virtual quanto no convívio presencial.

Para a Polícia Federal, a informação e o acompanhamento familiar continuam sendo ferramentas essenciais no enfrentamento desse tipo de crime, considerado um dos mais graves por atingir diretamente a dignidade e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Operação Oncojuris

Fraude milionária envolvia ex-servidor, donos de farmácias e candidato a vereador

Esquema manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos

23/04/2026 17h20

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina Foto: Marcelo Victor/ Correio do Estado

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Guilherme de Oliveira Neto, Luiz Henrique Marino, Reginaldo Pereira dos Santos, Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada presos na manhã desta quinta-feira (23) no âmbito da 'Operação Oncojuris' são apontados como integrantes de um esquema criminoso que teria causado prejuízo de R$ 78 milhões aos cofres públicos do Estado.

Segundo apurado pela polícia, os cinco exerciam diferentes funções no esquema que manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos por meio de pequenas farmácias e empresas de assessoria, sem qualquer capacidade financeira ou estoque. O grupo ingressava em ações judiciais como parte interessada, oferecendo medicamentos com valores muito abaixo do Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG).

As investigações começaram há sete meses após o Núcleo de Atendimento à Saúde (Nas) identificar um padrão considerado atípico em decisões sobre a compra de medicamentos, inclusive para tratamento de câncer.

Outro ponto crítico revelado pela investigação é que os medicamentos, em muitos casos, eram importados de forma irregular, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem número de lote e sem garantias mínimas de segurança, colocando em risco pacientes, especialmente aqueles em tratamento oncológico.

Donos de farmácias, Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos são investigados por atuar como empresários locais, fornecer orçamentos e participar diretamente da execução financeira das fraudes.

Ex-servidor público, Guilherme de Oliveira Neto e Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada, estes advogados, são investigados por compor o chamado "núcleo jurídico" do esquema, responsável por viabilizar as decisões que autorizavam o bloqueio de verbas públicas.

Ao todo, foram cumpridos 21 mandados em diferentes regiões do país. Entre os cinco mandados de prisão expedidos em Mato Grosso do Sul, apenas  Luiz Henrique Marino foi preso em Ribas do Rio Pardo. Os demais foram detidos em Campo Grande.  

Operação

Exonerado em junho de 2025, Guilherme de Oliveira Neto trabalhava na Secretaria de Estado de Saúde apontado como uma das peças de articulação interna do esquema. A apuração aponta ele como um dos que direcionavam os orçamentos de empresas específicas para subsidiar decisões judiciais.

Reginaldo Pereira dos Santos aparece como responsável por empresas como a Medic Import, além da Drogaria Vitória, localizada na Avenida Ernesto Geisel. Conforme as investigações, as empresas atuariam fornecendo orçamentos e, posteriormente, recebiam os valores liberados judicialmente.

Conhecido como "Henrique da Farmácia", Luiz Henrique Marino, foi candidato a vereador em Ribas do Rio Pardo em 2024 pelo PL, obteve 381 votos e não se elegeu. 

Segundo as autoridades, após a liberação dos recursos, grande parte dos valores era desviada por meio de cobranças de taxas de serviço ou assessoria, que podiam ultrapassar 70% do total repassado. Apenas uma pequena fração era efetivamente utilizada na aquisição dos medicamentos.

Estimamos que o montante de notas fiscais emitidas de forma irregular chega a aproximadamente R$ 78 milhões, afirmou o superintendente substituto da Receita Federal, Erivelto Alencar.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos desviados.

A deflagração da Operação Oncojuris, foi conduzida pela Receita Federal em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público Estadual e o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria Pública do Estado.

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