Cidades

DRACCO-MS

Investigação deu prejuízo de R$ 1,2 bilhão ao crime organizado

Desse montante, R$ 890 milhões foram em constrição ou bloqueio de valores e outros R$ 310 milhões em bens apreendidos, como imóveis e aeronaves

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Em 2025, o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco-MS) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul chegou a R$ 1,2 bilhão de prejuízo estimado ao crime em operações em MS desde sua criação, em agosto de 2020, segundo levantamento obtido com exclusividade pelo Correio do Estado.

Nos dados enviados à reportagem, do montante total bilionário, R$ 310 milhões eram oriundos de bens apreendidos, como drogas, veículos, aeronaves, joias e demais bens diversos. A delegada Ana Cláudia Medina, titular do Dracco, explica que, após serem confiscados pelos investigadores, os bens passam por um processo detalhado.

“Após a apreensão, o bem é periciado, avaliado e mantido em cadeia de custódia estatal, e pode ser dado seu encaminhamento formal ao depósito judicial, entregue a depositário fiel, caso autorizado, e, no caso de drogas, imediatamente periciadas e depositadas até o momento da incineração. Já valores em dinheiro são depositados em contas judiciais vinculadas aos autos”, explica.

Porém, a delegada Ana Cláudia reforça que os bens podem sofrer decisões judiciais durante o processo, como restituição, quando geralmente quando não interessa mais à investigação, pertence a terceiro de boa-fé ou não serve para ressarcimento de prejuízos sofridos pela vítima.

Há chance também da chamada alienação antecipada, determinada quando o bem pode se deteriorar ou perder valor, sendo nesse caso o valor depositado judicialmente com as devidas correções até decisão judicial final.

Perdimento definitivo em favor do Estado (transferência permanente e legal de bens ou direitos de um indivíduo para o patrimônio público), destruição, doação a órgãos públicos, cautela de uso (reversão de uso) ou mesmo leilão judicial também são outras possibilidades de destino final das apreensões.

Ainda sobre os dados enviados, os outros R$ 890 milhões foram acumulados em constrição de bens ou bloqueio de valores nos últimos cinco anos. A delegada titular do Dracco afirma que nem todo o dinheiro confiscado tem o mesmo destino, já que depende da originalidade dos valores.

Valores oriundos de apreensões, alienação judicial e perdimento não vão todos para o mesmo lugar. A destinação depende do tipo de crime, da lei aplicável e da decisão judicial. Como já dito, valores de alienação antecipada ficam em depósito judicial até decisão final e, nesse caso, podem ter destinos diferentes nas esferas da União, do estado ou do município e em fundos públicos específicos”, destaca Ana Cláudia.

A delegada cita que, dentro das esferas públicas, o dinheiro geralmente é destinado ao “Tesouro Nacional, fundos antidrogas ou fundos específicos, no caso de valores decorrentes de apurações de lavagem de dinheiro e organização criminosa, revertidos para fundos para reaparelhamento de forças de segurança pública ou ainda destinados a ressarcimento da vítima como forma de indenização e/ou reparação de danos”.

Por fim, a delegada da Dracco ressalta o trabalho feito pelo departamento contra organizações criminosas.

“O enfrentamento moderno às organizações criminosas exige a asfixia financeira desses grupos, a retirada do seu poder econômico ilícito e a neutralização da capacidade de reinvestimento no crime. Cada bem apreendido, cada valor constrito e cada ativo recuperado representam não apenas a aplicação da lei, mas o enfraquecimento estrutural das organizações criminosas”, afirma.

“Esse resultado não é fruto do acaso, mas de acompanhamento permanente e sistemático das organizações criminosas, planejamento estratégico, atuação integrada e da compreensão de que combater o crime organizado é, sobretudo, retirar dele o seu oxigênio financeiro”, complementa a delegada.

CASO RECENTE

Na primeira semana de dezembro, o Dracco deflagrou a Operação Castelo de Cartas, que desmantelou uma organização criminosa que tinha grande estrutura e forte ligação com seis estados para enganar vítimas por meio de compras de imóveis, veículos e outros artigos de grande valor.

