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US$ 2 milhões

Bilionário Jeff Bezos investirá milhões em projeto de IA no Pantanal

Projeto foi selecionado para receber investimento de 2 milhões de dólares do Bezos Earth Fund, criado pelo fundador da Amazon

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Um projeto desenvolvido em parceria entre o Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Pantanal (PPBio-Pantanal), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Cornell (EUA) foi selecionado para receber investimentos do Bezos Earth Fund, criado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos. O projeto foi contemplado no Desafio de IA para Clima e Natureza e receberá investimento de cerca de US$ 2 milhões, o que dá aproximadamente R$ 10,8 milhões na cotação atual do dólar.

Por meio do edital, o Bezos Earth Fund buscou apoiar projetos inovadores que irão utilizar Inteligência Artificial (IA) para enfrentar desafios ambientais globais.

O objetivo do projeto é o monitoramento acústico de dois hotspots de biodiversidade do Sul Global, sendo um no Pantanal, com intuito de fornecer informações sobre a biodiversidade e a saúde do ecossistema, e outro na Reserva Biosfera Maia, na Guatemala, que tem foco de identificar em tempo real as ameaças às florestas decorrentes de atividades ilegais.

Segundo a pesquisadora Liliana Piatti, da UFMS, o projeto representa uma inovação ao unir inteligência artificial e bioacústica em uma escala de bioma.

“Pela primeira vez, o Pantanal será monitorado de forma automatizada e contínua, com potencial para detectar aves, mamíferos, anfíbios, insetos e até morcegos a partir de seus sons. O sucesso do projeto depende totalmente do conhecimento local sobre a fauna. Moradores, pesquisadores e até observadores leigos contribuem identificando corretamente os sons das espécies, ajudando a treinar os modelos de inteligência artificial”, explica.


 

Ainda conforme a pesquisadora, o uso de gravadores automáticos e IA para monitorar os sons da fauna permite gerar informações inéditas e robustas sobre a biodiversidade do Pantanal e, ao mesmo tempo, fortalecer as pessoas que vivem e trabalham no bioma.

Os dados produzidos podem apoiar políticas públicas, orientar ações de conservação e valorizar o conhecimento tradicional dos pantaneiros. 

Financiamento pela Bezos Earth Fund

A iniciativa foi inscrita pelo Centro K. Lisa Yang para Bioacústica da Conservação, da Cornell, que é referência mundial e pioneiro no uso da bioacústica para conservação, e foi selecionada, por meio de edital, entre mais de 1 mil propostas do mundo todo. No total, foram escolhidos 15 projetos para receber o investimento.

“A seleção foi extremamente competitiva e contou com uma avaliação técnica rigorosa, apoiada por parceiros como a Amazon Web Services, Google.org e Microsoft Research. Acreditamos que o diferencial decisivo foi a força da parceria de Cornell, pioneira e reconhecida mundialmente no trabalho com IA, com a UFMS e PPBio Pantanal, que representam uma rede de pesquisadores e comunidades locais com profundo conhecimento sobre o território. Essa combinação entre excelência científica e engajamento regional foi o que garantiu nossa presença entre os vencedores globais”, destaca a pesquisadora Liliana Piatti.

Ela destaca ainda que o investimento do Bezos Earth Fund "significa poder dar um salto tecnológico e estrutural em direção a uma conservação mais efetiva, e que combina o que há de mais avançado em inteligência artificial e bioacústica com o conhecimento tradicional das pessoas que vivem no bioma, e de pesquisadores que dedicam suas carreiras inteiras para entender os padrões e processos que moldam o bioma".

"É também um incentivo simbólico muito forte: mostra que o mundo está olhando para o Pantanal com atenção e que soluções desenvolvidas aqui podem servir de modelo para outras regiões do planeta”, ressalta.

