Cidades

ULTIMA RATIO

Inquiridor, ex-desembargador se cala diante de delegado da PF

Júlio Siqueira foi o primeiro envolvido em suposto esquema de venda de sentenças judiciais a ser chamado pela PF. Antes de chegar ao TJ, presidiu mais de 1,2 mil audiências de júri popular

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Exatos cinco meses depois de ser desencadeada a operação Ultima Ratio, a Polícia Federal começou nesta segunda-feira (24) a tomar o depoimento dos envolvidos no suposto esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

E o primeiro convocado foi o desembargador aposentado Júlio Roberto Siqueira, na casa do qual foram apreendidos em torno de R$ 2,7 milhões em espécie em 24 de outubro do ano passado. Pelo fato de a sede da Polícia Federal de Campo Grande estar em reforma, o depoimento foi por vídeoconferência. 

Curiosamente, Júlio Siqueira, que durante 15 anos atuou no Tribunal do Júri e presidiu 1.250 julgamentos, tendo como papel principal inquirir réus acusados de homicídio ou tentativas de assassinato em Campo Grande, optou por permanecer em silêncio diante do delegado, o que é permitido pela legislação.

Segundo seu advogado, Paulo Alberto Doreto, isso ocorreu porque a defesa não teve acesso aos autos. De acordo com ele, o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) é físico “e até agora não tive condições de ir a Brasília para buscar uma cópia”.

Sendo assim, elega o defensor do ex-desembargador, “não tem como eu defender meu cliente se nem mesmo sei do que ele está sendo acusado. E o delegado de pronto entendeu e encerrou a audiência”. 

O delegado ao qual ele se referiu é Marcos Dameto, que desde o começo conduz a investigação. Com a transferência do caso do Superior Tribunal de Justiça para o STF, a equipe de investigação poderia ter sido substituída, mas o ministro Cristiano Zanin manteve os mesmos policiais no caso. 

Por enquanto, segundo o advogado, não existe uma nova data para um possível depoimento de Júlio Siqueira, mas Paulo Doreto deixou claro que nos próximos dias pretende ir a Brasília para buscar uma cópia da denúncia no STF.

ESTRATÉGIA

Na realidade, porém, o fato de permanecer em silêncio diante do delegado faz parte da estratégia de defesa do desembargador, que se aposentou em junho do ano passado, após 40 anos e dois meses na magistratura, uma vez que a denúncia poderia ter sido retirada no STF por um procurador nomeado pela defesa. 

Além disso, O delegado Marcos Damato retirou todo o sigilo da denúncia apresentada ao STJ no ano passado e que resultou nos mandados de busca e apreensão na casa do ex-desembargador, no Tribunal de Justiça e nos endereços das demais 34 pessoas físicas ou jurídicas envolvidas no caso. Por conta disso, a denúncia circula livremente desde então nas redes sociais. 

NEGÓCIOS SUSPEITOS

Neste relatório, a PF diz ter “fortes indícios de vendas de decisões pelo desembargador (atualmente aposentado) JULIO ROBERTO SIQUEIRA CARDOSO e pelo juiz estadual PAULO AFONSO DE OLIVEIRA, as quais resultaram no pagamento indevido de mais de R$ 5 milhões em razão de notas promissórias falsas”.

Na denúncia também são apontados supostos indícios de que Júlio Siqueira teria tido atuação fundamental para que Osmar Jerônymo, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, tomasse posse de parte das fazendas Paulicéia, em Maracaju,  e da Fazenda Xerez, no município de Bela Vista. A suspeita é de que o conselheiro teria comprado decisões favoráveis no Tribunal de Justiça. 

Entre outras denúncias, a Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro que Júlio Siqueira tenha feito na compra de uma casa no condomínio Dahma, em 2018, por R$ 1,4 milhão. Pelo tamanho (352 metros quadrados) e pelo estilo do imóvel, ela teria custado bem mais. 

