Cidades

INVESTIGAÇÃO

Guerra de facções em MS tem lista com 24 jurados de morte

Operação do MPMS identificou perfil que publicava fotos de suspostos alvos do Comando Vermelho no Estado

Continue lendo...

Operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) prendeu ontem em Juscimeira, em Mato Grosso, um suposto integrante do Comando Vermelho (CV) que divulgou ameaça de morte a 24 pessoas que seriam membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Mato Grosso do Sul.

Pablo da Silva Santos, de 19 anos, seria o administrador de perfis no TikTok e no Instagram onde publicava fotos de pessoas que estariam “jurados” de morte por integrar o PCC em Mato Grosso do Sul.

Segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do MPMS, que comandou as investigações, o tema começou a ser apurado a partir do monitoramento de redes sociais.

“A gente já tinha informação de que existiam perfis no TikTok e no Instagram publicando ameaças para a população, imputando a participação ou a vinculação com o PCC. E aí a partir do monitoramento desses perfis na internet, a gente começou a fazer a investigação sobre quem seriam as pessoas que estariam por trás desses perfis e chegamos à pessoa do Pablo Silva Santos”, contou o promotor.

“Ele publicava esses perfis a partir de Mato Grosso, e a gente já tinha informação também de que essa guerra de facção que a gente está vivendo vem de Mato Grosso”, completou Marques.

A ação foi agilizada após um dos alvos que teve a foto publicada ser morto dias após a publicação.

Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, conhecido como Márcio Pelé, e a enteada dele, uma menina de apenas 3 anos e 8 meses, foram mortos em Cassilândia, no dia 1º de agosto deste ano.

Eles estavam em um carro quando foram surpreendidos por disparos de arma de fogo. O automóvel ficou com diversas perfurações de tiros, principalmente na região do motorista, e cápsulas de munição foram encontradas nas proximidades.

Outra criança, de 12 anos, foi atingida por estilhaços e encaminhada para atendimento na Santa Casa de Cassilândia.

“No dia que ele fez a publicação, logo depois da publicação dele, uma pessoa foi morta em Cassilândia e ela estava com uma filha de 3 anos. Ela também foi morta, a menina de 3 anos. Então isso nos chocou demais e fez com que a gente intensificasse as investigações”, contou.

Além de Márcio Aparecido, pelo menos mais uma pessoa que também foi jurada de morte em Mato Grosso do Sul pelo CV foi morta.

“Essas ameaças a gente tem conhecimento porque são públicas. Então, a partir disso, a gente empreende esforço na identificação dos perfis, através de cruzamento de dados, cruzamento de informações que constam das redes sociais, com os dados que a gente já tem disponíveis aqui, os sistemas que a gente já tem disponíveis aqui no MPMS de busca de dados pessoais”, afirmou o promotor.

Ainda segundo o MPMS, as vítimas residiam, em sua maioria, em municípios do interior de Mato Grosso do Sul.

Durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão contra Pablo, na Operação Death List, foram apreendidos aparelhos celulares, que serão submetidos à extração e análise forense para seguir com as investigações e descobrir se há mais pessoas envolvidas.

Pablo não tinha passagens pela polícia, havia acabado de completar 19 anos, mas ele é tratado como integrante do Comando Vermelho.

Sobre os alvos, o promotor ainda acrescentou que ainda não está claro se todos são mesmo membros do PCC ou apenas desafetos da facção carioca.

“Ninguém sabe se essas pessoas são vinculadas ao PCC ou não. Eles imputam e também aquela coisa do tribunal do crime. Não necessariamente tem vínculo com o PCC, mas ele até tem umas ameaças”, explicou o promotor.

LEI ANTIFACÇÃO

Em sua primeira passagem, Pablo da Silva Santos deverá ser enquadrado na Lei Antifacção (Lei nº 15.358/2026), também chamada de Lei Raul Jungmann, sancionada em 24 de março deste ano.

Segundo o promotor, o suposto faccionado está sendo investigado por favorecimento ao domínio de território, que consta na nova lei e que resulta em uma pena de 12 a 20 anos de prisão.

“Essa nova lei antifacção sancionada este ano veio muito a calhar nesse ponto, porque ela imputa penas muito duras para esse tipo de conduta”, analisa o promotor, que salienta que as investigações continuam.

Cultura & Lazer

Festival de Chamamé reúne artistas do Brasil, Paraguai e Argentina na Capital

Evento será realizado de 17 a 20 de setembro, com shows, dança, feira cultural e concurso de chamamé

03/09/2026 18h45

Foto: Daniela Péres

Continue Lendo...

Campo Grande recebe, entre os dias 17 e 20 de setembro, a 8ª edição do Festival Cultural do Chamamé, da Polca Paraguaia e da Guarania. A programação tem como custo a diação de um quilo de alimento não perecível, contando com shows, apresentações de dança, feira cultural e atrações do Brasil, Paraguai e Argentina.

