Cidades

fronteira aberta

MS deixa de arrecadar R$ 2,7 bilhões em 6 anos por contrabando de cigarros

Dados do Ipec mostram que, de cada 10 maços vendidos no Estado, 7 são de origem contrabandeada, média acima da nacional

Continue lendo...

Em Mato Grosso do Sul, a comercialização de cigarros contrabandeados do Paraguai é muito mais comum que no restante do Brasil, por conta da fronteira com o país vizinho. Esse cenário faz com que, de 10 maços vendidos no Estado, 7 sejam de marcas ilegais, o que resulta em uma perda bilionária aos cofres do governo do Estado, que não recolhe o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desses produtos.

Estimativa feita pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), com base nos dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), mostra que, nos últimos seis anos, R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em Mato Grosso do Sul em razão da venda ilegal de cigarros contrabandeados.
Só no ano passado, ainda de acordo com o FNCP, foram R$ 150 milhões perdidos em imposto que poderia ter sido cobrado.

Esse valor é alto porque o ICMS cobrado em Mato Grosso do Sul sobre o cigarro legal é de 30%. Essa política de impostos altos incidentes sobre esse tipo de produto é uma prática comum no País inteiro, como uma forma de desestimular que a população faça uso de um produto que comprovadamente faz mal à saúde.
Pelos dados do Ipec, no ano passado, 72% dos cigarros comercializados em todo o Estado tinham origem ilegal, porcentual que representa mais que o dobro do valor nacional, que foi de 32% em 2024.

Apesar de o valor ser alto, ele representa uma pequena queda em relação a 2023, quando esse mercado representava 74% das vendas de cigarro no Estado. E esse porcentual já chegou a ser de 85%, em 2019.

Para o presidente do FNCP, Edson Vismona, apenas uma ação integrada entre as forças policiais poderão conter a força do contrabando na fronteira com MS.

“Não podemos combater esse crime de forma isolada, deve haver uma ação integrada, de inteligência, com forças estaduais e federais. O combate ao comércio ilícito tem de ser integrado, fiscalizar a entrada [do cigarro ilegal], os depósitos e os pontos de venda. Não é só na fronteira, tem que se coibir o varejo também”, declarou Vismona ao Correio do Estado.

Em uma volta rápida pela cidade, a reportagem do Correio do Estado conseguiu encontrar três pontos de vendas, que exibiam faixas com o preço dos cigarros paraguaios sem nenhum receio de fiscalização.

“Como não há uma fiscalização sobre isso, fica o sentimento de impunidade, que incentiva essa venda ilegal. Precisa-se de ação nos pontos de venda também, senão estamos normalizando o crime e o cidadão encontra em qualquer lugar”, completou.

O FNCP, ainda conforme Vismona, tem contato com o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que atua principalmente da região da fronteira com o Paraguai, mas que não tem atuação dentro das cidades.

Matéria publicada em fevereiro deste ano pelo Correio do Estado mostrou que, de acordo com números da Polícia Federal, no ano passado, a corporação apreendeu R$ 87.771.190 em cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul. As apreensões ocorreram nas cidades de Mundo Novo (6), Ponta Porã (5), Campo Grande (4) e Corumbá (1).

O maior volume foi apreendido no município de Mundo Novo, cidade que faz fronteira com Salto del Guairá, no Paraguai, onde a quantidade de pacotes de cigarros ilegais apreendida foi avaliada em
R$ 37.125.882.

Outro município que se destacou entre as áreas de apreensão foi Ponta Porã, cidade que faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde foram apreendidos R$ 23.860.556 em cigarros contrabandeados. 

Já em Campo Grande, uma das rotas preferenciais dos contrabandistas, foram apreendidos R$ 25.751.675 em cigarros contrabandeados. 

Além dos municípios sul-mato-grossenses, o cigarro que entra pela fronteira com o Paraguai também abastece o restante do País. Segundo o presidente do FNCP, Mato Grosso do Sul e o Paraná são as duas principais portas de entrada desse tipo de contrabando.

Vismona também afirma que essa prática tem sido adotada por organizações criminosas, já que o ganho é alto e a punição é menor que para o tráfico de drogas.

“Cada vez mais a segurança pública tem identificado a ação de organizações criminosas atuando no contrabando de cigarros, porque tem menos perigo e alto lucro”, afirmou.

MAIS VENDIDOS

Pelos dados de pesquisa do Ipec, em Mato Grosso do Sul, a marca de cigarros mais vendida é justamente de origem paraguaia, que entra de forma ilegal no Estado. A marca Fox é responsável por 39% do mercado.

