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Governo Federal destina 20 imóveis da União em Mato Grosso do Sul

Entregas contemplam 14 municípios com ações nas áreas de educação, inclusão social, sustentabilidade, cultura e infraestrutura pública

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O Governo Federal oficializou nesta sexta-feira (24) a destinação de 20 imóveis da União para o fortalecimento de políticas públicas em Mato Grosso do Sul.

As entregas fazem parte do Programa Imóvel da Gente, coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), e contemplam 14 municípios com ações nas áreas de educação, inclusão social, sustentabilidade, cultura e infraestrutura pública.

O ato, realizado em Campo Grande, contou com a presença da ministra da Gestão, Esther Dweck, da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e do governador Eduardo Riedel.

Na ocasião, o estado também aderiu ao Programa Nacional de Gestão e Inovação (PNGI), que moderniza serviços públicos e incentiva políticas voltadas à transformação digital e à transparência.

O eixo da Educação concentra o maior número de entregas. Em Japorã, um terreno de 3.150 m² foi cedido para a construção de duas unidades de educação infantil, com capacidade para 308 crianças indígenas Guarani Ñandeva. A professora Tatiana Martins celebrou a conquista: “Nossas creches começam a sair do papel, levando educação e cuidado para o coração das aldeias”.

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Na capital, o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) recebeu 16 terrenos, totalizando 8,6 mil m², para abrigar a nova sede da Reitoria e ampliar o campus de Campo Grande.

Já a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi contemplada com dois imóveis — um para o Hub de Inovação e Acolhimento, na capital, e outro em Naviraí, que sediará um Hub de Extensão e Empreendedorismo.

Outras entregas incluem a regularização do Centro de Educação Infantil Mundo Encantado, em Antônio João; a doação do imóvel do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC), em Corumbá, que atende 745 famílias; a regularização do prédio do Núcleo de Prática Jurídica da UEMS, em Paranaíba; a cessão para o funcionamento de dois Centros Estaduais de Atendimento Multidisciplinar (CEAME/TEA e CEAM/AHS), em Campo Grande, voltados a alunos com autismo e altas habilidades; a doação de imóvel para instalação da nova sede da Superintendência de Alimentação Escolar (SUALE), em Campo Grande; e a cessão de área para a construção de uma Escola de Tempo Integral em Rio Brilhante, no âmbito do Novo PAC.

As ações também fortalecem políticas de proteção social, inclusão e cidadania. A Federação das APAEs de Mato Grosso do Sul (FEAPAES-MS) teve a cessão definitiva do imóvel onde funciona sua sede, em Campo Grande, garantindo segurança jurídica e continuidade das atividades.

Em Caarapó, o Centro Marie Ariane (CEMA), que acolhe crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, também recebeu a cessão de dois imóveis. Já em Corumbá, uma área de 4,6 mil m² foi destinada à construção da Casa da Mulher Brasileira, com atendimento 24 horas a vítimas de violência.

Na capital, o governo estadual foi contemplado com terrenos para a construção de dois novos equipamentos públicos: o Centro Integrado da Criança e do Adolescente, para atendimento humanizado de vítimas de violência, e o Fórum da Mulher, da Criança e do Adolescente, que abrigará varas especializadas em direitos de gênero e infância.

O pacote inclui também a transferência de uma área rural de 97 hectares em Japorã ao INCRA, que será transformada em assentamento de reforma agrária e cinturão verde de produção agrícola familiar.

No eixo ambiental, destaca-se a doação de 72 mil m² ao município de Eldorado, onde será construída uma Unidade de Valorização de Recicláveis e Viveiro de Mudas. O espaço promoverá educação ambiental, geração de renda verde e empreendedorismo sustentável.

Vários municípios receberam imóveis para ampliar serviços e modernizar estruturas públicas. Em Porto Murtinho, a União cedeu área na orla do Rio Paraguai, incluindo o antigo prédio da Receita Federal, onde será construído o Centro de Atendimento ao Turista, integrando o projeto do Corredor Bioceânico.

Em Cassilândia, a Defensoria Pública Estadual passará a compartilhar espaço com o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região. Em Tacuru, a Ouvidoria Pública Municipal ganhará sede própria após reforma. Em Ribas do Rio Pardo, foi regularizada a doação do imóvel da Câmara Municipal, que ocupa o local desde 2005.

A União também formalizou cessões para o Centro de Convenções de Corumbá, o Parque dos Ipês, em Ribas do Rio Pardo, e o Centro de Atendimento ao Turista na orla do Rio Paraguai, reforçando a infraestrutura de lazer e turismo sustentável no estado.

A ministra Esther Dweck destacou que as entregas representam a retomada das políticas públicas e da presença do Estado na vida das pessoas.

“O presidente Lula nos pediu para colocar os pobres de volta no orçamento e o orçamento de volta na vida das pessoas. É isso que estamos fazendo com cada imóvel entregue, com cada espaço devolvido ao povo”, afirmou.

A ministra Simone Tebet reforçou o papel do programa na reconstrução do Estado brasileiro. “Mais do que a entrega de imóveis, é a união de gestão eficiente com sensibilidade social. O patrimônio público precisa servir ao povo, e é isso que estamos fazendo aqui hoje”, disse.

O governador Eduardo Riedel destacou a importância da parceria federativa. “Cada patrimônio transferido cumpre uma função essencial — na educação, na agricultura e na inclusão social. Parceria e diálogo são o caminho para transformar a vida das pessoas”, afirmou.

Desde sua criação, o Imóvel da Gente já destinou mais de 1.300 imóveis em todo o país, beneficiando 400 mil famílias em 501 municípios. Em Mato Grosso do Sul, já são 126 imóveis em 29 municípios, consolidando o estado como referência em uso social e sustentável do patrimônio público.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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