Cidades

risco nas fronteiras

Governo estadual não consegue
combater crime organizado

Ministro da Defesa falou a senadores na Comissão de Relações Exteriores

AGÊNCIA SENADO, COM DA REDAÇÃO

02/07/2017 - 16h00
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Nenhum governador de estado tem  hoje "a menor condição" de responder a contento às ações levadas a cabo por facções ligadas ao crime organizado, que já opera nacional e internacionalmente.

Este foi o quadro pintado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, em audiência pública nesta quinta-feira (29) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

O ministro propõe que o Congresso Nacional reveja o capítulo da Constituição que definiu o modelo brasileiro de segurança pública, e que centralizou esta política nas mãos dos governos estaduais.

Para Jungmann, o cenário hoje é de "colapso total" deste modelo, num quadro que devido à sua gravidade já se tornou uma questão de segurança nacional.

"Como no regime anterior à Constituição de 1988 havia uma unidade entre defesa e segurança pública, tomou-se então a decisão pela descentralização. Oitenta por cento da responsabilidade foi repassada aos estados, e a União ficou com missões residuais. Mas já passou da hora de entendermos que este quadro não se aplica mais à monumental crise que vivenciamos hoje", afirmou.

O ministro acrescentou nesta situação de "decomposição" do atual modelo atos que avalia como "terroristas" praticados por grupos criminosos, como a queima de escolas públicas ocorrida no final do ano passado no Maranhão, em resposta a ações repressivas então conduzidas pelo governador Flavio Dino.

Também contribuem decisivamente para o descontrole na segurança a forte crise fiscal dos estados, a falência do modelo prisional e as ações em rede das facções criminosas, com tentáculos já estabelecidos até mesmo com perigosos cartéis atuantes em países vizinhos.

SESSÃO SECRETA

Devido a este quadro Raul Jungmann propôs à CRE a realização de uma sessão secreta no âmbito da comissão, com a participação também do secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Cruz.

Jungmann explicou que defendia uma reunião fechada devido ao teor delicado de informações já em mãos de órgãos investigadores do governo, ligados à ação dos grupos criminosos.

Jungmann acrescentou que o Brasil faz fronteira com quatro países que têm hoje no tráfico de drogas um motor central de suas economias. Entre eles está Mato Grosso do Sul, que tem fronteira seca com Paraguai e Bolívia e serve de corredor para o tráfico de drogas de cocaína e maconha, além do tráfico de armas.

O ministro avalia que o governo brasileiro precisa reagir a essa realidade, em vez de continuar com "políticas de remendos".

Dentro deste quadro ele exemplificou que o recente deslocamento de grupos para a fronteira do Acre está ligada aos processos de paz na Colômbia e no Peru, que tem desmobilizado milhares de fuzis e outros armamentos.

"Nós temos um acordo com os colombianos de acompanharmos o processo, mas a verdade é que o recolhimento tem sido menor... É uma situação preocupante, especialmente quando levamos em conta que só no Rio de Janeiro apreendemos nos primeiros meses desse ano cerca de 300 fuzis", disse o ministro, demonstrando o efeito do tráfico de armas para dentro das nossas fronteiras.

PCC

Para Jungmann, o caos na segurança pública hoje existente no Brasil pode por em risco as instituições estatais, como já ocorre em países como o México.

Ele citou dados do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, atestando que entre 2014 e 2016 o PCC passou de 3 mil para mais de 13 mil membros, atuando inclusive em parceria com outros grupos sul-americanos.

Na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai, essa disputa de facção está latente, principalmente depois que houve o assassinato do traficante Jorge Rafaat, em junho de 2016. Ele comandava ações criminosas na divisa entre Ponta Porã e Juan Pedro Caballero. Agora, grupos criminosos, como PCC e Comando Vermelho, estariam na disputa pela região.

"O fato é que nossos presídios e penitenciárias se tornaram o home-office do crime. É desses lugares que hoje eles comandam a criminalidade, numa evidente conivência com aparatos de segurança e, infelizmente, contando com a participação de advogados e parentes", concluiu.

Financiamento

UCDB receberá R$ 13,5 milhões para pesquisar sobre feridas

Pesquisa financiada pela FINEP e pela FUNDECT vai estudar peptídeos capazes de auxiliar na formação de novos tecidos e na cicatrização

23/10/2026 10h15

Universidade Católica Dom Bosco

Universidade Católica Dom Bosco Foto: Reprodução

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O Governo do Estado por meio do Diário Oficial, publicado na manhã desta sexta-feira (23), um Extrato de Convênio onde a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), irá receber investimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da Fundação de Apoio e de Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT).  Os recursos serão destinados para o projeto “Plataforma Inteligente Baseada em Peptídeos para Tratamento de Feridas e Otimização da Cicatrização”

O convênio foi assinado em 24 de março de 2026 e terá prazo de até 36 meses para execução física e financeira. Além do valor previsto pela FINEP, o projeto contará com R$ 3,38 milhões da FUNDECT, totalizando até aproximadamente R$ 13,54 milhões em recursos.

