Cidades

INVESTIGAÇÃO

Influencer de MS era 'garoto-propaganda' de megaesquema de venda de anabolizante ilegal

Operação encabeçada pela Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados em 13 estados brasileiros e no Paraguai, onde dois chefes do esquema foram presos

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Deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e com apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), operação contra esquema nacional de venda clandestina de anabolizantes envolveu o influenciador de Mato Grosso do Sul Renato dos Santos Lopes, de 32 anos, conhecido como Pobre Loco.

Ontem foram cumpridos 85 mandados de busca e apreensão e 35 mandados de prisão em 13 estados, incluindo Mato Grosso do Sul, envolvendo mais de 800 policiais. Foram apreendidos anabolizantes, insumos, dispositivos eletrônicos e documentos em vários locais do País.

Além das buscas e prisões, foram adotadas medidas cautelares como a indisponibilidade de bens, o bloqueio de contas bancárias e a suspensão de um perfil em rede social utilizado como canal de vendas dos produtos ilícitos.

O influencer sul-mato-grossense, que acumula mais de 1,7 milhão de seguidores em seu Instagram, é um dos embaixadores da marca Redshark, alvo da operação. Também aparecem os atletas e influenciadores Fábio Tadala, Vitor Boff, Gnomo, Lucas Ninja, Jorlan, Bruno Santos e Débora Boff. 

Juntos, incluindo os números de Pobre Loco, os embaixadores apresentam 6,4 milhões de fãs nas redes sociais, o campo-grandense sendo o responsável pela maior parcela.

Conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a quadrilha produzia e comercializava os medicamentos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de uma empresa clandestina. Os produtos eram vendidos diretamente a pessoas físicas, sem a exigência de receita médica. 

Em entrevista ao Correio do Estado, o delegado Pedro Cunha, do Garras, confirmou que apenas um mandado foi cumprido em Campo Grande, justamente na residência de Pobre Loco, onde foram encontradas inúmeras amostras de anabolizantes e drogas para uso pessoal.

"No local, foi encontrada uma quantidade relevante de esteroides e anabolizantes, que foi toda apreendida, bem como foi encontrada uma pequena porção, em circunstâncias que apontam uso pessoal, de maconha e também foi apreendido um aparelho celular do indivíduo que estava sob investigação, para fim de encaminhamento desse aparelho para as investigações do estado de São Paulo, o que foi solicitado inclusive por determinação judicial", explica.

Encaminhado à delegacia para maiores esclarecimentos, o influenciador foi liberado horas depois, ao lado do seu advogado, Maikol Mansour.

De acordo com o delegado, os produtos apreendidos na casa de Pobre Loco não estão vinculados à empresa alvo das investigações, mas foram confiscados por serem de origem estrangeira.

"Pelo que consta, as investigações se referem a uma empresa que estaria produzindo esteroides, anabolizantes e outros produtos voltados ao emagrecimento, hipertrofia muscular e, de forma indevida, a forma de produção e insumos para tanto. Além disso, estaria vendendo essas substâncias sem a devida receita", acrescenta Pedro Cunha.

Em entrevista coletiva em São Paulo, o delegado responsável pelo caso, Ronald Quene, afirmou que a organização criminosa tinha uma estrutura organizacional e tratava a marca clandestina como se realmente fosse uma empresa. A investigação começou há cerca de um ano, por meio de uma denúncia anônima.

No decorrer da apuração, a polícia comprou um dos produtos pelo site oficial da marca, a fim de enviar para a perícia. Porém, as substâncias presentes no frasco não foram sequer identificadas pela perícia, confirmando também o crime de falsificação.

"Trata-se de investigações referentes aos crimes de falsificação, corrupção, adulteração e alterações de produtos com fins terapêuticos ou medicinais e organização criminosa",  explica o delegado Pedro Cunha.

Além dos mandados cumpridos em 13 estados brasileiros, a operação se estendeu ao país vizinho, o Paraguai, especificamente a Ciudad del Este, com a prisão de dois suspeitos apontados como chefes do esquema: Maykon Douglas Miranda Campos e Julia Buckoski. A informação foi dada pelo jornal local ABC Color.

Crime explícito

Há 15 anos no mercado e sob o lema "Redshark não bate, espanca", a marca clandestina vende, entre injetáveis e orais, produtos que prometem perda de gordura, ganho de massa magra ou ganho de força, a depender da escolha do consumidor.

A empresa também vende os chamados "combos", que juntam cápsulas e óleos e chegam a custar R$ 2.187,00. 

Nos últimos cinco anos, a organização movimentou R$ 25 milhões, conforme apontou a investigação.
Na aba "Perguntas frequentes" no site oficial, a marca deixa explícito que os produtos não são regulamentados no Brasil e ainda destaca que "alguns deles, como testosterona, você pode comprar em farmácias, mas precisaria de receita médica", ou seja, confessando o crime.

Em resposta à questão "tem risco do meu produto ser apreendido?", eles afirmam que sim. "Esse risco é real, pois nossos produtos são ilegais para a venda no Brasil. Por isso, enviamos seguro grátis para todos os nossos clientes, isto garante que, em caso de apreensão ou extravio, enviaremos quantas vezes forem necessárias para que chegue até você".

"Nossa missão é revolucionar continuamente o mercado brasileiro, proporcionando acesso aos melhores recursos globais, com atendimento ágil, entrega rápida e preços justos. Acreditamos que todos têm o direito de alcançar seu melhor desempenho físico com confiança e segurança", diz texto no site.
(Colaboraram Glaucea Vaccari e Tamires Santana)

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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