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Moda de MS se despede de Irany Caovilla, que morreu aos 92 anos

Empresária revolucionou o mercado da moda em Campo Grande, revelou talentos, trouxe grandes nomes nacionais e ajudou a romper barreiras para mulheres e pessoas negras no setor

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A moda sul-mato-grossense perdeu neste domingo (28) uma de suas maiores referências. A empresária, produtora de eventos e colunista social Irany Pereira Caovilla morreu aos 92 anos, em Campo Grande, após complicações provocadas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Reconhecida como uma das pioneiras do setor no Estado, ela construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela elegância e pela capacidade de transformar a cena da moda regional em um período no qual esse mercado ainda dava seus primeiros passos.

O velório foi realizado no Cemitério Jardim das Palmeiras, no Jardim Seminário. O sepultamento ocorreu às 16h40 desta segunda-feira (29), na Campo Grande.

Trajetória pioneira na moda

Muito antes de a moda ganhar espaço em grandes centros comerciais de Mato Grosso do Sul, Irany já apostava no segmento como oportunidade de negócios e expressão cultural. Filha de uma família humilde, iniciou sua trajetória como sacoleira, vendendo roupas e acessórios de porta em porta.

A dedicação, a visão empreendedora e o bom relacionamento com fornecedores permitiram que desse um passo decisivo: abrir uma das primeiras boutiques de Campo Grande, tornando-se uma das mulheres responsáveis por profissionalizar o comércio de moda na Capital.

Com personalidade forte e olhar refinado para tendências, Irany rapidamente ultrapassou os limites do comércio. Passou a produzir grandes desfiles de moda, eventos que se transformaram em acontecimentos sociais e ajudaram a inserir Campo Grande no circuito nacional do segmento.

Em uma época em que esse tipo de produção era raro fora dos grandes centros, ela trouxe à Capital personalidades como Xuxa, Luiza Brunet e Adriane Galisteu, além de outros artistas e modelos que desfilaram em clubes tradicionais, como o Rádio Clube e o Sírio Libanês.

Mais do que promover eventos, Irany ajudou a revelar talentos e abriu espaço para novos modelos e profissionais da moda.

Sua atuação também se estendeu aos concursos de beleza, nos quais participou como jurada, além do trabalho como colunista social, acompanhando por décadas a vida cultural e os principais acontecimentos da sociedade campo-grandense.

Legado que marcou gerações

Sua história, entretanto, extrapola o universo da moda. Mulher negra em uma sociedade marcada por profundas desigualdades raciais, Irany enfrentou preconceitos e rompeu barreiras em um ambiente historicamente restrito.

Amigos e familiares lembram que ela fez questão de criar oportunidades para pessoas que, assim como ela, encontravam dificuldades para ocupar espaços de destaque.

Um dos episódios mais lembrados foi o incentivo dado à jornalista Lenilde Ramos, que desfilou em um tradicional clube da Capital graças ao apoio da empresária, em um período de forte segregação racial.

O compromisso com a valorização da população negra também se refletiu em sua atuação social. Em 2012, Irany recebeu da Câmara Municipal de Campo Grande o Prêmio Aparício Luis Xavier de Oliveira (Mister APA), homenagem destinada a personalidades que contribuíram para o combate ao racismo e à discriminação racial.

Outra marca de sua trajetória foi o envolvimento com projetos voltados à comunidade negra da Tia Eva.

Conforme registros históricos, ela adquiriu e posteriormente doou uma área que possibilitou a construção de uma escola e de uma creche na comunidade, reforçando sua atuação para além do empreendedorismo.

Mesmo após completar 90 anos, Irany manteve a rotina de trabalho. Continuava elaborando projetos, organizando eventos e planejando novas iniciativas ligadas à cultura e à moda.

Segundo familiares, ela sonhava em realizar um grande baile de chamamé e lançar uma revista voltada à sociedade sul-mato-grossense, demonstrando a vitalidade que a acompanhou até os últimos dias de vida.

Família e últimos anos

Sem filhos, Irany morava com sobrinhos, que a consideravam uma segunda mãe. Nas redes sociais, amigos, ex-modelos, jornalistas e empresários prestaram homenagens, lembrando sua elegância, coragem e capacidade de inovar.

Expressões como "mestra da moda", "pioneira", "visionária" e "mulher à frente do seu tempo" resumiram o sentimento de quem acompanhou sua trajetória.

Com a morte de Irany Caovilla, Mato Grosso do Sul se despede de uma personagem que ajudou a construir a identidade da moda sul-mato-grossense.

Seu legado permanece não apenas nas passarelas que idealizou, mas também na inspiração deixada para gerações de empreendedores, estilistas e profissionais que encontraram em sua história um exemplo de determinação, sofisticação e pioneirismo.