Conforme o professor do Instituto de Biociências (Inbio) e coordenador da Rede PPBio-Pantanal Capital Natural, Fábio Roque, a seleção do projeto para o investimento também é importante para a internacionalização da UFMS, tendo em vista que irá promover intercâmbio de pesquisadores e estudantes entre as instituições envolvidas.

Fábio Roque afirma que a ideia de concorrer ao investimento surgiu a partir de um processo contínuo de aproximação científica entre as universidades, liderado principalmente pelas pesquisadoras Liliana Piatti, da UFMS, e Larissa Sayuri Moreira Sugai, egressa da Instituição que hoje atua na Cornell.

“O Bezos Earth Fund apareceu como uma excelente oportunidade para consolidar essa parceria e ampliar o escopo da cooperação, viabilizando um sistema de monitoramento de biodiversidade inovador, colaborativo e de alcance internacional”, informou o professor.

Parcerias

A pesquisadora Liliana Piatti explica que o trabalho em conjunto foi iniciado há cerca de três anos, quando Larissa buscava parcerias locais para dar continuidade às pesquisas com as ferramentas em Mato Grosso do Sul.

Na ocasião, houve um financiamento da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), o que nos permitiu organizar o trabalho de campo e iniciar as primeiras coletas de dados acústicos no Pantanal Sul.

"À medida que fomos estruturando nossa coleta e o gerenciamento dos dados, fomos entendendo melhor os potenciais e desafios da pesquisa em bioacústica no Pantanal, que nos permitiu amadurecer a metodologia e criar condições para que o projeto crescesse em escala e impacto”, ressalta.

Com o projeto mais consolidado, as pesquisadoras reuniram parcerias com outros pesquisadores e instituições interessadas em expandir a iniciativa.

“No Brasil, o PPBio Pantanal Capital Natural, coordenado pelo professor Fábio Roque e com a participação de outros professores e estudantes do Inbio e de outras instituições de Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso, e apoio do Governo do Estado de MS, estava começando um projeto voltado ao monitoramento da biodiversidade do Pantanal por meio de bioacústica e DNA ambiental, com o objetivo de gerar informações sobre o capital natural do bioma, úteis tanto para a ciência quanto para a gestão pública e a sociedade", explica.

"Ao mesmo tempo, o Centro K. Lisa Yang para Bioacústica e Conservação buscava um projeto em larga escala para testar e aprimorar as ferramentas de monitoramento e inteligência artificial (IA) que vinha desenvolvendo. Assim, as duas instituições perceberam que poderiam se beneficiar mutuamente, unindo conhecimento técnico, infraestrutura, redes de pesquisadores e parcerias locais”, acrescenta.

No acordo de cooperação firmado, o papel da UFMS é facilitar e coordenar o trabalho em campo, oferecendo apoio logístico, mobilizando pessoas e garantindo que todas as etapas do projeto sejam executadas de maneira eficiente de acordo com os objetivos da pesquisa, considerando as particularidades do Pantanal.

Já o Centro K. Lisa Yang é responsável por fornecer os equipamentos e o suporte técnico especializado, além de aplicar modelos de aprendizado de máquina aos dados coletados e capacitar pesquisadores e estudantes brasileiros no uso dessas tecnologias.

“Essa parceria é, portanto, uma via de mão dupla: traz tecnologia de ponta para o Brasil, ao mesmo tempo em que reconhece e valoriza o conhecimento local e a experiência dos pesquisadores e comunidades que vivem e atuam no Pantanal”, destaca Liliana.

O coordenador do projeto esclarece que A UFMS, por meio da Rede PPBio-Pantanal, atua como o braço brasileiro da implementação do sistema de monitoramento no bioma e as outras instituições irão trabalhar de forma colaborativa para coproduzir conhecimento e ações concretas de conservação, transformando dados de monitoramento em informação útil para políticas públicas e gestão ambiental. 

Cidades

Anvisa aprova resolução que permite cultivo da cannabis medicinal

Apesar das mudanças, o uso recreativo e o plantio para outras finalidades continua proibido

28/01/2026 19h00

Arquivo

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A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma resolução que permite o cultivo e a comercialização de medicamentos à base de cannabis por empresas, universidades e associações de pacientes.