“Em pesquisas em fontes abertas, o valor de mercado, atualmente, de uma residência nessa metragem no referido condomínio gira em torno de R$ 3,5 a 4,5 milhões”, detalha o documento da PF. 

Além disso, comprou um terreno de 420 metros quadrados no condomínio Alphaville, por 238 mil em 2016. Mas, de acordo com a PF, “em consulta recente a site especializado na internet, um terreno no Condomínio Alphaville Campo Grande com tamanho próximo foi anunciado pelo valor de R$ 680 mil”. 

E as aquisições suspeitas de Júlio Siqueira, segundo a PF, não param por aí. Em um condomínio de luxo na Bahia, próximo da praia, ele comprou uma mansão de 436 metros quadrados “declarando em escritura o valor de R$ 1.483.660,00".

Para  delegado, "por si só, é, a nosso ver, indício de ocultação de parte do valor pago, o que pode configurar crime de lavagem de dinheiro, tendo em vista a utilização de dinheiro em espécie de origem desconhecida (R$ 556.400,00), além de outros valores de origem também desconhecida, podendo ser decorrentes de corrupção”, diz o texto da PF.. 

A reportagem do Correio do Estado procurou, por e-mail, o delegado Marcos Damato em busca de informações sobre o cronograma dos próximos depoimentos dos envolvidos na Ultima Rátio, mas até a publicação da reportagem não havia obtido retorno. 

Cinco meses depois da eclosão do escândalo, quatro desembargadores (Alexandre Bastos, Marcos José Brito, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu), um juiz (Paulo Afonso) e um conselheiro do TCE (Osmar Jerônymo) seguem afastados de suas funções. O afastamento foi determinado por 180 dias, prazo que acaba no final de abril. 

recorde

Com preço em queda, MS conclui a maior safra de soja da história

São 17,759 milhões de toneladas, superando em 18,4% o recorde anterior. Preço está sofrendo os impactos da queda do dólar

13/05/2026 11h10

Depois de semanas de estabilidade, preço da soja recou em torno de 3% na semana passada nos principais centros produtores

Depois de semanas de estabilidade, preço da soja recou em torno de 3% na semana passada nos principais centros produtores

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Depois do fim da colheira da soja, boletim da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul) divulgado nesta terça-feira (12) revela que Mato Grosso do Sul fechou a safra 2025/26 com a maior colheita da história, com 17,759 milhões de toneladas. O volume é 18,4% maior que as 15 milhões de teneladas do recorde anterior, na safra de 2022/23.

Mas, apesar do volume recorde, resultado de uma produtividade média de 61,7 sacas por hectare, os preços dos últimos dias estão em queda. Entre os dias 4 e 8 de maio recuaram 3% e fecharam na cotação média de R$ 110,49 por saca. 

Na mesma época do ano passado, quando o dólar estava na casa dos R$ 5,70, a cotação média estava em R$ 115,94. E, como o preço da soja é diretamente influenciado pela cotação do dólar, a queda para a casa dos R$ 4,90 tem reflexo imediato no bolso do produtor.

E os dados do boletim mostram que ainda existe muita soja para ser vendida. Segundo levantamento realizado pela Granos Corretora, até 11 de maio os produtores do Estado haviam comercializado apenas  50,5% da safra. Esta espera por preço melhor provocu redução de 4,5 pontos percentuais quando comparado a igual período do ano passado. 

No recorde anterior, na colheita de 2023, a produtividade média foi até melhor do que agora, fechando em 62,4 sacas por hectare. Porém, a área plantada de agora foi de quase 800 mil hectares a mais. Naquela safra foram 4 milhões de hectares. Agora, 4,79 milhões. 

Além da produtividade melhor, naquele ano os preços também estavam mais atrativos, da ordem de R$ 120,00 em meados de maio.

Mas, apesar da ligeira queda de preço com relação ao ano passado, da ordem de 3%,  o aumento na produtividade está compensando esta variação. Conforme o boletim da Famasul, ela teve aumento de 19,2% em relação ao ciclo anterior. 