 

Abre e fecha

Comércio de Campo Grande prefere fechar durante o jogo da Seleção

Funcionários puderam assistir ao jogo em frente aos comércios abertos

29/06/2026 14h40

Tendência foi fechar as portas no comércio do centro da Capital

Tendência foi fechar as portas no comércio do centro da Capital FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A tendência do comércio na região central de Campo Grande foi de fechar as portas durante o jogo do Brasil contra o Japão, primeiro jogo da Seleção de mata-mata da Copa do Mundo. 

A decisão de manter as portas abertas ou fechadas no setor varejista era de cada empreendedor. 

Grandes lojas de departamento como Riachuelo, Avenida e Passarelli fecharam as portas, assim como lojas menores. 

Em outros comércios, funcionários e mais torcedores se reuniram dentro das lojas e até mesmo nas calçadas para assistirem a partida juntos. 

Tendência foi fechar as portas no comércio do centro da CapitalTorcedores se reuniram em bares e no comércio / Foto: Gerson Oliveira

Farmácias mantiveram as portas abertas, por serem serviços essenciais. 

O Mercado Municipal, o mercadão, também fechou durante o jogo, devendo reabrir após a partida.

Vale ressaltar que, após o jogo, por volta das 16 horas, todas as lojas do centro reabriram.

As repartições públicas municipais e estaduais tiveram expediente reduzido nesta segunda-feira.

Conforme decreto da Prefeitura de Campo Grande, o expediente das repartições públicas municipais foi encerrado às 11h30.

O decreto do Governo do Estado também estabelece que o expediente nas repartições estaduais foi das 7h30 às 11h30.

A alteração nos horários não se aplica aos setores e aos serviços considerados essenciais, que por sua natureza não possam ser paralisados ou interrompidos, como saúde e segurança, que devem funcionar em escala de plantão.

* Matéria atualizada às 16h05min para acréscimo de informação.

COPA DO MUNDO

Dorminhoca na 1ª etapa, seleção frustra torcida na Cidade da Copa

Primeiro tempo tímido não tira a emoção do torcedor

29/06/2026 13h45

Torcedores esperam pelo Hexa na Cidade da Copa

Torcedores esperam pelo Hexa na Cidade da Copa FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Centenas de torcedores campo-grandenses escolheram a chamada Cidade da Copa, na região da Vila dos Ferroviários, para acompanhar o confronto entre Brasil e Japão e enfrentam um primeiro tempo decepciontante, com o Brasil perdendo por 1 a 0 ao final da primeira etapa. 

O gol japonês saiu aos 29 minutos, depois que o lateral direito Danilo errou passe no meio de campo. Sano interceptou a bola e disparou em contra-ataque, deixando Casemiro para trás. Na entrada da área, ele bateu cruzado, no canto, e não deu chances de defesa para o goleiro Alisson. 

Este foi o terceiro confronto brasileiro exibido na Cidade da Copa. Na última sexta-feira (24), no terceiro jogo da fase classificatória, por conta do mau tempo, a montagem da estrutura foi cancelada. 

Mas, apesar do mau resultado nesta primeira etapa, a maior parte dos torcedores mantinha o otimismo e, apesar do calor de 29 graus, praticamente todos continavam no espaço montado pela prefeitura de Campo Grande. 

De acordo com a Guarda Municipal, aproximadamente 300 pessoas estavam presentes no 1º tempo do jogo, mas durante o intervalo, mais torcedores foram chegando e o número tende a ser maior até o final do jogo. 

Taynara Mendes foi com a família inteira e assistiu ao jogo em uma sombra improvisada, já que o sol forte castigava o pessoal. 

"Prometeram uma tenda e não tem. Então, o sol está bem forte e a gente achou uma sombra aqui. Trouxemos nossas coisas para beber, cadeira. É o primeiro jogo que conseguimos assistir aqui por causa do frio que fez nos outros jogos", contou à reportagem. 

A estrutura montada na Esplanada Ferroviária conta com um telão de led e uma barraca grande onde estão sendo feitos lanches. As bebidas estão sendo oferecidas dentro do Ponto Bar, parceiro da Prefeitura Municipal na transmissão do evento. 

A guarda municipal faz o reforço da segurança. Ao todo, são 4 viaturas da Polícia Militar, 20 agentes e mais 6 policiais à cavalo. Na entrada, todos estão sendo revistados para evitar qualquer intercorrência. 

Mesmo sendo o "point" oficial de transmissão dos jogos do Brasil, a Cidade da Copa não é a principal escolha dos torcedores. Nos bares ao redor da área central da cidade, especialmente em torno da Esplanada, a o concentração da torcida era grande. 

 

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