Cidades

Congresso

Homens que enfrentam a corrupção e o narcotráfico reúnem-se

Homens que enfrentam a corrupção e o narcotráfico reúnem-se

ADILSON TRINDADE

02/08/2011 - 00h02
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O Ciclo de Congressos de Direito, a ser realizado a partir das 8h no período de 3 (quarta-feira) a 5 deste mês na Capital, contará com a participação de personagens que se destacaram em casos emblemáticos no País. Um deles é o desembargador federal Fausto De Sanctis, da TRF da 3ª Região. Como juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, ele mandou prender o banqueiro Daniel Dantas durante a Operação Satiagraha da Polícia Federal, e depois o condenou por corrupção ativa. A sentença foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) junto com todos os procedimentos investigatórios.

Outro personagem de grande destaque nacional com presença confirmada no Ciclo de Congressos de Direito é o delegado federal Protógenes Queiroz, hoje deputado federal pelo PC do B de São Paulo. Protógenes foi quem comandou a Operação Satiagraha e prendeu o banqueiro Daniel Dantas e depois acabou sendo afastado de suas funções pela direção da Polícia Federal sob acusação de extraprolar as suas funções.

O evento contará ainda com a participação do juiz federal Odilon de Oliveira, reconhecido nacional e internacionalmente pela coragem de colocar na cadeia traficantes internacionais. Odilon é um magistrado premiado pelos serviços prestados à humanidade. Em sua homenagem, dia 3, será aberto dentro do ciclo, o Congresso de Direito Dr. Odilon de Oliveira que terá o seu filho, Odilon de Oliveira Junior e Fábio de Matos Moraes, como coordenadores científicos.

O juiz Odilon de Oliveira abrirá o ciclo de palestras, logo em seguida vem o desembargador Romero Osme Dias Lopes, o promotor de Justiça Paulo Passos, o deputado estadual Fernando Capez (promotor de Justiça licenciado de São Paulo) e o juiz de Direito Carlos Alberto Garcete.

No dia 4, o polêmico Protógenes Queiroz vai abrir a palestra do II Congresso de Direito Penal e Processual Penal. Depois dele, será a vez o delegado de Polícia Civil de São Paulo, Edson Baldan, do juiz aposentado Luiz Flávio Gomes, um dos maiores juristas do País. O coordenador científico será o André Matsushita.

No mesmo dia, começa o II Congresso Estadual de Direito Civil e Processual Civil com a palestra de José Miguel Garcia Medina. No dia seguinte, será a vez do advogado do Rio de Janeiro, Marcelo Lamego Carpenter, a ministrar palestra.

Depois de Carpenter, falará o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), José Augusto Delgado, do professor Izaías Ferro Júnior, do desembargador aposentado Rêmolo Letteriello, do desembargador federal Fausto De Sanctis e do juiz federal da Bahia, Rodolfo Pamplona.

O Ciclo de Congressos de Direito está sendo realizado pela Escola Judicial de Mato Grosso do Sul (Ejud/MS), presidida pelo desembargador Ruy Celso Florence, e pela Adepol (Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul).

O congresso conta com apoio do Instituto dos Advogados de Mato Grosso do Sul, presidido por Luís Cláudio Bito Pereira. Outro parceiro do evento é o Jornal Correio do Estado.

Segundo juiz de Direito, Aldo Ferreira da Silva Júnior, coordenador científico, o evento tem o objetivo de fomentar o debate sobre questões jurídicas revelantes entre os mais variados setores da comunidade jurídica do Estado de Mato Grosso do Sul.

Ontem, no programa Bom Dia Mega Notícias, da Mega 94FM, o advogado Heitor Miranda Guimarães, um dos promotores do ciclo, deu entrevista a respeito do evento.

INTERIOR

Investigação contra cigarros contrabandeados resulta em mandado da PF

Agentes estiveram em imóvel no interior de Mato Grosso do Sul para cumprir busca e apreensão depois de 9 meses da investigação iniciar

11/04/2026 17h00

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas

PF cumpre mandado de busca e apreensão em Sete Quedas Foto: Divulgação

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A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (10), mandado de busca e apreensão no município de Sete Quedas contra o crime de contrabando de cigarros estrangeiros relacionado à uma apreensão feita em julho do ano passado que despertou a atenção da instituição.

De acordo com informações oficiais, o cumprimento do mandado foi em um imóvel na cidade do interior. Tudo começou há cerca de nove meses, quando agentes apreenderam 400 mil maços de cigarros de origem estrangeira transportados em conjunto veicular na rodovia MS-141, em Naviraí, e que estavam ocultos sob carga de resíduos recicláveis.

A ação da PF deflagrada na tarde desta sexta-feira resultou no confisco de aparelhos celulares, documentos e outros materiais que serão submetidos à análise forense para elucidação da participação de terceiros na empreitada criminosa.

Cigarros, contrabando & MS

Em Mato Grosso do Sul, a comercialização de cigarros contrabandeados do Paraguai é muito mais comum que no restante do Brasil, por conta da fronteira com o país vizinho.

Esse cenário faz com que, de 10 maços vendidos no Estado, 7 sejam de marcas ilegais, o que resulta em uma perda bilionária aos cofres do governo do Estado, que não recolhe o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desses produtos.

Estimativa feita pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), com base nos dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), mostra que, nos últimos seis anos, R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em Mato Grosso do Sul em razão da venda ilegal de cigarros contrabandeados.

Só em 2024, ainda de acordo com o FNCP, foram R$ 150 milhões perdidos em imposto que poderia ter sido cobrado.