*Informação certa no gráfico sobre a criação da Dracco é agosto de 2020, e não agosto de 2000 como consta na arte

Em Mato Grosso do Sul, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Campo Grande, mais especificamente no Residencial Vitalitá, condomínio de luxo localizado próximo ao Carandá Bosque, com apreensão de joias, dinheiro em espécie, carros, equipamentos eletrônicos e documentos.

Segundo a delegada, os alvos na Capital eram responsáveis por arrecadar valores milionários por meio de promessas e negociações feitas com as vítimas.

Até o momento, foram identificadas cinco vítimas, que tiveram prejuízo de R$ 1,5 milhão por causa dos golpes. Ademais, foi solicitado o bloqueio de R$ 7.524.805,40 dos investigados, valor cinco vezes superior ao apurado no curso das investigações.

Mesmo sem o cumprimento de mandados de prisão, a delegada Ana Cláudia Medina não descartou a possibilidade de essa operação desencadear novas diligências em breve.

Além de Mato Grosso do Sul, a Operação Castelo de Cartas cumpriu mandados no Distrito Federal, Mato Grosso, Santa Catarina, São Paulo e Rondônia, este último estado com forte ligação com as ações ilícitas que feitas em território sul-mato-grossense.

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alívio

Em cheia antecipada, rio mais piscoso do Pantanal sobe mais 50 cm

Rio Miranda chegou a 6,5 metros na manhã desta terça-feira na régua instalada próximo da cidade com o mesmo nome

13/10/2026 11h56

No final da semana passada, a Defesa Civil teve de retirar galhos presos aos pilares da ponte na MS-339

No final da semana passada, a Defesa Civil teve de retirar galhos presos aos pilares da ponte na MS-339

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O nível do Rio Miranda subiu mais 50 centímetros entre a manhã de segunda-feira e esta terça-feira (13), chegando a 6,5 metros na régua instalada na ponte próximo à área urbana de Miranda. E, segundo a coordenação municipal da Defesa Civil, apesar de não ter chovido forte nas cabeceiras nas últimas horas, o nível continuava subindo por volta da 8 horas, quando foi feita a medição.

O Rio Miranda é considerado o rio com a maior quantidade de peixes do Pantanal e um dos mais piscosos do mundo. Antes das recentes chuvas, cardumes com cententas de milhares de peixes foram flagrados subindo o rio, que há meses estava enfrentando a falta de água.

Com a cheia de agora, lembra o chefe da Defesa Civil, Flávio Nogueira Machado, estes peixes ficam praticamente livres de uma possível pesca predatória, já que o período de defeso ainda não começou. 

Apesar da constante alta e da aproximação da água, as famílias que residem às margens do rio na área urbana de Miranda continuavam todas em seus imóveis, segundo o coordenador da Defesa Civil. “É sempre assim, elas só saem das casas depois que a água invade tudo”, lembraFlávio Nogueira Machado. 

A situação fica mais grave quando o nível passa dos sete metros. Mas, como o nível na região das cabeceiras já estava baixando desde ontem, a previsão é de que as águas comecem a baixar nas próximas horas.  No distrito de Águas do Miranda, às margens da MS-345, por exemplo, o nível baixou em torno de um metro nesta segunda-feira.

Cheia do Rio Miranda nesta época do ano, segundo o coordenador da Defesa Civil, é alto totalmente atípico. Flávio tem 49 anos e sempre viveu em Miranda. Ele diz nunca ter visto tanta água em um mês de outubro como agora.

“Normalmente nesta época a gente está preocupado com as queimadas no Pantanal e a falta de água até para os rebanhos nas fazendas”, lembra. Cheias em janeiro, fevereiro e março são recorrentes na região, mas isso porque são os meses em que as chuvas fortes são normais. 

As chuvas mais fortes começaram no dia 4 de outubro e ao longo da semana foram em torno de 300 milímetros, acredita Flávio. Em nove dias o nível do rio subiu 4,4 metros, passando de 2,1 metros, na segunda-feira da semana passada (5), para 6,5 metros nesta terça-feira (13). 

