Cidades

Laudo Médico

Laudo conclui que Grazielle Machado morreu por choque anafilático

Documento divulgado pela família esclarece o que provocou a morte da ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual, que faleceu aos 45 anos

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A causa da morte da ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual Grazielle Salgado Machado foi oficialmente esclarecida nesta segunda-feira (29).

De acordo com o laudo médico divulgado pelo gabinete do deputado estadual Londres Machado (PP), pai da ex-parlamentar, ela morreu em decorrência de um choque anafilático. O documento, porém, não informa qual substância provocou a reação alérgica.

Antes da divulgação do laudo, familiares haviam informado que Grazielle foi internada após apresentar um quadro de infecção intestinal, inicialmente associado à suspeita de salmonela.

Segundo relatos, ela também chegou ao hospital com inchaço no rosto e dificuldade para respirar. O estado de saúde evoluiu rapidamente para um quadro grave, e a ex-deputada morreu na madrugada da última quarta-feira (24), aos 45 anos, em Campo Grande.

Considerado uma emergência médica, o choque anafilático é uma reação alérgica grave e de rápida evolução, capaz de comprometer diversos órgãos do corpo em poucos minutos.

A condição pode ser desencadeada por alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou outras substâncias que provocam uma resposta intensa do sistema imunológico.

Entre os principais sintomas estão dificuldade para respirar, inchaço das vias aéreas, queda acentuada da pressão arterial e alterações na circulação sanguínea

Trajetória na política

O interesse pela vida pública acompanhou Grazielle Machado desde cedo. Filha do deputado estadual Londres Machado e da ex-prefeita de Fátima do Sul, Ilda Salgado Machado, ela cresceu inserida no ambiente político e participou da organização de campanhas eleitorais antes de disputar o primeiro cargo eletivo.

Antes de iniciar a carreira nas urnas, Grazielle consolidou sua atuação na área da comunicação. Graduada em Publicidade e Propaganda, trabalhou como empresária, professora universitária e diretora da Revista Ímpar, experiências que antecederam sua trajetória no serviço público.

A entrada na Câmara Municipal de Campo Grande ocorreu em 2004. Naquele ano, foi eleita vereadora com 6.273 votos, tornando-se a candidata mais votada de sua coligação.

Já no primeiro mandato, assumiu funções de destaque na Mesa Diretora, entre elas a vice-presidência e a primeira-secretaria da Casa de Leis.

O trabalho desenvolvido no Legislativo garantiu sua permanência na Câmara por três mandatos consecutivos.

Reeleita em 2008 e 2012, participou da implantação da Escola do Legislativo, presidiu comissões permanentes e defendeu iniciativas voltadas às áreas de saúde, assistência social e fortalecimento da participação feminina na política.

O reconhecimento nas urnas se ampliou em 2014, quando foi eleita deputada estadual com 39.374 votos, tornando-se, à época, a mulher mais votada da história de Mato Grosso do Sul para a Assembleia Legislativa.

Mesmo após deixar o mandato parlamentar, Grazielle permaneceu ligada à vida pública. Em 2024, disputou novamente uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande, ficando na suplência. Mais recentemente, exercia função na Secretaria de Estado da Casa Civil, onde continuava atuando na administração estadual.

Comoção

A morte de Grazielle Machado provocou manifestações de pesar de autoridades, lideranças políticas e instituições públicas.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e a Câmara Municipal de Campo Grande decretaram luto oficial em homenagem à ex-parlamentar, destacando sua contribuição para a política sul-mato-grossense e sua atuação em defesa da participação das mulheres na vida pública.

Casada e mãe de dois filhos, Grazielle deixou um legado construído ao longo de mais de 20 anos de vida pública, em uma trajetória marcada pela dedicação ao serviço público e à representação da sociedade sul-mato-grossense

Serviços de Limpeza

Prefeitura reconhece dívida de R$ 2,3 milhões por limpeza na rede saúde de Campo Grande

Pagamento é referente à continuidade dos serviços após o fim do saldo contratual; reconhecimento ocorreu após sindicância administrativa da Sesau

29/06/2026 18h00

Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

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A Prefeitura de Campo Grande reconheceu oficialmente uma dívida de R$ 2.368.870,47 com a empresa Produserv Serviços Ltda., responsável pelos serviços de limpeza, conservação e higienização das unidades da rede municipal de saúde.

A medida foi publicada no Diário Oficial (Diogrande) desta segunda-feira (29) e formaliza o pagamento de despesas realizadas após o encerramento do saldo do contrato vigente.

Segundo o termo de reconhecimento de dívida, o débito corresponde à continuidade dos serviços prestados entre 2 e 30 de abril de 2026, período em que a empresa manteve a execução das atividades consideradas essenciais para o funcionamento da rede pública de saúde, mesmo após o esgotamento dos recursos previstos no contrato anterior.

Os serviços incluem a limpeza e higienização de unidades básicas de saúde, centros de referência e áreas administrativas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), além da lavagem interna e externa de viaturas utilizadas no transporte de pacientes, controle de vetores e pragas urbanas e higienização de caixas d'água.

De acordo com o documento oficial, o reconhecimento do débito foi embasado em uma sindicância administrativa, instaurada para apurar a regularidade da prestação dos serviços e verificar os valores efetivamente devidos à empresa.

Após a análise da comissão responsável, a administração municipal concluiu que havia comprovação da execução dos serviços e autorizou a liquidação da dívida.

O termo destaca que o pagamento representa a quitação das notas fiscais apresentadas pela empresa referentes ao período analisado.

Os recursos utilizados sairão do Tesouro Municipal, por meio de dotação orçamentária destinada à contratação de mão de obra para a Secretaria Municipal de Saúde.

