Cidades

Impasse Trabalhista

Greve termina em obra da Arauco, mas reivindicações ficam pendentes

Funcionários da Opus Construtech retomaram as atividades após negociação, mas ainda aguardam definição sobre as reivindicações; resposta é esperada para o dia 15.

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A paralisação de funcionários da Opus Construtech envolvidos na construção do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose da Arauco em Inocência, chegou ao fim após negociação entre representantes dos trabalhadores e a empresa.

A retomada das atividades, no entanto, ocorreu sem que todas as reivindicações apresentadas pela categoria tivessem uma resposta definitiva, segundo relato de um funcionário que trabalha no canteiro de obras.

O trabalhador, que pediu para não ser identificado, afirmou ao Correio do Estado que a mobilização foi encerrada após uma negociação entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada (Sintiespav-MS) e a Opus Construtech.

Conforme o relato, os funcionários retomaram as atividades, mas ainda aguardam uma definição sobre as reivindicações discutidas durante a paralisação.

A expectativa, segundo a fonte, é de que a empresa apresente um posicionamento aos trabalhadores no próximo dia 15. Até lá, questões que motivaram a mobilização continuam em discussão.

Entre os temas levantados durante as negociações estão reajuste salarial, benefícios e alimentação, além de reclamações relacionadas às condições de trabalho.

A informação indica que o fim da paralisação não significou, necessariamente, o encerramento do impasse trabalhista. Na prática, os funcionários retomaram as atividades enquanto aguardam o resultado das negociações.

O funcionário ouvido pela reportagem também demonstrou insatisfação com a maneira como o movimento terminou. Na avaliação dele, a atuação do sindicato contribuiu para encerrar a paralisação antes que houvesse uma definição sobre todas as reivindicações.

O Correio do Estado busca manifestação do Sintiespav-MS e da Opus Construtech sobre as circunstâncias que levaram ao encerramento do movimento e sobre os compromissos assumidos durante as negociações.

Paralização durou durou dois dias

O movimento começou na terça-feira (1º) e avançou pela quarta-feira (2), como noticiado pelo Correio do Estado. Os funcionários envolvidos são contratados pela Opus Construtech, uma das empresas que atuam nas obras do Projeto Sucuriú.

A mobilização ocorreu em meio à data-base da categoria e às negociações das condições trabalhistas que deverão vigorar no novo período.

Um dos acordos coletivos aplicados às obras teve vigência entre 1º de setembro de 2024 e 31 de agosto de 2026 e estabeleceu justamente o dia 1º de setembro como data-base.

Com isso, a paralisação começou no primeiro dia após o encerramento da vigência do instrumento anterior e coincidiu com o período previsto para discussão das novas condições trabalhistas.

O acordo havia sido firmado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada e pelo Consórcio MLC Aterpa, com regras direcionadas aos trabalhadores envolvidos na construção do Projeto Sucuriú.

O documento também estabelecia que empresas contratadas e subcontratadas enquadradas na mesma atividade preponderante deveriam cumprir as regras mediante adesão ao instrumento.

Salários e benefícios 

O acordo anterior ajuda a dimensionar os interesses envolvidos na negociação atual. O instrumento estabeleceu reajuste salarial de 6% e definiu pisos mínimos diferentes conforme a função desempenhada na obra.

A tabela contemplava dezenas de atividades, entre elas serventes, ajudantes, carpinteiros, eletricistas, mecânicos, operadores de máquinas e soldadores.

Também foram estabelecidas regras específicas para horas extras. De segunda a sexta-feira, o adicional era de 50% para até 40 horas extraordinárias mensais e passava para 60% a partir da 41ª hora. Aos sábados, chegava a 70%, enquanto domingos e feriados tinham adicional de 100%.

Na alimentação, o instrumento estabeleceu inicialmente benefício mensal de R$ 700, por meio de cesta básica, alimentação ou vale-compras, custeado pelo empregador.

As regras abrangiam ainda folgas de campo para funcionários que vivem longe de Inocência, transporte gratuito entre alojamentos e frentes de trabalho, assistência médica, seguro de vida e condições para pagamento das horas extraordinárias.

As negociações atuais, portanto, ocorrem justamente para definir quais condições deverão ser mantidas, modificadas ou ampliadas no novo período.

Negociações já provocaram mobilizações

Os conflitos relacionados às condições de trabalho no empreendimento não começaram nesta semana. Durante a negociação salarial de 2025, trabalhadores envolvidos na construção apresentaram uma pauta com 16 reivindicações.

As negociações daquele período resultaram em reajuste salarial de 6,19% e aumento do benefício de alimentação de R$ 700 para R$ 900, além de outros pontos negociados pela categoria.

Em junho do ano passado, cerca de 250 funcionários da própria Opus Construtech que atuavam na construção de alojamentos também chegaram a suspender as atividades.

