Cidades

MAIS PEDÁGIO

Governo de MS lança privatização de mais 215 km de rodovias

Administração quer conceder à iniciativa privada as rodovias 377 e 240, que ligam as cidades de Água Clara e Paranaíba, passando por Inocência

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Um dia depois de oficializar a concessão de 870 quilômetros de rodovias para o consórcio Caminhos da Celulose, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou nesta terça-feira (3) a intenção de conceder mais 215 quilômetros duas estradas estaduais à iniciativa privada na região leste do Estado. Além disso, pretende firmar nova parceria para concessão do hospital regional de Três Lagoas, que já está nas mãos da iniciativa privada.

Conforme publicação do diário oficial desta terça-feira, pretensão do Governo é privatizar em torno de 130 quilômetros da MS-377, entre Água Clara e Inocência, e outros 85 quilômetros da MS-240, ligando Inocência a Paranaíba, na divisa com Minas Gerais. 

A MS-377 passa em frente à megafábrica de celulose que a Arauco está construindo às margens do Rio Sucuriú, no município de Inocência. Na fábrica estão sendo investidos mais de R$ 25 bilhões e a previsão é de que a partir do final do próximo ano sejam produzidas 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. Porém, tudo será escoado por ferrovia. 

Este rodovia, porém, já está sendo utilizada para escoamento das 2,55 milhões de toneladas de celulose que a Suzano está produzindo anualmente em Ribas do Rio Pardo. Diariamente saem da fábrica em torno de 180 carretas levando celulose ao terminal ferroviário construído às margens da MS-240, próximo à cidade de Inocência. Com a possível privatização, elas terão de pagar pedágio tanto na ida quanto na volta. 

Parcialmente tomada pela buraqueira, a MS-477 julho está passando por obras de recapeamento desde julho do ano passado. O investimento está sendo da ordem R$ 24 milhões para recapeamento de 48 quilômetros entre o local de construção da fábrica da Arauco e a cidade de Inocência. 

Inicialmente o Governo havia anunciado que faria o pavimento em concreto neste trecho, mas recuou diante da decisão da Arauco de construir um ramal ferroviário de 47 quilômetros para interligar a fábrica à Ferronorte.

Além da MS-377, a administração estadual também pretende privatizar os cerca de 85 quilômetros da  MS-240, também rodeada por plantações de eucaliptos que vão abastecer as duas fábricas de celulose que já funcionam em Três Lagoas e a futura unidade de Inocência. 

Rodovias prevista no novo pacote, a MS-377 e a MS-240, estão rodeadas por plantações eucaliptos e uma fábrica de celulose

Assim que este novo pacote de privatizações sair do papel, em praticamente todas as rodovias da região nordeste do Estado haverá cobrança de pedágio, já que em 632 quilômetros de rodovias como MS-306, MS-112 e na BR-158 a cobrança já está em vigor em nove praças de pedágio. Na MS-112, por exemplo, a taxa está em R$ 13,50 por eixo e deve sofrer reajuste a partir de meados deste mês. 

HOSPITAL

O mesmo anúncio que prevê a privatização de mais 220 quilômetros, a administração estadual informa que pretende firmar Parceria Público Privada para concessão do hospital regional de Três Lagoas, que atualmente está nas mãos da Organização Social Instituto Acqua. 

A instituição foi contratada em abril de 2022, quando o hospital entrou em operação, e o contrato acaba em abril do próximo ano. Em novembro do ano passado, a Organização Social, supostamente sem fins lucrativos, conseguiu um acréscimo mensal de R$ 229.628,61 para administrar o Hospital Regional Magid Thomé e o contrato total pelos cinco anos passou de R$ 539,97 milhões previstos para R$ 544,79 milhões. 

Entre fevereiro de 2020 e o começo de agosto do ano passado o mesmo instituto também administrou o Hospital Regional de Ponta Porã, o que lhe garantiu faturamento superior a meio bilhão de reais. 

O contrato inicial previa que ele poderia ser renovado pelo menos mais três vezes, o que elevaria o período para até 20 anos. Porém, depois de cinco anos o Estado rescindiu com o Acqua sob a alegação de que o Tribunal de Contas da Paraíba havia reprovado uma série de prestações de contas naquela unidade da federação. 

E, conforme a legislação local, o fato de ter tido as contas reprovadas em qualquer outro estado impede que a administração faça contratos com a instituição, justificou a Secretaria de Estado de Saúde. 

Sendo assim, se estas supostas irregularidade impediram a renovação em Ponta Porã, automaticamente vão impedir a renovação em Três Lagoas, cujo contrato acaba em abril de 2027. 

Então, prevendo que o Acqua não consiga limpar seu nome, uma nova licitação está sendo feita a partir de agora para administrar o hospital Magid Thomé, que começou a operar com 116 leitos, mas com as ampliações, vai chegar a 186. 


 

Boletim Epidemiológico

MS registra mais de 10 mil casos confirmados de chikungunya e 30 mortes

Dourados, Bonito, Jardim e outras cidades estão entre os municípios com óbitos registrados pela doença

20/08/2026 11h30

Chikungunya e dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti (acima)

Chikungunya e dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti (acima) Foto: Pixabay

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A Secretaria de Estado de Saúde (SED) publicou os dados do Boletim Epidemiológico, referente à 32ª semana epidemiológica. O levantamento atualizado mostra que Mato Grosso do Sul já registrou 12.663 possíveis casos de chikungunya, sendo 10.041 já confirmados. 