O projeto foi intitulado “Plataforma Inteligente Baseada em Peptídeos para Tratamento de Feridas e Otimização da Cicatrização”. A proposta é desenvolver uma tecnologia capaz de auxiliar na recuperação de tecidos lesionados, especialmente em situações nas quais a cicatrização ocorre de forma lenta ou inadequada.

Feridas crônicas podem estar relacionadas a doenças como diabetes, problemas de circulação, infecções, queimaduras, traumas e lesões provocadas por pressão. Nesses casos, o processo de recuperação pode se prolongar e aumentar o risco de complicações.

A tecnologia poderá reunir a seleção dos peptídeos, a formulação do material utilizado na ferida e um sistema capaz de liberar as substâncias de maneira controlada.

Peptídeos são pequenas sequências formadas por aminoácidos, componentes básicos das proteínas. Algumas dessas moléculas podem desempenhar funções importantes no organismo e, por isso, são estudadas para aplicações médicas e biotecnológicas.

Esses peptídeos são importantes para o tratamento de feridas, pois possuem uma capacidade de estimular a manipulação e a migração de células, favorece a produção de colágeno, controla inflamações e auxilia na defesa contra microrganismos.

A pesquisa deverá investigar quais peptídeos apresentam potencial terapêutico, como eles podem ser aplicados na região lesionada e de que maneira podem contribuir para a formação de novos tecidos.

O financiamento dá início a uma etapa de pesquisa que pode incluir testes laboratoriais, desenvolvimento de protótipos, avaliação de segurança e estudos sobre a eficácia da tecnologia.

impasse

TCE vê falhas e barra compra de diesel para usina de asfalto

Licitação para compra de cerca de 500 mil litros está sendo feita pelo consórcio de municípios presidido pela prefeita Adriane Lopes, de Campo Grande

23/10/2026 09h50

Usina do consórcio presidido por Adriane Lopes produz boa parte da massa usada no serviço de tapa-buracos de Campo Grande

Usina do consórcio presidido por Adriane Lopes produz boa parte da massa usada no serviço de tapa-buracos de Campo Grande arquivo

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Decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) publicada no diário oficial da instituição desta sexta-feira (23) manteve suspenso o pregão eletrônico que previa desembolso de até R$ 3.696.300,00 para compra de diesel pelo Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Região Central de MS, presidido pela prefeita de Campo Grande, Adriene Lopes (PP).

A licitação, que permite a compra de mais de 500 mil litros, ou cerca de 10 carretas bi-trem carregadas com diesel, entrou na mira do Tribunal de Contas de forma rotineira, como ocorre com uma infinidade de licitações. Neste pente-fino rotineiro, os técnicos constataram supostas irregularidades e o pregão foi suspenso no final de julho.

O Consórcio, que pretende utilizar o combustível na usina de asfalto onde é produzida boa parte do material utilizado para os serviços de recapeamento e tapa-buracos de Campo Grande, fez algumas alterações no edital, mas mesmo assim os conselheiros do TCE mantiveram o veto ao andamento do certame.

Por unanimidade, os conselheiros entenderam que é “insuficiente a memória de cálculo desacompanhada dos documentos de suporte e das informações adicionais sobre os critérios utilizados para a definição dos quantitativos estimados, o que fragiliza a comprovação de que estes refletem a real necessidade da Administração”.

Na publicação desta sexta-feira, o TCE também destacou que “a alteração do critério de julgamento definido na fase de planejamento, sem apresentar motivação, compromete a coerência entre os atos da fase preparatória e o dever de planejamento previsto” na legislação.

Outra irregularidade é que não existe a previsão para que até 25% do volume pudesse ser fornecido por microempresas e empresas de pequeno porte, já que o produto em questão (diesel) pode ter o fornecimento fracionado facilmente. Isso, segundo o TCE, é uma “irregularidade insanável, por interferir diretamente na disputa competitiva e no universo de licitantes, não podendo ser corrigida sem alteração do edital e reabertura da fase externa, o que impõe a anulação do certame”.

O caso foi relatado pelo conselheiro Iran Coelho das Neves, mas teve o voto favorável dos demais conselheiros. O julgamento foi concluído ainda em 24 de setembro, mas somente agora, um mês depois, foi publicada a decisão no diário oficial. 

Além de Campo Grande, fazem parte do Consórcio Central MS os municípios de Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos e Jaraguari. E a aquisição da usina de asfalto foi um dos primeiros investimentos da entidade, que diz ter uma economia da ordem de 30% no custo da massa asfáltica na compração com o preço pago a empresas privadas. 

A usina tem capacidade para produzir 120 toneladas de massa asfáltica por hora e há um mês o consórcio firmou contrato de R$ 46 milhões com a prefeitura de Campo Grande para colocar nas ruas cinco equipes que estão atuando nos serviços de tapa-buracos.

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