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TRANSPORTE

Interventor não descarta romper contrato do transporte coletivo

Em meio a processo de análise das contas do Consórcio Guaicurus, grupo já fez o primeiro relatório sobre a concessão e apontou principais problemas

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O interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que o transporte público de Campo Grande pararia “mais cedo ou mais tarde” se a intervenção não fosse instaurada, já que a condição financeira do Consórcio Guaicurus, responsável pela concessão, e a situação de segurança dos ônibus estavam encaminhando o serviço para uma paralisação total.

O interventor também não descarta que, ao fim dos cinco meses do processo, o contrato com o grupo possa ser rompido pelo Município.

Ontem, o grupo de interventores que comandam o processo de intervenção apresentaram aos vereadores de Campo Grande o primeiro relatório de acompanhamento interno que deverá ser apresentado a cada 15 dias.

No documento, consta o resultado dos primeiros levantamentos e das auditorias financeiras e contratuais realizadas após a intervenção do Município no Consórcio Guaicurus, iniciada no dia 16 de junho, dos quais ficaram apontadas dívidas de R$ 20 milhões de uma das empresas integrantes do Consórcio, com instituições financeiras e fornecedores, inclusive de combustíveis.

Foram apontadas ainda defasagem na parte operacional e falta de manutenção preventiva, sendo realizada apenas a corretiva.

Com relação a gestão operacional, o relatório afirmou que um dos problemas é o fato do sistema ser muito antigo, o que gera problemas na operação, problemas de economicidade e de fluxo dentro da empresa.

Em entrevista ao Correio do Estado, Alexandro de Oliveira evitou afirmar, com certeza, de que caso a intervenção precisasse encerrar seu trabalho hoje, recomendaria o encerramento do contrato.

Mas, afirmou que, historicamente e estatisticamente, a maioria das intervenções realizadas acabam com a determinação de caducidade da concessão.

“Quando se chega nesse ponto, na maioria das vezes, a gente não tem retorno, ou seja, a intervenção acaba resultando no encerramento do contrato, seja por caducidade ou outras formas. Trabalhando estatisticamente, a gente tem uma situação que não é das mais vantajosas para que essa empresa [Consórcio Guaicurus] continue. Mas, eu não tenho elemento concreto nenhum para afirmar que fica ou que sai”, disse à reportagem.

Ainda no decorrer da entrevista, Alexandro de Oliveira indicou que o serviço de transporte coletivo do Município pararia de funcionar em algum momento caso a intervenção não fosse decretada, visto a situação de calamidade no setor.

“Eu ouso dizer que se continuasse como estava, provavelmente pararia, mais cedo ou mais tarde. Eu não tenho como apostar isso, porque é um grupo gigante, que poderia fazer aporte, trazer dinheiro para dentro, como ia fazendo. Mas ia fazendo só no limite para não parar. Então, me parece que, do ponto de vista financeiro, era calamitoso. Corria um sério risco de parar”, disse.

“Sobre o ponto de vista de segurança, também há algo a ser analisado, pelas manutenções preventivas que não tinham, pelo aumento do número de acidentes, pelo aumento do número de paradas, e de ônibus estragados. Me parece que, muito mais do que uma vontade, também havia uma necessidade muito bem estabelecida para que isso acontecesse”, complementou o interventor.

Vale ressaltar que os relatórios que vão apontar de maneira mais profunda e concreta o que os interventores vão observar nos próximos dias serão apresentados dentro de 45 dias (relatório intermediário), 90 dias (relatório parcial) e 180 dias (relatório final), contados a partir do dia 16 de junho, quando a intervenção começou.

Alexandro de Oliveira em entrevista sobre a intervençãoAlexandro de Oliveira em entrevista sobre a intervenção - Foto: Gerson Oliveira

FROTA

Um dos inúmeros problemas do transporte coletivo campo-grandense é a condição da frota de veículos, tanto que o relatório conclusivo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) feita pela Câmara no fim do ano passado e o relatório da comissão municipal deste ano já tinham relatado a quantidade de ônibus acima da idade ou sem a devida manutenção.

Alexandro de Oliveira explica que o grande obstáculo para se manter uma frota envelhecida é o custo da manutenção, que tende a ficar mais cara com o passar do tempo. Essa situação faz com que, em muitos casos, seja mais viável financeiramente comprar novos veículos do que investir em consertos ou ajustes técnicos nos ônibus.

Mesmo assim, o interventor-geral acredita que, diante da situação financeira atual do serviço, não é possível encomendar novos veículos. Ele também alerta pelo tempo que precisaria esperar até que os novos ônibus fossem fabricados.

“Se nós pudéssemos, lógico que a gente ia querer ônibus novos aqui. Acredito que ao final da intervenção vai vir um planejamento e será apresentado uma proposta de investimento para trazer o que tem de melhor aqui para a cidade. Mas, no momento não tem, porque demanda investimento e demanda tempo também para renovar uma frota dessa”, disse.