Dentre todos os casos já confirmados, foram registradas também 30 mortes em decorrência da chikungunya. As cidades do estado que registraram óbitos foram, Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã, Nioaque e Corumbá. 

Dos 30 óbitos, um ainda permanece em investigação. O boletim também registra 114 casos confirmados da doença em gestantes.

Além dos casos de chikungunya, o Estado também acumula cerca de 4.667 possíveis casos, sendo 1.978 confirmados. Dentre os casos registrados, foi confirmado uma morte pela doença, no município de Bonito. 

Nos últimos 14 dias Inocência, Santa Rita do Pardo, Sidrolândia, Amambai, Jardim, Itaporã, Paranhos, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Bataguassu, Bonito, Coxim, Três Lagoas e Dourados registraram baixa incidência de casos confirmados de dengue.

Visando o combate a dengue, Mato Grosso do Sul recebeu cerca de 241.030 doses da vacina contra a dengue e já registra mais de 220 mil doses aplicadas.

A vacinação é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

anfer

Após disputa mínima, empreiteira vence licitação de R$ 57,5 milhões

Deságio para implantação de avenida que servirá como novo acesso às Moreninhas, em Campo Grande, ficou abaixo de 1%

20/08/2026 11h30

Primeira etapa da obra do chamado novo acesso às Moreninhas está concluída faz cerca de dois anos, mas acaba numa pastagem

Primeira etapa da obra do chamado novo acesso às Moreninhas está concluída faz cerca de dois anos, mas acaba numa pastagem

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Responsável pela execução da primeira etapa, a empreiteira Anfer tende a ser declarada vencedora, nesta sexta-feira (21), da segunda parte da obra do chamado novo acesso às Moreninhas, um projeto que vai consumir mais de R$ 57 milhões dos cofres estaduais.

Publicação do diário oficial do Governo do Estado desta quinta-feira (20) informa que na sexta-feira será reaberta a sessão da licitação que já definiu a Anfer como a empreiteira como aquela que apresentou a melhor oferta financeira, oferecendo desconto de apenas 0,8% sobre o valor máximo que havia sido estipulado pela Agesul.

Para implantação da nova avenida, onde será construída também uma ponte, a Agesul estava disposta a pagar R$ 57,980 milhões. Após nove minutos e seis lances, a disputa entre as quatro empreiteiras acabou e a melhor proposta reduziu o valor da obra para R$ 57,513 milhões.

Para efeito de comparação, a disputa de preços em uma licitação da prefeitura de Campo Grande para contratação de empresa para fazer limpeza em postos de saúde se estendeu ao longo de nove horas e teve mais de 800 lances em março deste ano. Ao final do certame, o deságio chegou a quase 21%.

No caso do pregão para escolha da Anfer, porém, a disputa praticamente inexistiu. Das quatro empreiteiras que chegaram a apresentar proposta financeira, uma nem mesmo ofereceu desconto sobre o valor máximo. Uma ofereceu deságio de R$ 58 mil e a outra, de R$ 409 mil. A vencedora reduziu a pedida em R$ 467 mil, representando menos de 1% sobre o valor máximo.

PRIMEIRA FASE

Iniciadas em dezembro de 2022 e concluídas há quase dois anos, as obras de pavimentação, drenagem, recapeamento de asfalto, construção de ponte e ciclovias da primeira etapa consumiram em torno de R$ 54 milhões.

Além disso, quase R$ 16 milhões foram destinados à desapropriação de imóveis ao longo do percurso onde esta segunda etapa será instalada. 

Em 2023, quando chegou a ser lançado um edital para esta fase cuja disputa deve ser encerrada nesta sexta-feira, o valor foi estimado em R$ 32 milhões.

Esta segunda etapa começa a partir do final da Avenida Rita Vieira (na Avenida Guaicurus), percorre em torno de dez quadras a Rua Salomão Abdala, na região do Bairro Itamaracá, e depois mais de dois quilômetros em meio a uma região desabitada até chegar à Avenida Alto da Serra, nas Moreninhas. 

Para implantação desta avenida foi necessário desapropriar total ou parcialmente 52 imóveis na região. As indenizações foram bancadas pelo Governo do Estado e alguns dos proprietários ainda contestam os valores das indenizações na Justiça. 

Com a nova avenida, proprietários de glebas existentes na região serão beneficiados pela valorização dos terrenos. Entre eles estão donos da própria Construtora Anfer, que aparecem como donos de imóveis nas imediações da nova avenida. 

O objetivo deste novo acesso às Moreninhas, segundo o Governo do Estado, é criar uma alternativa de ligação entre aquela região da cidade com a parte central, desafogando o tráfego em avenidas como a Guaicurus, Costa e Silva, Gury Marques e Eduardo Elias Zahran.

Inicialmente, a primeira etapa foi licitada por R$ 41,33 milhões. Mas, com os aditivos e inclusão de recapeamento de novas ruas, o valor chegou a quase R$ 54 milhões. 

Nesta segunda etapa, um dos maiores valores será destinado à construção de uma ponte sobre o Córrego Lageado, de 23,5 metros. Na primeira etapa já foi construída outra ponte, mas sobre o Córrego Poção, que logo depois desemboca no Lageado. 

Primeira etapa da obra do chamado novo acesso às Moreninhas está concluída faz cerca de dois anos, mas acaba numa pastagemTraçado destacado em azul servirá como via do chamado novo acesso à região das Moreninhas, sul de Campo Grande

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