Entre as 10 mais vendidas no Estado, a segunda é a Eight, também contrabandeada, com 22% de venda. No ranking também aparece a marca Palermo, em quarto lugar, com 6% do mercado. As outras marcas são legalizadas, porém, com porcentuais menores de participação no mercado.

“As pessoas veem no preço [dos cigarros contrabandeados] um atrativo, mas elas não sabem o que estão fumando, então, o prejuízo não é só para o mercado ilegal e para o erário, mas também para as pessoas e para a segurança pública”, avaliou Vismona.

CIGARROS ELETRÔNICOS

Além dos cigarros convencionais, os eletrônicos também entraram no radar das quadrilhas de contrabandistas. Só no ano passado, mais de 200 mil unidades foram apreendidas pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul.

O cigarro eletrônico não foi legalizado no Brasil, então, todos os produtos vendidos no País são fruto de contrabando. 

Segundo o FNCP, o volume apreendido no ano passado pela Receita representa mais de R$ 12 milhões em produtos contrabandeados, “colocando o Estado em quarto lugar no ranking de apreensão, atrás apenas do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul”.

“É a mesma rede que vende os cigarros convencionais que está trazendo o eletrônico para atender o consumidor”, afirmou o presidente do FNCP.

Conforme Vismona, a entidade defende a regulamentação do cigarro eletrônico como uma forma até de segurança pública, já que, segundo ele, hoje o mercado está “100% nas mãos de organizações criminosas”.
A regulamentação deste produto foi tema do 19º Encontro Mundial da Imprensa (E-mundi), realizado nesta semana, no Rio Grande do Sul, para o qual o Correio do Estado foi convidado.

Em apresentação na sede da BAT Brazil Labs, localizada em Cachoeirinha (RS), a empresa diz ter expectativa de conseguir reverter a decisão de 2024 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que manteve a venda de cigarros eletrônicos proibida no Brasil.

“A gente vai poder oferecer para o consumidor uma opção mais segura”, afirmou o gerente sênior de Assuntos Científicos e Regulatórios da BAT Brazil Labs, Marcos Vinícius Machado, durante coletiva. A empresa alega que oferece produtos mais seguros que os vendidos hoje no País, todos contrabandeados.

Para a Anvisa, no entanto, esse produto não deve ser vendido no Brasil. A agência ainda estabeleceu que a comercialização dos cigarros eletrônicos deve ser denunciada às Vigilâncias Sanitárias municipais.

Assine o Correio do Estado

Infraestrutura

Duplicação da BR-262 está prevista para começar em 2027

Trecho de 100 km será entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo

26/10/2026 12h49

Da esquerda à direita, o governador de MS, Eduardo Riedel, e o presidente da Caminhos da Celulose, Luiza Fernando De Donno.

Da esquerda à direita, o governador de MS, Eduardo Riedel, e o presidente da Caminhos da Celulose, Luiza Fernando De Donno. Marcelo Victor

Continue Lendo...

A duplicação de 100 quilômetros da BR-262, entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, está prevista para começar em 2027, reforçou o presidente do grupo Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno. 

“Estamos muito otimistas, o projeto está indo super bem”, afirmou o presidente nesta segunda-feira (26), ao lado do governador Eduardo Riedel, durante solenidade de entrega de 56 veículos para atendimento aos usuários e serviços de emergência nas rodovias concedidas em Mato Grosso do Sul.

De Donno também destacou investimentos de grande porte previstos para melhorar a segurança nas rodovias. Entre as ações, citou a implantação de acostamentos na MS-040. De acordo com ele, os investimentos devem mudar as características das vias, oferecendo mais segurança e conforto aos motoristas. Já os serviços de manutenção, como roçadas, serão realizados continuamente ao longo dos trechos concedidos.

O governador Eduardo Riedel, por sua vez, destacou os investimentos previstos e afirmou que o contrato de concessão é moderno e oferece segurança jurídica. Sobre o sistema free flow, com a cobrança de pedágio sem a necessidade de praças físicas, Riedel explicou que a implantação ocorrerá após o início de uma série de ações previstas no contrato.

Caminhos da Celulose

A Caminhos da Celulose é responsável pela gestão de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais em Mato Grosso do Sul, a BR-267, MS-040, MS-338, MS-395 e a BR-262.

18 LOTES

Agesul retoma licitações de R$ 2 bilhões para tapa-buracos em rodovias

Nesta quarta-feira a administração estadual divulga a relação das empreiteiras habilitadas para os quatro primeiros lotes para serviços de tapa-burados em rodovias

26/10/2026 12h01

Pacote de licitações chega a R$ 2 bilhões e nesta semana terão continuidade quatro lotes, de R$ 446 milhões

Pacote de licitações chega a R$ 2 bilhões e nesta semana terão continuidade quatro lotes, de R$ 446 milhões

Continue Lendo...