As atividades serão realizadas no Teatro Aracy Balabanian e na Colônia Paraguaia, reunindo artistas regionais e internacionais em uma programação voltada à música e às tradições culturais da região de fronteira.

Entre as atrações está o concurso de dança de salão no estilo chamamé, com categorias livre e 60+. As inscrições são gratuitas e as duplas vencedoras de cada categoria receberão premiação em dinheiro.

Além dos espetáculos musicais e de dança, o festival terá feira com gastronomia e artesanato, ampliando a programação para quem quiser conhecer outros elementos da cultura sul-americana.

Lançamento

Antes do início oficial do festival, a organização realiza nesta sexta-feira (4) o lançamento da edição deste ano. O evento será a partir das 19h, na Praça Marcelo Silva, conhecida como Praça da Coophatrabalho, na Rua Pequi.

A noite terá apresentações de Jakeline Sanfoneira, Fábio Kaida e Danilo da Gaita, além de apresentações de dança. A entrada é gratuita.

O festival é organizado pelo Instituto Cultural do Chamamé MS e pelo programa A Hora do Chamamé, com apoio de instituições culturais de Mato Grosso do Sul e do Paraguai. 

Serviço

Lançamento do festival
4 de setembro
19h
Praça Marcelo Silva (Praça da Coophatrabalho) – Rua Pequi
Entrada gratuita

8º Festival Cultural do Chamamé
17 a 20 de setembro
Teatro Aracy Balabanian e Colônia Paraguaia
Entrada: 1 kg de alimento não perecível.

Informações: (67) 99927-5144

Sob Investigação

Servidoras investigadas ganham garantia no cargo com nota "excelente"

Ana Carla Benette obteve pontuação máxima e Denise Rodrigues Medis foi aprovada mesmo com o último período de avaliação zerado; prefeitura tem 30 dias para revisar os atos

03/09/2026 18h28

Servidoras da Prefeitura de Água Clara receberam conceito

Servidoras da Prefeitura de Água Clara receberam conceito "Excelente" no estágio probatório mesmo após a abertura de processos disciplinares. Foto: Divulgação Prefeitura de Água Clara.

Continue Lendo...

Duas servidoras da Prefeitura de Água Clara investigadas na Operação Malebolge receberam conceito “Excelente” no estágio probatório e tiveram reconhecida a estabilidade no serviço público municipal.

A operação, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para apurar supostas irregularidades na administração municipal, já havia resultado na abertura de processos administrativos disciplinares contra as servidoras para investigar possíveis infrações funcionais.

A situação levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a recomendar a suspensão imediata das portarias que garantiram a permanência de Ana Carla Benette e Denise Rodrigues Medis nos respectivos cargos.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial do MPMS desta quinta-feira (3) e é assinada pela promotora de Justiça Laura Assagra Rodrigues Barbosa, da 1ª Promotoria de Justiça de Água Clara.

O Ministério Público não determinou a demissão das servidoras. A medida solicita que os efeitos das portarias sejam suspensos até que a prefeitura conclua uma revisão administrativa das avaliações de desempenho e verifique se as duas preenchiam todos os requisitos necessários para adquirir estabilidade.

A prefeitura terá de analisar se as condutas atribuídas às servidoras na investigação criminal, referentes ao período em que ambas ainda cumpriam o estágio probatório, foram apresentadas e consideradas pela Comissão Especial de Avaliação Funcional.

O município recebeu prazo de 30 dias para informar as providências adotadas e encaminhar ao MPMS cópias dos atos administrativos, das manifestações da comissão responsável pelas avaliações e dos demais documentos relacionados ao caso.

Nota máxima mesmo após operação

Ana Carla Benette ingressou no cargo efetivo de professora de Língua Portuguesa em 9 de fevereiro de 2022. A estabilidade foi declarada pela Portaria nº 090/2026, publicada em 19 de fevereiro deste ano.

Na avaliação do estágio probatório, a servidora alcançou 720 pontos, a pontuação máxima prevista, e recebeu conceito “Excelente”. Segundo o MPMS, ela obteve a nota máxima em todos os períodos avaliados.

A Promotoria considera necessária uma verificação especial dos elementos utilizados pela prefeitura para concluir pela plena aptidão funcional da servidora.

O questionamento ocorre porque os fatos atribuídos a Ana Carla na investigação criminal teriam acontecido entre 2023 e 2025, quando ela ainda estava submetida ao estágio probatório.

Na nova análise, o MPMS quer que a comissão confronte as informações reunidas na Operação Malebolge com os critérios utilizados para avaliar disciplina, responsabilidade, produtividade, eficiência e capacidade de iniciativa.

A finalidade é verificar se, considerados os fatos apontados na denúncia, permanece válida a classificação de desempenho “Excelente” e a conclusão de que a servidora estava apta a permanecer no serviço público.

