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Governo federal gasta 60% dos recursos com Previdência e pessoal, mostra estudo

Ao todo, o estudo discriminou aproximadamente 60 itens de custo que são demandados a nível federal e os agrupou em 28 categorias

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Um levantamento desenvolvido pela Associação Comercial de São Paulo em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (Cacb) mostra que 60% dos gastos públicos do Governo Federal são empregados com Previdência Social e despesas com pessoal e encargos sociais. A informação foi enviada com exclusividade ao Broadcast Político.

Ao todo, o estudo discriminou aproximadamente 60 itens de custo que são demandados a nível federal e os agrupou em 28 categorias Dessas, extraiu-se 11 classificações, que são as que representam a maior parte do gasto da máquina pública.

A coleta de dados utilizada no mapeamento foi feita a partir das informações públicas da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e agrupadas numa plataforma online intitulada "Gasto Brasil". Elaborada pelo coordenador do projeto, Cláudio Queiroz, e endossada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erik Alencar de Figueiredo, a ferramenta é atualizada em tempo real por meio de dispositivos conhecidos como APIs (Interface de Programação de Aplicações), que conectam os sistemas.

Nesse sentido, a previdência e as despesas com pessoal são os dois agrupamentos que mais demandam recursos públicos. Na sua totalidade, as 11 categorias absorvem 96% do Orçamento a nível nacional.

Tanto os gastos com pessoal - remuneração de servidores ativos e encargos sociais obrigatórios - quanto as despesas previdenciárias, que incluem aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), também contemplam sentenças judiciais e os precatórios.

No caso do INSS, uma grave denúncia veio à tona em 23 de abril deste ano, quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto, revelando um esquema de descontos indevidos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo a PF, entre 2019 e 2024, as cobranças irregulares somam R$ 6,3 bilhões - valor que ultrapassa R$ 8 bilhões se considerados os casos desde 2016. O escândalo levou à saída de Alessandro Stefanutto da presidência do Instituto, acusado de omissão. Ele havia sido indicado pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Já os precatórios foram alvo de atenção após o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 ser enviado ao Congresso Segundo secretário de Orçamento Federal, Clayton Montes, a projeção de precatórios não poderá mais estar fora da meta fiscal do governo, o que, sem mudanças, irá achatar o nível de gastos livres do Executivo.

Outros gastos

As outras nove categorias referem-se principalmente às políticas de assistência social. Entre elas o Bolsa Família, o Seguro-Desemprego e o Abono Salarial.

Também constam os benefícios de prestação continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742/1993), que criou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), dispositivo criado para pagar um salário mínimo para pessoas com deficiência que não conseguem se sustentar e idosos com 65 anos ou mais que vivem em situação de pobreza.

Outros dispêndios apontados pelo levantamento são as despesas discricionárias e os créditos extraordinários (com exceção do PAC). São gastos que dependem das escolhas adotadas pelo governo da vez. Alguns exemplos são a quantidade de investimentos em infraestrutura definidos no Plano Plurianual (PPA) e os subsídios agrícolas estabelecidos no Plano Safra.

Também constam as já esperadas aplicações obrigatórias de recursos públicos na saúde, com controle de fluxo, e na complementação da União no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), obrigatória por lei e pela Constituição.

A última categoria mencionada pelo estudo são os gastos de custeio (despesas para manter o funcionamento) e o capital (investimento ou aquisição de bens duráveis) do Legislativo (Câmara dos Deputados e Senado Federal), Judiciário (Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, Justiça Federal, entre outros), Ministério Público da União e Defensoria Pública da União.

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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