O empreiteiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial e um dos sete presos na operação "Buracos Sem Fim" nesta terça-feira (12) pelo Ministério Público do Estado, assinou cinco contratos com a prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado que somam R$ 36,9 milhões somente de 12 de fevereiro para cá. O primeiro deles foi assinado dez dias depois de Rudi Fiorese, também preso, assumir o comando da Agesul.
Conforme publicações do diário oficial do Governo do Estado, no dia 12 de fevereiro o empreiteiro renovou, por R$ 9,9 milhões, contrato para fazer a manutenção de 417 quilômetros de estradas com e sem asfalto na regional de Camapuã.
O contrato está assinado por ele e pelo diretor da Agesul, Rudi Fiorese, que dez dias antes havia sido alçado ao posto de diretor da Agesul. Porém, o contrato original foi firmado ainda em 2021, quando Fiorese ainda estava na prefeitura de Campo Grande. Rudi também foi preso nesta terça-feira.
Depois disso, conforme o diário oficial, no dia 13 de março foi divulgada a assinatura de contrato para pavimentação de ruas na cidade de Jaraguari. O valor é de R$ 4,7 milhões e já foi firmado sob a gestão de Rudi Fiorese na Agesul.
No dia seguinte, 14 de março, saiu a renovação do contrato para manutenção de vias com e sem asfalto na regional de Três Lagoas. O contrato garante à Construtora Rial um faturamento de R$ 11,5 milhões ao longo de um ano, a não ser que nova licitação seja feita.
Mas, a contratação mais recente foi com a prefeitura de Campo Grande. No último dia 5 de maio foi publicada a assinatura de dois contratos, que somam R$ 10,7 milhões. Os contratos são paa serviços de recapeamento.
E estes serviços de recapeamento são, em tese, exatamente para colocar um fim nos serviços de tapa-buracos, os quais foram o principal alvo da operação do Ministério Público desta terça-feira.
A prefeitura dividiu a cidade nas sete tradicionais regiões e a Construtora Rial foi a única escolhida para duas regiões, Anhanduizinho e Imbirussu. Ela também tem uma série de outros contratos para serviços de tapa-buracos e manutenção de ruas sem aslfalto.
Conforme nota divulgada pelo Ministério Público, entre 2018 e 2025 a empresa alvo da operação "Buracos Sem Fim" assinou contratos e aditivos que ultrapassam os R$ 113 milhões. O MPE, porém, não divulgou o nome da empreiteira.
Contudo, a prisão preventiva do empreiteiro evidencia que o principal alvo da operação foram os contratos com a Construtora Rial.
Além de Rudi Fiorese, na casa de quem foram apreendidos R$ 186 mil, e do empreiteiro Antônio Bittencourt, foi preso o pai do empreiteiro, o pecuarista Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa. Em nota, o Governo do Estado promete exonerar Fiorese do comando da Agesul.
Outro preso é o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos. Em sua casa foram apreendidos R$ 233 mil em cédulas de Real e moeda estrangeira.
Outro detido que teve o nome divulgado é o engenheiro Mehdi Talayeh, que ocupa cargo de chefia na secretaria de obras e era apontado como provável substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Sisep no começo de abril. Miglioli anunciou que estava deixando o comando da pasta para se candidatar a cargo eletivo.

