Cidades

Avanço na saúde

Hospital de MS realiza primeira cirurgia para tratamento do Parkinson pelo SUS no Estado

A cirurgia cerebral pode reduzir em 80% a necessidade do uso de medicamentos para tratar o descontrole dos movimentos causados pela doença

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O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé localizado em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande, realizou, neste mês, a primeira cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral na rede pública estadual. 

O procedimento marca um avanço no tratamento de pacientes que sofrem com a doença de Parkinson. 

O paciente escolhido para a operação inédita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi o servidor aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina e que convivia há 15 anos com os sintomas da doença, como tremores nas mãos e limitações motoras severas. 

A doença é uma enfermidade neurológica crônica, que se degenera progressivamente, causando tremores de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos e instabilidade postural. 

Para Gilberto, os tremores foram os primeiros sintomas. Após o diagnóstico da doença, o aposentado passou a fazer o uso de medicamentos. Embora auxiliem no controle do Parkinson, os remédios também provocam efeitos colaterais, como movimentos involuntários constantes e agitação contínua. 

Ele explicou que a cirurgia possibilita a redução da quantidade de medicação, garantindo melhor controle sobre o próprio corpo. 

“Quando o efeito do remédio passa, entro no que os médicos chamam de estado ‘OFF’, quando penso no movimento, mas meu corpo não responde e vou paralisando. O que eu quero é diminuir os remédios e ter mais controle sobre meu próprio corpo”, afirmou. 

Como funciona

A cirurgia é um procedimento de implante de eletrodo para estimulação cerebral, técnica utilizada em casos específicos e mais graves de Parkinson para ajudar no controle dos sintomas motores.

Na prática, consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro que são responsáveis por modular os circuitos ligados ao controle dos movimentos. 

“Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro, porque cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. Durante a cirurgia o paciente permanece acordado, para podermos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez”, detalhou o médico responsável pelo procedimento, Dr. Eduardo Cintra Abib. 

Após o implante, os eletrodos são conectados a um pequeno dispositivo como um marca-passo, que é colocado na região do peito. Esse aparelho envia impulsos elétricos ao cérebro, ajudando a regular a atividade responsável pelos movimentos. 

No entanto, nem todos os pacientes com Parkinson podem realizar a cirurgia. Alguns dos critérios para ser indicados ao procedimento incluem:

  • ter pelo menos cinco anos de tratamento;
  • já ter utilizado diferentes tipos de medicamentos; e
  • estar em um estágio da doença onde os remédios não conseguem controlar tão bem os sintomas. 

De acordo com o Dr. Eduardo, a cirurgia pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos. 

Para o diretor técnico do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, Marllon Nunes, a realização do procedimento representa um avanço importante para a saúde pública do Estado.

“Este procedimento representa um avanço para o SUS em Mato Grosso do Sul. Oferecer uma cirurgia de alta complexidade como a estimulação cerebral profunda demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores”, destacou. 

estiagem

Rio da Prata enfrenta seca e mobiliza ações de resgate de peixes

MPMS acompanha agravamento da estiagem, monitora as condições ambientais do rio e fiscaliza ações de resgate e preservação da fauna aquática

10/09/2026 19h15

Rio da Prata enfrenta seca

Rio da Prata enfrenta seca Foto: Divulgação / MPMS

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Mais de 200 peixes foram resgatados e realocados no Rio da Prata, que enfrenta crise hídrica e seca, com locais com fluxo da água interrompido, em Jardim. A situação é acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Jardim.

Conforme reportagem do Correio do Estado, em agosto, o nível do rio já estava baixo em algumas áreas, devido à estiagem. Neste mês, a situação se agravou e, diante do cenário emergencial, uma operação foi montada para tentar reduzir os impactos da estiagem.

De acordo com o MPMS, neste ano, o Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) comunicou o agravamento da situação hídrica em trecho localizado próximo à Ponte do Curê, na Rodovia MS-178, e constatou as condições críticas decorrentes da estiagem prolongada.

A entidade identificou trechos secos e formação de poças isoladas, com risco de evaporação, situação que coloca diversas espécies em condição de vulnerabilidade.

O presidente do IGMA, Nisroque Soares, afirma que abaixo da área onde foram feitos resgates de peixes, em 2024 e 2025, o fluxo d’água é interrompido por aproximadamente 4 km até a Ponte do Curê.

Na operação emergencial foram executados planos de resgate e realocação de peixes que se encontravam ilhados no local afetado.

Dentre as espécies realocadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras, que foram levados para áreas do rio com melhores condições de sobrevivência.

No ano passado, também houve a mesma operação, onde aproximadamente 1.421 peixes foram resgatados do Rio da Prata, em um trecho de 7 km afetado pela interrupção do fluxo d’água.

O MPMS informou que há um inquérito civil, instaurado em julho de 2024, que acompanha os trabalhos do IGMA. O órgão ressaltou que continuará acompanhando e fiscalizando as ações desenvolvidas pelos órgãos e entidades envolvidos na preservação do Rio da Prata e de sua fauna aquática.

Saúde

Plano de saúde terá que cobrir mamografia digital para todas as idades

Decisão da ANS vale a partir de 1º de outubro

10/09/2026 19h00

José Cruz/Agência Brasil

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A partir de 1º de outubro, os planos de saúde serão obrigados a cobrir exame de mamografia digital para todas as pessoas sempre que houver indicação médica, ou seja, não haverá restrição de idade. Atualmente, a cobertura desse exame é obrigatória apenas para mulheres com idade entre 40 e 69 anos.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 3 e anunciada nesta quinta-feira (10). A ANS é o órgão que regula a indústria de planos de saúde no país.

A mamografia digital versão mais avançada do exame convencional é considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.

Menos tempo de exposição

A modalidade digital oferece vantagens como menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o exame e armazenamento das imagens em formato digital, o que facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.

No comunicado de fim de restrição, a ANS destaca que a cobertura obrigatória é “uma oportunidade de celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima que o país tenha cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

Todos os gêneros

A intenção de ampliar a cobertura do exame partiu da própria ANS, após discussões realizadas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

Na Cosaúde, a maioria da comissão defendeu que “o uso da mamografia digital já está consolidado como padrão de cuidado oncológico” e que a restrição para mulheres de 40 a 69 anos, poderia “prejudicar ou atrasar o acesso oportuno” ao diagnóstico de câncer de mama.

Ao determinar cobertura obrigatória para “todas as pessoas”, a ANS inclui qualquer gênero, ou seja, o exame passa a ser garantido a pessoas que se considerem não binárias (não se identificam exclusivamente como homem ou mulher).

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