Cinco meses depois de dar início ao pacote de licitações que somam R$ 2 bilhão para contratação de empreiteiras que farão a manutenção permanente de vias com e sem asfalto em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, a Agesul agendou para a próxima quarta-feira (28) o segundo passo do certame em uma das cinco licitações nas quais foi dividida a disputa. 

Conforme publicação do diário oficial desta segunda-feira (26), na quarta-feira será divulgado o nome das empresas habilitadas para continuar na disputa pelos quatro lotes que estão sendo ofertados nas regionais de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Bandeirantes.

O valor máximo que o governo está disposto a desembolsar por um período de três anos nas quatro regionais é de R$ 446.760.107,43. Mas, como o edital prevê prorrogação por até dez anos sem a realização de nova licitação, este valor pode ser multiplicado por três.

Entre as interessadas nesta disputa estava a empreiteira Força, que no início do certame, em maio, se inscreveu com o antigo nome, Rial. Mas, depois da eclosão do escândalo dos supostos desvios nos serviços de tapa-buracos em Campo Grande e da prisão de seu proprietário, mudou de nome. Porém, ele não entregou a documentação exigida e no começo de setembro acabou sendo excluída.

Com outras 19 empresas estava na disputa pelo contrato de até R$ 98.654.090,46 para manutenção de estradas na região de Ribas do Rio Pardo.  Assim como a Força, ao menos outras três também não entregaram a documentação no prazo exigido e, a princípio, estão fora da disputa.

O controlador da Força,  Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foi preso no dia 12 de maio e colocado em liberdade somente um mês depois, em 11 de junho. Ele foi acusado pelo Ministério Público de ter pagado propina para servidores públicos para receber recursos públicos sem fazer os serviços de tapa-buracos em quatro das sete regiões de Campo Grande.

O empresário foi preso juntamente com outras seis pessoas durante a operação "Buracos Sem Fim", realizada em um período em que as ruas de Campo Grande enfrentavam buraqueira sem precedentes. De acordo com o MPMS, entre 2018 e 2025 a empresa alvo da operação assinou contratos e aditivos que ultrapassam os R$ 113 milhões. 

PARCERIA MANTIDA

Depois da operação, a administração municipal de Campo Grande rompeu os contratos com a empreiteira. Mas, ela manteve os contratos com a administração estadual, que também são para serviços de tapa-buracos em estradas das regiões de Costa Rica e Três Lagoas. 

No dia 12 de fevereiro  o empreiteiro renovou, por R$ 9,9 milhões, contrato para fazer a manutenção de 417 quilômetros de estradas com e sem asfalto na região de Camapuã.  O contrato foi assinado por ele e pelo então diretor da Agesul, Rudi Fiorese, que também foi preso por suposto recebimento de propina nos contratos relativos aos serviços de Campo Grande.

No dia 14 de março, o Estado renovou com a Rial o contrato para manutenção de vias com e sem asfalto na regional de Três Lagoas. O contrato garantiu à construtora um faturamento de R$ 11,5 milhões ao longo de um ano, a não ser que a nova licitação seja concluída antes disso.

Também em março, no dia 13, foi divulgada a assinatura de contrato para pavimentação de ruas na cidade de Jaraguari. O valor é de R$ 4,7 milhões e já foi firmado sob a gestão de Rudi Fiorese no comando da Agesul. Depois do escândalo, Fiorese foi afastado do comando da autarquia estadual. 

Com valores que chegam a quase R$ 2 bilhões, as cinco licitações para manutenção de estradas está dividido em 18 lotes em diferentes regiões do Estado. Além desta de R$ 446 milhões, outras quatro devem voltar a tramitar nas próximas semanas. Os valores são de R$ 302 milhões, R$ 240 milhões, R$ 323 milhões e R$ 687 milhões. 

ESTRADAS CAÓTICAS

Nenhum deles, porém, inclui as rodovias da região do Vale do Ivinhema, onde estradas com a MS-141, MS-475, MS-134, MS-276 e MS-480 estão em situação caótica e tomadas por buracos. Na semana passada o governador Eduardo Riedel anunciou a liberação emergencial de R$ 100 milhões para recuperar os trechos mais críticos.

A solução definitiva, porém, ainda deve demorar. A administração estadual está preparando um certame licitatório à parte, com recursos do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), para restauração de 730 quilômetros de rodovias. O vencedor, conforme o projeto, ficará responsável pela manutenção destas rodovias durante dez anos. 

Além das medidas emergenciais, o Governo de Mato Grosso do Sul trabalha na estruturação de um projeto de longo prazo para restaurar aproximadamente 730 quilômetros de rodovias, incluindo trechos considerados críticos no Vale do Ivinhema.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).