Avaliação teve período zerado

Denise Rodrigues Medis tomou posse e começou a exercer o cargo efetivo de assistente de Administração em 28 de setembro de 2022. A garantia no cargo foi reconhecida pela Portaria nº 089/2026, também publicada em 19 de fevereiro deste ano.

A documentação encaminhada pela prefeitura aponta que Denise terminou o estágio probatório com 600 pontos, foi aprovada e igualmente recebeu conceito “Excelente”.

O próprio município informou, entretanto, que o último período de avaliação da servidora foi zerado em razão de um afastamento decorrente dos desdobramentos da Operação Malebolge.

Apesar disso, a administração municipal considerou os resultados dos períodos anteriores suficientes para aprová-la e declarar sua estabilidade.

Para o Ministério Público, essa circunstância exige uma análise da metodologia utilizada e da efetiva avaliação da aptidão funcional.

A Promotoria quer saber como uma servidora com o último período zerado por causa de um afastamento relacionado à investigação conseguiu encerrar o estágio probatório no nível mais alto da classificação.

A recomendação determina que a nova avaliação considere não apenas o período zerado, mas também os fatos descritos na denúncia que teriam ocorrido durante o estágio probatório e que possam ter relação com os critérios previstos na legislação municipal.

Processos foram abertos seis dias antes

Outro ponto considerado decisivo pelo MPMS é a cronologia dos atos praticados pela Prefeitura de Água Clara. Em 13 de fevereiro de 2026, o município publicou as portarias nº 084 e nº 085, que constituíram comissões para conduzir processos administrativos disciplinares contra as duas servidoras.

Os procedimentos foram instaurados para apurar possíveis infrações funcionais. Seis dias depois, em 19 de fevereiro, a própria prefeitura publicou as portarias que declararam Ana Carla e Denise estáveis no serviço público municipal.

Isso significa que, quando reconheceu a garantia de permanência nos cargos, a administração já havia aberto investigações internas sobre as condutas funcionais das servidoras.

Para a Promotoria, a avaliação do estágio probatório não pode ser dissociada da realidade funcional do servidor, especialmente quando há fatos ocorridos durante o período de avaliação que resultaram na abertura de processos disciplinares.

O MPMS quer que a prefeitura esclareça se a Comissão Especial de Avaliação Funcional sabia da existência das acusações antes de concluir as avaliações.

Caso soubesse, o município deverá informar quando a comissão tomou conhecimento dos fatos e de que forma eles foram considerados na pontuação.

Também deverá ser verificado se os processos disciplinares tratam das mesmas condutas descritas na denúncia apresentada como consequência da Operação Malebolge.

Atos podem ser anulados

Depois da revisão, caso sejam identificadas irregularidades nas avaliações ou a ausência dos requisitos legais, o MPMS recomenda que a prefeitura anule as portarias que concederam estabilidade e adote as medidas funcionais juridicamente cabíveis.

A recomendação, entretanto, não representa condenação nem perda automática dos cargos. Qualquer decisão deverá ser tomada em processo administrativo, com garantia do contraditório e da ampla defesa às servidoras.

O Ministério Público também ressalta que a suspensão sugerida tem caráter cautelar. O objetivo é impedir que os atos continuem produzindo efeitos enquanto a própria prefeitura analisa se as avaliações foram regulares.

Caso a recomendação não seja atendida, a Promotoria poderá adotar medidas administrativas e judiciais. O documento também informa que a ciência formal da prefeitura poderá ser utilizada como elemento probatório em eventuais ações cíveis ou de improbidade.

Operação investiga contratos milionários 

A Operação Malebolge foi deflagrada pelo Gaeco e pelo Gecoc em 18 de fevereiro de 2025 para investigar uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e empresários.

A ação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

De acordo com o MPMS, o grupo é investigado por supostamente fraudar licitações, direcionar concorrências públicas, simular competições entre empresas e pagar vantagens indevidas a agentes públicos. Os contratos relacionados à investigação ultrapassam R$ 10 milhões.

Ainda segundo o órgão, servidores teriam atestado falsamente o recebimento de produtos e serviços e acelerado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas que participariam do esquema.

A recomendação publicada nesta quinta-feira informa que as condutas atribuídas a Ana Carla e Denise na denúncia criminal remontam a 2023 e se estendem até 2025. Por isso, os fatos teriam ocorrido quando as duas ainda cumpriam o estágio probatório.

A Promotoria considera incompatível conceder a classificação máxima de desempenho sem demonstrar se as acusações foram examinadas pela comissão responsável.

O questionamento do MPMS não antecipa eventual responsabilidade criminal das servidoras, que somente poderá ser definida ao fim dos respectivos processos.

A recomendação publicada no Diário Oficial não informa se a Prefeitura de Água Clara aceitará as medidas sugeridas nem apresenta manifestações atualizadas das servidoras sobre o pedido de revisão.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).