A defesa de Roberto Razuk, preso na manhã desta terça-feira (25) em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que investigava esquema do Jogo do Bicho, aguarda o parecer judicial sobre a possibilidade de que o idoso, pai do deputado Neno Razuk (PL), possa cumprir prisão domiciliar em virtude de sua "saúde frágil", uma vez que já passou por cirurgia cardíaca.
Ele foi preso junto dos filhos Rafael Razuk e Jorge Razuk em Dourados, interior do Estado. Ao Correio do Estado, André Borges, advogado de defesa de Roberto Razuk, disse desconhecer as razões pelas quais o patriarca da família foi detido, contudo, já solicitou para que a Justiça conceda prisão domiciliar a ele.
"A defesa ainda não sabe as razões da prisão preventiva de Roberto Razuk. No momento, foi apresentado um pedido à magistrada para garantir a ele o pedido a prisão domiciliar, porque Roberto Razuk é idoso e esta com a saúde bastante abalada, nós aguardamos aresposta a esse pedido com toda a urgência, em razão de previsão legal expressa garantindo esse tipo de direito", destacou o advogado.
Cabe destacar que o Gaeco apreendeu mais de R$ 300 mil, ação, realizada em conjunto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar. Segundo informações, além do montante em dinheiro, equipes recolheram armas, munições e máquinas supostamente usadas para registrar apostas do jogo do bicho.
Ao todo, os materiais foram apreendidos durante o cumprimento dos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão executados hoje em Campo Grande, Dourados, Corumbá, Maracaju e Ponta Porã, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
Em Dourados, viaturas foram vistas logo cedo em bairros como Jardim Água Boa e Vila Planalto. A residência de Roberto Razuk foi um dos principais pontos de ação, onde agentes recolheram malotes.
Outro alvo da operação foi Sérgio Donizete Balthazar, empresário e aliado político, proprietário da Criativa Technology Ltda., que no início deste ano ingressou no Tribunal de Justiça com mandado de segurança para tentar suspender a licitação da Lotesul, estimada em mais de R$ 50 milhões.
Também aparecem entre os alvos o escritório de Rhiad Abdulahad e Marco Aurélio Horta, conhecido como “Marquinho”, chefe de gabinete de Neno Razuk e funcionário da família há cerca de 20 anos.
Até o momento, o MPMS não detalhou o procedimento que originou a operação. A família Razuk, entretanto, já foi alvo de apurações relacionadas ao jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A ação desta terça-feira é tratada pelo Ministério Público como uma nova fase dessas investigações.
A operação segue em andamento. O MPMS deve divulgar mais informações ao longo do dia.
HISTÓRICO
Roberto Razuk, 84, é ex-deputado estadual por Mato Grosso do Sul e figura conhecida na política e no setor empresarial do Estado. Filho de imigrantes libaneses de origem turca, atuou por duas legislaturas na Assembleia Legislativa, entre 1987 e 1995, eleito inicialmente pelo PFL e, depois, reeleito pelo PDT. Com forte base eleitoral em Dourados, contribuiu para a criação da UEMS e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF).
A trajetória política é marcada também por investigações e condenações. Em 1995, o Ministério Público apontou que o empresário obteve financiamento de R$ 3,5 milhões do Banco do Brasil com garantia de uma fazenda inexistente em Ladário, caso que resultou, em 2003, em condenação a 20 anos de prisão por falsificação de documentos e fraude financeira. Razuk chegou a ser preso novamente em 2007 durante a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, contra o jogo do bicho e máquinas caça-níquel.
É casado com Délia Razuk, ex-prefeita de Dourados, e pai do deputado estadual Neno Razuk (PL), Rafael Razuk e Jorge Razuk.
FASES
Em outubro de 2023, antes das fases da Successione, a Polícia Civil fez uma apreensão de 700 máquinas da contravenção, semelhantes a máquinas de cartão utilizadas diariamente em qualquer comércio, sendo facilmente confundidas.
As prisões foram desencadeadas a partir da deflagração das fases da Operação Successione, que começou no dia 5 de dezembro de 2023. Na ocasião, foram cumpridos 10 mandados de prisão e 13 mandados de busca e apreensão. Foi nesta fase que os ex-assessores parlamentares de Neno Razuk foram pegos.
Duas semanas depois, no dia 20 de dezembro, foi deflagrada a segunda fase da operação, com o cumprimento de 12 mandados de prisão e 4 de busca e apreensão. Ela foi realizada após investigações do Gaeco apontarem que a organização criminosa continuou na prática do jogo do bicho, além de concluírem que policiais militares também atuavam nesta atividade.
No dia 3 de janeiro do ano passado, chegou a vez da terceira fase da operação, com mais dois envolvidos presos pela contravenção na Capital.
A disputa pelo controle do jogo ilegal em Campo Grande se intensificou após a prisão de Jamil Name e Jamilzinho, durante a Operação Omertá, em 2019, que eram apontados pelas autoridades como os donos do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Quatro anos depois, Jamil Name Filho foi condenado a 23 anos de reclusão, após um julgamento de três dias.
O termo italiano “Successione” – que dá nome a operação, é uma referência a disputa pela sucessão do jogo bicho em Campo Grande após a operação Omertá.
*Colaborou Alicia Miyashiro