Na ocasião, as reivindicações estavam relacionadas ao cumprimento de direitos previstos em acordo coletivo, entre eles questões envolvendo horas extras e folgas de campo.

A mobilização durou aproximadamente 24 horas e terminou após negociação entre trabalhadores e empresa, seguida pela retomada das atividades.

Outro movimento foi registrado em fevereiro deste ano, novamente em meio a discussões sobre condições trabalhistas.

O episódio desta semana ocorre, porém, em um momento importante para o cronograma do Projeto Sucuriú, que atravessa uma das etapas mais intensas de implantação.

Megaprojeto de US$ 4,6 bilhões

Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú está entre os maiores empreendimentos industriais privados em implantação no País.

A fábrica da Arauco está sendo construída em Inocência e terá capacidade prevista para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano quando entrar em operação.

A dimensão do projeto exige a participação de diferentes empresas em diversas frentes da construção. Por esse motivo, a paralisação dos funcionários de uma contratada não representa necessariamente a interrupção de todo o empreendimento.

No movimento desta semana, os trabalhadores identificados são contratados pela Opus Construtech. Não há, até o momento, confirmação oficial sobre o número total de funcionários que participaram da paralisação.

Com a volta ao trabalho, a atenção agora se desloca para o próximo capítulo da negociação. Segundo o funcionário ouvido pela reportagem, a expectativa entre os trabalhadores é pela resposta prevista para o dia 15, quando deverão saber quais reivindicações serão efetivamente atendidas.

O que dizem os envolvidos

A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou a Opus Construtech e o Sintiespav-MS para confirmar o encerramento da paralisação e esclarecer os termos da negociação que levou os trabalhadores a retomarem as atividades.

Até a publicação desta reportagem, a Opus Construtech e o Sintiespav-MS não haviam respondido aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação.

saúde

Mais Médicos Especialistas oferece 132 vagas para MS em nova chamada

São 4 vagas imeditas e 128 para cadastro reserva; Inscrições estão abertas até dia 29 de outubro e profissionais especializados irão atuar no SUS

24/10/2026 11h23

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde abriu inscrições para a segunda chamada do 3º ciclo do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E). Em Mato Grosso do Sul, são 132 vagas, sendo quatro imediatas e 128 para cadastro reserva.

Conforme o edital, as quatro vagas imeditas são para Três Lagoas, sendo três para aprimoramento em Oncologia Clínica, com foco nos cânceres prevalentes no Sistema Único de Saúde (SUS), e uma para aprimoramento em Rotinas Assistenciais em Medicina Intensiva no SUS.

Já as vagas para formação de cadastro estão distribuídas em 22 munícipios, sendo:

  • Dourados - 43
  • Três Lagoas - 34
  • Costa Rica - 6
  • Coxim - 6
  • Fátima do Sul - 6
  • Ponta Porã - 6
  • Brasilândia - 3
  • Caarapó - 3
  • Rio Brilhante - 3
  • Amambai - 2
  • Cassilândia - 2
  • Naviraí - 2
  • Nova Andradina - 2
  • Sidrolândia - 2
  • Aparecida do Taboado - 1
  • Aquidauana - 1
  • Bonito - 1
  • Corumbá - 1
  • Itaporã - 1
  • Itaquiraí - 1
  • Nova Alvorada do Sul - 1
  • Ribas do Rio Pardo - 1

   

As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro, pelo Portal UNA-SUS.

A estratégia busca incentivar a presença de especialistas em regiões historicamente desassistidas, com o objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

De acordo com o Edital nº 25/2026, em todo o Brasil serão 224 vagas de preenchimento imediato e 4.350 para cadastro reserva, distribuídas em 24 cursos de aperfeiçoamento, em áreas como anestesiologia, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, urologia, psiquiatria, entre outras especialidades.

Benefícios

Os médicos participantes recebem uma bolsa mensal, e o valor varia de acordo com a vulnerabilidade social do município de atuação, calculado pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS):

  • R$ 20 mil para municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade;
  • R$ 15 mil para os de média vulnerabilidade;
  • R$ 10 mil para os de baixa ou muito baixa vulnerabilidade.

Quem pode participar

Podem participar médicos e médicas, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) ativo.

O RQE deve ter sido obtido por meio de residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mais Médicos Especialistas

O Projeto Mais Médicos Especialistas foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.177, de 10 de junho de 2025, com objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS, reduzir desigualdades regionais na distribuição de médicos e diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

O programa qualifica a formação dos profissionais por meio da prática na rede pública.

Desde a implementação, 2.279 médicos especialistas já ingressaram no PMM-E, e 1.898 continuam ativos, o equivalente a 83,3% do total de profissionais até outubro de 2026.