A publicação, entretanto, não detalha os motivos que levaram à continuidade da prestação dos serviços após o encerramento do saldo do contrato nem informa se houve eventual falha administrativa que motivou a abertura da sindicância.

Também não esclarece se houve responsabilização de agentes públicos ou adoção de medidas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

Como a limpeza e a higienização são consideradas atividades essenciais para o funcionamento das unidades de saúde, a interrupção do serviço poderia comprometer o atendimento à população e as condições sanitárias dos estabelecimentos.

Por isso, a empresa manteve a execução das atividades durante o período posteriormente reconhecido como dívida pelo município.

O termo foi assinado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela, e pelo representante da empresa, Luiz Carlos Ribeiro, com publicação oficial nesta segunda-feira (29).

Referência

Moda de MS se despede de Irany Caovilla, que morreu aos 92 anos

Empresária revolucionou o mercado da moda em Campo Grande, revelou talentos, trouxe grandes nomes nacionais e ajudou a romper barreiras para mulheres e pessoas negras no setor

29/06/2026 16h32

Foto: Rede Social

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A moda sul-mato-grossense perdeu neste domingo (28) uma de suas maiores referências. A empresária, produtora de eventos e colunista social Irany Pereira Caovilla morreu aos 92 anos, em Campo Grande, após complicações provocadas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Reconhecida como uma das pioneiras do setor no Estado, ela construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela elegância e pela capacidade de transformar a cena da moda regional em um período no qual esse mercado ainda dava seus primeiros passos.

O velório foi realizado no Cemitério Jardim das Palmeiras, no Jardim Seminário. O sepultamento ocorreu às 16h40 desta segunda-feira (29), na Campo Grande.

Trajetória pioneira na moda

Muito antes de a moda ganhar espaço em grandes centros comerciais de Mato Grosso do Sul, Irany já apostava no segmento como oportunidade de negócios e expressão cultural. Filha de uma família humilde, iniciou sua trajetória como sacoleira, vendendo roupas e acessórios de porta em porta.

A dedicação, a visão empreendedora e o bom relacionamento com fornecedores permitiram que desse um passo decisivo: abrir uma das primeiras boutiques de Campo Grande, tornando-se uma das mulheres responsáveis por profissionalizar o comércio de moda na Capital.

Com personalidade forte e olhar refinado para tendências, Irany rapidamente ultrapassou os limites do comércio. Passou a produzir grandes desfiles de moda, eventos que se transformaram em acontecimentos sociais e ajudaram a inserir Campo Grande no circuito nacional do segmento.

Em uma época em que esse tipo de produção era raro fora dos grandes centros, ela trouxe à Capital personalidades como Xuxa, Luiza Brunet e Adriane Galisteu, além de outros artistas e modelos que desfilaram em clubes tradicionais, como o Rádio Clube e o Sírio Libanês.

Mais do que promover eventos, Irany ajudou a revelar talentos e abriu espaço para novos modelos e profissionais da moda.

Sua atuação também se estendeu aos concursos de beleza, nos quais participou como jurada, além do trabalho como colunista social, acompanhando por décadas a vida cultural e os principais acontecimentos da sociedade campo-grandense.

Legado que marcou gerações

Sua história, entretanto, extrapola o universo da moda. Mulher negra em uma sociedade marcada por profundas desigualdades raciais, Irany enfrentou preconceitos e rompeu barreiras em um ambiente historicamente restrito.

Amigos e familiares lembram que ela fez questão de criar oportunidades para pessoas que, assim como ela, encontravam dificuldades para ocupar espaços de destaque.

Um dos episódios mais lembrados foi o incentivo dado à jornalista Lenilde Ramos, que desfilou em um tradicional clube da Capital graças ao apoio da empresária, em um período de forte segregação racial.

O compromisso com a valorização da população negra também se refletiu em sua atuação social. Em 2012, Irany recebeu da Câmara Municipal de Campo Grande o Prêmio Aparício Luis Xavier de Oliveira (Mister APA), homenagem destinada a personalidades que contribuíram para o combate ao racismo e à discriminação racial.

Outra marca de sua trajetória foi o envolvimento com projetos voltados à comunidade negra da Tia Eva.

Conforme registros históricos, ela adquiriu e posteriormente doou uma área que possibilitou a construção de uma escola e de uma creche na comunidade, reforçando sua atuação para além do empreendedorismo.

Mesmo após completar 90 anos, Irany manteve a rotina de trabalho. Continuava elaborando projetos, organizando eventos e planejando novas iniciativas ligadas à cultura e à moda.

Segundo familiares, ela sonhava em realizar um grande baile de chamamé e lançar uma revista voltada à sociedade sul-mato-grossense, demonstrando a vitalidade que a acompanhou até os últimos dias de vida.

Família e últimos anos

Sem filhos, Irany morava com sobrinhos, que a consideravam uma segunda mãe. Nas redes sociais, amigos, ex-modelos, jornalistas e empresários prestaram homenagens, lembrando sua elegância, coragem e capacidade de inovar.

Expressões como "mestra da moda", "pioneira", "visionária" e "mulher à frente do seu tempo" resumiram o sentimento de quem acompanhou sua trajetória.

Com a morte de Irany Caovilla, Mato Grosso do Sul se despede de uma personagem que ajudou a construir a identidade da moda sul-mato-grossense.

Seu legado permanece não apenas nas passarelas que idealizou, mas também na inspiração deixada para gerações de empreendedores, estilistas e profissionais que encontraram em sua história um exemplo de determinação, sofisticação e pioneirismo.

 

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