Essa resolução estabelece requisitos para a comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e a fiscalização de produtos de cannabis, e permitirá avanços na pesquisa e na produção de medicamentos com esse princípio ativo.

Apesar das mudanças, o uso recreativo e o plantio para outras finalidades continua proibido.

 

Cidades

Prefeitura de Ponta Porã descumpre edital de licitação e impede concorrência no setor funerário

A prefeitura tem 10 dias para apresentar justificativa técnica e jurídica do monopólio na prestação dos serviços

28/01/2026 16h46

Prefeitura Municipal de Ponta Porã

Prefeitura Municipal de Ponta Porã Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu prazo de 10 dias para que a Prefeitura de Ponta Porã justifique técnica e juridicamente o monopólio na prestação de serviços funerários na cidade.

A investigação aponta que a administração municipal tem impedido a atuação de novas empresas, alegando exclusividade da atual concessionária, uma prática que contraria o próprio edital de licitação e a lei municipal, que preveem a livre concorrência.

A apuração, conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça, teve início após uma denúncia encaminhada pelo Ministério Público Federal (MPF), relatando que a Prefeitura nega sistematicamente alvarás para novas funerárias.

Segundo os autos, o município tem barrado até mesmo empresas que atuam apenas com planos de assistência funerária, atividade que, pela legislação federal, nem exigiria concessão de serviço público. 

O escritório de advocacia do atual prefeito, Eduardo Campos (PSDB), advoga para a empresa que fornece os servicos funerários em Ponta Porã (leia abaixo)

Documentos anexados ao inquérito revelam uma contradição na postura do Executivo. O edital da Concorrência Pública nº 003/2015, assinado pela então presidente da Comissão de Licitação, Neyde Aparecida Ciliax Tavares, estabelece em seu item 6.6 que a concessão poderia ser outorgada "a quantas empresas funerárias forem interessadas".

Da mesma forma, o artigo 32 da Lei Municipal nº 4.000/2013, sancionada pelo ex-prefeito Ludimar Godoy Novais, autoriza expressamente a pluralidade de prestadores.

A denúncia destaca que Ponta Porã, com cerca de 97 mil habitantes, é a quinta maior cidade do estado e possui demanda suficiente para mais de uma empresa. O monopólio "de fato", segundo a denúncia, prejudica a população ao deixá-la refém de preços e condições impostos por um único fornecedor.

Em despacho recente, o Promotor de Justiça William Marra Silva Júnior criticou a resposta inicial da Prefeitura, que se limitou a afirmar a existência da exclusividade sem apresentar qualquer base legal.

O MPMS agora exige que o prefeito Eduardo Campos apresente estudos que comprovem a "inviabilidade técnica ou econômica" para a entrada de concorrentes, conforme exige a Lei Federal de Concessões. Caso não haja justificativa plausível, a Promotoria poderá adotar medidas judiciais por improbidade administrativa.

Advogados 

O escritório de advocacia do prefeito Eduardo Campos defendeu a funerária da família Uemura, empresa alvo de processos e investigada tanto pela Polícia Federal quanto pelo Ministério Público em Ponta Porã.

A Uemura, representada por Eduardo Uemura, 42 anos, sofreu uma ação civil pública em razão de operar cemitério sem licenciamento ambiental em Ponta Porã. A secretaria de Meio Ambiente local informou que nem o órgão municipal ou estadual licenciaram a funerária. 

Na ação, o MPE pediu que a empresa ressarcisse os danos ambientais causados pela funerária. A empresa teria sido até proibida de fazer enterros no local, mas teria desobedecido a ordem. Foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta entre as partes, em 2019.

Até meados de 2024, quando Campos já havia assumido a prefeitura, o escritório ainda defendia os interesses da empresa no processo.

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