O volume de 17,759 milhões de toneladas, que ainda está sujeito a algumas aleterações, representa crescimento de 26,3% na comparação com a safra passada, quando foram colhidas apenas 14 milhões de toneladas em 4,5 milhões de hectares. Por conta da falta de chuvas, a produtividade média ficou em apenas 52,7 sacas por hectare no ciclo passado. 

Nesta última colheita, apesar de a produtividade média ter sido satisfatória, a falta de chuvas também acabou causando danos. "Veranicos severos na região sul do Estado causaram significativos danos à agricultura. Os levantamentos de campo da última semana de janeiro apontam que mais de 640 mil hectares foram impactados, com períodos de estiagem superiores a 20 dias. Destaca-se os municípios de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai como os mais impactados pela seca", destaca o boletim da Famasul.

Mas, apesar desta estiagem na região de Dourados, o município fechou com produtividade de 64 sacas por hectare, ficando acima da média. O mesmo ocorreu em Ponta Porã, onde os produtores colheram 69 sacas por hectare. 

O melhor resultado, porém, pertence a Alcinópolis, onde média por hectare chegou a 85 sacas. Ao todo, 27 municípíos tiveram colheita superior à média, que ficou em 61,7 sacas por hectare.

E por conta da instabilidade climática no início do plantio, "na safra 2025/2026, a colheita da soja em Mato Grosso do Sul iniciou com atraso de duas semanas em relação ao ciclo 2024/2025. As operações se estenderam por 16 semanas, sendo concluídas em 08 de maio", diz o boletim divulgado nesta terça-feira. 
 

 

APREENSÃO

Choque prende traficante que dava 'espiadinha' pela janela durante patrulhamento

O homem confessou aos policiais que armazenava as drogas para outros criminosos e que receberia a quantia de R$ 200 pelo serviço

13/05/2026 11h00

Foram apreendidas 1.196 gramas de cocaína, distribuídos em cinco porções, e 3.804 gramas de maconha

Foram apreendidas 1.196 gramas de cocaína, distribuídos em cinco porções, e 3.804 gramas de maconha Divulgação: Batalhão de Choque da Polícia Militar

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Na madrugada desta quarta-feira (13), a Equipe do Batalhão de Choque da Polícia Militar prendeu um homem, de 30 anos, durante o patrulhamento na Rua dos Marimbas, no bairro Caiçara, em Campo Grande. Os militares visualizaram o indivíduo na janela de sua residência dando uma 'espiadinha' na movimentação da guarnição. Ele foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. 

De acordo com o relato dos militares, ao perceber a aproximação da equipe policial, o suspeito tentou se esconder e correu para o interior do imóvel na tentativa de fugir do campo de visão dos policiais. Ele se sentou sobre uma cama enquanto dispensava algumas porções de drogas enroladas em “trouxinhas”. 

Ainda do lado de fora da casa, os policiais visualizaram, pela janela aberta da residência, significativa quantidade de drogas já fracionadas e prontas para comercialização, além de uma balança de precisão próxima ao indivíduo.

Diante da suspeita, os policiais abordaram o rapaz e mandaram que abrisse a porta da residência. Durante entrevista preliminar, o autor confessou aos militares que havia recebido a quantia de droga para armazenagem, informando ainda que receberia o valor de R$ 200,00 pelo serviço.

No interior da residência, os policiais localizaram outra balança de precisão, diversas porções de drogas embaladas e prontas para comercialização, além de dois pedaços maiores da mesma substância sobre a geladeira, um tablete escondido sob a mesa e mais cinco pacotes ocultados no canto do cômodo.

Os entorpecentes apreendidos foram apresentados junto à DENAR, sendo constatados: 1.196 gramas de cocaína, distribuídos em cinco porções, e 3.804 gramas de maconha, divididos em oito pacotes. Ao todo, o Batalhão de Choque estima que houve um prejuízo de R$ 30 mil aos criminosos.

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