Pelo seu tempo como diretor da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (MT), Alexandro de Oliveira também citou que ficou surpreso com o pouco número de ônibus aptos a circularem em Campo Grande, principalmente ao traçar um comparativo com a capital mato-grossense, que tem cerca de 250 mil habitantes a menos e uma frota maior.

CONSÓRCIO

Em resposta ao relatório de acompanhamento interno apresentado, o Consórcio Guaicurus continua “batendo na tecla” de que o contrato precisa passar por uma reestruturação econômico-financeira. A empresa também relata que, mesmo diante deste obstáculo, o serviço continuou funcionando, mantendo as condições de segurança dos ônibus.

“O contrato em vigor prevê que sejam realizadas revisões econômicas a cada sete anos, mas elas não foram feitas em 2019, tampouco em 2026. Essa situação compromete a estrutura financeira da concessão e obrigou o Consórcio a fazer ajustes para manter o sistema em funcionamento – o que incluiu aportes financeiros não obrigatórios dos acionistas das empresas que o compõem”, relatou o Consórcio Guaicurus.

Por fim, a empresa conclui que a prefeitura “inadimpliu com a obrigação de construção de 58 quilômetros de corredores e de quatro terminais”, que estavam no edital da licitação do transporte coletivo e que “degrada a qualidade da prestação do serviço público, afasta os usuários e eleva os custos operacionais da concessionária”.

Campo Grande

Prefeitura abre procedimento para apurar irregularidades que motivaram intervenção sobre consórcio

Processo terá objetivo de comprovar as causas determinantes da intervenção decretada em junho último

15/07/2026 17h30

Desde 2012 concessão do transporte coletivo da Capital é operada pelo Consórcio Guaicurus

Desde 2012 concessão do transporte coletivo da Capital é operada pelo Consórcio Guaicurus Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A prefeitura de Campo Grande instaurou um procedimento administrativo para apurar as causas que motivaram uma intervenção sobre os serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus, responsável desde 2012 pelo transporte coletivo da Capital. 

Conforme publicado em edição extra do Diário Oficial desta quarta-feira (15), o processo terá objetivo de comprovar as causas determinantes da intervenção decretada em junho último sobre a concessão do serviço público de transporte coletivo urbano de passageiros e apurar "quais as responsabilidades da concessionária, de seus administradores e de eventuais terceiros envolvidos nas irregularidades que motivaram a intervenção." 

A comissão terá objetivo de apurar eventuais "irregularidades operacionais, administrativas, financeiras
e contratuais, além de averiguar o exame do cumprimento das obrigações contratuais, regulatórias e legais
assumidas pelo Consórcio Guaicurus". 

Compõe a apuração o procurador do município, Edmir Fonseca Rodrigues; Paulo da Silva, diretor da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos (Agereg) e Ciro Vieira Ferreira, diretor da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

Caberá à comissão requisitar documentos, informações e esclarecimentos, colher depoimentos, determinar diligências, inspeções e perícias e elaborar relatório conclusivo, contendo análise dos fatos, das provas produzidas sobre das responsabilidades do Consórcio sobre os serviços relacionados ao transporte público. 

Segundo o advogado Aléxandre Adriano Lisandro de Oliveira, nomeado como interventor, o primeiro passo sobre a intervenção seria fazer um diagnóstico mais aprofundado sobre a situação do Consórcio Guaicurus e a prestação do serviço, para que ao fim do prazo a prefeitura pudesse tomar uma decisão "correta e acertada".

"Se tiver algo muito discrepante, que esteja afetando diretamente a população, isso vai ser analisado, não haverá negligência com relação a isso, mas não é esse o objetivo. Nesse primeiro momento, principalmente, [o objetivo] é a manutenção e a continuidade do serviço", disse à época, explicando que não haverá mudanças nos serviços oferecidos aos usuários, como número e horário de linhas, entre outros.

Oliveira explicou à época que não haveriam demissões ou alterações de funções. 

Tapa-Buracos

Prefeitura de Campo Grande vê com interesse parceria com Exército para tapa-buracos

Após proposta apresentada pelo vereador Ronilço Guerreiro, administração municipal afirma que avalia cooperação com o Exército Brasileiro e amplia negociações para aumentar equipes e a oferta de massa asfáltica.

15/07/2026 17h28

Imagem de arquivo ilustra os desafios enfrentados pela operação tapa-buracos em Campo Grande.

Imagem de arquivo ilustra os desafios enfrentados pela operação tapa-buracos em Campo Grande. FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande afirmou que vê com interesse a possibilidade de firmar uma parceria institucional com o Exército Brasileiro para reforçar a operação tapa-buracos na Capital.