Esse valor é alto porque o ICMS cobrado em Mato Grosso do Sul sobre o cigarro legal é de 30%. Essa política de impostos altos incidentes sobre esse tipo de produto é uma prática comum no País inteiro, como uma forma de desestimular que a população faça uso de um produto que comprovadamente faz mal à saúde.

Pelos dados do Ipec, no ano passado, 72% dos cigarros comercializados em todo o Estado tinham origem ilegal, porcentual que representa mais que o dobro do valor nacional, que foi de 32% em 2024.

Apesar de o valor ser alto, ele representa uma pequena queda em relação a 2023, quando esse mercado representava 74% das vendas de cigarro no Estado. E esse porcentual já chegou a ser de 85%, em 2019.

Matéria publicada em fevereiro deste ano pelo Correio do Estado mostrou que, de acordo com números da Polícia Federal, no ano passado, a corporação apreendeu R$ 87.771.190 em cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul. As apreensões ocorreram nas cidades de Mundo Novo (6), Ponta Porã (5), Campo Grande (4) e Corumbá (1).

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LEVANTAMENTO

PM soma mil chamados para intervir em casos de violência doméstica em MS

Atendimentos de emergência da instituição são realizados através do disque 190

11/04/2026 16h00

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil

Delegacia da Mulher de Campo Grande, em parede com o distintivo da Polícia Civil Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Polícia Militar acumula mais de mil atendimentos de emergência para intervir imediatamente em casos de violência doméstica este ano, número que corresponde a aproximadamente 20% do número total de vítimas deste crime no estado em 2026, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

De acordo com o Monitor da Violência contra a Mulher, lançado no ano passado pelo Poder Judiciário em parceria com a Sejusp-MS, são 1.067 atendimentos de emergência oriundos do Disque 190 em casos de violência doméstica. Em suma, a Polícia Militar é acionada nestes casos para agir com a intervenção imediata, visando a proteção da vítima e o encaminhamento do agressor para as autoridades competentes.

Pegando o mesmo período analisado (janeiro, fevereiro, março e começo de abril) e comparando com anos anteriores (de 2017 até 2025), este ano fica atrás no quesito somente para 2022, 2023 e 2024, quando foi registrado uma média aproximada de mais de 500 atendimentos de emergência por mês.

Como era de se esperar, Campo Grande lidera a estatística entre os 79 municípios sul-mato-grossenses, com 535 chamadas de emergência, seguido por Dourados, com 80, e Três Lagoas, com 45.

Vale destacar que este levantamento não equivale a quantidade de ocorrências e vítimas totais de violência doméstica no estado em 2026. Neste quesito, Mato Grosso do Sul acumula 5.546 vítimas em 100 dias este ano, uma média de quase 55 mulheres por dia sofrendo algum tipo de violência, seja física, psicológica ou emocional.

Até o momento, 9 mulheres foram mortas em MS por parceiros ou familiares, o chamado feminicídio. O caso mais recente foi da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi encontrada morta na sala de casa, ainda fardada, com marca de tiro no pescoço. O namorado da vítima, de 50 anos, estava com a arma na mão. 

De acordo com as investigações, o casal se relacionava há um ano e quatro meses e morava na mesma casa há dois meses. O caso foi confirmado como feminicídio após a perícia descartar a possibilidade de suícidio, versão que Gilberto contou depois de ser apontado como o principal suspeito.

Nova lei

Agressores que colocarem em risco a vida de mulheres e crianças em casos de violência doméstica deverão usar tornozeleira eletrônica de forma imediata.

A medida está prevista na Lei 15.383/2026, sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada nesta sexta-feira (10) no Diário Oficial da União. A norma já está em vigor e também autoriza delegados a determinarem o monitoramento em cidades sem juiz, além de ampliar recursos públicos para aquisição dos equipamentos.

A nova legislação altera a dinâmica das medidas protetivas ao tornar obrigatória a adoção da tornozeleira sempre que houver risco à integridade física ou psicológica da vítima ou de seus dependentes. Antes, a Lei Maria da Penha previa o monitoramento eletrônico apenas como uma possibilidade.

Outro ponto central é a ampliação da atuação das autoridades policiais. Em municípios que não são sede de comarca, delegados passam a poder determinar o uso do dispositivo, devendo comunicar a decisão ao Judiciário em até 24 horas. Caberá ao juiz avaliar a manutenção da medida e informar o Ministério Público.

A lei também estabelece que a vítima deverá receber um dispositivo de alerta capaz de avisar, em tempo real, sobre a aproximação do agressor. O sistema utiliza geolocalização para monitorar o cumprimento das chamadas áreas de exclusão, permitindo resposta mais rápida das forças de segurança em caso de violação.

Além do monitoramento, a norma endurece as penalidades. O descumprimento de medidas protetivas, como violar o perímetro estabelecido ou danificar o equipamento, terá aumento de pena de um terço à metade, sobre a base atual de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

A legislação também reforça políticas públicas de prevenção. Campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher deverão incluir orientações sobre procedimentos policiais, funcionamento das medidas protetivas e formas de evitar a revitimização.

Para garantir a aplicação das medidas, o texto amplia de 5% para 6% a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública voltados ao combate à violência contra a mulher. O financiamento poderá ser usado, inclusive, para compra e manutenção de tornozeleiras e dispositivos de alerta.

Outro avanço é a transformação em política permanente do programa de monitoramento eletrônico e acompanhamento de vítimas. A iniciativa prevê a entrega de dispositivos portáteis que emitem alertas automáticos tanto para a mulher quanto para a polícia mais próxima, caso o agressor descumpra as restrições impostas pela Justiça.

A lei tem origem no Projeto de Lei 2.942/2024, apresentado pelos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). O foco principal da medida é fortalecer a prevenção e reduzir casos de feminicídio no país.

*Colaborou Alison Silva

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