O Rio Aquidauana também subiu em pleno mês de outubro e chegou a superar os 8,2 metros no último sábado (10) na cidade com o mesmo nome. Por conta da cheia, o córrego João Dias ficou represado e se espalhou na região mais baixa em Aquidauana, invadindo imóveis de ribeirinhos.

Na região sul do Estado, o Rio Dourados também está está cheio e transbordando nas regiões mais baixas, como é o caso de Fátima do Sul, onde as águas estão encobrindo pastagens e lavouras nas quais deveria estar crescendo soja.

E para esta terça-feira a meteorologia prevê o retorno de chuvas fortes nas regiões sul e central do Estado, incluindo cidades como Maracaju, Sidrolândia, Dourados, Ivinhema, Iguatemi e outras. Se a previsão se confirmar, os rios Miranda e Dourados devem voltar a receber volume significativo de água.

A chegada antecipada das chuvas fortes está fazendo até o Rio Paraguai começara a subir cerca de dois meses mais cedo que em anos anteriores. Nesta terça-feira ele amanheceu com 1,23 metro. No dia 4 o nível estava 13 centímetros mais baixo.
 

VOLUME ELEVADO

Rio Dourados tem cheia atípica após setembro e outubro chuvosos

Para os últimos meses do ano, o Cemtec projeta uma precipitação acumulada entre 300 e 500 mm no Estado

13/10/2026 10h45

O Rio Dourados costuma ficar com volumes elevados durante os meses de fevereiro e março, no verão

O Rio Dourados costuma ficar com volumes elevados durante os meses de fevereiro e março, no verão Reprodução: Planet Hobby

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Uma cheia atípica no Rio Dourados, no município de Fátima do Sul, chegou durante a primavera, neste mês de outubro. Imagens de drone da página Planet Hobby, feitas durante esta segunda-feira (12), mostram o nível elevado do rio após as chuvas que atingiram a região em setembro e até esta terça-feira (13).

De acordo com Cláudio Justino, proprietário da página e morador de Fátima do Sul, o normal é que essa cheia aconteça no período de Carnaval, no mês de fevereiro a março, quando o acumulado de chuvas de verão atinge o ápice e eleva drasticamente o volume do rio. Porém, as chuvas de setembro e outubro fizeram com que o rio transbordasse fora de época.

O boletim mensal do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) aponta que, em setembro, Mato Grosso do Sul apresentou chuvas acima da média histórica em diversas regiões do Estado. Os maiores volumes foram registrados principalmente nas regiões sul, centro-sul e oeste, com destaque para Anaurilândia (223,6 mm), Campo Grande (220,0 mm), Itaporã (200,0 mm), Dourados (194,6 mm), Nova Alvorada do Sul (190,6 mm) e Ivinhema (190,2 mm).

Para os últimos 3 meses do ano, o Cemtec projeta que a precipitação dos acumulados estarão acima da média climatológica, com valores de referência entre 300 e 500 mm, variando conforme a região do Estado.

Em relação a temperatura, estas devem ficar acima da média histórica, cuja referência varia entre 22 °C e 26 °C, indicando um trimestre predominantemente aquecido em Mato Grosso do Sul.

O Rio Dourados começa no município de Antônio João e banha diretamente 12 municípios sul-mato-grossenses ao longo de seu percurso até desaguar no Rio Brilhante:Antônio João (nascente), Ponta Porã, Laguna Carapã, Caarapó, Dourados, Itaporã, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados, Vicentina, Jateí, Ivinhema.

Previsão

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, há chances de enchentes em Fátima do Sul, com precipitações que podem ficar acima dos 30 milímetros. Além disso, há alerta para mudanças significativas de tempo para esta terça-feira (13), com pancadas de chuva, trovoada e raios no centro-sul do Estado.

Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju, Rio Brilhante, Dourados e Ponta Porã até extremo sul tem previsão de rajadas de ventos de 60km/h.
 

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