A manifestação representa o primeiro posicionamento oficial do Executivo sobre a proposta apresentada pelo vereador Ronilço Guerreiro (Podemos), que sugeriu a utilização da estrutura do setor de engenharia militar para acelerar a recuperação da malha viária da cidade.

Em nota encaminhada ao Correio do Estado, a administração municipal informou que permanece aberta ao diálogo para avaliar a viabilidade de ações conjuntas que possam fortalecer os serviços prestados à população.

A prefeitura ressaltou, no entanto, que uma eventual cooperação dependerá de análises técnicas, administrativas e jurídicas antes de qualquer decisão.

A sinalização positiva ocorre em um momento em que Campo Grande enfrenta uma das maiores demandas por manutenção asfáltica dos últimos anos.

Buracos espalhados por diferentes regiões da cidade têm sido alvo constante de reclamações de motoristas, motociclistas e moradores, além de frequentes cobranças por parte da Câmara Municipal.

Pedido foi formalizado por ofício

A proposta de envolver o Exército Brasileiro na operação tapa-buracos não ficou restrita ao debate político. A iniciativa foi formalizada pelo vereador Ronilço Guerreiro por meio do Ofício GAB/RG nº 216/26, encaminhado em 1º de julho ao secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Moura Brandão.

No documento, o parlamentar solicita a adoção de medidas emergenciais para intensificar a recuperação da malha viária de Campo Grande e pede que a Prefeitura avalie a celebração de um convênio ou outro instrumento de cooperação com o setor de engenharia do Exército Brasileiro para reforçar os serviços. 

Segundo o vereador, a parceria poderá ampliar a capacidade operacional da Prefeitura e dar maior celeridade à recuperação das vias públicas, proporcionando mais segurança e melhores condições de mobilidade para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

No ofício, Ronilço Guerreiro também destaca que a iniciativa contribuiria para reduzir os transtornos enfrentados diariamente pela população e coloca o mandato à disposição para colaborar na viabilização da proposta.

Prefeitura amplia estratégias

Além de admitir a possibilidade de cooperação com o Exército, a Prefeitura informou que já está adotando medidas para ampliar a capacidade operacional da operação tapa-buracos.

Segundo a administração municipal, estão em andamento tratativas com o Consórcio Central, responsável por uma usina de asfalto, para aumentar o fornecimento de massa asfáltica utilizada nas obras de recuperação das vias.

A expectativa é que, com maior disponibilidade do insumo, seja possível expandir o número de equipes em campo e acelerar o atendimento das demandas.

A prefeitura também informou que a eventual participação do Exército poderá ser considerada como um reforço à força de trabalho, desde que a iniciativa se mostre tecnicamente viável e juridicamente adequada.

Modelo já foi utilizado no país

Embora ainda não exista definição sobre a parceria em Campo Grande, o emprego do Exército Brasileiro em obras de infraestrutura urbana não é inédito.

Em diferentes momentos, batalhões de engenharia já atuaram em obras de pavimentação, recuperação de rodovias, construção de pontes e ações emergenciais em municípios afetados por desastres naturais, graças à expertise técnica da corporação em engenharia pesada.

Caso a proposta avance, será necessário definir questões como a formalização do convênio, a divisão de responsabilidades, o fornecimento de materiais, equipamentos e recursos financeiros, além da disponibilidade operacional da instituição militar.

Próximos passos

A manifestação da Prefeitura não representa, por enquanto, a confirmação da parceria, mas indica que a proposta deixou de ser apenas uma iniciativa parlamentar para entrar no radar da administração municipal.

A expectativa agora é saber se as tratativas evoluirão para um acordo formal entre o município e o Exército Brasileiro.

Enquanto isso, a Prefeitura aposta na ampliação do fornecimento de massa asfáltica e no reforço das equipes de manutenção como estratégia para reduzir o passivo de buracos que afeta a mobilidade urbana e gera prejuízos diários aos condutores da Capital.

Leia a íntegra da nota oficial enviada pela Prefeitura de Campo Grande ao Correio do Estado:

A Prefeitura de Campo Grande informa que vê com interesse a possibilidade de estabelecer parcerias institucionais com o Exército Brasileiro e permanece aberta ao diálogo para avaliar a viabilidade de ações conjuntas que possam contribuir para o fortalecimento dos serviços prestados à população.

A administração municipal vem adotando as medidas necessárias para ampliar as equipes que atuam na operação tapa-buracos. Nesse sentido, também estão em andamento tratativas com o Consórcio Central, que possui usina de asfalto, para ampliar o fornecimento de massa asfáltica à Prefeitura. Com maior disponibilidade desse insumo, será possível reforçar a capacidade operacional dos serviços.

Nesse contexto, uma eventual parceria com o Exército poderá ser avaliada como alternativa para ampliar a força de trabalho empregada na operação, sempre observando a viabilidade técnica, administrativa e legal da iniciativa.


 

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