 

transporte coletivo

Justiça exige conta bancária exclusiva para intervenção no Consórcio Guaicurus

Decisão liminar considera que lei municipal que determina a criação de uma conta própria não está sendo cumprida e cobra mais transparência da comissão interventora

24/10/2026 10h54

Interventores deverão criar conta própria, separada da conta do Consórcio Guaicurus

Interventores deverão criar conta própria, separada da conta do Consórcio Guaicurus Foto: Arquivo / Correio do Estado

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O juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Eduardo Lacerda Trevisan, concedeu liminar que determina que obriga que a comissão interventora abra uma conta bancária exclusiva, separada das contas do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital.

Conforme a decisão, os interventores devem apresentar um plano para abertura de conta específica da intervenção em 10 dias, com prazo para implantação em 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

O consórcio está sob intervenção municipal desde o dia 16 de junho deste ano, quando a prefeitura anunciou a decisão de tomar conta do transporte coletivo da Capital por um período de 180 dias. O advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira foi nomeado interventor.

Na ocasião, foi concedido a comissão interventora vários "poderes", dentre eles, a movimentação das contas da empresa pelos interventores.

O mandado de segurança foi impetrado pelo Consórcio Guaicurus, que pediu para que a comissão criasse uma conta exclusiva para uso dos interventores, separada da conta das empresas que fazem parte do consórcio, conforme determina o artigo 53, inciso I, da Lei Municipal nº 4.584/2007.

O artigo em questão dispõe que a equipe de intervenção deve "providenciar a abertura de conta-corrente própria em banco estabelecido na cidade de Campo Grande- MS, em nome da Prefeitura Municipal, vinculada, exclusivamente, à movimentação financeira decorrente da intervenção, a qual será administrada e conjunto com o interventor administrativo-financeiro".

A Procuradoria do Município chegou a argumentar que a lei que faz a exigência de conta específica em caso de intervenção era inconstitucional, mas a tese não foi acatada pelo juiz na decisão liminar, que deferiu o pedido do Consórcio.

Desta forma, os interventores devem apresentar, em 10 dias, um plano com a definição do cronograma para a criação da conta-corrente oficial da intervenção, que ainda não foi aberta mesmo sendo prevista em lei, separada daquelas sob a titularidade do operador do sistema.

A conta precisa ser aberta em banco público, como a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil. O plano deverá conter ainda o detalhamento de como a transição de contas será feita para que não haja comprometimento dos pagamentos essenciais à continuidade do serviço de transporte de Campo Grande.

Após a apresentação do plano, a Comissão terá 30 dias para implantar a mudança a partir da intimação.

A Comissão também terá de entregar ao juiz a cópia integral do ato colegiado que aprovou as normas de governança e controle do processo de intervenção.

Segundo o magistrado, caso esse sistema de governança dos atos administrativos dos interventores não exista, a Comissão deverá declarar perante a Justiça a ausência de tais documentos e não poderá criar validações que sejam retroativas.

Na decisão liminar, a Justiça também exigiu que a comissão interventora exiba as autorizações e justificativas motivadas para todos os pagamentos de dívidas vencidas e que tenham caráter excepcional, realizados durante o período de intervenção.

Intervenção

Decretada pela prefeitura no dia 16 de junho deste ano, a intervenção no Consórcio Guaicurus divulgou no mês passado um relatório dos primeiros 90 dias à frente da empresa. Segundo o documento, neste período, os interventores descobriram R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na capital sul-mato-grossense.

Conforme matéria do Correio do Estado da época, no centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões no fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Imposto de Renda.

Venda do Consórcio

O Consórcio Guaicurus anunciou, no dia 21 de julho, que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária goianiense HP Mobilidade, responsável pelo transporte coletivo de Goiânia (GO).

O acordo feito entre as empresas foi aprovado pelo Cade, órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e reprimir abusos do poder econômico no Brasil, que analisa fusões, aquisições entre empresas para evitar monopólios. Após esta aprovação, a nova empresa deverá apresentar planos de melhorias para receber o aval da prefeitura.

Apesar de os valores ainda serem mantidos em segredo, fontes próximas ao negócio, que pediram sigilo ao Correio do Estado, indicam que a negociação da concessão e dos bens do Consórcio Guaicurus gira em torno de R$ 200 milhões.

Além dos veículos e dos imóveis, a venda também engloba os seis anos de contrato para administrar o transporte público de Campo Grande, tempo que pode ser estendido por mais 10 anos, conforme o acordo firmado em outubro de 2012 e que, no domingo, 25/10/2026, completará 14 anos.

Desde 2012, o Consórcio Guaicurus é responsável pelo transporte coletivo e urbano de Campo Grande e desde 2019, pelo menos, reclama de prejuízos no serviço. Em crise, tanto interna como com a administração municipal, o serviço passa por uma intervenção desde junho deste ano.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda no dia 8 de outubro de 2026. 

A Prefeitura da Capital, por sua vez, aguarda a apresentação de um plano de melhorias para o transporte coletivo antes de dar o aval para a nova empresa operar o serviço.

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