Apesar dos baixos índices de criminalidade em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul registrados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), moradores reclamam que a sensação é de insegurança nos bairros.
Segundo os dados divulgados pela Sejusp, em toda a Capital, entre janeiro e julho, houve uma diminuição de 9% de furtos em comparação ao registrado em 2022. Até o momento, foram contabilizados 10.359 casos.
Os roubos também tiveram uma diminuição de 11% no índice campo-grandense:
no ano anterior, em igual período, foram 1.887 casos; até o momento, porém, roubos somam 1.662 ocorrências.
Questionada sobre as estatísticas regionalizados por bairros da Capital, a Sejusp não informou à reportagem quais as regiões de maior criminalidade, porém, segundo os moradores de diversas localidades, como Jockey Club, Jardim Jacy, Nova Lima e Mata do Jacinto, o sentimento é o mesmo: insegurança nas ruas.
A corumbaense Sandra Guina, 52 anos, mora no Jardim Jacy há oito meses. Ela conta que um mês atrás foi roubada na porta de sua casa, enquanto falava por telefone com um parente.
“Dois homens em uma moto me roubaram em frente a minha casa. Fiz o B.O., e depois os ladrões foram pegos. Lá no meu bairro eu evito sair à noite”, afirma.
Cleberson Laburo, 32 anos, comerciante no Jockey Club, também cita que no bairro os moradores precisam ficar atentos ao andar pelas ruas.
“Depois das 22h ficamos mais atentos por aqui. Às vezes, usuários de droga passam olhando para quem está usando celular na frente do comércio”, exemplifica.
Já Marcia Cristina, 57 anos, revela à reportagem que no Nova Lima alguns pedintes em semáforos intimidam quem passa. “Sinto insegurança no meu bairro principalmente à noite, quando evito sair. Já vi gente pedindo dinheiro lá carregando no braço um pedaço de madeira”, relata.
Segundo a Sejusp, casos de roubos e furtos em todo o Estado também tiveram redução. De janeiro a julho, o acumulado de furtos é de 21.291, 7% a menos que no mesmo período de 2022, quando foram registradas 23.031 ocorrências. Com relação aos roubos, foram 2.386 casos (14% a menos) que os 2.775 do ano passado.
Perguntada se as polícias de MS receberiam nova frota neste ano, já que o uso de mais viaturas eleva a sensação de segurança dos moradores e reduz pequenos furtos e roubos, a Sejusp conformou que não há previsão para novas entregas. A secretaria, entretanto, reafirmou a previsão de investimento de R$ 35 milhões para a segurança pública.
MATA DO JACINTO
Um mês após a realizadação da Operação Abre-te Sésamo, feita pela 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande com auxilio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), moradores da Mata do Jacinto denunciam nova onda de criminalidade na região.
Conforme eles, assaltos e roubos nas ruas do bairro estão frequentes. Na manhã do dia 20 de julho, por exemplo, um furto em uma clínica de odontologia deixou um prejuízo estimado em R$ 15 mil.
Dois homens invadiram o local por volta das 6h, quebrando a porta de vidro do estabelecimento com uma chave de fenda. Eles furtaram celulares e diversos equipamentos.
A dentista e dona da clínica, Caroline Moreira Calves, 32 anos, relata que a criminalidade vem aumentando nas últimas semanas. “Sempre teve muito assalto e roubo na região, mas de uns tempos para cá piorou muito, e sabemos que muitas coisas roubadas vão parar no Carandiru”, declara, referindo-se ao residencial abandonado de mesmo nome.
Sobre o furto em sua clínica, ocorrência registrada na 3ª Delegacia de Polícia Civil, a dentista detalha os danos e os prejuízos causados. “Aqui ficou um caos. Tivemos que arrumar a porta que é cara e ficamos sem atender por quatro dias. Além de tudo que a gente perdeu, deixamos de ganhar com os atendimentos nesse período”, conta.
Para o comerciante Elias Camilo dos Santos, que é do Conselho Comunitário de Segurança da Mata do Jacinto, o grande problema da criminalidade no bairro está no Condomínio Carandiru.
“Lá é um lugar onde torturavam pessoas, tem droga e tem tudo o que se rouba no bairro. Como um pai de família mora lá dentro? Como têm crianças lá dentro? Esse é o nosso problema no bairro, os crimes voltaram de novo ao ponto dos comerciantes dormirem em seus comércios com medo de furtos”, analisa.
Elias ressalta à reportagem que um grupo no WhatsApp com 300 pessoas foi criado pelos moradores do bairro para avisarem entre si casos de roubos, furtos e assaltos na região. Além dos civis, policiais também fazem parte do grupo de segurança.
DELEGACIA
A delegada titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, Priscilla Anuda Quarti, que atende a região Prosa, afirma que, segundo as estatísticas do órgão, ocorreu uma diminuição de crimes na região em um período de 45 dias após a Operação Abre-te Sésamo.
Contudo, ela mesma faz uma ressalva: “Por parte da delegacia, estatisticamente por meio de análises dos números de ocorrências, os delitos contra o patrimônio diminuíram cerca de 35%. Entretanto, a gente entender que essa estatística precisa melhorar”.
Realizada no dia 6 de junho, a ação policial no residencial abandonado e invadido conhecido como Carandiru recuperou um caminhão-baú cheio de objetos de furto, itens os quais estavam dentro dos apartamentos.
“Os moradores têm razão ao dizer que o Carandiru é um problema grande na nossa área. Há muitos anos eles solicitam providências com relação aquele imóvel. A família que cuida desse complexo de prédios troca objetos furtados por drogas, e os usuários de droga furtam os objetos na região para realizar essa troca”, confirma a delegada.
Na Operação Abre-Te-Sésamo, segundo Priscilla, foi averiguado que, além de furtos, roubos e tráfico de drogas, o local tem indícios de ser um palco de homicídios e de posses ilegais de arma de fogo.
“Prendemos na operação 11 pessoas, porém, alguns familiares foram soltos pela Justiça, para responder os processos em liberdade. E isso faz com que eles continuem praticando os mesmos delitos. Que fique bem claro para a população da nossa área que a 3ª Delegacia de Polícia Civil vai fazer as operações no Carandiru quantas vezes for necessário, a fim de coibir a prática de crimes”, finaliza a titular.



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